O amor pode te quebrar?

10 Por favor, não brinque com o meu coração


Notas iniciais
Boa leitura❤️

—Onde você está? Preciso da sua ajuda! — Enzo dizia para Bianca, que havia atendido sua ligação após 7 tentativas.

—No salão, vendo se consigo dar um jeito no meu cabelo. — a loira respondeu, pegando em seus cabelos com uma cara que poderia ser uma mistura de nojo e arrependimento. — talvez eu pinte também. O que você acha de ruivo?

—Pra ficar igual aquela ruiva de água de salsicha que você conheceu ontem? — perguntou ironicamente.

—Credo, é mesmo! — disse. — Preto?

—Você ama seu cabelo loiro, pra que mudar? Faz umas luzes, sei lá.

—Pra que eu fui fazer essa merda no meu cabelo? — perguntou retoricamente.

—Porque você é uma idiota. — respondeu. — Mudando de assunto, preciso da sua ajuda.

—O que você quer? — perguntou.

—Sabe aquele meu encontro com a menina da festa? — disse, e Bianca murmurou um “sei”. — Preciso que você vá comigo.

—O que? Você tá brincando, né? — perguntou, nervosa. — Eu vou lá fazer o que, servir chazinho pra vocês? Se toca, Enzo. Quem leva a amiga pra um encontro?

—Por favor! — disse, com a voz manhosa. — Ela me chamou pra um bar, não sei se ela está considerando isso um encontro. Então, se não for um, eu provo que sabia disso já que trouxe minha amiga. Entendeu?

—Queria não ter entendido. — murmurou baixo. — Ta bom, eu vou, mas você fica me devendo uma.

—Fico te devendo mil. — disse, alegre. — Eu passo na sua casa umas 6:15 pra gente ir, okay?

—Okay, bebê. — disse, enquanto o cabeleireiro começava a cortar seu cabelo. — Tenho que desligar, beijo com gosto de churros.

—Odeio churros. — Enzo disse, mas no mesmo momento Bianca desligou o celular.

—Vai querer só cortar mesmo? — o cabeleireiro perguntou, e a garota pensou por um tempo.

—Faz umas luzes também, quero uma coisa meio castanho meio loiro, sabe? — disse, fazendo movimentos com as mãos enquanto falava.

—Pode deixar, que você vai ficar maravilhosa.

***

—O que seu pai disse quando descobriu que você estava suspensa? — Lívia perguntou, enquanto terminava de se maquiar.

—Me deixou de castigo. — disse para a amiga, com quem conversava pelo telefone.

—Então você não vai sair com a gente hoje? — perguntou, desanimada.

—Vou tentar dar um jeito, mas não prometo nada. — a ruiva disse. — O que vocês vão fazer lá?

—Falando sério, nem eu sei. — a morena respondeu. — É só uma loucura da Catarine, mas não fala pra ela que eu te contei.

—O que ela fez?

—Promete que não vai contar pra ninguém?

—Prometo! — afirmou, curiosa.

—Ela pegou o celular de uma garota da escola e marcou um encontro com um garoto, aí quando ela não vier, a Catarine vai lá falar com ele, e o resto nem eu sei. — Lívia contou para Marina, que pelo que conhecia de Catarine, não ficou muito chocada.

—Mas de quem era o celular?

—Da Maria Luiza. — disse, e Marina fez uma cara de nojo.

—Não quero saber dessa garota e muito menos daquela amiguinha dela. — disse. — Vou me arrumar e ver se consigo sair. Tchau, amore.

—Beijo. — Lívia disse, e depois desligou o celular.

—Lívia, vem jantar! — a avó da morena gritou.

—Já vou. — gritou de volta, largando as maquiagens e indo até a cozinha.

—Onde vai arrumada desse jeito? — a mulher perguntou, assim que viu a neta. — Vai sair com seus amigos?

—Vou sim, vó. — disse, colocando sua comida no prato. — Sabe onde está a minha mãe?

—Ela saiu com um homem, e disse que voltava de madrugada. — respondeu.

—Ta, obrigada vó. — Lívia falou, dando um beijo na bochecha da avó e se sentando pra comer.

—De nada, meu amor.

—E o Diego? — perguntou, se referindo ao irmão.

—Não sei, deve estar na escola.

Apesar de só Marina saber disso, Lívia era bolsista, e tinha um irmão negro, que estudava em uma escola pública. A garota nunca teve vergonha disso, pelo contrário, tinha orgulho, mas sabia do bullying que seus amigos faziam com bolsistas, por isso preferia guardar aquilo pra si.

