O assassino Aesir

11 Capítulo 11 - Detetive Júlia


Notas iniciais
Novamente não foi possível publicar o capítulo no dia previsto, mas enfim ele está aai, pronto para ser lido :p

Uma mulher alta, de cabelos cacheados e escuros, olhos castanhos e de pele altamente branca entrou em minha sala. Ela usava uma calça jeans, com uma blusa de mangas longas preta, colada em seu corpo. Seus cabelos enrolados e negros estavam presos em uma rabo de cavalo, enquanto que uma breve franja escorria em seu rosto. As feições de sua face eram belas, mas estavam longe de serem o modelo de perfeição do mundo. Olhos grandes, nariz afilado e boca minúscula, eram o que compõe sua própria beleza. Na sua cintura um cinto de couro trazia um revolve, e ela calçava botas de salta pretas.

Ela entrou pela porta transparente do meu quarto, atravessando pelos dois soldados de guarda, e parou enfrente a minha — como a maioria das visitas fazia. Seus olhos se encontraram com o meu, mas diferente dela eu desviei para o lado, voltando a olhar a janela a qual eu sempre fitava enquanto as mais chatas visitas entravam pela aquela porta. Provavelmente era só mais um detetive que vinha para corpora o grupo dos outros três que tinham vindo depois que eu tinha sofrido o acidente com o carro. Ou então, tinha chance de ser uma repórter estérica que tinha conseguido entrar só para fazer um especial sobre o novo serial killer. Mas, não importasse quem fosse, seria ignorada como todos os outros.

Continuei com a vista direcionada para a janela que, hoje, mostrava um dia tranquilo e iluminado. Um lindo dia, como diria os mais otimistas.

Ela ficou parada durante uns cinco minutos me olhando séria sem demostrar nem um objetivo por ter entrado. Isso era diferente do que os outros fazia, uma vez que todos já começavam a falar sem parar, me perguntar coisas ou então fazer sinais para desviar minha atenção. Finalmente, depois de um tempo, para a minha surpresa, ela moveu-se para o canto do quarto pegou uma cadeira de que estava do lado de minha maca, colocou-a bem onde ela estava parada e sentou distraída sem olhar para mim. Afundou seu corpo na cadeira de escritória e jogou seus pés para o alto traçando um no outro e pousando em cima da minha maca, bem na ponta. Depois tirou do seu bolso uma celular e começou a mexer nele distraidamente.

Ficamos nesta situação por muito tempo, talvez horas. Ela sentada mexendo em seu celular, enquanto que eu olhava para a janela. Devo admitir que isso tudo me incomodou muito. Ela ficaria ali o tempo todo e não me daria privacidade? Com essa implicância olhei impaciente para o rosto sério dela, que tinha a vista abaixada para o aparelho em suas mãos, e falei:

– Tá! Vai ficar ai me olhando?

Meu tom foi grosseiro e exaltado. Só não gritei porque não queria mais problemas com a polícia.

– Sim, até que me dê sua atenção. — respondeu ela sem nem desviar seus olhos da tela do celular. Ainda permanecia muito séria.

– Bem, conseguiu a minha atenção da pior maneira!

– Não sei se ainda há uma boa maneira de obter ela. — disse serenamente olhando para mim.

Foi um olhar tão vago, sem emoção, que me lembrava a morte. A morte de todos em minha volta. Era como navegar em rios sombrios de sua íris e cair em uma buraco destruidor em sua pupila. Foi intenso demais para ser um qualquer olhar. Aquele de fato era o olhar que eu não via desde o dia em que Ryan entrara em meu quarto da primeira vez. Um olhar sem vacilo e com a razão em sua frente, pronto para mostrar ao mundo seu melhor. O olhar que poucos tem.

– Como disse, tem minha atenção. — falei preso a seus olhos sem fim.

– Ótimo. — falou — Não farei cena, Alexander, você tem noção de tudo que está acontecendo em sua volta e não preciso fazer previsões sobre o perigo. Por isso, vou direto ao assunto. Tenho quase plena certeza de quem é o assassino, mas preciso de sua ajuda.

– A última pessoa que me falou que tinha certeza de quem era o assassino está sumida a dias.

– Eu sei. E é dele mesmo que estamos falando.

