Capítulo doze

Ok, a primeira parte ficou cena de filme pornô hahahaahha.

1

A rua estava escura e deserta quando seu carro se aproximou do prédio. A porta automática do estacionamento foi aberta e ele entrou. Deixou o veículo em seu lugar com uma única tentativa. Era um bom motorista. Olhou para o relógio em seu pulso, mais de meia noite, ele tinha perdido a noção do tempo. Lembrou-se de voltar para casa apenas quando seu celular tocou e leu a mensagem de Jin, que pedia que ele voltasse logo e voltasse sozinho. Sentiu-se mal, não queria encontrar Jin sem ter decidido que modo agir com ele, mas, ao mesmo tempo, quis chegar logo em casa. Era óbvio que o garoto de programa estava aprontando alguma coisa e isso era algo que deixava Kazuya apreensivo, ansioso e excitado.

Ainda assim, agora que estava ali, tornou-se novamente indeciso. Não conseguia deixar de pensar em Jin. Pensou em seu lado infantil, aquele que quis um cachorro e colocar o nome que misturava os kanjis deles. O que não sabia cozinhar e que usa de artifícios infantis para comer a sua carne do lámen. Aquele desastrado que se cortava e que pensava em gestos gentis como preparar um jantar – mesmo que acabando com a sua panela –, aquele que corria na chuva com um filhote e cachorro...

Será que ele queria mesmo descobrir a verdade sobre o assassinato do cantor? Aquela era a matéria da sua vida, que certamente lhe daria destaque no jornalismo. Além disso, precisava descobrir a verdade para Nakai-san. E para si mesmo. Havia se envolvido demais para ficar tranqüilo em deixar as coisas como estão, mas...

Fechou os olhos e a imagem de Jin logo veio nítida em sua mente. Pensou em seu olhar ora ingênuo ora sedutor, em seu corpo perfeito, os ombros e peito largos, a cintura reta, o quadril duro, o sexo mediano, as coxas firmes, as canelas finas... Os cabelos bagunçados, esparramados em sua cama sobre o lençol azul, entre os travesseiros, o sorriso de canto, malicioso, a língua provocante...

Kamenashi desceu do carro e correu para o elevador. Àquela hora, não havia quase ninguém saindo ou voltando para casa. Ele chegou rápido em seu andar, a mão agitada dentro de seu bolso, brincando com as chaves.

Abriu a porta e Jin foi a primeira imagem que viu. Ele estava deitado no sofá e vestia uma camiseta branca, a calça cáqui estava aberta e a mão de Jin estava se movimentando por dentro. O rosto dele estava levemente inclinado e ele olhou em sua direção. Sempre parecia mais arrogante quando fazia isso. Entreabriu a boca, os olhos estavam quase fechados, sinais de que ele estava se perdendo no prazer.

– Você demorou Kazu... – ele reclamou, um sussurro recheado de volúpia. – Eu tive que começar sozinho...

Kamenashi se recuperou da imagem e fechou a porta, indo ao encontro de Jin depois, deixando seus sapatos, bolsa e casaco pelo caminho. Subiu sobre ele, puxando a mão dele para que a sua própria terminasse aquela carícia. Então, o beijou. Vagarosamente sua língua se enrolou a dele...

Em um momento Jin apoiou suas mãos no tórax de Kame e eles se olharam. Jin o afastou somente o suficiente para dizer:

– Faça sexo comigo a noite toda.

Kamenashi encostou uma mão em seu rosto e Jin o olhou ansioso. Não houve respostas e palavras não eram mais necessárias, tão pouco.

2

Acordou e se viu sozinho na cama. A porta do banheiro estava aberta e a luz apagada. Kamenashi se levantou, vestiu uma calça moletom e foi para a sala. Akame dormia em seu cantinho e Kamenashi sorriu para o animal. Depois, ele seguiu para a cozinha, sendo atraído pela luz e pelos barulhos que escutava.

Que ele não esteja cozinhando!

