O caminho dourado.
3 O esconderijo.
Notas iniciais
Finalmente um novo dia chega. O garoto acorda meio tonto esfregando as mãos nos olhos. Se dependesse de Josh ele não sairia de sua cama, jamais. Ele se senta apoiando-se na guarda da cama tentando com os pés procurar seu chinelo, ao encontra-los, ele se levanta indo em direção a sua toalha, a pega e vai para o banheiro. Josh parecia um drogado que morava debaixo da ponte andando pela casa na parte da manhã com seu cabelo todo despenteado e seu mal hálito. Chegando ao banheiro ele fecha a porta, pendura a toalha em um cabide, liga o chuveiro com e a água desce sobre o seu corpo mais gelada do que a pior noite de inverno que alguma vez existiu. Enquanto as gotas d’agua caíam sobre o seu corpo novamente veio em sua cabeça uma vaga lembrança sobre o seu pai. Depois de um tempo o garoto desliga o chuveiro, pega sua toalha e se enrola com ela. Andando pelos corredores da sua casa ele avista sua irmã com uma cara nada boa.
– O que foi?
Pergunta Josh.
– E te importa?
– Mas eu...
– Você não tem que saber nada da minha vida!
– Nossa! Já acabou Lisa?
A garota segurando-se para não rir mas mantendo a pose de má ignorou o que o irmão disse e saiu do lugar sem dizer mais nada. Lisa não era assim, ela gostava de seu irmão só que não queria demonstrar isso para ele pelo fato de que Josh sempre foi o preferido o papai, ela queria ter mais atenção dele quando ele estava vivo, pois, para ela o cuidado, amor e o carinho que obteve de seu pai forma poucos.
Josh voltou para o seu quarto com a esperança de hoje fosse um dia melhor. Ele retirou a toalha que estava cobrindo o seu corpo e vestiu-se. Quando terminou foi para a cozinha procurar algo para comer, pois, seu estômago clamava por comida. Foi até sua geladeira e digitou no painel: suco de laranja. Depois de alguns pequenos segundos um copo cheio de suco emergiu da mesa do lugar, logo depois foi até o armário e batendo duas palmas o abriu e pegou uma cookie para comer. Sentou-se em uma das cadeiras e comeu o que tinha pegado.
– Bom dia filho.
Disse sua mãe com um belo vestido de seda vermelho.
– Bom dia.
Josh revira os olhos.
– Filho, por que está assim comigo?
– Mãe não começa.
Ele pega o seu copo de suco e seus cookies e vai para o jardim. O jardim de sua casa era o lugar mais tranquilo e mais calmo para o garoto ficar, ele gostava de lá, gostava de sentir o cheiro das flores mesmo que algumas delas fossem artificiais. Sentou-se em um banco em frente ao grande lago de sua moradia, sentindo a brisa forte batendo sobre o seu rosto. Ficou observando as muitas águas da lagoa. Depois de algum terminando de comer seus cookies e beber seu suco ele levanta-se de onde estava sentado e vai em direção a sua grande casa.
Quando estava caminhando em direção a sua grande casa ele viu no chão gramado do seu jardim o cetro que tinha achado no porão de sua casa.
– O que?
Fala o garoto meio assustado, pois, ele tinha deixado aquilo em seu quarto.
Ele se abaixa para pegar o objeto e quando consegue apanha-lo sua irmã aparece do nada.
– Josh?
Ele se assusta com a voz dela e deixa o cedro cair de suas mãos.
– Ah... Oi.
Diz ele apanhando meio tremulo o que tinha deixado cair.
– O que é isso?
– Ah nada, Lisa.
– Se não é nada por que não me mostra o que é?
– Por que... Não é da sua conta.
– Pensei que eu fosse a grosa.
Diz Lisa cruzando os braços e erguendo uma de suas sobrancelhas.
– E você é.
– Ah, quer saber? Foda-se o que você tem ai escondido. Deve ser alguma coisa sem importância... Como você é.
– Talvez eu não seja para você. Com licença.
O garoto sai do lugar e continua a caminhar não dando importância para o que sua irmã acabara de falar. Entrando em sua casa ele vê sua mãe sentada no sofá com a mesma roupa. Ele a ignora e sai disparado para o seu quarto querendo esconder o que tinha.
Ele não sabia o porquê mais ele sentia que devia proteger aquele cetro como se fosse sua vida. Entrando em seu quarto o trancou e andando de uma lado para o outro começou a pensar onde iria esconder o tão “precioso” objeto. O tempo se passou e ele não tinha mais nenhuma ideia de onde esconder o cetro então quando estava desanimando lembrou-se do antigo quarto abandonado que havia em sua casa. Era um lugar onde ninguém nunca entrava... Era quase uma dispensa onde ficavam coisas antigas e velhas. Pensando nisso ele pegou o objeto e colocou em um dos seus bolsos e foi até a antigo cômodo da casa. Chegando ao lugar sua mãe, igual a sua irmã, aparece do nada também, dizendo:
– Está indo aonde filho?
O garoto para e fala:
– Ah... A lugar nenhum. Estou apenas... é... Caminhando pela casa.
– Caminhando?
– Sim... Eu gosto de ver... É... Esses quadros antigos pendurados pelos corredores. São tão... Complexos e interessantes.
A mãe de Josh com uma cara confusa o olha e diz:
– Mas está parede está limpa.
– Ah... É mesmo! Eu nem tinha percebido.
O garoto põe a mão na cabeça e coça ela.
– Então tá, pode voltar a andar e a “observar” os seus quadros antigos e complexos.
Disse ela sorrindo como se o achasse lunático.
– É então... Já vou... Tchau.
O garoto de pressa voltou a ir ao quarto abandonado e quando finalmente chegou, abriu a porta e entrou no lugar procurando o primeiro armário velho e que ficasse mais escondido possível que achasse pela frente. Procurou e buscou pelo lugar e depois de um tempo achou o esconderijo perfeito, era como uma gaveta que ficava quase camuflada na parede, era meio difícil de vê-la, então, ele a abriu e colocou o cetro dentro dela.
– Bem... Eu acho que está seguro aqui.
Fala o garoto sorrindo.
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