O amor em uma mesa de bar
5 O Botafoguense
Acabou que eu fui no sábado na sinuca e no aniversário do Henrique. Nesse dia eu descobri duas coisas: que eu era péssima jogadora de sinuca e que eu não poderia mais misturar Coca-Cola com Vodka na minha vida. Acabou que com essa vibe de "Nossa! Nem tem gosto de álcool" eu fiquei beeeeeem mais pra lá do que pra cá e acabei beijando o próprio Henrique, no dia no aniversário dele. E agora além de ter sido a coisa mais bizarra do mundo, toda vez que for aniversário do menino eu vou lembrar dessa desgraça.
Passado o aniversário de Henrique, minha atenção estava mais uma vez em um jogo do Botafogo. Minha cabeça estava a mil e dessa vez não teria a colher de chá de ser feriado.
Fui pra faculdade, mas eu não tava ali em espírito. Só em corpo. Meu pensamento estava longe, lá em Guayaquill no Equador.
No meio de uma aula de comunicação gráfica eu recebi uma mensagem:
Bruno para @Carol:
— Oi Carol, aqui é o Bruno.
— Estou combinando de ir assistir o jogo de hoje na sede com o Tomás e o Danilo. Você quer vir?
Achei aquilo uma atitude muito fofa. E eu tava mesmo querendo ir assistir o jogo na sede:
Carol para @Bruno:
— Oi Bruno! Quero sim! Obrigada pelo convite.
— Vocês estão pensando em chegar lá que horas?
Bruno para @Carol:
— Ah, umas nove e quinze. Pra dar tempo de chegar com calma!
Carol para @Bruno:
— Show!
O resto da aula se arrastou, mesmo já sendo a última do dia. O caminho até em casa demorou uma vida. Por ser véspera de feriado o trânsito estava impossível na cidade inteira. Cheguei em casa eram quinze para as nove. Literalmente engoli a sopa de feijão que tinha de jantar, troquei de roupa e saí voada para General Severiano. Cheguei em cima da hora do jogo começar. Vi Bruno e Danilo na porta:
— Eita! Em cima da hora moça! — Disse Bruno quando eu cheguei.
— O trânsito tava um cu! — Falei enquanto já subia a rampa que dava acesso ao ginásio
— Imaginei — falou Bruno — O Tomás já está aí dentro. Tem que achar ele
Respondi um "uhum" automático e entrei em meu modo de jogo. O modo que eu não falava com ninguém, nada mais importava. Só segui Bruno e cumprimentei Tomás de longe. Quando olhei para o outro lado vi o Léo. Aquilo me desconcentrou.
Era a primeira vez que eu via o Léo depois que eu tinha ficado com ele. E ali estava aquele menino, parado, de braços cruzados olhando fixamente para o telão que iria começar o jogo. Comecei a analizar. Ele era alto, mais alto que eu, tinha ombros largos, um cabelo loiro escuro completamente desgrenhado e estava usando uma camisa do Botafogo preta. Os lábios dele eram fininhos e ele tinha um olhar de menino perdido que dava vontade de levar pra casa e cuidar. Minhas amigas que diziam que eu tinha complexo de Wendy do Peter Pan, adorava um menino perdido.
Meu pensamento foi brutalmente interrompido por gritos gerais e irrestritos. Nessa hora até o Léo gritou e olhou pro lado, quase certeza que ele me viu o encarando.
Olhei para o telão: primeiro lance de jogo e pênalti. Pênalti claríssimo. Camilo nosso batedor de pênalti pegou na bola e o clima de tensão deixou aquele ginásio inteiro calado. Partiu, apontou, chutou e perdeu.
Nesse momento eu chutei uma cadeira que estava na minha frente. Ninguém pareceu se importar, estava todo mundo no mesmo estado de espírito.
O resto do primeiro tempo foi morno e chato. Um zero a zero tosco. Mas pelo menos eu fiquei inteiramente focada no jogo.