Encostou-se na batente da porta e olhou com admiração para a mesa. O café-da-manhã era ocidental. Pães franceses, frutas, pães doces, leite, suco, café. Naquele momento, Jin estava de costas, pegando as xícaras no armário. Quando ele se virou, tomou um susto com a sua presença e depois riu de si mesmo.

– Ohayou, Kazu... E antes que você brigue, eu comprei tudo, ok? A única coisa que eu fiz foi comprar e colocar na mesa. E eu tomei cuidado para não quebrar suas xícaras e pratos tão preciosos!

– É? Aprendeu direitinho, finalmente. – disse rindo com certo deboche.

Depois, ele se sentou e esperou que Jin o servisse, apenas o observando. Os cabelos de Jin, volumosos, caíram para baixo quando ele veio colocar café em sua xícara. Seu rosto ainda era o de alguém que tinha acordado há pouco tempo, mesmo já tendo feito compras e vestindo jeans e uma camiseta cinza. Ainda assim, ele era bonito.

Uma boa noite de sexo, uma manhã com café servido de forma especial. Parecia perfeito e ele deveria estar tranqüilo, desfrutando da companhia de Jin e de seus carinhos. Mas era justamente por ser perfeito, que algo o incomodava. Depois do que descobriu na noite anterior, ele foi envolvido pela teia de sedução de Akanishi mais uma vez. Não que tivesse sido contra sua vontade, no entanto.

Agora ele estava mais sóbrio. E foi como se o Sol invadisse um ambiente escuro de forma repentina que ele percebeu o óbvio. Aquela verdade que ele não queria descobrir, não queria nem mesmo pensar sobre ela, agora lhe saltava aos olhos.

Quem é Akanishi Jin?

Jin despejou o líquido preto também em sua xícara e ergueu o olhar na direção do jornalista. Sorriu de cantor, com confiança e carregado de mistério.

Porque ele apareceu de repente?

Akanishi se sentou na cadeira a frente, o cabelo deslizando sobre o rosto com o movimento e ele o jogou para trás.

O que ele realmente está querendo?

– Itadakimasu...

Akanishi levou uma fatia do pão com manteiga até a boca e mordeu, ignorando que era o foco de tanta atenção por parte do jornalista. Talvez fingindo não perceber.

– Ne, Kazu? – ele disse de repente, despertando o jornalista de seus pensamentos.

– O que é?

– O quão longe você chegaria pela pessoa que você ama?

–... Por que isso agora?

– Você poderia perdoar uma traição?

–... Não sei.

– Foi sincero... – ele riu – As pessoas negariam enfaticamente... Uma traição é algo condenável, não se pode admitir, não se pode perdoar e... Ainda assim, milhares de pessoas traem e milhares de pessoas são traídas diariamente. Algumas nunca descobrem a traição e vivem pacificamente. Outras descobrem a traição e são infelizes. Há ainda quem finge não saber para continuar as coisas como antes...

– Já foi traído Jin? – ele perguntou, incerto sobre o rumo daquela conversa.

– Não. Mas eu já traí... Será que você poderia viver comigo sabendo que sou um puto e que já traí a pessoa que me amava?

–...

Kame preferiu olhar para a xícara de café e Jin gargalhou.

– Vamos, não fique tão sério. Poucas pessoas confiariam em alguém como eu, não fique com remorso em desconfiar sobre mim... Mas... Para uma pessoa como eu... O fato de você ter me deixado ficar aqui, ter cuidado de mim durante esse tempo... E nem ao menos pedir para que eu fosse embora... Arigatou.

O jornalista ergueu o rosto e encontrou um sorriso carinhoso. Carinhoso, mas, estranho. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi novamente questionado.

– E você... Já traiu alguém, Kazu?

– Não.

– É... Você é uma pessoa rara... Que sorte que eu te encontrei. Não me esquecerei disso... Não me esquecerei de nada sobre você porque você é muito engraçado...

– Engraçado? – ele fez uma careta.

– No bom sentido!

– Em que sentido isso pode ser bom nessa frase que você disse?

Akanishi apoiou o cotovelo na mesa, inclinou-se para frente e apoiou o queixo nas mãos. Era a sua vez de observar atentamente o outro rapaz, que não se sentiu nada confortável em ser analisado dessa maneira.

