O bater do relógio

2 Deuses esquecidos gostam de atenção


Notas iniciais
Espero que gostem....

Meu olhos se mantinham fixos no garoto. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo ali, bem na minha frente. Sentia uma mistura de felicidade e preocupação. Felicidade porque alguém tinha me reconhecido depois de tantos anos, o que mostrava que eu poderia fazer algo de útil. Preocupação porque se um garoto apareceu me procurando e aparentemente já possuindo uma caminhada muito grande até ali, outros podem ter se revelado. Na realidade eu estava muito confusa, alheia a muita coisa.

Dirigia minha atenção para o trecho apontando. O mesmo falava que não existia apenas um deus, como a maioria da população acredita e que o escritor pode ter encontrado um... templo. Ao ler isso fechava meus olhos e soltava um longo suspiro. Depois de um longo período de tranquilidade na minha vida..

—Vamos, eu sei que você sabe do que isso se trata e preciso de algumas respostas, pode se preparar para falar. -Em segundos tinha uma faca encostada em meu pescoço. O jovem estava muito inseguro. Tinha feito isso por medo, provavelmente. Besteira. Ele não sabia com quem estava se metendo e, como sempre, os humanos temem o que não conhecem.

—Você não vai querer fazer isso, vai? -Meus olhos não expressavam nada muito distante da indiferença. -Sei que você não confia em mim, mas eu não estou entendendo muita coisa, assim não posso confiar muito em ti. Digo, você chegou aqui, pediu minha ajuda, fez-me ler um trecho desse livro e então me apontou uma faca. Isso não faz muito sentido. Vamos com calma, sim? -Dizia retirando a arma de perto do meu pescoço com delicadeza. -Isso também não me afetaria, na verdade

—Certo, mas não tente fazer nada contra mim, coisa estranha. -Ele tinha me chamado de “coisa estranha”?

—Sente-se ali. -Apontava para uma cadeira velha, como tudo naquela loja. -Vou buscar outra cadeira e então iremos conversar com calma.

Rapidamente pegava outra cadeira no fundo da loja, levando em seguida para perto do outro. Ah sim, vocês provavelmente não estão entendo nada. Eu também não, mas vou contar um pouco a minha parte.

Há muito, muito tempo atrás, eram vários outros deuses que governavam o mundo, o Universo, generalizando bastante. Os antigos povos não estavam completamente errados. Tinham os primeiros, sendo eles Maia, deusa da terra, Aidoneus, deus do submundo, Ísis, deusa da Lua e eu, deusa do Tempo. Porém os antigos começaram a louvar outras coisas, criar outras coisas, o que acabou, como consequência, na criação de outros deuses. Deus disso, deus daquilo. Entretanto a Criação não teve nada haver conosco... Os mesmos antigos faziam alguns sacrifícios e outras coisas estranhas para nós, e alguns deles ( deuses ) começaram a achar isso interessante. A construção de templos foi algo que achei interessante, talvez a única coisa. Eles usavam os sacrifícios como forma de pedir riquezas, por exemplo.Então decidi dar a ideia de outro método para a execução dos pedidos, já que era algo tão importante. Cada deus ficava em um templo e quem quisesse pedir pessoalmente, poderia ir lá. Um pedido em troca de outra coisa, o que o fiel pudesse oferecer. Mas claro que existiam outras regras, porém isso fica para depois.

—Então, Lótus... Deixa eu explicar a situação. Bem resumidamente, meu pai escreveu esse livro. Na verdade era mais um diário porém decidi deixar dessa forma, mais fácil. Mais profissional. Continuando, ele estava pesquisando sobre vocês, deuses antigos, queria provar que isso era verdade e foi se meter em cavernas, procurando templos. Nessa última, que é aqui perto aliás, ele desapareceu. Depois de dias sem sinal de vida fui procurá-lo e encontrei isso na frente da caverna.

—Garoto, espero que esteja confortável. Vou contar-lhe uma história.

Notas finais
Espero que tenham gostado, custou-me escrever esse capítulo. Talvez não tenha fica muito bom.