No intervalo eu dei uma olhadinha para o lado. Léo não estava mais ali. Certamente fugiu quando percebeu que eu estava ali olhando a cara dele e não o jogo. Resolvi ir para a área externa comprar alguma coisa pra beber:
— Gente, eu vou ali fora comprar uma parada para beber, vocês querem? — perguntei aos meninos
— Po, eu quero uma cerveja! — Falou Tomás — Posso ir com você?
— Pode claro! — Respondi — Mas se você quiser, eu compro e trago pra você.
— Eu vou com você, de boa. Tô achando até meio quente aqui — ele falou já andando na direção da saída.
— Óbvio, você está com essa blusa de manga comprida — falei enquanto andava ao lado dele
— Ei ei ei, vai questionar agora a minha camisa da sorte, mocinha? — disse ele rindo
— Claro que não! Quem sou eu pra fazer isso? — eu disse em tom de brincadeira
Chegamos na área externa e entramos na fila. O assunto era só o jogo até eu perceber o meu maior pesadelo: não era Coca-Cola, era Pepsi. Eu sou viciada em Coca desde pirralha, basicamente a minha transição da mamadeira para o copo foi por causa desse refrigerante. Só que sem pensar falei em voz alta:
— Puta merda, só tem Pepsi.
— Ué? Você vai tomar refrigerante? — Perguntou Tomás
— Vou — Falei sem graça — Eu não gosto de Cerveja.
Como assim? — ele perguntou indignado.
— Perdão. Paladar infantil, eu gosto de bebida docinha. — falei rindo.
— Eu percebi que você tomou Caipirinha no bar, mas achei que era só preferência mesmo. — ele falou enquanto a fila andava.
— Não — respondi — eu acho muito amargo.
— É questão de costume. — ele falou
— Todo mundo fala isso, mas eu não consigo, de verdade! — falei
Tomás sorriu com uma cara meio de "tá bom", estávamos a poucas pessoas no caixa, então me concentrei em pegar o dinheiro para comprar um Guaraná. Depois que peguei a ficha, fui para um balcão e Tomás foi para outro, onde tinha cerveja.
Eu estava esperando o atendente pegar meu guaraná quando uma mão encostou no meu ombro. Automaticamente achei que era Tomás, mas levei um susto quando me virei. Era o Léo:
— Oi Carol, tudo bem? — perguntou meio tímido.
— Oi Léo — falei meio surpresa — tudo bem e você?
— Tudo certo. Veio ver o jogo? — falou ele com mais vergonha ainda — Óbvio que você veio ver o jogo, se não estaria aqui por que?
— Verdade — respondi rindo, eu tinha esquecido o quão gracinha ele era- Primeiro tempo merda né?
— Uhum- respondeu ele- Eu ia falar com você antes, mas você parecia bem concentrada no jogo.
Ah ta. É muito lerdinho mesmo. Eu tava é concentrada nele ali do meu lado.
— Entendi! Nem vi que você estava por aqui. — menti dando um mini passinho a frente ainda que involuntário.
— Eu vi que você estava com um menino na fila. Aí eu fiquei pensando que… — falou ele sem graça
— Pensando o que? — perguntei
— Que talvez você estivesse com ele, tipo real estivesse. — falou olhando pro chão.- Eu nunca mais ouvi notícia sua.
— Não! Não mesmo, amigo só… — Falei olhando fixamente para Léo — Mas eu também nunca tive mais notícias suas…
— Você que foi embora sem dar tchau. — agora foi ele que chegou mais perto.
Nesse segundo eu só estava com vontade de pegar aquele garoto e levar para casa. Eu tinha ficado com o Leo no aniversário de um amigo meu no início de fevereiro. Acabei descobrindo que, apesar de muito tímido, ele é um amor de pessoa. Conversamos muito durante a festa toda, até resultar em mais tempo se beijando. E como esse menino beija bem! Depois de bastante tempo juntos o melhor amigo dele começou a passar mal e ele teve que ajudar. Nesse momento a minha carona para casa já estava com uma cara bem puta de "eu só estava te esperando" e eu tive que ir. Sem dar tchau, é verdade. Eu também podia ter mandado uma mensagem, mas eu não quis parecer a doida apaixonada depois de uns beijos. Percebi que Léo estava perto, muito perto. Uma coisa que eu não podia negar era que tinha química, muita química. No momento que eu tinha quase certeza que ele ia me beijar, alguém começou a gritar atrás de mim:
— Moça! Moça, seu guaraná. — era o atendente.