– No sentido de ser uma pessoa rara. Ranzinza, mas, uma pessoa boa. Teimoso, mas, uma pessoa que se preocupa com os outros. Viciado em trabalho, mas, muito dedicado no que faz. Totalmente responsável. – mordeu os lábios –... Foi mesmo divertido ter conhecido você, jornalista!

– Do que você tá falando? – ele preferiu terminar o seu café, completamente sem jeito com aqueles elogios. – Preciso me arrumar e ir trabalhar.

– Workaholic... Né, Kazu... Você só precisa se divertir um pouco mais... E será muito feliz!

– Pare de dizer tolices...

– É... A minha cota de tolices termina aqui. – ele disse e sorriu.

Kamenashi o olhou. Akanishi era, de fato, a pessoa mais estranha que ele já tinha conhecido. Seguiu para o quarto e, longe daquela atmosfera encantadora que emanava daquele homem, Kame percebeu que não teve coragem de tocar no nome de Yamashita Tomohisa...

3

– Kazu...

Ele estava na porta e se virou para Jin, curioso, e foi envolvido num abraço e um beijo em sua testa, que se franziu com o gesto repentino. Olhou para o rosto dele e viu Jin com os olhos fechados e um meio sorriso.

– Temnha um bom dia no trabalho. – ele disse e o soltou.

– Você também... – respondeu e o que disse provocou risos em ambos por causa da profissão de Jin.

Kamenashi, então, saiu e foi trabalhar com a sensação de que havia algo errado. O sexo havia sido diferente e isso o tinha incomodado após o ato, mas não teve consciência suficiente para continuar pensando sobre isso e adormeceu. Mas agora que pensava de novo sobre isso, algo estava errado com Akanishi. Será que podia ser que era obra da sua imaginação? Porque ele estava incomodado com o fato de Jin trabalhar na mesma casa de Yamashita e começou a suspeitar de todos os seus gestos ou realmente o amante estava estranho?

E não era só isso. Ainda se sentia mal pelo fato de estar suspeitando de Jin. Ainda não conseguia lidar com o sentimento de que gostava daquele rapaz e tão pouco sabia administrar aquela situação em que tinha sido envolvido.

Seu celular tocou e ele dispersou aquelas aflições. A voz de Koki soou do outro lado da linha, anima como sempre:

– Yo Baby, onde você está?

– Estou chegando... Demorei um pouco para sair de casa, gomen.

– Iie, iie... Tudo bem. Já estou aqui e com o material que eu descobri para você... Aquilo que você me pediu com urgência ontem à noite... Que investigasse sobre Yamashita Tomohisa... Eu tenho algumas informações comigo.

Kame lambeu os lábios e sorriu. Apesar dos seus sentimentos em relação à Jin, ainda havia aquela pequena chama dentro de si. Aquela curiosidade que o impulsionou a ser jornalista... A ansiedade em busca da verdade... Apesar de temê-la, Kamenashi não conseguiria fugir dela ou mantê-la enterrada.

Ele queria e descobriria a verdade em torno da morte de Kimura.

Cruzou a avenida e estacionou seu carro em frente ao apartamento em que Koki estava morando temporariamente. Seu amigo não perdia essa mania de não querer se fixar a lugar algum. Desceu do veículo e depois se dirigiu para o prédio. Um prédio velho, pequeno e sem portaria. Subiu três lances de escadas e ele chegou ao andar do apartamento dele. Bateu na porta.

Koki o recebeu com um largo sorriso e o abraçou com força. Kamenashi sabia que seria assim a primeira vez que se reencontrassem porque Koki odiava ficar preso. Aqueles dias que teve que ficar trancado em um apartamento deve ter sido pior que a morte para ele. Agora, era óbvio que estava carente.

Trocaram algumas plavras afetuosas e foram para a cozinha. Koki lhe serviu café e, então, entraram no assunto. Fotos de Yamashita Tomohisa foram jogadas na mesa e mostraram ao jornalista quem era o seu alvo. Ele segurou uma delas, uma em que o rapaz estava andando na rua. Era um homem bonito.

