Notas iniciais
Espero que aproveitem essa pequena historinha tanto quanto eu gostei de escrevê-la.

"Um anjo caminha sozinho, a espera da sua eternidade acabar..."

A chuva não parava de cair do céu, e Guilherme cada vez mais se sentia entediado. Hoje não poderia sair para brincar com os seus amigos, senão que teria que ficar com o chato do seu avô em casa.

—Ghilherme.— Seu avô o chamou contente por telo em casa.

—Sim, vovô?— O atendeu sem vontade. Ele não queria falar, ele queria BRINCAR!

—Você quer escutar uma história? Eu sei de uma perfeita para matar o tédio.— Sorriu sábio como sempre.

Guilherme pareceu duvidar por um momento antes de assentir com a cabeça. Qualquer coisa era melhor que não fazer nada.

—É uma história de piratas?— perguntou curioso de repente.

—Não, dessa vez é a história de um anjo.— retrucou sorrindo, ao ver que Guilherme fazia uma careta.

—Anjo é coisa de meninas! e eu sou um menino!— exclamou cruzando de braços.

— Esse é um anjo diferente. Você quer conhecer a sua história?— perguntou sem esperar uma resposta. E Guilherme assentiu com a cabeça.— Era uma vez....

" Faz muito tempo, quando o céu e o inferno ainda viviam em guerra diariamente, houve um anjo celestial que mudou tudo. Ele ou ela, só desejava a paz esperada por todos.

A paz que ninguém conseguia alcançar....Então, quando tudo parecia em vão, e a esperança era nula, ele partira o céu e o inferno em dois, conseguindo que a guerra terminasse. Mas como tudo tem a sua consequência, aquele anjo também teve que pagar a sua.

As suas asas foram arrancadas de si, e por haver dividido um único reino em dois, foi expulso do seu mundo para vagar perdido em outro chamado Terra. Seus poderes celestiais se acabaram, e tudo que o restou foi uma foice. Por haver haver desejado a paz, agora teria que acabar com outras vidas, as vidas dos mortais.

Mas o anjo não queria ter que matar a ninguém, ele só queria...ele só queria.....ele só queria que tudo fosse como era antes. Mas o passado não volta atrás. E como não cumpria o seu castigo, a foice também le fora arrancada e deixara de ser um anjo para se tornar uma triste alma imortal.

Mas tampouco deixara de ser um anjo, isso não deixaria de ser jamais. E é por isso que vaga pelo mundo sozinho, a espera da sua amada paz."

—Que história mais chata!— Guilherme resmungou por um momento até que voltou a olhar a janela e sorriu ao descobrir que tinha parado de chover.

—Sim, é uma história chata. Porque você não vai brincar agora?

—SIM!!!!— Guilherme gritou entusiasmado de repente, e logo saiu correndo.

Seu avô feliz, sorriu também tentando esconder a lágrima que teimava em baixar dos seus olhos.

Porque aquele pobre anjo, jamais teria paz. O que ele não havia contado ao pequeno Guilherme era o fato de que quando chovia era porque aquele anjo chorava. Chorava caminhando pelas ruas de todo o mundo, levando um guarda-chuva preto que simboliza a sua solidão.

E que também, aquele anjo por mais invisível que fosse, poderia ser visto por pessoas de bom coração, por pessoas a espera de um perdão que não chega. Porque aquele anjo, sem importar o desgraçado que fosse, caminhava pela vida dando perdão.

—Espero que algum dia ele consiga a sua paz esperada....— Rezou em voz baixa esperançado.

Só foi uma pena que ele não foi capaz de sentir a presença daquele anjo do seu lado. Ou vislumbrou o sorriso passivo do anjo ao se despedir dele com um aseno de mão guardando o seu guarda-chuva.

"Humanos...nunca vi uma vida mais curta, e ao mesmo tempo mais preciosa." murmurou o anjo com voz melodiosa, caminhando lentamente pela estrada e se encontrando com o menino de antes.

—Moço!— Guilherme gritou ao ver um desconhecido saindo da sua casa.— Quem é você?

O anjo sorriu surpreso ao descobrir que ele o podia ver. E por puro instinto acariciou a sua cabeça.

—Faz um favor pra mim?— perguntou passivo.

—Tá.—Guilherme assentiu com a cabeça como o bom menino que era.

—Promete dizer ao seu avô que o anjo aprendeu a conviver com a solidão. E que....algumas vezes é preciso se sacrificar para um bem maior.

—Só isso?

—Em realidade, não. —Revidou sorrindo de maneira trágica.— Você pode me prometer ser meu amigo? Por mais que seja impossível?

—Claro! você sabe brincar com bolinha de gude?— Perguntou brincalhão fazendo o anjo sorrir. Mas o anjo sabia que ele voltaria a ser invisível aos olhos do menino. Porque quando alguém cresce deixar de acreditar, e quando alguém deixa de acreditar, deixa de ver a magia.

—Eu acho que não, mais espero aprender algum dia. Adeus.

—Espera! Você vai voltar, verdade?— Perguntou duvidando.

—Eu sempre estarei com você, não se preocupe. — O anjo o assegurou sorrindo. E o menino assentiu com a cabeça.

Mas depois desse incidente, o menino nunca mais voltou a ver o anjo. Por mais que ele sempre haja estado do seu lado

do mesmo modo que fizera com o seu avô.

Até no ultimo suspiro de guilherme aquele desconhecido cujo nome ninguém sabe, ficou do seu lado,e depois...desapareceu entre a chuva com o seu guarda-chuva preto.

E mais uma vez chorou pela morte de um ente querido, e a espera da sua eternidade chegar ao fim.

"O anjo ainda caminha pelo mundo

buscando um lugar seguro

para guardar seu coração.

Ele busca descanso,

e boas pessoas para brindar a sua amizade.

Talvez você o tenha encontrado um dia

preste atenção antes que seja demasiado tarde."

Notas finais
Okay....ñ ficou legal, eu já sei. MAS AINDA ESPERO OS SEUS COMENTARIOS!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!