O chão da alma
1 Na rotina
Se admirando no espelho, pensou como tudo era tão belo no início, mas como dizem: "Nem tudo é pra sempre". Ela teria que crescer, amadurecer, porém amadurecer teria seu preço, traria suas sequelas mas também viriam seus benefícios, agora ela podia falar a respeito disso porque ela viveu para alegar ser verídico.
Há três anos atrás...
Isabela tinha tudo o que queria. Sua casa era enorme, seus pais se amavam, seus amigos eram numerosos, suas tecnologias exageradas e sua popularidade o auge, porém estava passando pelo processo nomeado: Adolescência.
Mesmo estando nos seus 15 anos não sofria por nada, afinal ela tinha tudo que queria, na verdade tudo o que muitos adolescentes almejam.
Despertou naquela manhã com um sorriso no rosto, arrumou-se para a escola, descendo as escadas de casa e chegando na cozinha viu seus pais na mesa tomando café.
-Bom dia mãe! – disse Isa beijando o rosto da mãe.
—Bom dia Bela! — Respondeu sorrindo.
-Bom dia pai?
O homem sentando na cadeira a frente da mesa afastou a xícara dos lábios e o jornal do rosto sorrindo.
—Bom dia, princesa! – Respondeu calmamente
Isabela se sentou servindo-se.
—Mãe você pode me buscar hoje? Vou a biblioteca, antes de ir a casa da Lê.
—Claro meu amor, ligue-me assim que sair do colégio.
Isa se levantou assim que terminou de comer, e se pôs a andar.
Adorava observar o sol pela manhã, amava admirar a cidade, como um gigante feito de moléculas, aos poucos cada uma se movimentando, aos poucos a cidade acordando, aos passos na calçada suavemente enfim chegou aos portões do colégio.
Nos corredores se escutava na boca de toda a gente, desde os funcionários até o diretor, pronunciavam o nome de Isa, falavam com ela, porém toda essa popularidade era por um único motivo, ela era a mais rica dentre os colegas.
Todos queriam a atenção da garota, todos eram interesseiros.
Caminhou até o armário guardando alguns livros ali dentro, nem dois minutos se passaram e um dos seus tantos grupos de amigos se aproximaram, debatiam ideias entre eles.
-Faremos teatro musical na semana de artes – tagarelava Jane.
-Não, já disse que prefiro teatro com marionetes – Contestava Eduardo inconformado.
O restante do grupo apenas concordava com a opinião de um dos dois. Isabela que estava de costas para a roda, virou-se.
—Podemos fazer os dois e tudo fica resolvido – intrometeu-se sugerindo sua ideia.
-Boa! –concordou Eduardo
-Nem pensar, gastaremos demais! E o tempo? Não vamos conseguir preparar-nos para um espetáculo atrás do outro. – Contestava Jane.
-O dinheiro eu consigo, o tempo também, fala pra mim o que me é impossível?
Todos riram em concordância.
—Então gênia, o que fará? –perguntou Eduardo jogando um braço sobre o ombro de Isa.
Envergonhada retirou o braço dele, mas pôs se a responder sua pergunta:
—Falarei com a coordenadora e ela deixará colocarmos uma apresentação no início e outra no fim do evento. –Deu uma piscadela e todos concordaram com a ideia.
Ficaram ali por minutos conversando sobre o evento escolar. Após as aulas daquela manhã, sua mãe a pegou na escola levando-a para a biblioteca onde ficaria por um tempo esperando Leticia, uma de suas amigas. Quando Leticia chegou foram para a casa da mesma, passaram a tarde conversando, comendo guloseimas e assistindo filmes.
Quase no anoitecer a mãe de Isa apareceu levando-a para casa. Jantaram todos reunidos como em todas as noites e ela dormiu no conforto do seu quarto. Eram todos os dias assim. Até acontecerem aos poucos situações estranhas e num dia que deveria ser normal transformar todo o rumo da sua vida..
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