– Yamashita Tomohisa. Vinte e seis anos. A mãe e a irmã moram em outra cidade, não tem pai... Parece que abandonou a família, isso está meio obscuro. A mãe se casou ou se juntou com outros homens algumas vezes, um deles foi preso por envolvimento com drogas. Não teve um passado muito legal, esse cara... Mas né, Kame? Esse cara trabalha na Casa de Show... Sabia disso?

Ele sacudiu a cabeça, afirmando.

– Mas podem apenas serem conhecidos? Akanishi e ele? Uma coincidência?

Koki sabia que o jornalista estava tentando se agarrar a qualquer hipótese que pudesse justificar o encontro entre ele e Akanishi como uma casualidade e que nada tinha a ver com o crime. Mas era uma esperança frágil.

–... Eles moram juntos, Kazu. Yamashita mora com o seu puto...

– Sobre isso... – ele esfregou as mãos e depois levou o polegar à boca: – Você sabe que Yamashita foi visto discutindo com Kimura. Ele e o Jin trabalham na mesma Casa e, agora, você descobriu que eles moravam juntos...

– Kazu... – ele hesitou.

– Eu sei, Koki... Eu sei o que você quer dizer. Jin entrou na minha vida para acompanhar as investigações... De algum jeito, ele sabia que eu estava cuidando dessa matéria. Então, ele se aproximou.

Koki o olhou para o amigo com pena. Assim como Nakamaru, Koki também tinha entendido o que estava acontecendo com Kame. Ele tinha se apaixonado, mas tinha sido por uma pessoa bastante complicada.

– Isso quer dizer... – Kame disse de repente –... Que ele é o assassino, certo?

Ele se endireitou na cadeira, pensando. Koki tinha cogitado essa possibilidade assim que decobriu a ligação entre Akanishi, Yamashita, Kimura e Kamenashi. Havia alguma outra razão para Akanishi se aproximar de Kamenashi que não fosse para descobrir sobre as investigações a respeito da morte do cantor? E porque ele teria interesse no caso, se não fosse o assassino?

–... Ou ele é apenas o amante querendo descobrir quem é o assassino, Kazu...

–... Ou ainda... As duas coisas. – Kame cogitou. – Amante e assassino. Talvez, também, ele só esteja protegendo o seu amante e o verdadeiro assassino.

– Yamashita?

Kame assentiu.

– Talvez Yamashita seja o amante de Kimura. Eles discutiram o relacionamento naquele dia e depois, por ciúmes, Yamashita o matou... Jin se aproximou de mim para ajudar Yamashita...

4

Afagou a cabeça de Akame e ele parecia entender o que estava acontecendo. Akanishi lhe sorriu.

– Comporte-se, está bem? Se não fizer xixi no carpete dele, tudo ficará bem e vocês vão se entender perfeitamente sem mim.

O animal lambeu a mão do humano. Os olhos brilhantes e um pequeno latido.

– É... Agora diremos até logo, né? Não gosto da palavra adeus... Mesmo que seja mais apropriado.

Akanishi Jin arrumou a sua mochila nos ombros. Foi somente quando ele recolheu seus objetos e roupas que percebeu que realmente tinha se instalado naquele apartamento. Não era muita coisa, mas, eram coisas suas. Olhou para o apartamento. Quantos dias o jornalistas passará sentindo a sua falta? Tentou se consolar com esse pensamento.

Ele tinha feito a sua escolha. Não era fácil, nunca foi fácil para ele ter que se decidir. Sempre ficava a impressão de que tinha feito a escolha errada. Assim como no dia em que Kimura morreu... Se ao menos eles não tivessem discutido na noite anterior...

Gomen Takuya...

Gomen Kazuya...

Ele tinha feito a sua escolha. Agora tinha que agir.

5

Ele estava emburrado na cama enquanto o observava vestir a camisa branca e fechar os botões dos punhos. Nem ao menos ligou para o seu mau humor e Yuya abraçou as próprias pernas, ainda mais irritado. Ele queria muito entender porque Yamapi não lhe dava toda atenção que ele merecia, que, no seu ponto de vista, deveria ser toda a atenção de Yamapi.

