O caso entre Harry e Mione que os fãs desconhecem
1 Capítulo Único
Harry sabia – provavelmente antes mesmo de Rony e Hermione – do sentimento que ligava os dois amigos. Sabia também, é claro, de seus sentimentos em relação à Gina Weasley, e tampouco poderia desconsiderar ao fato de que Hermione e Rony acabaram de ter uma briga feia em decorrência dos ciúmes da garota ao encontrar Rony e Lilá aos beijos e risadinhas maldosas. A forte amizade entre ele e Hermione (e Rony) também era um entrave, sem dúvida. Mas ainda assim, mesmo considerando todas as probabilidades desfavoráveis, pensou que a proposta que faria a seguir não seria de todo indecorosa:
— Hermione, vem comigo!
— Pra onde, Harry?
— Vem, Mione. – Harry puxou a amiga pelo braço com toda urgência.
Hermione ainda soluçava devido ao choro incontrolável por ver Rony e Lilá juntos. Toda vez que se lembrava da cena, pensava que deveria ter feito mais que apenas enfeitiçar pássaros e fazê-los atacar o rapaz. O ciúme e a raiva eram tão grandes que naquele momento não sabia o que pensar do amigo em meio aquele turbilhão de emoções que a invadia pela primeira vez. Quanto a Harry, Mione o seguiu naturalmente, embora não tivesse qualquer ideia de onde estaria indo.
Após muito percorrerem o castelo, finalmente chegaram onde Harry pretendia. No entanto, para surpresa de Hermione, os dois ficaram parados em frente a uma parede sem qualquer sinal de porta ou passagem secreta, o que fez com que a garota indagasse, com ironia:
— E então, Harry? É aqui que você queria vir com tanta pressa?
Sorrindo, Harry apontou para a parede outrora plana que, quando Mione virou-se para olhar novamente, havia dado lugar a uma porta gigantesca.
— Mas Harry, esta é a Sala Preci...
— Isso mesmo, Mione. Esta é a Sala Precisa...
Hermione observou Harry e, quando percebeu que o amigo não explicaria voluntariamente, perguntou:
— Certo, Harry, mas porque estamos aqui?
Enquanto adentravam a sala, Hermione percebeu que o ambiente reproduzia um quarto, com uma cama bastante aconchegante e todo decorado com agradáveis poltronas e cortinas brancas com detalhes cor-de-rosa. E como ela sabia que a Sala Precisa se adaptava às necessidades daquele que recorre a ela, começou a se questionar no que Harry estaria pensando. Ao observar a fisionomia da amiga, Harry se apressou em se explicar:
— Mione, eu gostaria que você não se assustasse e espero que você me deixe explicar. – Harry proferiu estas palavras com a voz um tanto trêmula.
Hermione olhava fixamente para Harry.
— Harry Potter, no que você está pensando? – disse, histérica.
Harry não esperava uma reação totalmente positiva por parte de Hermione, mas tampouco imaginou que a amiga pudesse se sentir ofendida. Afinal, Harry sabia que ela nutria um sentimento diferente por ele, apesar de ser verdadeiramente apaixonada por Rony.
— Hermione, eu não queria te magoar, é sério. Me desculpe, eu...
— Eu não sabia que essas coisas passavam pela sua cabeça, Harry. Pelo menos não pensamentos que me envolvesse. – a garota estava estranhamente mais calma agora.
— Seria melhor se fôssemos honestos um com o outro. É o que eu acho.
Hermione fitava Harry profundamente e, após um ou dois segundos, deu uma risadinha e disse:
— Sempre esteve tão na cara assim?
A breve gargalhada foi impossível de segurar. Harry e Hermione se sentiram ridículos por alguns segundos.
— Comecei a perceber faz pouco tempo. – respondeu Harry.
— Mas eu realmente gosto do Rony, Harry. – Hermione estava agora bastante confusa.
Harry também fitava Hermione com bastante atenção.
— Eu sei, eu sei... E Rony é meu melhor amigo, você sabe. E para piorar a situação, você sabe, eu gosto da Gina...
— Sim, eu sei disso. Aliás, estou ainda mais embaraçada agora, Harry.
— Mas a questão não é esta. – replicou o jovem bruxo. — Veja bem, Mione: Rony está com Lilá Brown, e...
— Não me lembre disso, Harry, por favor!
—... e Gina está com Dino Thomas.
— Mas isso não muda os sentimentos, Harry.
— Eu sei, mas e os nossos sentimentos, Hermione? Ok, somos amigos, mas...
— Este é o ponto. Não quero estragar nossa amizade em função de um sentimento confuso entre nós. Além disso, Harry, eu... – parou um instante para refletir -... apesar de não ter nada com o Rony, eu realmente tenho esperanças de que um dia...
Harry interrompeu bruscamente a amiga, o que a assustou.
— Independente do que acontecer aqui não atrapalhará em nada seus planos com Rony. Nem os meus com Gina, se é que tenho alguma chance com ela. Foi exatamente por isso que escolhi a Sala Precisa.
— É claro que você tem chances com a Gina.
Harry ficou surpreso devido à certeza com a qual Hermione disse aquilo.
— Como pode estar certa disso, Mione?
— Ah, Harry, por favor. Desde a primeira vez que ela o viu ficou evidente que era apaixonada por você. Você é que nunca percebeu.
Harry pensou que o mesmo acontecia com ela e Rony, mas preferiu não dizer nada e retomou o assunto anterior.
— Mas então, Mione? O que vai ser?
— Ai, Harry... eu não sei. Tenho realmente muito medo de colocar nossa amizade em risco. E, além disso, sinto como se estivéssemos traindo Rony e Gina.
Harry não pode discordar, porque tinha a mesma sensação. Pensou que talvez estivesse forçando muito a situação e recuou com a proposta.
— Certo, Hermione. Você tem razão.
— Tenho, é?
— Sim, é claro. Aliás, você quase sempre tem razão. Não é por acaso que é a mais inteligente entre nós.
— Pode até ser, mas às vezes isso atrapalha um bocado.
— Atrapalha como? – questionou o rapaz.
— Como agora, por exemplo: Nós dois queremos. Nós dois sabemos que só descobririam se um de nós contasse a alguém. Nós dois sabemos que independente do que acontecesse aqui não passaria disso. Mas eu, com essa mania de não quebrar as regras e analisar as coisas de maneira tão fria, acabei atrapalhando tudo. E...
O beijo foi inevitável. Harry segurou Hermione pela cintura com tanta força que a garota se assustou, embora estivesse gostando bastante daquele beijo. Enquanto beijava Harry, Hermione se perdia num verdadeiro emaranhado de pensamentos em que, dentre eles, se questionava se aquele era mesmo Harry Potter, pois jamais considerou que o amigo pudesse ter uma iniciativa como aquela e, o que é ainda mais empolgante, não imaginava que Harry fosse tão arrebatador.
Alguns instantes depois aconteceu o que já era esperado: após breves, mas agradáveis momentos, veio o arrependimento. Não porque Harry e Hermione não tivessem aproveitado aquelas horas dentro da Sala Precisa, mas a consciência de que tudo aquilo não poderia ser revelado a quem quer que fosse era irrefutável. Então, em comum acordo, ficou estabelecido entre os dois que esqueceriam tudo aquilo e que em hipótese alguma falariam sobre o assunto novamente.
Fale com o autor