O babaca do amigo do meu irmão 1ª temporada
8 Eu quero você!
Notas iniciais
* POR FAVOR, LEIAM AS NOTAS INICIAIS *-*
Eu estava escorava na porta do meu quarto, chorando. Fui me sentar na cama. Pus uma perna em cima da cama e a outra pendurada, balançando. Queria bater o pé na cama de raiva. Tampei os olhos, chorando ainda mais.
De repente Micael entrou no quarto e me viu com o rosto molhado. Me encarava, espantado.
– Sai daqui! – Exclamei.
Ele veio até mim. Levantei e comecei a bater nele.
– Vai embora! Vai...
Ele segurou minhas mãos e depois meu rosto.
– Desculpa... Eu não queria...
– Que eu visse?! – Exclamei irritada – Então fosse pra porra da sua casa ou pra um motel qualquer! Você é um idiota!
Me soltei e ia andar até o banheiro, mas ele agarrou meu braço e me jogou na cama ficando em cima de mim. Batia nele sem parar enquanto chorava. Ele me abraçou na altura do meu peito, me segurando. Parei aos poucos de bater e só chorava, olhando para cima. Apertei sua blusa. Estava furiosa, mas ao mesmo tempo queria tocá-lo. Ele levantou a cabeça e me olhou, passou a mão pelo meu cabelo.
– Me perdoa, por favor...
Balancei a cabeça, negando. Ele subiu um pouco e encostou a testa na minha.
– Por favor... Por favor...
– Vai embora... – Fechei os olhos, apertando-os.
– Felícia...
– Cala a boca! – Exclamei com a voz embargada, o fazendo levantar à força.
Me arrastei para o outro lado da cama.
– Some daqui... Some da minha vida! – Olhei pra ele com raiva – Você acha que pode me jogar na cama e tudo vai ficar bem?! É só você ficar com raiva de mim e já corre pra essas piranhas! – Chorava – Odeio você...
Ele me olhava, espantado.
– Eu não transei com elas. Não transo com ninguém desde que a gente transou.
– Mentira...
Ele tentou chegar perto de mim, pôs a mão no meu rosto.
– SOME! – Gritei.
Ele recuou um pouco. Me olhava, estático. Abaixou a cabeça e saiu do quarto em seguida.
Qual era o problema dele?! Ele se dizia o sabichão, mas fazia isso quando a gente brigava?! Mentiroso, imbecil, babaca! Odeio ele, odeio!
...
Depois do que houve, não olhei mais na cara de Micael. Aquele babaca!
Sempre que ele chegava no cômodo, não importava o que eu estivesse fazendo ou com quem conversava, eu saía na hora. Não suportava mais ficar no mesmo lugar que ele. Perdi a conta de quantas vezes ele ia atrás de mim no corredor e eu o deixava falando sozinho.
Aquilo estava começando a me irritar! Se ele me queria de volta, por que fez aquela burrada?! Babaca, idiota! Argh! Eu sabia, eu sabia! Homem não presta! Eles sempre fazem merda, o detalhe é que mudam a maneira de fazer merda!
O ignorei por semanas. Até que no dia que tentava cozinhar alguma coisa, ele chegou com a mochila nas costas. Vi quem tinha entrado e o ignorei. Ele me fitou e se encostou no patente da porta, me observando. Quando senti o cheiro de queimado, desliguei o fogo torcendo a expressão de raiva.
– Merda...
Abanava a panela pra sair o cheiro. Micael riu e chegou mais perto. Ignorei. Ele me olhava detalhadamente. Quis soltar o cabelo pra não ver a cara dele.
– Tem que deixar o fogo baixo.
Fingi que nem havia escutado. Pus o que não queimou na tigela, o queimado joguei fora e coloquei a panela dentro da pia. Ele chegou perto de mim, do meu ouvido.
– Du me disse que você fez outro trabalho. Foi legal? – Micael tentava conversar.
Não respondi. Ele torceu o bico e foi até a geladeira. Procurava algo e pegou duas garrafas. Uma de ketchup e outra de mostarda. Lavei a panela e me virei pra sair da cozinha. Ele apertou as garrafas em minha direção e me sujou. Apertei os lábios com raiva e as mãos suspensas, cerrando-as de ódio.
Tirei aquilo da blusa e joguei no chão, sacudindo as mãos para baixo. Ia sair, mas ele apertou as garrafas de novo e jogou aquilo no meu cabelo. Exclamei de boca aberta vendo o ketchup e a mostarda escorrer pelo eu rosto. Deu tapas nele, ele gargalhava da minha cara.
