O babaca do amigo do meu irmão 2ª temporada
3 Como assim positivo?!
Notas iniciais
Mais ou menos um mês depois, eu estava decidida a ficar sóbria pelo resto da vida. Não iria nunca mais dormir com aquele imbecil! Comecei a ignorá-lo sempre que estava lá em casa. Du e Ellie até gostaram, não estávamos quebrando nada!
Ellie terminava de preparar o restante do bufê de um casamento que trabalharíamos. Várias bandejas lindas estavam pela bancada, e em cima da mesa ela fazia os canapés.
– Tudo certo? – Perguntei, chegando na cozinha.
– Tu... Do! – Ela dizia terminando o último.
Foi até a bancada e pegou uma bandeja, vindo em minha direção.
– Fiz uns extras. – Ela disse.
Senti o cheiro dos canapés e comecei a ficar enjoada.
– Acho que passo. – Eu sorri sem jeito, pondo a mão na altura do estômago.
– Ahhh. – Ela gemeu – Só um. Está delicioso, acabei de comer alguns. Modéstia parte. – Ela riu.
– Tá... – Aceitei, pegando um e comendo.
Ellie sorria olhando para mim, esperando o que eu diria sobre o seu pequeno aperitivo. Sorri, mas de repente aquele gosto de ricota e presunto na minha boca e o cheiro dos que estavam na bandeja me deixou totalmente enjoada. Senti tudo voltar! Pus a mão na boca e fui para a lixeira, me ajoelhando bruscamente e vomitando tudo. Ellie olhou aquilo, pasma.
– Não... Estava bom? – Ela ironizou, querendo rir.
Respirava, recuperando todo o ar que perdi violentamente. Sentei no chão, pondo a mão na testa. Não entendi aquilo! Os canapés de Ellie nunca me enjoaram.
Du entrou e bateu a porta. Passou pela cozinha e voltou andando de costas, franzindo a testa.
– Que houve? – Ele perguntou.
– Ela não gostou dos meus canapés. – Ellie riu.
Eu respirava.
– Não é isso. Eu senti um enjoo de repente...
– Será que é virose? – Ele deduziu.
– Não faço ideia.
– Você tem que ir no médico.
– Eu vou amanhã. A gente tem o casamento hoje, não dá pra furar por causa disso.
– Hum. – Ele resmungou – Amanhã. – Declarou.
– Tá. – Disse levantando devagar.
Na parte da cerimônia foi tudo perfeito. As fotos ficaram lindas. Mas na parte da festa, começou a complicar. Enquanto tirava as fotos dos noivos perto da mesa do bolo, sentia o cheiro dos doces e começava a enjoar. A noiva perguntava se eu estava bem, eu dizia que sim e continuávamos.
Quando terminamos a sessão de fotos, agradeci muito. Fui para o banheiro lavar o rosto. Apoiei a mão na pia e me olhei no espelho. Que merda estava acontecendo comigo?! Fiquei nervosa ao pensar que estaria mesmo doente. Ellie foi para o banheiro ver se eu estava bem. Me chamou pra ficar com ela, mas eu não conseguia ficar perto da mesa do bufê.
No dia seguinte, Du me levou no médico. Ele queria ter certeza de que eu iria e me consultaria. O médico me fez algumas perguntas sobre o que eu estava sentindo exatamente.
– Certo. Talvez seja apenas um enjoo sem explicação. – O médico disse – Mas pra ter certeza de que não é uma virose, você vai tirar sangue. – Ele disse escrevendo no papel.
– Quando vai ficar pronto? – Perguntei.
– Em algumas horas. Pode vir aqui de tarde pegar.
– Certo. – Disse, apreensiva.
Tirei o sangue, o que me deu um nervoso absurdo e tive até que fechar os olhos para não ver. Depois disso, Du e eu saímos pra passar o tempo. Ele estava começando a deixar visível que estava ficando nervoso com aquilo. Ficamos no shopping até chegar a hora. Mal comi, só bebia água. Estava com medo de vomitar ou passar mal.
Voltamos para o médico e ele já estava com o resultado nas mãos. A recepcionista disse que eu poderia entrar e Du ficou esperando do lado de fora. Sentei na cadeira com um sorriso sem graça no rosto.
– Bem,... – O médico dizia – Não é virose. E nem uma doença.
– Ah, ainda bem! – Suspirei aliviada – O que é?
– Bem, hum... – Ele leu mais uma vez – Fizemos os testes e... Deu positivo pra gravidez.
