O amor pode vencer?!
12 Um amor torna-se ruínas
Notas iniciais
Enquanto ia atrás da mãe Miguel pensava oque poderia ter causado aquela reação em Santo, justo ele que sempre pareceu tão calmo, para ter ficado tão enervado com apenas a possibilidade de ter acontecido algo entre ele e sua filha, um bom motivo ele devia ter e só quem podia responder o porque era sua mãe, mas seja oque fosse ele não desistiria de sua Neguinha por nada e foi pensando nisso que se dirigiu a fazenda que havia abandonado.
Já Olívia não conseguia entender oque acontecia com o pai, que há levou para longe sem nem lhe dizer o porque, não entendia o pai e criava coragem para lhe contar a verdade sobre seu envolvimento com Miguel quando pararam, e sem aviso Santo caiu de joelhos no chão.
—Painho?! PAINHO!! Tu tá bem, que te aconteceu?- A moça foi logo se ajoelhando de frente ao pai, levantando sua cabeça.
— Olívia me responde, de verdade, aconteceu alguma coisa entre tu e Miguel?-O olhar do pai deu pena em Olívia e ela pode enxergar nitidamente o desespero do pai, pensou em lhe contar a verdade, mas por fim decidiu que o melhor era manter a mentira com medo da reação do pai se soubesse.
— Não painho, eu juro, a gente não fez nada, e quando íamos fazer tu chegou.- Disse tentando tranquilizar o pai. Santo respirou aliviado quando soube, ele havia conseguido afinal.- Mas porque pai? Porque?
— Filha, num sei como dize.- Santo tentava encontrar palavras, mas elas não lhe vinham.- Eu... Eu só... Filha entenda, é história longa.
—Oxi painho confia em mim, por favor me conta.-Ela precisava saber porque seu pai não queria que se envolvesse com Miguel.
—O motivo pro Coronel me odia tanto é que eu e a filha dele Tereza... nós nos envolvemos quando jovens, depois disso tanta coisa aconteceu, ela que me chamo hoje, oque ela me contou em não pudia nem imagina, não tinha como eu saber filha me perdoa, por isso você e o Miguel não podem ficar juntos.- Santo olhava nos olhos da filha e junto com suas palavras lhe transmitia seus sentimentos, Olívia entendeu oque ele queria dizer mais não podia acreditar.
—Não, não... não pode sé.- Ela se segurava no pai esperando ouvir qualquer coisa menos oque imaginava ser.
—Miguel é meu filho, Maria Tereza me contou hoje, eu não pudia nem imagina, ELE É TEU IRMÃO!!- As palavras de Santo ecoaram na mente de Olívia, não não podia ser, ela não queria acreditar.
Era demais pra ela, ele era seu irmão, irmão com o qual ela se deitou, ela era irmã do homem que a fez mulher, homem com quem queria passar o resto de sua vida. Ela soltou o pai e se pós de pé, sua mente tinha dificuldade de compreender a situação e sem saber oque fazer ou pra onde ir ela começou a correr, tropeçando e soluçando a medida que o choro saia forte, ela correu até as pernas doerem e caiu no chão de joelhos, onde longe de tudo e de todos deixou o grito que vinha se formando em seu peito romper por sua garganta e junto com ele saiu toda a esperança de ser feliz com o homem que amava.
Na fazenda dos de Sá Ribeiro, Tereza se encontrava as margens do rio São Francisco no armazém onde antes era cheio de algodão. Ela se preparava para contar ao filho toda verdade, contar a ele tudo que escondeu por tanto tempo, ela temia a reação do filho, mas era a hora de dar um basta nas mentiras. Quando ouviu um barulho atrás de si, ao virar para ver quem era encontrou o filho de pé, os olhos vermelhos.
—Doninha disse que a senhora tava aqui- Miguel disse tentando soar calmo, mas falhando.