– Seu doente. – Resmunguei.
Ele jogou mais no meu pescoço e gargalhou.
– Pára com isso! – Gritei pegando uma das garrafas.
Ele gargalhou mais, jogando mais mostarda em mim. Eu de raiva também apertei a garrafa em sua direção. Ficamos completamente encharcados de Ketchup e mostarda. Na verdade, eu. Ele só ficou sujo de ketchup. O chão ficou imundo, e como eu estava descalça escorreguei e agarrei na blusa dele pra não cair. Ele escorregou e caímos no chão. Bufei e o sujei mais, apertando a garrafa. Que ódio daquele garoto!
Quando as garrafas ficaram fazias, eu peguei a tigela de cima da pia e joguei nele o tinha nela. Ele gargalhava mais. Aquele não era o propósito! Ele pegou a tigela da minha mão e começou a me sujar também, esfregando aquilo no meu cabelo. Bufei bem alto. Ele largou a tigela e sentou. Me olhou, sorrindo. Eu me sentei e tentava tirar tudo aquilo... Em vão. Quando o olhei séria, ele me segurou pelo pescoço e me beijou. Enfiou a língua dentro da minha boca pra eu o beijar. Era um gosto estranho de ketchup e mostarda misturados.
O empurrei e parei o beijo. O encarei, um pouco perplexa. Ele suspirou me olhando.
– Não vai me perdoar?
Virei o rosto. Ele respirou fundo.
– Felícia, eu não transei com ela. Nenhuma delas.
– Não importa. – Cruzei os braços, chateada – Você ligou pra ela vir.
– Não fui eu. O Du ligou para as duas e disse que a outra veio ficar comigo.
– Mas você parecia estar se divertindo muito com ela em cima de você. – Abaixei o olhar.
Ele soltou uma risada fraca.
– Quando cheguei, ela já estava. Du já estava com a outra e ela veio na minha direção me puxando e me fazendo sentar no sofá. Subiu em cima de mim e pegou minha mão pra botar nela. Depois que falei com você, fui embora.
– Você estava rindo.
– De nervoso. Achei engraçado ela fazer aquilo.
– Hilário. – Resmunguei – E isso não interessa. Você também ficou chateado depois do que eu falei na loja de CDs, não é?
– Como assim?
– Aquela garota. Quando você desceu com a outra.
Ele apertou os olhos, lembrando.
– Eu fiquei, mas não transei com ela.
– Estavam descendo as escadas. – Olhei pra ele, indignada.
– Mas não fizemos nada. Eu não quis. – Ele disse tentando me fazer acreditar – Mandei ela ir embora.
– Mentiroso.
– É verdade. Se quiser, liga pra ela e pergunta. Com certeza ela vai me xingar.
O olhava, quase acreditando. Mas era realmente difícil de acreditar, Micael não negava um pedido de transa. Ainda mais com garotas bonitas como aquelas.
– E por que não quis transar com elas?
Ele olhava meus olhos. Deviam estar brilhando, eu queria chorar.
– Porque eu só queria dormir com você.
Virei meu rosto para ele não ver meus olhos marejados. Ele pegou gentilmente meu braço. Olhei para cima, tentando fazer as lágrimas sumirem de alguma forma.
– Fica comigo.
O olhei, surpresa.
– Namora comigo. Eu quero ficar só com você.
Piscava os olhos para as lágrimas não caírem, mas foi inútil.
– Não dá...
– Por quê? – Ele encostou testa na minha.
Funguei, deixando as lágrimas caírem.
– Você me magoou... Muito.
– Desculpa... – Ele disse.
Dava pra ver que o pedido era sincero, mas eu não conseguia nem olhar pra ele.
Micael ia me abraçar, mas eu pus as mãos em seus braços, impedindo-o. Levantei e subi para o quarto.
A mistura do ketchup e mostarda escorria pelo meu corpo e descia pelo ralo da banheira. Lavava a cabeça repetindo na minha mente o que Micael disse. Ele queria ficar comigo mesmo. E eu queria ficar com ele. Eu só queria ele! Mas... Ele acabou comigo...! Sabia naquele momento que nada aconteceu entre ele e as garotas, mas agora pareciam mentiras. Só... Estúpidas mentiras.
...