Paralisei, tentando processar aquilo.
– Como é que é? – Gaguejei deixando escapar uma risada – Isso... É impossível.
– Teve relações recentemente?
– Hum, tive. Mas eu tomei pílula. É pra isso que serve a pílula, não é? – Comecei a me desesperar.
– Você tomou mais alguma coisa no dia? – Ele perguntou enquanto pensava.
– Hum... – Eu pensava – Tomei a pílula... Depois fui almoçar. Comi camarão sem querer, sou alérgica. Fiquei toda empolada e tomei antialérgico.
– Certo. – Ele concluiu o que pensava – Alguns antialérgicos cortam o efeito da pílula.
Deixei o ar escapar, boquiaberta. Aquilo não podia estar acontecendo. Mesmo estando nervosa, o médico me deu os parabéns. Forcei um sorriso e fui embora com o resultado na mão. Eu estava com seis semanas. A data batia certinho com a vez que dormi com Micael! E quem mais poderia ser?! Meu irmão que dormia com quem passava!
Ao passar pela porta com a expressão pasma, Du levantou apreensivo e foi em minha direção. O olhei com os olhos marejados e entreguei o papel a ele. Du ficou paralisado pensando o pior, mas franziu a testa ao ver o que era.
Enquanto voltávamos para casa de carro, contava a Du o que o médico disse. Eu apoiava o braço na janela com a mão na testa. Queria chorar. Du também não sabia o que dizer. Parou no sinal vermelho e me olhou. Eu estava totalmente inconsolável. Ele pôs a mão no meu ombro e fez carinho. O olhei, ele sorria. Du me puxou levemente para me abraçar. Minhas lágrimas caíram enquanto ele esfregava meu braço, fazendo carinho.
– A gente vai te ajudar, tá? – Ele disse beijando minha cabeça – Você não vai ficar sozinha nisso não.
– Tá... – Disse com a voz embargada.
– Agora... – Ele suspirou – Você precisa contar para o Micael.
– Que? – Me endireitei limpando as lágrimas – Não, não...
– Ele tem que saber. Sua barriga vai crescer!
– Não... – Eu disse.
Eu estava tão desesperada que comecei a pensar na opção mais desprezível e que sempre abominei. No desespero, pensamos nas coisas mais idiotas e absurdas possíveis! Me senti muito mal depois por pensar em fazer aquilo.
– Eu vou tirar. Não... Não posso fazer isso. – Chorava mais.
– Que?! – Du franziu a testa – Não vai fazer isso! Pelo amor de Deus, Felícia! Ficou retardada de uma hora pra outra?!
Me inclinei pra frente e comecei a chorar. Du suspirou, me compreendendo um pouco. Pôs a mão nas minhas costas e a esfregou.
– Olha, você não é adolescente. Já é adulta e a gente sabe que pode lidar com isso, tá?
Balancei a cabeça, assentindo. O sinal ficou verde.
...
Ao chegarmos em casa, abracei Ellie. Ela perguntou, preocupada o que houve, e enquanto a abraçava cochichei no seu ouvido, explicando tudo. Ela arregalou os olhos e me olhou. Confirmei, balançando a cabeça. Ela abriu um sorriso, emocionada e me abraçou.
Depois que aceitamos o fato, liguei para Micael e disse que era pra ele ir lá pra casa. Ele disse que chegaria logo, mas o imbecil se atrasou duas horas, o que me deixou mais tensa.
Quando passou pela porta, nós três estávamos sentados assistindo a TV. Olhamos para ele ao mesmo tempo e Du desligou a televisão. Micael riu.
– O que houve? É uma reunião?
Du me olhou e eu levantei.
– É que... Hum... Eu tenho que contar uma coisa.
– O que? – Ele perguntou curioso.
Olhei para Du e ele balançou a mão, mandando eu me virar.
– Eu... – Fechei os olhos e os apertei, abrindo-os em seguida – Eu estou grávida.
Ele abriu um meio sorriso, meio nervoso.
– De quem?
Tampei o rosto com as mãos. Que imbecil! O pior é que não sabia se ele estava brincando ou sendo sério mesmo! Ellie se inclinou pra frente, sem acreditar naquilo. Du bufou.
Respirei fundo e o olhei, tentando ser o mais paciente possível com ele. Cruzei os braços e me inclinei levemente pra frente.
– De você.
Vi seu sorriso desaparecer e ele franzir a testa. Esfregou a mão na testa, assimilando aquilo.