Ouvi suas palavras distraidamente, porém quando meu cérebro decodificou-as lancei-lhe um olhar duvidoso, arregalado e espantado, porque suas palavras tinha soado como cacos de vidros estilhados em um lugar de perigo. Uma mensagem simples, mas devastadora. Não entendi direito, pensei ter ouvido errado. Perguntei:

– Como assim dele?

– Ryan Ferrace. 15 anos e nove meses. Primo de Jake Ferrace, desaparecido a semanas. É exatamente dele que eu venho falar com você.

– Pode clarear minha mente? — indaguei desconfiado.

– Claro. Responda-me, no dia em que sofreu o acidente e que o seu vizinho morreu, com quem estava?

Fiz um momento de silêncio sério e bem cético. Não queria acreditar naquelas palavras, não facilmente. Sabia que ela acusaria o Ryan, mas como seria possível ser ele? Nada a ver com um garoto fazer isso.

Não falei nada e ela prosseguiu.

– Quem lhe levou lá? Quem fez o plano? Quem estava o tempo todo movendo tudo? Quem se ofereceu?

– Não são provas de que ele seja esse monstro! — berrei estérico — Você está aqui do mesmo jeito que ele estava. Como posso saber que você não é o assassino? Isso não são provas!

– Não, concordo com você. Mas, sou detetive.

– Sim, imaginei. — falei com desdem.

– Porém, não sou qualquer detetive, Alexander. Se fosse você confiaria em meu julgamento.

– Hmm... Sabe o que lhe diferencia dos outros detetives? Um orgulho ferrenho! Não devia falar assim, você é humana, você erra. E não vou acreditar nessa história de que você não é qualquer uma.

– Poupe-me. Falo isso porque nunca errei nenhum caso.

– Sempre há uma primeira vez.

– E não será essa vez — retrucou ela — Tenho o necessário para provar que sou capaz.

– Uma mulher sendo detetive? — dei uma risada irônica — Prove ser capaz.

– Não preciso provar nada para ninguém.

– Currículo? Qual é seu currículo?

– Tá! Você é muito idiota. Mas, vamos lá. Meu nome é Júlia Holtreman...

– Portuguesa? — interrompi que ela continuasse a falar.

– Eu estou falando, então por favor respeito. E, sim, descendência portuguesa. Igual seu amigo que descende de italiano.

– Pelo jeito sou o único brasileiro oficial.

– Isso pouco importa. Sou técnica em Controle Ambiental pelo Instituto Ferderal de Tecnologia, graduada em medicina pela Universidade Ferderal, fui médica-capitão da Escola de Saúde do Exército e servi alguns anos no Exército. Mas, depois passei para polícia, onde fui Investigadora de polícia, a mais requisitada. Resolvi mais de cinquenta casos. Tornei-me perita criminal pela Universidade, fiz curso na Academia da polícia e enfim assumi minha posição final como detetive. Hoje, sou diretora-chefe da Abin e tenho contato direto com a presidenta. Então, será que dá parar de ser imbecil e acreditar no meu julgamento?

Foram títulos que eu ouvi que simplesmente deixou meu queixo cair. Eu estava na frente de uma potência policial e tinha desacatado ela. Apesar de minha vida estar destruída, eu ainda tinha medo de ir parar na prisão, ainda mais depois de ter desobedecido a polícia.Uma mulher fantástica se apresentara para mim.

Fiquei em silêncio sem saber o que falar. O que foi o suficiente para confortar o rosto da mulher que outrora estava ofendida.

– Eu sei que parece estranho tudo. Você não estava acostumado com essas coisas, eu entendo.

– De onde tirou essa ideia de que Ryan é o assassino?

– Eu li sobre o assunto e criei a teoria.

– Você simplesmente leu e decidiu que ele era? — indaguei.

– Não. Eu li, estudei e analisei. E não decidi, eu fiz uma suposição sobre o assunto. A primeira coisa que lhe falo é que não estamos lidando com fatos e sim com teorias. Parece que esse assassino sabe bem o que fazer no requisito desviar a polícia.

– Eu sei, e mesmo assim você acha que sabe quem é. De onde tirou suas teorias?

– Quero que fique claro que em momento algum saiu de minha boca de que Ryan é, sem sombra de dúvidas, o assassino. Eu entrei por aquela porta para conversar sobre a identidade do assassino e citei seu amigos porque ele foi um dos mais próximos a minhas análises.

– Como assim?