Olhou mais uma vez para ele, continuava calmo, como se nem ao menos tivessem discutido. Segurou com força a ponta do lençol e não quis dizer aquilo, quis ficar calado, mas seu ciúmes, sua possessividade, e seu temperamento mimado não lhe permitiu.

– É por causa dele, não é?

Yamapi congelou por alguns segundos e depois voltou a se arrumar. Ele nem ao menos se virou para a sua direção, o que deixou Yuya ainda mais irritado, e disse com desdém:

– Do que você tá falando?

– Você me trata assim... Por causa daquele cara... Akanishi.

Ele não costumava se aborrecer com as cobranças de Yuya porque sabia que ele era mimado, egoísta e tinha um gênio difícil. Isso nunca lhe deu grandes problemas e era até mesmo adorável quando ele fechava o rosto com aquele bico e o olhava daquele jeito bravo.

Contudo, Tegoshi nunca havia deixado claro que ele tinha um alvo específico para o seu ciúme. Virou-se para o rapaz e o encarou, esperando que ele continuasse.

– O que Akanishi é para você?

– Isso não é da sua conta.

– Você o ama?

– Não vou falar da minha vida com você. Nunca falei. Não farei isso agora.

– Pi, eu quero você só pra mim! Não quero ter que dividir você com mais ninguém! Largue essa sua vida, eu vou te sustentar... Eu assumo um relacionamento com você, se você quiser... Não me importo se isso vai afetar minha carreira... Eu te amo!

Tal declaração apaixonada apenas fez o puto arquear a sobrancelha e desconfiar desse sentimento.

– Dizer que ama alguém não deveria ser assim tão fácil. Abandonar a sua vida profissional, você seria capaz disso? Eu duvido. Não diga besteiras. O amor não é algo que se obtém a força e nem é algo que precise de provas... Pare de ser mimado. Se você não gosta do jeito que estamos, pode contratar outra pessoa.

Ele se aproximou da cama e segurou o rapaz pelo queixo, obrigando-o a olhá-lo.

– Não mencione mais o nome dele, está entendendo? Se você fizer algo contra ele... Se eu souber que apenas pensou em fazer algo contra ele... Esteja pronto para as conseqüências. – dito isso, ele pegou o dinheiro no móvel e se retirou do quarto.

Tegoshi Yuya tremia de raiva.

6

Ele estava sentado à frente do monitor, as mangas da camisa dobradas até o cotovelo, um copo de plástico com café frio na mesa e fumava o final do seu cigarro. Okura apagou o cigarro no cinzeiro e bagunçou seu cabelo, sentia-se cansado, com sono e entediado. Olhou para o relógio, já tinha amanhecido. Tinha virado a madrugada naquele trabalho.

A divisão de entorpecentes tinha conseguido as ligações particulares de Nishikido Ryo. Eles estavam pegando pesado neste caso depois da vergonha com a decisão do superior em fazer vista grossa sobre a última apreensão... Contudo, se eles conseguissem uma prova irrefutável da participação de Nishikido, dificilmente poderiam acobertar novamente.

– Precisamos nos encontrar. Tenho um assunto a tratar com você. Ah, sim, isso também... E... Estou com saudades. Vamos nos ver, certo?

– Esse cara pode mesmo ser o novo chefe da família? – Okura se indagou em determinado momento: – Ele só fala com mulheres o dia todo!

Subaru entrou na sala trazendo mais café e lanches para eles.

– Ainda resmugando?

– Nós vamos perder muito tempo analisando esses áudios... Temos que analisar as imagens do caso Kimura, também!

– Ah, sobre elas... Eu dei uma olhada agora que fui comprar o café.

– Ehhh?? Sem mim?? Isso foi truque sujo, enquanto eu fiquei aqui todo esse tempo com este trabalho chato e...

– Não se preocupe, vamos analisá-la juntos mais tarde... Só fui dar uma olhada no grosso do conteúdo.

– E alguma coisa interessante?

Baru sacudiu os ombros.

