O amor vai até que ponto?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Entrada do Internato San Lorenzo — Bueno Aires, Argentina — 07:43 a.m.
POV's León
– De volta ao inferno. — Disse Broduey enquanto parava ao meu lado na frente do grande portão de aço que separava o internato do resto do mundo.
– Pelo menos aqui a gente fica junto. — Olhei para ele e pisquei, como sempre fazia nas horas que queria irritá-lo.
– Que gayzisse, para. — Fez uma careta.
Aproveitei que um grupo de novatas passava por nós, e então o abracei de lado.
– Não, não meu amor! Não negue nosso amor só por que tem medo do preconceito!
– León, cara, eu vou te quebrar. — Ele resmungou enquanto se desvencilhava* de mim. Ri alto.
– Aquelas novatas nem eram tão bonitas assim, a Camila é melhor, não? — Arqueei a sobrancelha sugestivamente.
– Que Camila, cara? Que Camila? Não viaja. Vamos entrar logo antes que eu desista de estudar e saia correndo.
E me puxou para dentro do pátio, rumando* para a entrada principal. Mas, algo me fez parar no meio do caminho.
Um garoto de estatura alta e cabelos castanhos claros estava analisando uma plaqueta que mantinha em suas mãos. Eu o conhecia.
– Ei Broduey. — O cutuquei pelo ombro.
– Que foi?
– Aquele garoto, — Apontei — Ele não fazia aula de violão com a gente?
– Não, pelo que eu me lembre.
– Eu conheço ele de algum lugar.
– Vai lá e fala com ele, ué.
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, o garoto acenou sorridente para mim. Franzi o cenho.
– LEÓN! — Disse animado, já se aproximando — Quanto tempo, cara!
– Han, desculpa, eu não consigo me lembrar de você.
– Sou eu, Alexandre, Alex! Nós fizemos o primário juntos.
E então um "tsc" fez como se uma lâmpada acendesse em cima da minha cabeça.
– Alex, quanto tempo! — O abracei.
Broduey observava tudo quieto, afinal, não o conhecia, então, não tinha nada para dizer.
– Bróds, esse é o Alex, um amigo meu de infância. Alex, esse é o Broduey, meu melhor amigo há exatos dois anos.
– É um prazer. — Alexandre disse sorridente, estendendo a mão para o brasileiro.
– O prazer é meu. — Seu tom de voz era sério e pela cara de Alex, o aperto de mão de Broduey fora um pouco mais forte do que o normal.
POV's Violetta
– Ei meninas, vamos ali falar com o León e com o Broduey? — Perguntei à Fran e a Cami, que conversavam sobre o que a Italiana havia feito nas férias. Tomás. Dito e cujo, esse nome era citado em 90% do que Francesca falava.
– Eu vou é atrás do Maxi, eu ein. — Camila disse, e depois saiu andando para dentro do colégio.
Juro que tentava entender qual era a birra dela com o Broduey. Depois que eles ficaram algumas vezes, Camila começou a simplesmente ignorar o garoto. Achei muita judiação, afinal, ele era um dos meus melhores amigos.
Francesca me olhou de cara feia. Fran não gostava quando eu e León estávamos juntos, pois, segundo ela, a excluíamos da conversa.
– Por favorzinho! — Fiz um biquinho e ela rolou os olhos enquanto ria.
– Tudo bem, vamos logo.
Caminhamos até onde os nossos dois velhos e queridos amigos estavam parados, e então pude perceber que eles não estavam sozinhos. Um garoto — Muito bonito — estava conversando animadamente com León, enquanto Broduey observava tudo de cara amarrada.
– Hey, boy. — O abracei de lado — Tudo bem por aqui? — Sussurrei. Não queria atrapalhar a conversa do León com o tal novato.
– Tudo ótimo. — Me deu um beijo na bochecha — Ei León. Veja bem quem chegou, as barra pesada.
León se virou para nós e riu. Aquela risada que mostrava a gengiva e que deixava qualquer menina babando. Menos eu, lógico, porque eu sabia que ele era só mais um safado conquistador barato metido a Don Juan.
– Ei baixinha! — Me puxou, fazendo com que soltasse de Broduey, e me abraçou — Senti sua falta.
– Eu também. — Ri enquanto bagunçava seu cabelo — Cresceu, ein?
– Ou você que encolheu. — Arqueou as sobrancelhas.
– Oi, Vargas! Ah, eu tô muito bem, obrigada. Também senti sua falta nas férias. — Francesca sorriu irônica.
Leon riu.
– Vem cá, italiana. — A puxou para perto e também lhe abraçou.
O novato pigarreou, obrigando todos a olharem para ele.
– Ah, sim, perdão. Meninas, esse é o Alexandre, um amigo meu de infância. Alex, essas são Violetta e Francesca, minhas amigas do peito.
– Prazer. — Francesca acenou para o menino, simpática.
– Oi, Francesca. — Ele retribuiu o aceno — Olá. — Sorriu para mim, e eu juro que fiquei sem ar.
– Oi. — Sorri — É um prazer conhecê-lo, Alexandre.
– Não, não! Pode me chamar de Alex.
– Ok. Alex então. — Alarguei o sorriso.
POV's Leon
Ok, ok. OK. Violetta estava flertando com Alex, era isso?
Não, não, não e não.
Logo agora que eu tinha planos.
– Vilu, vamos entrar? Temos que ver se continuamos no mesmo dormitório e tal... — Francesca a puxou pelo braço, e então as duas adentraram o enorme prédio.
– Ei Leon, nos vemos lá dentro tá? — Broduey disse, chamando minha atenção — Vou atrás do Tomás. — e então encarou Alex de cima à baixo como se dissesse: "ei mano, não fui com a sua cara", em seguida fazendo o mesmo caminho feito por Violetta e Francesca.
– Alex, posso te fazer uma pergunta?
– Fala.
– Você gostou da Violetta?
– É, ela é bonita, mas não faz meu tipo. — Suspirei aliviado — Por que? Algum problema? Vocês têm alguma coisa?
– Não, nós não temos nada. Ainda. — Sorri malicioso. Colocaria meu plano em prática naquele exato momento.
– Alguma ideia? — Arqueou a sobrancelha esquerda.
– Na verdade sim. Vem, vamos conversar sobre isso lá dentro.
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