O cavalheiro e a princesinha
1 O "resgate"
Notas iniciais
Toda aquela história de buscar a princesinha no castelo, aconteceu. Mas não era um castelo, era apenas uma torre no meio de várias plantas e flores bonitas e de cores bonitas do lado de um pequeno lago, no meio da floresta, com uma entrada que parecia que duas árvores tinham se juntado e feito uma porta para essa torre. E além disso, não tinha nenhum chefão ou magia que impedia o cavalheiro de entrar na torre. Na verdade, a própria princesa era esse monstro. Entediada e solitária, vivia todos os dias a princesinha da floresta no alto da torre, e como ela não conhecia a floresta, tinha medo de sair e explorar.
O cavalheiro se aproximou da torre. Ele vestia uma armadura e segurava uma espada, pesada demais para ele, que arrastava no chão. Seus cabelos negros escapavam de seu elmo por serem longos demais, e sua pele branca demais, estava um pouco avermelhada e suada por ter que enfrentar os bichinhos no meio do caminho para ir de encontro com sua princesinha, que esperava morrer sozinha e sem ninguém, tomada pela tristeza e solidão. Ele parou de frente com uma placa de madeira que balançava com o vento e as folhas. Estava escrito o nome da princesa, Anna. O cavalheiro observou a torre de baixo para cima, que tinha um telhado de tijolos no formato de um cone. Olhando o céu azul e ensolarado, dava-se para perceber que alguns pássaros que estavam no telhado estavam fugindo de alguma coisa. Tudo ficou estranhamente silencioso e, vindo do nada, um monstro peludo com dentes afiados rugindo. "RAAWR", ele rugia. O monstro tinha o corpo coberto de pelos castanhos-claro, os olhos eram tão negros que a esclera e a íris se pareciam com um eclipse.
— Pare, monstro! Deixe minha princesinha livre! — Gritou o cavalheiro, pegando sua grande espada e ameaçando o monstro.
— Grrr.. — O monstro rosnou, sentindo-se ofendido.
O cavalheiro, com sua espada, lutava com o monstro que errava a mira e rolava no chão, rugindo. Após um tempo, o monstro estava caído no chão, exausto. O cavalheiro notou algo estranho e se aproximou do monstro, que parecia muito menor do que antes. Parecia que ele também estava perdendo muito pelo, até tomar uma forma humanoide e se parecer com uma garotinha de pele morena, cabelos curtos e encaracolados e uma franja bagunçada pela luta, está claro que ela está exausta demais para continuar com sua forma.
— Uma garotinha? Que estranho. — Ele a cheirou. Mesmo depois dessa luta, ela tinha um doce cheiro de marshmallow. Reconheceu na hora que era a princesa que estava procurando. — Princesinha Anna!
A princesinha não respondeu, estava cansada demais pra responder. Apenas olhava para ele com irritação, querendo saber o porquê de estar ali, querendo invadir sua torrezinha ou se queria a fazer mal. Mesmo irritada, ela parecia ter uma carinha de bebê que não ganhou o leitinho do dia.
— Arf... Vo...cê... Ugh... — Ela realmente não conseguia falar direito, estava cansada demais e sem fôlego.
— Desculpe, desculpe, desculpe, desculpe, me desculpe... Eu te machuquei, você está sangrando e... Eu não sabia que... — O cavalheiro estava confuso.
— Sai... daqui... — A princesinha estava chorando por seus machucados doerem tanto.
— Eu realmente não sabia...
E mesmo contra a vontade da princesa, ele a colocou no colo tomando cuidado onde a tocava e foi o mais rápido possível para a torre, subindo as escadas o mais rápido que podia para logo tratar a princesinha. A garota se contorcia, envergonhada por seu "inimigo" estar cuidando dela, a mesma sentia culpa por ter feito aquilo mas ela não tinha tido escolha, o medo tomou conta de sua mente e tudo o que ela conseguiu foi ter que atacá-lo para que não a fizesse mal. E agora ali estava o cavalheiro, com a princesa sob a cama cuidando dela.
— O que você viu em mim, por que estava ali, o que pensava que estava fazendo?! — Todas essas perguntas saíram da boca da princesa rápido demais.
— Calma, calma. Apenas relaxe e me deixe cuidar de você.
— M-me desculpe... Eu... E-eu pensei errado de você, muito errado... Você queria me fazer bem, não é? Você, o único que se importa comigo mesmo sem me conhecer... E eu o ataquei, eu sou um monstro...
— Monstro? Não. Eu chamo de Annassaurinha.
— Annassaurinha?
— Sim. Você pode ficar peluda, gigante e feroz, mas continua fofa e bobinha, como as lendas. Nem um único ataque você me acertou.
— Então você está bem? Mesmo?
— Sim... E aliás, eu prometo que vou te fazer feliz. MUITO feliz. Você será a minha princesinha, irei ficar sempre ao seu lado e se sentirá tão bem que quase explodirá de alegria. Desde que eu ouvi a lenda da princesinha, que antes deusa, foi expulsa dos céus por seus pais por ser rebelde demais. Que ficou em algum lugar, no meio dessa floresta enorme cheia de criaturinhas desconhecidas que habitam por aqui, numa torre com medo de sair e se machucar, bobinha demais para o mundo cruel afora. Eu treinei muito só para conseguir entrar na floresta e te resgatar, pois uma deusa como você não poderia ficar sozinha para sempre, e sim com uma companhia que lhe daria carinho e muito amor.
— E-eu não sei o que dizer... Estou tão feliz em ouvir isso, tão feliz... Eu acho que estou te amando. Não, tenho certeza. Como alguém pode amar outra pessoa assim, tão rápido? Provável que tenhamos sido feitos um pro outro, para toda a eternidade. — Agora as lágrimas da princesinha não eram mais de tristeza, culpa ou dor. E sim, lágrimas de felicidade e de amor.
— Eu te amo, te amo muito e te amo demais. Eu fui feito para você, e você para mim!
— Estou tão feliz de ouvir isso... Eu também te amo, te amo demais e sempre te amarei. Eu prometo.
Fale com o autor