Notas iniciais
Me ajudem a melhorar! comentem!!!
Rin estava deitada sobre a grama observando o entardecer, o céu estava arroxeado e pintado com listras alaranjadas, era sua hora favorita do dia. A primavera havia chegado e com ela a exuberância das flores, Rin gostava, particularmente, das higanbanas sua cor de um avermelhado vibrante era simplemente um espetáculo a parte. Ironicamente a flor simbolizada dor, perda e saudade, a separação de dois amantes que não podem estar juntos, à este pensamento Rin emitiu um profundo suspiro. Ela já havia estado à beira da histeria e do desespero, pois sentia fisicamente a dor da saudade e da separação de Seshomaru-sama, ela estava ligada a ele de modos que ninguém jamais entenderia, atravessara a morte e ele lhe devolveu a vida, não somente física, mas lhe concedeu verdadeiramente o gosto por viver, lhe deu sentido e um lugar para retornar, seu eu mais profundo pertencia a ele, suas almas estavam ligadas por um laço indissolúvel e, no entanto, estavam separados. Não compreendia suas razões, não que ele desse alguma satisfação a qualquer um, mas normalmente Rin era capaz de entendê-lo completamente, sua personalidade não lhe era nenhum mistério, apesar de seu silêncio e seu ar distante, Seshoumaru em algum ponto deixou que o laço que o unia a Rin transparecesse de tal forma que chocou a todos que o conheciam. Todos sabiam do ódio que o youkai nutria por humanos e, no entanto, Rin era sua protegida, alguém que o fez desafiar a mãe e arriscar a própria vida, era o ser mais próximo a ele. Rin nunca escondeu a profunda admiração e o amor que lhe devotava, esse tipo de pudor não interessava a ela a morte havia tornado a menina um espírito livre, seguia seus instintos e seus sentimentos e nunca se envergonhava deles, seu amor por Seshoumaru era puro e sincero e mesmo que jamais fosse correspondida iria amá-lo até o fim dos seus dias. O pensamento não a estristecia, a morte não lhe assustava nem o amor a angustiava, Rin era feliz pelo simples motivo de existir e de amar sem esperar nada em retorno, a única coisa que desejava do fundo de sua alma era ver Seshoumaru, admirar seus traços finos, seu olhar distante, seus modos elegantes, ele nunca deixou de visitá-la e de enchê-la de presentes, mas não era suficiente. Rin sentia falta das suas andanças ao lado de seu amado youkai, mesmo que presa no seu silêncio servil, a vida e a felicidade de Rin pertenciam a Seshoumaru. Como ela gostaria de estar ao seu lado para sempre, somente ao seu lado. Os ventos pareciam ter mudado de direção, alguma coisa estava diferente, Rin podia sentir no ar as mudanças.
Seshoumaru observava Rin de longe, a menina, agora com 15 anos, vestia um Kimono simples de cor verde esmeralda enfeitada por estampas de flores silvestres brancas. O adorno mais simples torva a menina ainda mais atraente, seu ar selvagem e despretencioso, os movimentos livres e graciosos fazia com que ela parecesse o próprio vento. Seshoumaru levou a mão ao coração, sentia uma angústia inexplicável cada vez que visitava Rin e era pior ainda ao deixá-la. Tentou ficar sem vê-la, mas a experiência foi terrível, o youkai era incapaz de se concentrar no que fosse, tentou também se distrair com batalhas inúteis, tudo em vão, a menina não lhe deixava o pensamento. Estaria alimentada? aquecida? Algum youkai poderia ter invadido a aldeia? Seshoumaru garantia que a área estivesse segura, todos os youkais sabiam que aquela terra era protegida pelo grande demônio cão e ninguém se atrevia a chegar perto do local. No entanto, mesmo sabendo que a saúde e bem estar da menina estavam garantidos pela velha sacerdotisa da aldeia, o youkai não conseguia ficar em paz. Sua inquietação aumentava à medida que a menina crescia e se tornava mulher, não conseguia entender os próprios sentimentos. Nunca nada havia perturbado sua serenidade indiferente em relação à tudo que o cercava e, no entanto, a pequena humana o desconcertava, inquietava seu coração e como isso o incomodava! afinal de contas não era como seu meior irmão patético, sempre as voltas com humanos, necessitando de sua ajuda e afeição. Patético!
Seshoumaru inspirou profundamente e pôde sentir, mesmo de longe, o perfume natural que Rin emanava, ela era a própria essência da natureza com seu cheiro de flores selvagens. Seshoumaru nunca sentiu um perfume parecido e os humanos geralmente cheiravam da mesma forma desagradável, mas não Rin. Seu perfume era suave e doce a ponto de embriagar os sentidos e turvar a mente, Rin estava entranhada em seu ser, seu cheiro, sua presença, os olhos doces e o sorriso que nunca deixava seus lábios. Seus lindos lábios..
Rin sentiu seu coração se agitar, como quando Seshoumaru-sama vinha visitá-la depois de muito tempo longe. Ela sentia em seu espírito a presença dele, procurou freneticamente no horizonte, mas não havia nada lá.
— Seshoumaru-sama? Ela chamou para ninguém em particular.
— Seshoumaru.. Ela sussurou ao vento, só para ouvir seu nome.
Fechou seus olhos e o invocou com o coração.
Seshoumaru ao longe, com sua audição afiada, ouviu seu próprio nome ser chamado por Rin, mais uma vez o aperto no peito e a inquietação tomou conta de seu ser. Sua voz baixa e sussurrante o deixou consternado, estava impelido a ir ao seu encontro, mas o que pensaria a garota? que bastava lhe chamar para que fosse ao seu encontro?! Este Seshoumaru não obedecia a ninguém, muito menos a uma pirralha humana. No entanto, a proximidade de Rin o angustiava, estava bem ao seu alcance, mas seu orgulho de grande youkai não permitia que cedesse a esse tipo de tentação. Não podia se dar ao luxo de elevar a criança humana a esse nível de importância, não podia se permitir tocá-la do jeito que gostaria, nunca poderia se deixar envolver por seu perfume nem envolvê-la nos seus braços. Seshoumaru observou o céu, o mesmo céu que agora Rin admirava e este era o máximo que permitia a si mesmo.
Rin continuava esperando e observando o horizonte.
As higanbanas balançavam ao vento, velando os amantes separados.
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