O arco-íris

1 Cores de ninguém e cores de alguém


Notas iniciais
Escrevi essa história em 2017 pra um projeto de escrita criativa da faculdade que não foi pra frente e lembrei dela aleatoriamente hoje. Deixei uns 90% como tava pois, mesmo sendo um texto "antigo", curti como estava. Espero que gostem ;)

Minha vida sempre foi escuridão. Um pavoroso e vazio breu onde nunca pude me achar. Onde mesmo com os olhos abertos nada enxergava além de meus próprios pensamentos sufocantes.

Diziam que eu entrara neste mundo para nunca mais sair com poucos dias de vida. Obviamente não me recordo de qualquer luz ou cor, mesmo que eu sempre tente entender tais conceitos.

Mesmo tendo meu corpo envolto em som, toques e tantas sensações tão intensas, nunca entendi o vermelho-fogo, o azul-água e o amarelo-ovo que sempre me descreveram.

Somente a infinita escuridão diante de meus olhos.

—O que são cores? — lembro de perguntar pela milésima vez para a milésima pessoa. Você.

Eu estava sempre buscando uma resposta diferente. Mesmo que soubesse que seria mais uma definição do tipo “azul é de menino e rosa de menina” que me deixaria em confusão ainda maior por não entender como uma cor poderia ser para alguém.

Sempre uma definição de algo que podem ver.

Porém você, eu deveria imaginar, era diferente e do nada estava falando do arco-íris, que não tinha uma única cor e sim várias juntas.

Mais uma entre tantas coisas que não compreendia nesse mundo de olhares.

—As vezes não é necessário ver algo para entender. Vou te explicar.

O roxo é misterioso como suas palavras que tantas vezes não compreendo e mesmo assim me fazem tão bem.

O índigo habita seus olhos tão profundos que sei que me guardam.

O azul foi criado pela sua voz que me acalma.

No verde a esperança de sempre te ter ao meu lado.

O amarelo de nossos risos, explodindo em alegria.

O laranja faz parte da sua voz, que aquece meu peito como o nascer do Sol.

E na última faixa deste arco-íris, o vermelho de seu beijo, corando minha face e acelerando meu coração.

E foi só naquele momento eu finalmente entendi que as cores não eram algo e sim alguém.

Notas finais
Uma perguntinha: como não tem qualquer indicador do gênero das duas pessoas, como vocês as imaginaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!