— Obrigada! — falei sem graça
Peguei a latinha olhei para Léo e atrás dele vi Tomás me esperando. As pessoas também já estavam entrando para o ginásio, o segundo tempo estava perto de começar. Virei para Léo e falei:
— Eu tenho que ir. Eu não, a gente. O segundo tempo vai começar.
— É verdade — falou ele com uma carinha meio triste.
— A gente se fala, viu? — disse isso e tomei a coragem de dar um selinho nele e saí andando na direção de Tomás.
Depois daquele climão todo nem eu nem ele éramos obrigados a ir embora sem pelo menos um selinho. Olhei para trás e ele sorriu, sorri de volta. Cheguei na frente de Tomás e falei:
— Foi mal! Vamo entrar?
— Vamo! Seu namorado ou algo do tipo? — ele perguntou
— Não! — respondi
— Vai me dizer que é só amigo? — ele falou rindo
— Algo do tipo… — falei entrando na brincadeira
Voltamos para dentro do ginásio com o juiz apitando o início do segundo tempo. Minha única reação foi pegar o celular e mandar uma mensagem para Julieta.
Carol para @Julie:
— Encontrei o Léo no jogo! Clima bizarro! Depois te conto!
O jogo em si foi 1x1. Para uma partida fora de casa no Equador na libertadores, tava bom. Quando o jogo acabou eu tentei procurar onde Léo estava, mas não encontrei ele em lugar nenhum. Foi quando Tomás sugeriu:
— BaixoBota para comemorar o empate?
— Acho que a gente está perto demais para recusar o convite — Falou Bruno
— Eu só vou ter que ficar pouco. Amanhã tenho que acordar cedo — falei
Lembrei automaticamente que no dia seguinte eu tinha simulação da ONU e eu ia encontrar o Joaquim às oito da manhã para a gente ir junto. Apesar de tudo eu e Joaquim ainda tínhamos bastante contato, como a gente morava perto acabávamos sempre indo e voltando das simulações juntos.
— Vai acordar cedo no feriado? — Perguntou Tomás
— Eu tenho simulação da ONU amanhã, nada demais. — respondi.
— Entendi — ele falou com um pequeno ar de reprovação — Vamo?
— Vamo! — Eu, Bruno e Danilo respondemos
Sentamos no Baixo Botafogo e passamos horas conversando e bebendo. Conversei muito com o Bruno, ele era realmente muito legal. Parecia inteligente, gostava de teoria política e estava escrevendo um livro. Tinha uma personalidade sarcástica como a minha e era defensor do Rodrigo Lindoso como eu. Achei muito fofo da parte dele me chamar para assistir o jogo.
Conversa vai conversa vem, Danilo foi encontrar uns amigos em outra mess, Bruno foi ao banheiro e ficamos só eu e Tomás.
— Esse negócio de simulação da ONU tinha lá no Santo Agostinho também. — Ele falou.
— Eu sei! Foi uma amigona minha que fundou! Eu participei do de 2015 e vou participar esse ano em agosto. — Falei
— Quem é a sua amiga? Eu quase participei do de 2015. — ele falou
— A Helena Mattos, ela é minha vizinha. — falei- Mas por que você não participou?
— Ah! A Helena era da turma do Antônio. — ele respondeu- Mas eu não participei porque era justamente no feriado.
— Justo! Eu tinha que parar de fazer isso. Tô nessa vida desde 2012. — falei desabafando
— Sério? Cinco anos já, bizarro!
Nesse instante meu celular vibrou, achei que seria Julieta falando do Léo, mas era Joaquim:
Joaquim para @Carol:
— Oito horas amanhã no ponto. Não vou ficar esperando. Esteja pronta para destruir, como sempre.
Eu ri e fiquei olhando para tela por uns 10 segundos.
Carol para @Joaquim:
— Eu nasci pronta. Até amanhã!
Assim que eu mandei a mensagem Tomás interrompeu meus pensamentos:
— Era o seu algo do tipo lá de general severiano?
