O amor perfeitamente verdadeiro
1 Capítulo 1 : Perfeição
*BIIIIIIP*
“Já são seis da manhã?” – Reclama o garoto desligando o despertador e virando de lado.
*BIIIIP*
Dessa vez o garoto saltou assustado, seu alarme de emergência havia tocado, era 06:40.
— Droooga.
Correu para o banheiro e deu em frente ao espelho, estava com o cabelo todo bagunçado, marcas da cama no rosto, o mesmo desleixado de sempre. Terminou de lavar o rosto e foi até a cozinha, começou a preparar um café da manhã, mas as coisas estavam mais frias do que o normal, pois estava sem as calças. Retornou ao quarto e se lembrou de que só deveria estar na escola às 08:00, agora tinha tempo de voltar a pensar, abriu a janela e deixou a luz tomar toda a casa, aturdido com o clarão acabou esbarrando em algumas fotos que estavam sobre sua mesinha, correu recolhe-las e aproveitou para admirá-las um pouco.
— Hoje é aniversário dela... – cochichou o garoto.
As fotos traziam para ele a imagem de Elizabeth, uma velha amiga, realmente velha, se conheciam desde os oito anos de idade, quando ela se mudou para a cidade, provavelmente o melhor momento da vida de Daniel. Foi amor à primeira vista, só que nem ele sabia disso. Porém não era hora de ficar dormindo, colocou a calça e voltou para o que estava fazendo. Morava com seus pais e irmãos, mas curiosamente ninguém ficava em casa durante as manhãs, assim pegou sua bolsa e saiu.
As ruas durante a manhã sempre estavam vazias, o maior problema era a dor que Daniel sentia nos ombros todos os dias, só não ia ao médico porque parava quando chegava à escola.
— Fala sério, não tem ninguém interessante para dançar comigo na festa! – Disse uma voz familiar, era Elizabeth, todos estavam saindo da sala de aula, se passaram seis horas e Daniel nem havia percebido.
— Ninguém interessante você disse? – Respondeu ele se ajeitando na cadeira tentando retomar o assunto perdido.
— exatamente, todos são um porre, que você acha? – Perguntou Elizabeth apreensiva.
— éhuam ... – Murmurou Daniel sem saber o que dizer
— Então?! – Persistiu a garota.
— Tem o Bruce! – Disse ele sem pensar.
— É ... ele é burrão mas dá um caldo! – Essas palavras iluminaram a mente da moça como o sol.
Mas o que Daniel acabara de dizer? Bruce era o pior tipo de cara que ele poderia pensar, metido a besta, grandão, musculoso, estiloso, popular, legal. Resumindo, tudo o que ele não mesmo não era e jamais seria. Era tarde demais pra voltar atrás, Beth se levantou e foi falar com o palhaço, Dani até tentou para-la, mas esbarrou em Felipe que apareceu do nada, jurava que a sala já estava vazia.
— Foi sem querer! – Disse Daniel automaticamente.
Lá fora Elizabeth estava negociando com o Bruce, então saíram juntos de mãos dadas. O coração de Daniel se apertou, acabara de perder a chance de se auto convidar. Não iria a droga da festa pra ver os dois juntos, então tomou a melhor decisão, foi ao Benedito’s Sorveteria.
Esse era o melhor lugar do mundo (para ele), tudo o que ele procurava estava ali, felicidade, solidão, amigos e baunilha. No caminho da sorveteria, Daniel encontrou algo interessante, um relógio de bolso digital, bem conservador.
— Olha só, nem tudo está uma merda! – Exclamou ele sorrindo e colocando o relógio no bolso da camisa.
A sorveteria estava logo do outro lado da rua. O som da porta acordou Benedito, que estava distraído atrás do galpão.
— Boa tarde rapaz, vai querer o de sempre? – Perguntou o velho animado.
Daniel por sua vez respondeu com um jóinha e foi se sentar, a sorveteria estava vazia, algo incomum.