—Filhotinho como tu tá?- Ela não resistiu a vontade de abraça-lo, mas foi afastada pelo filho que mantinha o porte sério.
—Santo me disse que tu tem algo pra me fala.- Falou brusco o tom de voz saindo rouco pela garganta seca.- É sua culpa ele querer me afastar da filha dele?
—Filho eu preciso te contar uma coisa, por favor me deixa explicar, vamos entrar nos sentar.- Ela não queria que fosse assim, queria poder explicar tudo calmamente.
—Eu não ponho os pés naquela casa, me conte agora, minha mãe.- Miguel só queria entender.
—Filhote, a culpa não é minha, nem de Santo, não queria isso filho.- Tereza tentava encontrar o caminho para revelar ao filho toda a verdade.- Eu era jovem na época e Santo também, ele era um homem arretado que só, mas tão doce, você parece tanto com ele, seu rosto teu jeito.
—Onde tu quer chegar minha mãe.- Miguel não compreendia oque ela dizia, oque ele tinha haver com Santo, a não ser... não não podia ser.
—Teu avô descobriu e me levo pra Salvador prum internato, foi lá meu filho que recebi a notícia que mudo a minha vida.- Ela se aproximou do filho que já tinha os olhos marejados.- Eu descobri que tava gravida de você meu filhote, eu tava esperando um filho de Santo.
Após ouvir isso Miguel se afastou da mãe friamente, os olhos transbordavam lágrimas, era por isso, essa era a razão de Santo ter tanto receio de eles terem ficado, porque eles eram irmãos , IRMÃOS!!!
—COMO TU PODE, MENTIU PRA MIM TANTOS ANOS!!- Ele não conseguia acreditar que a mãe que conhecia, que tanto amava havia feito isso com ele.- TU ME ENGANOU POR TODO ESSE TEMPO!!
A raiva o consumia, ele não podia mais olhar a face da mãe, a mulher a quem mais admirava havia feito tal coisa com ele. Ele saiu andando tudo que queria era ir pra longe, ele queria Olívia pensar nela só fez a dor aumentar.
—Meu filho por favor!!- Maria Tereza seguia o filho desesperada.- EU NÃO TIVE CULPA, EU ERA UMA GAROTA SOZINHA ASSUSTADA COM UM FILHO NA BARRIGA!!
—Por isso acha que tinha o direito de me esconder quem era meu pai de verdade, por isso acha que podia ter me feito crescer achando que Carlos Eduardo era meu pai?!- A raiva o consumia por dentro, a raiva e o desespero, ele havia desejado e tido a própria IRMÃ!!
—Não fale assim dele, foi ele quem me deu ajuda foi ele que topou assumir um filho que não era dele, foi Carlos Eduardo quem te criou enquanto Santo tava com outra!!- Ela já não sabia oque fazer, com um choro descontrolado e jogou na frente do filho, o impedindo de se afastar.
—Me ouve por favor!!-Ela implorou desconsolada.-Eu sou tua MÃE!!
—Eu não te conheço, você não é a mãe que eu achei que fosse.- Miguel não conseguia ficar ali mais nem um minuto, precisava ficar só.- Não me procure, não quero lhe vê nunca mais ouviu, NUNCA MAIS!!
E então saiu correndo, sem direção ele só queria ir pra longe, longe de todos que haviam enganado ele por tantos anos, ele só conseguia pensar em Olívia e com isso seu peito doía. Oque ele havia feito, oque eles haviam feito, por Deus eram irmãos!! Seu amor não era só errado, era um pecado, ele não conseguia mais correr, não conseguia pensar em nada então chocou-se contra uma árvore e abraçado a ela deixou o choro sair pela garganta, logo se sentiu escorregar até chegar ao chão onde ficou, quando lhe veio a memória o prazer em ter Olívia nos braços, em ter a IRMÃ nos braços ele berrou, tão alto, com tanta dor, que parecia a morte.
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