– Olhe, todos estão pensando que esse assassino pode ser de dentro da polícia. Eu pensei sobre isso e ainda não descartei essa hipótese, mas não temos prova alguma disso. O assassino não pode ser ninguém além desta cidade.

– Como tem tanta certeza? — murmurei.

– Porque ele sabe seus pontos fracos, ele lhe conhece muito bem, e não vejo motivo algum para alguém de dentro da polícia vir se meter com você. Antes de vir para cá, Alexander, eu olhei todo seu histórico de vida. Tudo o que um dia fez ou deixou de fazer está em minhas mãos. Você nunca nem sonhou em ter contado com alguém da polícia e nem muito menos do alto escalão da política. Você nunca foi em uma delegacia antes do assassino parecer, você é de família pobre, não tem influência nenhuma.

– Onde quer chegar com isso tudo?

– Que o assassino está dormindo ao seu lado todos os dias e você não percebe. Ele só quer você. Olhe envolta, Alexander. Quantas vezes esteve cara a cara com a morte e nada aconteceu? Pelo o que vi, o assassino já esteve em contato direto com você três vezes. Não soa estranho um serial killer falar chegar perto de você e agir em nada? E não podemos esquecer os CD's que por você estar ignorando-os, tomei a liberdade de pegar todos. Coloque na cabeça que se o assassino quisesse você morto, você estaria morto, mas não. Ele mantêm você vivo. Ele lhe conhece a fundo. Ele quer jogar com você.

Minha cabeça dava voltas com as teorias que saiam da boca de Júlia. Apesar de que fizesse sentido tudo, não queria acreditar que pessoas em minha volta poderiam fazer isso tudo. Eu me importava com eles e não aceitava a ideia delas quererem me deixar louco.

– Você pensou nisso tudo só lendo sobre o assunto? — indaguei fracamente e perplexo com o raciocínio que seria longo demais para entrar de vez em minha cabeça cética.

– Como disse, se fosse você acreditaria em meu julgamento.

– Mas por que está aqui?

– Porque é você que o assassino quer. E é você que eu vou utilizar em minhas pesquisas.

Abaixei a cabeça e valiei meu corpo. Sabia o que viria depois daquelas palavras. Ela me levaria para fora do hospital e eu estaria de volta ao tormento do assassino. Valeria mesmo apena ir atrás dele? Tudo parecia tão acabado, era como se o fim já estivesse sendo completado e não havia para onde correr. Então, por que ir atrás dele?

Olhei para a face pálida da mulher em minha frente e lhe fitei sério. Mas, ela não demostrou nada além de um vazio nos olhos. Parecia conseguir ler meus pensamentos, mas mesmo assim permanecia em silêncio. Ela conhecia a mente humano, não ousaria dar passos infalsos.

Fiquei em silêncio um tempo, talvez dois minutos no máximo. Não queria responder as perguntas, não queria me meter com ele de novo. Queria ficar ali deitado o dia todo, andando de quando em quando pelo hospital, sem fazer nada. Só esperando a morte.

A voz de Júlia ecoou depois de um tempo na minha sala. Ela já não era firme como sempre, mas lenta e baixa, como se não tivesse pressa de esperar.

– Pode pensar sobre. Eu sei o que esse cara fez. Vi as fotos e as vítimas. Ele é pesado nas coisas que faz. Porém, precisa ser forte. Quero que saiba que não irei lhe obrigar a fazer nada, se não quiser ajudar, não precisa.

– Não há jeito. — disse com lágrimas nos olhos — Ele sempre escapa. Ele sempre vence.

– Não dessa vez.

– Por que não desse vez?

– Porque eu estou no caso, Alexander. E com sua ajuda, eu vou encontrar esse desgraçado e colocar ele nas câmeras. Mas, e então, vai ficar com a bunda sentada enquanto ele mata ou irá sair por aquela porta, com dignidade, e irá me ajudar?

– Não existe mais dignidade para mim. — disse quando o primeira filete de lágrima desceu pela minha face e cai na maca. — Não haverá mais vida para mim. — fiz um momento de silêncio — Mas isso não quer dizer que eu não queria dá uma boa surra nesse assassino.

– Ótimo. Partimos ao anoitecer. — falou ela se virando para a porta.

– Partimos? Para onde? — perguntei surpreso.

– Você tem sucesso, Alexander. Os barões do Brasil estão curiosos para conhecer o sujeito que esteve cara a cara com o assassino.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.