— Que? Não! — falei nervosa — Era meu amigo que vai me dar carona amanhã de manhã
— Hum, entendi — ele falou rindo — Não parece só isso.
— Ih menino! É uma história tão complicada que eu nem sei.
Ele riu, continuamos conversando, mas dessa vez era sobre Laranjeiras. Era nítido também como era mais fácil conversar com o Tomás quando o Almeida não estava por perto.
— Sabe o que eu defendo? — Falei animada — que deveria existir a grande Laranjeiras. Do cinema São Luiz ao corcovado. A gente faz uma revolução e pede independência!
— Capital: Praça São Salvador — ele falou rindo.
— Pensa bem! A gente engloba tudo que há de bom em Laranjeiras! — falei
— Inclusive o árabe do Largo do Machado — falou Tomás
— Melhor esfiha do universo, obrigada.
— Na moral, aí sim! — disse ele estendendo a mão para eu bater. — Agora uma pergunta que molda caráter mais que arroz por cima ou por baixo do feijão: Varandas ou Balada Mix?
— Varandas! Obvio! — Dei um leve berro!
— Porra!- Disse ele dando outro tapa na minha mão
Tenho mais saudade do Varandas do que de muita gente. Varandas era aquele restaurante a quilo raiz, uma pizza gostosa de noite. Não tinha nada que ter virado aquele Balada Mix natureba e caro! — Desabafei
— Sem contar que o Varandas era 24 horas! — Disse Tomás
— Uhum! Nunca vou esquecer o dia que eu cheguei de uma formatura do São Vicente com a Julieta e a gente estava morrendo de fome. A gente sentou ali pra comer uma pizza cinco e meia da manhã .
— Clássica pós. — Tomás sorriu e bebeu um gole da cerveja.
Bruno voltou do banheiro dizendo que tinha pedido a conta, estava cansado.
— Eu to exausto. Se vocês quiserem ficar, de boas, mas eu preciso ir. — Disse enquanto sentava de volta na mesa.
Peguei meu celular e vi que já eram quinze para as duas da manhã.
— Eita, acho melhor eu ir também, tenho que acordar em cinco horas! — Falei
— Vamos todos então — Disse Tomás.
Pagamos as conta e eu comecei a pedir um uber no meu celular, Bruno já tinha ido, estávamos só eu e Tomás.
— Você me dá uma carona para casa? — Perguntou Tomás
— Óbvio menino! — Falei — Qual o número do seu prédio, para eu botar aqui?
— Não precisa botar a minha casa não! Coloca a sua e eu vou andando! — Falou Tomás
— Que isso! Eu coloco uma parada na minha casa e depois você vai para casa. Caô nenhum!
— Não precisa, mesmo! Eu gosto de andar sozinho na rua de madrugada. — Falou Tomás
— Privilégios masculinos — Falei no automático. Acho que Tomás se sentiu culpado.
— Eu nunca tinha parado para pensar nisso. — Disse Tomás
— É bizarro né? — Completei.
O nosso uber chegou, entramos e voltamos para o confortável assunto de futebol.
— Mas quando você vai no jogo, você fica onde? — Perguntou Tomás
— Geralmente Leste Inferior, mas agora na Libertadores eu tenho ficado na superior — Respondi
— Superior, por que? — Perguntou Tomás
— Ah porque eu vou com o meu pai sempre,e ele prefere ver lá de cima. — Falei
— Ah boa. Meu pai não liga muito para ir a jogo. Quero levar meu irmão um dia desses. — Falou Tomás
— Nossa! Meu pai me levou no meu primeiro jogo quando eu tinha quatro anos. Pra sorte dele eu gostei, afinal eu sou a única filha. — Respondi
— Você tem cara de filha única mesmo. Eu tenho uma irmã e um irmão, mais novos. — Falou Tomás
— Ah que irado! Eu sempre quis ter irmão! — Falei
— É maneiro. Mas por causa desse cenário todo eu só fui começar a ir a jogo tarde, quando eu fui com os meus amigos.
—, Cara eu só tenho um amigo real próximo que é botafoguense.