Seu irmão, que tinha sua mesma idade, era fruto de um relacionamento de seu pai com uma outra mulher, que deixou o garoto com a madrasta e o pai, que havia morrido há um ano, em um acidente de carro.

—Ele já deveria ter chegado. — disse olhando as horas em seu celular. — Eu tenho que ir agora, qualquer coisa me liga, tá?

Lívia morava longe da escola e da casa de seus amigos, por isso já estava acostumada a ir metrô até lá, afinal, fazia isso todos os dias desde que entrou naquela escola, já estava acostumada.

De noite era tudo mais perigoso, especialmente quando se está sozinha. Tem assédio, drogados, bebados, e às vezes até bandidos. E por mais que não gostasse, deveria se acostumar com aquilo.

Nunca havia passado por necessidades, apenas não tinha tudo que quisesse, não tinha tudo do bom e do melhor, mas tinha o necessário, e aquilo bastava pra ela. Mesmo andando com garotas esnobes que se acham e mesmo sendo uma líder de torcida, não era como as outras.

—Oh lá em casa. — dizia um homem que estava sentado perto de Lívia.

—Gostosa. — dessa vez era outro homem, que aparentemente estava drogado.

Outros homens assoviavam para ela e outras mulheres que estavam no metrô, e ela rezava para que chegasse a salvo.

Quando o metrô parou, ela se misturou à várias pessoas que também iriam sair. Começou a andar, até chegar no bar em que havia marcado com seus amigos.

—A princesa chegou. — disse um dos garotos do time de futebol, assim que viu Lívia atravessar a porta. — Por que demorou tanto?

—Meu Uber atrasou. — mentiu. Sabia que se contasse a verdade eles a zoariam e parariam de falar com ela.

—E a Marina, sabe se ela vem? — uma das líderes de torcida perguntou.

—Acho que ela está vindo. — disse, torcendo para que aquilo fosse verdade.

***

—Como você tá linda, Raquel! — Marina disse para a empregada, que estava fazendo o jantar. — Fez alguma coisa no cabelo?

—Ja vi que quer alguma coisa. — a mulher disse. Conhecia Marina desde que ela nasceu, e sabia que quando elogiava demais alguém, era porque queria alguma coisa. — O que é?

—Então, os meus amigos vão se encontrar em um bar aqui perto da praça. — começou, e Raquel já sabia onde ela queria chegar. — E eu queria que você me deixasse ir.

—Você sabe que não depende de mim. — disse, desligando o fogão e começando a arrumar os pratos. — O seu pai disse que você não pode sair de casa por uma semana, eu só cumpro ordens. Desculpa, minha querida.

—Mas Raquel, todo mundo vai. — disse manhosa. — E meu pai nem está em casa, ele não precisa saber. Deixa, por favor.

—Eu não posso deixar você ir se seu pai me deu ordens para você não sair de casa, eu sou só uma empregada, Marina.

—Você sabe que não é só uma empregada, você é uma mãe pra mim. — a ruiva falou, e a mulher deu um leve sorriso. — Por favor! Eu te trago um sorvete quando voltar.

—Você não vai conseguir me subornar com um sorvete.

—E com um açaí? — perguntou.

—Eu não posso te deixar ir, me desculpa. — disse, e Marina revirou os olhos.

—E se eu for sem você saber?

—Como assim? — perguntou arqueando uma sobrancelha.

—Eu saio agora, e você finge que não sabe de nada. Não é perfeito? — sugeriu.

—E se seu pai descobrir? — perguntou cruzando os braços.

—Ele não vai descobrir, fica tranquila. — disse. — Meu pai só chega de madrugada hoje, e eu volto antes de 00:00.

—Ta bom, mas... — começou, sendo interrompida por Marina.

—Mas nada. Eu vou, volto, e se meu pai descobrir, eu falo que fugi e você não sabia de nada. — a ruiva disse, e logo depois deu um beijo na bochecha da mulher. — Tchau, Raquel.

***

Os dois haviam acabado de chegar no bar em que Enzo tinha marcado de se encontrar com “Malu”. Não era um bar como os outros, era mais chique e haviam apenas adolescentes e jovens.

—Vou procurar a Malu, não saia daqui, okay? — Enzo disse para Bianca, que estava ao seu lado.

—Mesmo se eu quisesse sair você não deixaria. — a garota falou.