– Ellie disse que você tomou a pílula. – Ele disse nervosamente.
– O antialérgico cortou o efeito. – Eu disse fechando os olhos e apertando os lábios. Meus olhos marejaram.
Ele suspirava, processando.
– Se quiser que eu tire, eu tiro. – Perguntei ainda com os braços cruzados, como se me abraçasse.
– Que?! – Ele perguntou indignado.
– Eu já disse que você não vai tirar! – Du gritou.
Micael olhou pra ele e depois pra mim. Me pegou pelo braço e saiu andando.
– Com licença. – Ele disse, saindo da sala comigo.
Du e Ellie se entreolharam, preocupados. Micael entrou comigo no meu quarto e fechou a porta. Escorou as mãos nela e respirou fundo. Sentei na cama e as lágrimas começaram a cair. Ele se virou pra mim.
– Você está maluca né?
O olhei sem expressão.
– Você não vai tirar. – Ele declarou, sério.
Comecei a chorar. Não fazia ideia do que fazer! Ele viu como eu estava e tentou se acalmar rápido. Se aproximou de mim e me levantou, me abraçando. Chorei mais nos braços dele. Ele esfregou minhas costas.
– Está com medo?
Balancei a cabeça, assentindo.
– Hein... Você não está sozinha, tá? Eu também estava lá. – Ele deixou escapar uma risada – Eu não vou te deixar fazer isso sozinha. Vou cuidar de você. De vocês... – Ele sorriu.
O abracei forte. Nunca passamos por algo tão sério enquanto namorávamos. Percebi que Micael assumia o que fazia. Ele era um homem de verdade. Estava com medo de que ele me deixava sozinha, mas me consolou da melhor forma possível.
Ele me fez deitar na cama e se sentou do meu lado. Eu estava deitada de lado, com as pernas levemente dobradas. Ele me observava.
– Pensei que você ia dizer que não é seu. – Disse suavemente.
– Idiota... – Ele sorriu – Eu sei que você não faz essas coisas.
Sorri gentilmente. Ele olhou para minha barriga e levantou levemente minha blusa, fazendo com que eu me virasse e ficasse com a barriga pra cima. Pôs a mão nela e fez carinho com o dedo.
– O que será que vai ser? – Ele perguntou sorrindo.
– Um bebê. – Disse em tom de obviedade.
Ele fez cara de tédio.
– Menino ou menina, idiota.
Eu ri.
– Não faço ideia. Nunca nem imaginei engravidar de você. Acho que não tinha chegado nessa fase ainda.
Ele me olhou, ainda com a mão na minha barriga.
– Eu já.
O olhei, surpresa.
– A gente ainda estava namorando. Só não pensei que seria desse jeito. – Ele riu.
– Não sabia. – Disse, triste.
– Não tem problema. – Ele riu – Hein?
– Hum?
– Quer apostar?
– O que? – Ri, curiosa.
– Eu acho que vai ser menino.
– Hum... – Pensava – Menina. – Ri. Sempre descordava dele!
– O que quer se vencer?
Pensei um pouco.
– Compra pra mim... Aqueles “Pocky”.
– Que?
– São tipo palitinhos de chocolate. Vende no Japão. Sempre quis saber qual é o gosto.
– São palitinhos de chocolate. Não dá mesmo pra imaginar qual é o gosto? – Ele franziu a testa, rindo.
Dei um tapa de leve no braço dele, sorrindo.
– É isso que eu quero. Se vira.
– Se você vencer. – Ele sorriu confiante.
– Tá. – Revirei os olhos rindo – O que você quer se for menino?
Ele sorriu enquanto me olhava.
– Ainda estou decidindo.
– Não é sacanagem não, né? – Perguntei já franzindo a testa.
– Não. – Ele fez cara de tédio.
– Ah, bom. Não pense que só porque estou grávida de você que você vai achar que pode dormir comigo.
Ele riu.
– Sei...
Apertei os olhos em sua direção.
Ficamos no quarto por mais algum tempo. Ele sempre acariciava minha barriga. Nunca pensei que Micael fosse ser esse tipo de pai. Carinhoso e atenciosa com o bebê que chegaria em breve. Na verdade nunca imaginei Micael como pai! Mas estava realmente feliz por ele estar ao meu lado. E um pouquinho feliz de ele ser o pai. Agora que pensava sobre o assunto, não gostaria que ninguém mais fosse o pai do meu bebê se não fosse Micael.
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