Como quase não saía mais do quarto, muito mal pra comer, Ellie e Du decidiram fazer uma intervenção comigo. Entraram no meu quarto sem bater na porta e me pegaram olhando para o teto. Eu pensava sobre tudo e nada. É incrível o que podemos refletir quando estamos deprimidos!
Eles me encaravam. Du normalmente me dava os solavancos para acordar, mas dessa vez ele deixou com Ellie.
– Tá... – Ela juntou as mãos – O que está acontecendo com você?
Virei o corpo e os encarei.
– Nada.
– Deixa de ser sonsa. – Du disse – Você fica trancada aqui o tempo todo e nem música alta põe mais.
– Fê, o que houve?
– Já disse que não foi nada. – Disse, me sentando.
– Mentira! – Du exclamou cantarolando, apontando o dedo em minha direção. Foi até engraçado.
Ellie passou a mão em seu cabelo loiro. Ela estava se estressando comigo. Eu era do tipo que todo mundo via que eu não estava bem, mas que não admitia isso.
Ela olhou para Du e ele assentiu.
– Tá bom. Vamos ser diretos, ok?
Os olhei em dúvida. Ela suspirou.
– A gente sabe o que houve entre você e Micael.
– Eu sei. Você gravou.
– Não idiota! – Du exclamou.
Ellie deu um tapa de leve nele. Olhou pra mim.
– Fê, a gente sabe... De tudo.
Arregalei um pouco os olhos. Como...?! Fiquei boquiaberta.
– Você achou mesmo que a gente não escutou nada na casa de praia? – Du perguntou com os braços cruzados.
Engoli em seco olhando pra ele.
– Cala a boca Eduardo. – Ellie disse – Eu escutei também e te vi querendo invadir o quarto dela no meio da noite.
Du fez bico. Eu pus as mãos na boca, envergonhada.
– Vocês bem que podiam gemer mais baixo. – Ellie disse pra mim – E a gente escutou lá de baixo o barulho na sua banheira.
Arregalei os olhos.
– Agora... – Ela cantarolou – Dá pra falar o que houve com vocês?
A encarei, chateada. Hesitei um pouco, mas contei tudo o que houve. Desde o dia que lembramos o que houve na festa até o pedido de desculpas dele. Os dois se entreolharam sentados na minha cama e depois me olharam.
– Ele não mentiu. – Du disse – Eu chamei as garotas, mas ele não quis nada. Na verdade foi até um teste pra saber se vocês não estavam só transando.
– Como assim? – Perguntei.
– Você idiota? – Du se irritou – Você gosta dele, ele gosta de você!
– Fê, você tem que parar com isso. – Ellie disse – Tem que falar com ele.
– Parar com o que? – Perguntei irritada – Ele me magoou.
– Mas ele pediu desculpas. Ele quer ficar com você.
– Mas ele me magoou. – Eu insistia.
– Dá pra você parar com isso?! – Ellie exclamou – Você o magoou, ele te magoou, os dois ficaram quites e pediram desculpas. Por que você fica querendo sofrer com isso?
Não sabia mais o que dizer. Eu só não queria sofrer mais. Du me encarava. Na época da minha fossa anterior, eu conversei muito com ele. Ele sabia o que eu estava sentindo, ainda mais porque Micael e eu estávamos bem envolvidos. Até mais do que meu ex e eu, na época.
– Fê. – Ellie levantou e se sentou do meu lado – Você tem medo?
A olhei, temendo que ela lesse mentes. Assenti com a cabeça.
– De... Gostar de verdade dele e tudo acabar. – Eu disse – Na verdade nada disso tinha que ter acontecido.
Ela suspirou sorrindo. Escorou a testa no meu ombro e me deu um beliscão de leve. Abaixei o olhar. Ellie fechou os olhos.
– Você não consegue se ver com ele, porque ele era aquele babaca que te perturbava e que transava com todas que passavam. Mas ao mesmo tempo quer ficar com ele, porque ele parece ser o pedaço que faltava pra fazer sua vida completa.
Olhei pra ela, surpresa. Ela conseguiu colocar tudo o que eu sentia em duas frases!
– Como sabe?
Ela deixou escapar uma risada e olhou pra mim, apoiando o queixo no meu ombro.
– Às vezes você é bem lerdinha. – Ela sorriu.
Eu ri, imaginando o improvável. Seria impossível isso acontecer, né?
Me joguei, deitando na cama. Os dois me olhavam. Eu respirava fundo, olhando para o teto. Que saco! Eu estou mesmo apaixonada por aquele babaca!
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