O asilo do exílio
1 O asilo do exílio
Meu corpo procurava paz em altas fantasias. Naquela noite, tudo queimava, já diria os Engenheiros, porém nada aquecia. Um matagal indecifrável surdia solidão, encontrei abrigo num barril, aonde um mendigo me contou uma história, e percebi que a nobreza é oriunda da sujeira.
Vestindo trapos, constatei que aquele homem veio ao mundo trajando roupas plebeias em um festival burguês.
Como o anjo mais belo e atraente que prefere uma fantasia de Halloween para as noites frias.
A chuva refletia como um espelho, em cada gota gelificada, eu não sabia qual exemplificava melhor o meu interior. Assemelhei a torrente chuvosa com os espelhos, que em cada piscadela me fornecem uma nova imagem, confundindo-me, gerindo-me apelos pela fiel captura de quadros.
Quando entrei na igreja, sem fé e sem coração, olhei para o alto e seres voadores cultuavam a noite, logo captei que eles eram responsáveis pela tempestade.
Em um ciclo infinito, inventando um jogo esportivo, lançando meus pesares e desencantos entre eles, brincando com os meus sentimentos. Gritei para que parassem, acredito que tem ciência do que aconteceu, os corpos ambulantes naufragados e pilhados pela música úmida abafaram minha voz, que então se perdeu nas ondas sonoras.
Havia tantas demandas e a maior, proeminente e fatal, proclamava que meu orgulho fazia-me ler as minhas histórias e abandonar as outras. Infelizmente, aquele ledo engano ditava as regras da realidade.
Troquei de roupa com o pobre ali presente, deitei em baixo do viaduto e esperei a chuva passar, a nuvem passageira não tardou tanto. Voltei ao espelho e os meus cabelos brancos evidenciavam o tempo, que se tornou apenas aperitivo para idosos internados.
FIM
21/01/15
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