– Depende do ponto de vista... Não tinha nada além do que nós já suspeitávamos.

– O que é? O que foi que você viu?

– Vi o momento em que Inagaki chegou ao local do crime.

– Ah sim e... Ehhhh??????

Okura não pode fazer todas as perguntas que se formavam em sua cabeça. A porta foi aberta bruscamente e um assistente entrou com certa urgência.

– Shibutani-san, Okura-san... Aconteceu algo...

7

A Casa de Chá Midori estava um alvoroço. Não que fosse uma surpresa, um ambiente com muitas mulheres não precisava de muito para se tornar uma verdadeira bagunça, mesmo se forem mulheres elegantes e treinadas para serem as melhores companhias. Mas aquele era mesmo um motivo que as deixariam histéricas.

Shibutani e Okura passaram pela sala de onde vinham as vozes exaltadas e seguiram para o outro ambiente. Foram recebidos pela anfitriã Nishiyama Megumi, que demonstrava sinais de ainda estar horrorizada. Segurava um lenço e seus olhos estavam vermelhos. Ao seu lado estava o policial encarregado de investigar aquele crime até a chegada dos agentes da divisão de entorpecentes.

– Shibutani-san. Okura-san. – ele os cumprimentou – A hora da morte é provavelmente meia-noite. Foi drogada e estrangulada.

– Drogada e estrangulada? Da mesma forma que Kimura-san. – Okura comentou – Foi uma queima de arquivo.

Shibutani franziu a testa com aquela informação, mas não disse nada. Silenciosamente, ele se aproximou do corpo, ainda no sofá, na posição em que foi encontrada pela mocinha responsável pela limpeza dos quartos. Hayami estava com a cabeça pendente, o queixo unido ao peito. Aos seus pés, o copo quebrado, que caiu após ela perder a consciência. Em seu pescoço, o claro sinal de estrangulamento.

– Queima de arquivo presume que ela tinha algo mais a nos contar. Algo importante, que fez o assassino se arriscar de novo. – ele disse – O que você acha disso, Okura?

–... O nome da amante? Da verdadeira amante?

– Hayami mentiu para a polícia, mas foi apertada pela fonte do jornalista e contou que não era ela a amante. Disse que não sabia quem era. E agora está morta.

– Você tem a relação dos últimos clientes que estiveram com ela? – Okura perguntou a anfitriã.

– Temos um controle de registro. – ela respondeu

– Podemos vê-lo? – Subaru pediu.

– Claro. Por favor, esperem um momento.

Nishiyama se dirigiu até a porta e falou com uma mocinha, que parecia muito nervosa com toda a situação. Poucos minutos depois, um livro encadernado com uma capa de veludo verde estava nas mãos de Subaru. Okura se aproximou para ler os nomes dos clientes de Hayami.

– Akanishi Jin... – Subaru leu o último nome em voz alta. – Quem é ele?

–... Um rapaz da Casa de Show. Akanishi Jin. – ela respondeu – Ele estava vindo com freqüência conversar com Hayami nos últimos dias. E parecia que estavam sempre discutindo, ela sempre ficava nervosa depois de atendê-lo.

– Demo... Olhe o nome anterior. – Okura indicou. – Yamashita Tomohisa.

Okura lançou um olhar para Subaru e ele apenas procurou pela sua moeda de ouro em seu bolso, refletindo.

8

A primeira coisa que fez ao chegar em sua casa naquela tarde foi alimentar Akame. Sentado no chão, encostado à parede, ele o observava devorando a ração. Naquela posição, ele também podia ver a sala toda e a porta da cozinha. Sentia-se desanimado.

– Esse apartamento não é tão grande assim... Mas porque daqui ele parece maior? – Kamenashi perguntou em voz alta.

Ninguém lhe respondeu e o silêncio também tinha se tornado um incômodo. Quando o telefone tocou, Kamenashi se levantou com um pulo, ansioso para ouvir aquela voz, ao mesmo tempo em que agradecia pela quebra do silêncio.

Mas era Nakamaru.

– Kame? Alguma notícia do seu namorado criminoso?

– Vai à merda.