— Aqui está! – Disse benedito colocando um copo com cinco bolas de baunilha.
— Por que aqui está vazio hoje? – Perguntou Daniel um pouco triste.
— Ah... É por causa do aniversário da senhorita Johanson, todos foram convidados. – Respondeu o sorveteiro voltando para a recepção.
Daniel ficou refletindo sobre o que poderia ter feito durante horas, o sorvete parecia espera-lo incansavelmente, cada segundo que passava deixava o sorveteiro mais desesperado.
— Dani, o que aconteceu? Preciso fechar a loja mais cedo hoje! Termina isso logo!
Daniel acordou, deixou o dinheiro em cima da mesa e saiu. Antes mesmo de sair, Benedito já fechou a sorveteria, estava realmente apressado. Era possível escutar o som alto vindo da mansão a quilômetros de distância, a família de Elizabeth era realmente rica. Dani tomou o caminho contrário e voltou para casa. Ao chegar percebeu que sua família ainda não voltara, então foi direto para o quarto, lá tinha um prato de comida o esperando, ligou a televisão e ficou amaldiçoando a festa.
Quando era 23:59, o telefone de Daniel tocou.
— Alô? Felipe?
— DANI! ONDE VOCÊ ESTA? A ELIZABETH ACABOU DE SER ASSASSINADA PELA MAFIA DA CIDADE! PUTA MERDA, ELA MORREU PERGUNTANDO POR VOCÊ!
Nesse momento o coração de Daniel quebrou de vez, soltou o celular, fazendo-o se espatifar no chão, não tinha como negar, Elizabeth já havia comentado sobre a máfia algumas vezes, Mas justo hoje? Por que estava perguntando sobre ele? De repente outra coisa tocou, era o relógio de bolso que havia encontrado mais cedo, estava em sua camisa. Dani correu para ver o que era, e nele tinha a seguinte frase:
“Você deseja resetar o seu dia? SIM. 23 segundos...”
Daniel ficou olhando para aquilo sem entender nada, o tempo estava acabando. Começou a chorar, tinha perdido tudo aquilo que ele amava sem saber, faria de tudo para consertar o erro, salvaria a vida dela, lutaria contra qualquer coisa.
— EU QUERIA ESTAR MORTO! – Gritou Daniel escolhendo a opção Sim.
Sua visão começou a escurecer, acabou deixando o relógio cair e desmaiou.
*BIIIIP*
Daniel saltou novamente, era 06:40. Colocou a roupa rapidamente, comeu ainda mais rápido e correu para a escola, chegando lá encontrou Elizabeth conversando com Felipe, Daniel entrou em choque, não sabia mais o que estava acontecendo, será que tudo não passava de uma brincadeira de mau gosto?
O sinal tocou, todos começaram a entrar nas salas. Não queria falar sobre a festa, não diretamente. Daniel se aproximou dos dois e disse:
— Oi Felipe, Elizabeth, como estão?
— SUPER ANIMADA! – Respondeu Elizabeth eufórica.
— Por quê? – Indagou Daniel surpreso.
— DÃM... Porque hoje é meu aniversário né? Bobo, te vejo na sala. – Respondeu a moça entrando na sala alegre.
Daniel por sua vez ficou paralisado, as pessoas passavam esbarrando nele, mas não importava. Colocou a mão no peito e tirou o relógio de bolso.
“O que isso está fazendo aqui? Será que ele realmente voltou no tempo? E se isso realmente for verdade? Eu poderia fazer tudo de maneira perfeita, e assim a salvaria!!!”
A imaginação de Daniel era fértil. O tempo se passou e foi possível provar que o tempo voltou quando o sinal tocou e Elizabeth se virou e disse:
— Fala sério, não tem ninguém interessante para dançar comigo na festa!
Era a hora de dizer o que estava preso em sua garganta:
— Ninguém interessante você disse?
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