O apanhador de sonhos
1 Capítulo 1 - Caindo na escuridão
Notas iniciais
Observo meu rosto no espelho do banheiro escuro, sei que são 3:00 da manhã e não deveria estar acordado. Não deveria estar em pé tão tarde em uma noite como essa. As noites são sempre tão longas. Fecho os olhos por um segundo e mais uma vez volto a abri-los, está escuro, nenhuma luz acesa, mas meus olhos já se acostumaram com a escuridão.
Enxergo meu rosto no espelho, meus olhos confundem minha visão. Vejo formas distorcidas onde deveria estar meu rosto, elas me assustam mas não deixo de olhar.
Talvez sejam todos meus pecados querendo tomar meu corpo, minha consciência. De uma coisa tenho certeza, já estão conseguindo dominar minha sanidade. Algo está errado. O vento forte batendo na janela só piora meus pensamentos, a cada relâmpago uma imagem pior se forma nas paredes.
Meus instintos me fazem voltar para o quarto. Andando pelo corredor escuro sei que estou sendo observado, mas não deveria ter ninguém em casa.
Chego até a cama com a mesma sensação, alguém me observa. O simples apanhador de sonhos pendurado na cama não passa de um objeto inútil, ele não impediu todos os pesadelos que me atormentavam por meses como deveria ter feito. Pego-o em minhas mãos e o jogo do outro lado do quarto.
Não me lembro da última vez que tive uma boa noite de sono. Isso nem mesmo se parece algo possível. Os pesadelos fazem parte de mim agora.
Deito olhando para o teto, lembro de quando pensava que se me escondesse embaixo da coberta afastaria os monstros e todos os sonhos ruins. Isso já não era mais possível.
Os minutos vão passando e logo começo a sentir o sono vencendo a consciência. Não estava preparado para mais uma seção de terror, mas não tinha outra escolha a não ser deixar que a escuridão tomasse meu corpo e levasse minha imaginação ao extremo.
Primeiro um sono tranquilo, mas não durou muito até que tudo começasse a sair do controle.
Começou com a sensação de estar caindo em queda livre, um sonho comum para todas as pessoas, mas na parte em que deveria acordar assustado, apenas continuo caindo. Não consigo ver nada além de escuridão até que meu corpo finalmente encontrou o chão, uma dor terrível atravessou todo meu corpo, pensei que morreria naquele instante de mais pura agonia.
Algum tempo se passou e de repente consegui enxergar pequenos pontos prateados brilhando na escuridão. O chão era macio e úmido. Tentei me levantar, mas a dor me invadia outra vez, realmente parecia que caí em algum lugar ou era para lá que todos iam após a morte.
Com dificuldade consigo me sentar, olho em volta e percebo que estou no meio de uma floresta escura. Os pontos brilhando eram estrelas e o chão era coberto de terra e folhas secas. As árvores eram grandes e pequenas, de todo tipo, uma mais distorcida que a outra.
Não sabia onde estava, nem como fora parar ali. Tudo me levava a crer que não se passava de mais um sonho. Até começar a ouvir barulhos na mata, começa baixo, quase imperceptível e aumenta a cada segundo.
Era o barulho de pessoas gritando, rindo e correndo. O medo começa a tomar conta das minhas ações, me levanto com pressa olhando para todos os lados. No meio da escuridão só era possível ver as árvores mais próximas e alguns vultos entre elas.
Sinto mais uma vez que algo me observa de perto e me viro, um rosto horrível está a centímetros do meu, seu rosto coberto de cicatrizes e um sorriso assustador foram as únicas coisas que pude ver antes que me acertasse a cabeça e desmaiasse em completa escuridão.
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