– Eu realmente não acredito que você se apaixonou por um puto de luxo que está envolvido na morte do cantor.

Kamenashi levou aos dedos à testa e esfregou o local. Estava cansado, confuso e Nakamaru não estava lhe ajudando a superar o que tinha acontecido.

– Não, nenhuma notícia... – ele preferiu ignorar a provocação do amigo. – Ele sumiu. Mas você não pode afirmar que ele esteja envolvido no caso...

– Bem, ele se aproximou de você apenas para investigar sobre o caso, não é?

– Sim...

– Kame... Esqueça esse cara, está bem? É perigoso. Ele pode ser um assassino.

Kamenashi sabia disso, contudo, esse não era o principal motivo da sua preocupação. Existiam duas hipóteses e ele não gostava de nenhuma delas. A primeira era que Akanishi, de alguma forma, estava envolvido no crime e havia se aproximado dele para descobrir sobre as investigações. A segunda, o outro acompanhante, Yamashita Tomohisa, estava envolvido no crime e tinha mandado Akanishi ali para descobrir mais informações. Nos dois casos, Akanishi tinha aparecido em sua vida por puro interesse, mas, isso ele já sabia, apenas pensava que o interesse fosse dinheiro.

Para complicar ainda mais o caso, a amante Hayami havia sido assassinada e o nome de Yamashita e Akanishi estavam envolvidos. Diante dessas novas circunstâncias, Kamenashi também estava quase certo sobre a verdadeira amante de Kimura. Só podiam ser Yamashita... Ou Akanishi.

Kimura freqüentava a casa em que eles trabalhavam. Discutiu com Yamashita, e o motivo podia ser o relacionamento que mantinham. E tanto cuidado para se encontrar com a amante era porque um relacionamento homossexual precisava de ainda mais sigilo, o esncâlo seria ainda maior se fossem descobertos.

Kamenashi queria acreditar que Yamashita era o assassino e amante, mas, se fosse assim, qual seria o relacionamento dele com Akanishi a ponto deste se arriscar da forma como fez? Esta sim, era a sua principal preocupação.

– Em todo caso... Talvez seja melhor dá um tempo nessa história. Não quer passar para outra pessoa?

– Está enganado, Yuichi. Agora é que eu vou realmente descobrir a verdade sobre Kimura. E Akanishi.

Ele escutou os resmungos do outro lado da linha e sorriu. Mesmo sendo contra, Nakamaru o ajudaria. Na verdade, Kamenashi sabia que a intenção verdadeira naquela ligação era verificar se estava bem e oferecer ajuda, mas Maru não admitiria isso facilmente.

– Ne, Yuichi?

– Un?

– Arigatou.

– Eh? O que está dizendo, idiota? Isso não é hora para essas coisas. E agora, qual vai ser o seu próximo passo?

– Vou com o Koki até a Casa de Show. É a nossa única referência sobre Yamashita e Akanishi.

–... Tomem cuidado.

– Pode deixar. Qualquer coisa, eu te ligo.

– Baka, não me envolva nisso... Preciso desligar. Parece que um estudante do colegial se jogou do terraço de onde morava. Vou cobrir este caso. A gente se fala.

– Bye, bye.

Kamenashi respirou fundo verificou o horário. Precisava jantar e se arrumar, Koki disse que o buscaria por volta das vinte horas. Foi para a cozinha preparar alguma coisa e encontrou Akanishi ali, segurando a sua tigela favorita com algo cuja única descrição era a cor: amarela.

– Takahashi-san me deixou entrar. – ele disse com naturalidade – Eu disse que queria preparar uma surpresa pra você! – ele estendeu a massa em sua direção – Eu fiz o jantar! Espero que esteja com fome... Porque eu não estou muito não... – Akanishi olhou com receio para o que segurava – Pode comer tudo!

– Jin...

A imagem de Jin se dissolveu, ela foi para algum lugar que Kamenashi sempre soube que existia. Um lugar para longe dele, onde era ele quem não existia... Não existia para Akanishi. Kamenashi fechou o punho e seu rosto endureceu.

A raiva tinha a mesma proporção da tristeza.