O azul dos teus olhos.
2 Ajude-a.
Karina
Percebi Cobra rindo do meu jeito desengonçado, entrei em casa sem graça, encontrando, Dandara, e meu pai Jantando. Eles me perguntaram se eu sentia fome, e apenas neguei com a cabeça. Tinha comido umas besteiras com Pedro no Perfeitão, então estava sem fome.
Lançei o celular em cima da cama, percebendo ele dar uma cambalhota, e atingir em cheio o chão. Parecia ter tido algum tipo de vida própria. Depois começou a vibrar, numa sequencia de três vezes seguidas. Agachei fazendo uma careta de dor. Com os golpes bruscos dados hoje no saco de areia, minha mosculatura doia, em varias partes, e a dor se intesificava quando feito muitos movimentos. Peguei o aparelho do piso, e abri na tela, onde sempre se encontra meu papel de parede, com uma foto minha e de Pedro. As mensagens inclusive, eram dele.
“Você não precisava omitir, dizendo que estava ocupada. Bastava me avisar, que ia ver aquele seu amigo peçonhento.” Ri do ciumes idiota de Pedro.
Mas na realidade, as vezes isso é bem chato, se eu for deixar se ter amigos, porquê meu querido namorado se incomoda, vou viver isolada do mundo.
“Ciumes.”
“Me poupe esquentadinha.” Ri mais uma vez.
“Deixa de ser ridículo Pedro"
“Ridículo é mentir pro seu namorado, pra ir ver aquele marginal.” Tudo bem, agora estava me irritando, e não achando engraçado.
“Vou descansar, e você, faça o mesmo."
Desliguei o telefone e me deitei na cama. Pedro é tão infantil, as vezes acho que podia estudar no prezinho, com crianças de cinco anos.
...
Novamente amanheceu e eu estava ansiosa para descer, e ir fazer minhas coisas. Só espero não ver aquela cara de chato do Pê. Depois daquelas mensagens, meu sangue ferveu de raiva. O cara acha mesmo que vai me controlar. Desviei de algumas caixas no meio da sala, junto delas no chão, Bianca remexia em roupas velhas, provável que ia mandar para caridade, ou coisa parecida.
Sem o minimo interesse em suas besteiras, desci para academia. A antiga fabrica estava lotada de pessoas, com uniformes pretos, e um simbolo ao qual me arrependo de ter feito parte um dia. Khan. Dentre eles, o réptil se encontrava junto. Todos com peito estufado, mostrando controlo da situação. O engraçado é que esse jeito deles, não metia medo nem em mim. Arrastei Cobra pelo braço, talvez ele soubesse o que estivesse acontecendo ali.
— Manda à real. – exigi aprofundando meus olhos nos seus. Sempre soube que ele, nunca se seguraria em me falar, se algo estiver errado.
— O Lobão que promover um campeonato regional no bairro. E a coisa vai feder, certeza de que esse canalha vai armar alguma, Karina. — seus olhos oscilaram para baixo e para cima, procurando outro ponto para olhar.
— O que cê vai fazer? — sabia de verdade, que o mesmo não ia deixar passar. Após o que seu mestre fez comigo, Cobra estava sedento de raiva.
Sentei nervosa no banco, a onde estávamos num porão velho.
— Quem sabe armar alguma pra ele, não sei. — pegou as ataduras de suas mãos e as enrolou novamente.
Estava bem irritado, ele tencionava os ombros a todo o momento, quando mencionava Lobão na conversa.
— Dessa ele não passa. — garantiu balançando a cabeça.
Sabia que ali não cheirava nada bem. Cobra sempre fora daqueles, que não perdoava nada. Mas acho justo, o desgraçado quase arruinou minha vida. Ele voltou junto ao seu bando e eu voltei para o ringue, afim de treinar.
...
A tarde caiu, e eu havia passado um pouco mal. Esses sintomas vem piorado a cada semana, desconfio estar anemica ou algo parecido. Os dias em que fiquei presa naquele apertamento, me alimentava com comidas, totalmente desproporcionais da minha alimentação, sempre eram aquelas pizzas e sanduiches, que Lobão me trazia.
Sem falar que estava me sentindo mal, com a discussão com Pedro. Minha cabeça girava, e cada passo que eu dava, parecia que ia ser engolida por areia movedissa.
Tão cansada desses dias, desci para a praça, e sentei em alguns bancos. Comecei a lembrar das vezes em que Cobra, me encontrará aqui desamparada. Foi tudo tão difícil, e ele sempre me ajudou tanto, será um tipo de sorte? ter alguem assim em sua vida, ou foi minha insistência, em saber que nele tinha algo bom, e eu precisava resgatar isso nele. Ele não é ruim, nunca foi, apenas enconde-se, numa mascará criada por si mesmo. É tão simples assumir o verdadeiro lado, e Cobra insiste em ser tachado de marginal.
Ainda estava sentada na praça, com a cabeça parecendo um pote vazio. Era como uma leveza. Levantei do banco, e fiquei em pé por um tempo, respirando o ar dali, e tentando melhorar o mal estar. O que ajudou um pouco, em seguida senti uma mão me apertar nos ombos, imaginei na hora quem fosse ali, me ajudando de novo.
— Aconteceu alguma coisa? — me passou a mão no rosto. Suas sobrancelhas formaram um cenho. Junto com ruguinhas na testa. — Karina, você tá pálida. Anda se alimentando, foi ao medico? — eu assentia que sim. Mas era tudo mentira. Não estava nenhum um pouco bem, e isso é notável, bem na cara de doente em que me aparentava.
Vi um peso se formar de baixo das minhas pernas, os braços dele, me seguraram. Repousei minha cabeça um pouco em seu peito, estava tonta de novo, e o apoio me ajudava à recobrar a consciência. Estávamos no QG. Eu sentada num banco, e Cobra vasculhando coisas, no seu quarto, atrás das correntes. Como não queria ficar ali sozinha, com medo de desmaiar, caminhei de encontro à ele.
— Não disse para descansar, vou chamar o Gael. — ele ameaçou. Pois eu tinha pedido pra não dizé-lo nada. Estava sem saco, e ia ser forçada sem sombra de duvidas, a fazer consulta.
Encostava numa parede, e comecei a respirar com dificuldade. Sabia que estava no meu limite, e isso foi o bastante, fazendo meu corpo atingir o chão.
Acorde depois em algum lugar desconhecido por mim, tudo era branco, e tinha uma luz forte no meu rosto. Cobra estava sentado do meu lado, e parecia preocupado, com as mãos no rosto. Apertei seu ombro, para confortá-lo, e ele percebeu meu despertar, quando nossas visões se cruzaram.
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