—Eu vou lá, me deseje sorte. — disse. — A propósito, adorei o cabelo.

Bianca estava distraída em um canto, até que foi empurrada e caiu no chão, junto com uma outra garota.

—Me desculpa, eu juro que foi sem querer. — disse a garota que tinha esbarrado em Bianca, antes de levantar a cabeça e olhar pra ela. — Ah, é você.

—Sabe, você tem que aprender a andar direito, não dá pra ficar esbarrando nas pessoas a cada passo que você da. — disse para Marina, que deu uma risada sinica.

—Não acredito que deu um jeito nesse seu cabelo. — a garota disse, se fingindo de surpresa. — Tenho dó desse cabeleireiro, deve ter tido o maior trabalho da vida dele.

—Trabalho deve ter tido você em lavar o cabelo. — Bianca disse rindo, ao se lembrar da cena. — Aliás, você até que fica bonitinha quando não tá com o cabelo cheio de terra.

—Você não se cansa de me perturbar não, garota? — a ruiva perguntou.

—Eu te perturbar? Você que fica esbarrando em mim.

—Quer saber, não vou ficar perdendo meu tempo com pouca coisa. — disse, se levantando.

—Roubando as minhas frases? Que decadência, hein? — disse rindo, enquanto Marina ia embora.

A garota saiu dali furiosa, indo até onde seus amigos estavam.

—O que aconteceu? — Pedro perguntou, ao ver o estado da amiga.

—Aconteceu que esse bar começou a ser frequentado por gentinha. — disse fazendo uma cara de nojo.

—Como conseguiu vir? — Lívia perguntou baixo, chegando perto de Marina.

—Dei meu jeito. — respondeu.

A ruiva de olhos castanhos olhou para os lados e viu o mesmo garoto que estava com a menina que tinha jogado terra no seu cabelo no dia anterior. Uma favelada desclassificada, de acordo com ela.

—O que foi? — a morena perguntou.

—Ta vendo aquele garoto? — disse apontando discretamente para Enzo.

—Sim, o que tem ele?

—Conheci ele ontem. — disse se virando para Lívia. — Ele tem um péssimo gosto para amigas.

—Também não tem sorte no amor. — disse e Marina a olhou sem entender. — se eu não me engano, é ele o garoto que te falei.

—Como sabe?

—Vi uma foto dele. — respondeu. — E a Catarine falou com ele uns minutos atrás, fingindo ser a Maria Luiza, e perguntando qual a cor da roupa que ele iria vir, é exatamente igual a essa.

—Então é ele.

—Ou ele tem um irmão gêmeo com o mesmo gosto de roupa. — disse ironicamente.

—Como estão, meninas? — Catarine perguntou chegando atrás das duas.

—Bem. — Marina respondeu. — E você como está?

—Maravilhosamente bem. — respondeu. — Agora, se me dão licença, tenho assuntos para resolver. — disse saindo logo depois.

—É impressão minha ou ela tá bebada? — Lívia perguntou.

—Julgando pelo bafo de cachaça, eu diria que sim. — respondeu à amiga. — Queria saber quando ela vai criar juízo.

—No mesmo dia em que os garotos do time deixarem de ser gostosos. — a morena disse. — ou seja, nunca.

—Sozinho? — Catarine perguntou, chegando perto de Enzo.

—Esperando alguém. — respondeu.

—Se esse alguém está te fazendo esperar, eu diria que não te merece. — disse, e Enzo riu.

—E você, está sozinha?

—Encalhada sim, sozinha nunca. — respondeu, fazendo o garoto rir mais ainda. — Mas me diz, essa garota que você está esperando é sua namorada, peguete, ficante?

—É complicado de definir.

—Então você gosta dela e ela não gosta de você.

—Mais ou menos isso. — disse, fazendo a garota rir. — A gente se conhece a pouco tempo, estamos conversando, minha amiga chamou ela pra se encontrar comigo, e cá estou.

—Então, vocês não são nada um do outro. — disse se sentando ao lado dele e cruzando as pernas.

—Amigos talvez. — disse recuando.

—Mas nada físico. — a garota disse mexendo nos cabelos.

—Não, nada físico. — respondeu, e Catarine foi chegando cada vez mais perto dele.

—Então, não teria nenhum problema em você ficar com outra pessoa.

—Eu acho que não. — disse nervoso.

—Ótimo. — a garota falou, e logo depois o beijou.

Assim que se separaram, olharam pra frente e viram a pessoa que Catarine menos esperava encontrar ali. Malu.