O Uber chegou na minha portaria e os dois saltamos. Tomás parou e ficou me olhando. Depois de uns 10 segundos falou:
— Me passa seu número, a gente tem um grupo de botafoguenses que combina de ir pra jogo.
— Ah sério? Boa!
Tomás me entregou o telefone e eu coloquei meu número. Na hora ele me adicionou em um grupo “Fogão para caralho”. Quando apareceu na tela do meu celular eu ri com o nome do grupo.
— A gente sempre combina de ir a jogo e tal, ou de beber depois do jogo. — Disse Tomás
— Ah! Irado! Vou ficar de olho! — falei
— Fica sim! Só não estranha que só tem homem, galera fala bastante merda.
— Relaxa — falei — Eu tô mais do que acostumada.
Tomás riu e deu um passo na minha direção. Eu travei na hora, mas ele se inclinou para um abraço.
— Tchau Carol. Bom negócio da ONU para você amanhã.
— Tchau! Brigada! Bom feriado pra você também. — disse enquanto estava abraçada com ele ainda.
Tomás se afastou, deu um sorriso, virou de costas e foi embora. No meio do caminho ele parou e falou rindo:
— Ah, e boa sorte com o seu Algo do Tipo lá de General Severiano.
— Brigada! Mas não é nada sério, relaxa!
Relaxa, Carolina? Da onde veio esse relaxa? Tomás pareceu não ligar, só sorriu de novo e foi embora de vez.
Entrei na portaria e percebi que Julieta tinha me mandado mil mensagens:
Julie para @Carol:
— COMO ASSIM??? Me conta tudo
— Dizque beijou bem romântica na hora que saiu um gol do fogão!
— Carolina! Me responde!
— Affe que saco!
— Eu desisto de você!
Só quando eu deitei na cama e fui responder as mensagens.
Carol para @Julie:
— Cara, então, foi meio doido.
— Como você sabe, eu fui ver o jogo na sede e tal com o Bruno e o Tomás. Aí no início do primeiro tempo eu vi o Léo lá, mas nem fui falar com ele porque o jogo tinha começado.
— Aí no intervalo eu procurei ele, mas não vi. Aí eu fui pro lado de fora com o Tomás pra comprar uma bebida.
— Aí a gente se separou e eu encontrei o Léo.
— Cara! Ele perguntou se o Tomás era alguma coisa meu, e porque eu fui embora sem dar tchau da festa do Lucas. E começou a chegar muito perto. E eu quase beijei ele.
— Aí o cara do balcão chegou com a minha bebida, eu voltei pra realidade, vi que o Tomás estava me esperando, dei um selinho no Léo e fui embora.
— Tô me sentindo muito ridícula externalizando isso agora kkkkk
A resposta não demorou a chegar, apesar de ser de madrugada:
Julie para @Carol:
— COMO ASSIM?????
— COMO ASSIM?????
— Você deu um selinho nele e foi embora? Qual o seu problema!
— Dava logo um beijão nele!
Carol para @Julie:
— Tá com insônia?
—, Cara também não sei, mas eu vi o Tomás ali olhando e esperando.
Julie para @Carol:
— Dane-se o Tomás amiga!
— E o que você vai fazer agora?
— Sim, tô com insônia, e você? Não tem simulação amanhã?
Carol para @ Julie:
— Dane-se o Tomás nada! Cê não lembra de quem ele é melhor amigo não, dona cupida?
— Ele até perguntou se o Léo era meu namorado. Mas eu falei que não era nada sério.
— Não faço ideia do que eu vou fazer em relação ao Léo. Mas ele falou de um jeito tão bonitinho que eu queria levar pra casa.
— Pior que em 4 horas tenho que acordar pra encontrar a desgraça do Joaquim.
Julie para @Carol:
— Olha ela atirando para todos os lados!!
— E levar pra casa, seei….
— Responde um stories dele, sei lá. Inventa, você costuma ser boa nesses papinhos ruins.
— JOAQUIM??? AIN! Manda um beijão pra ele. Ou melhor, dá um beijão nele!
Carol para @Julie:
— Deixa eu ir dormir! Se eu atrasar eu tô ferrada!
— Te amo, vai dormir!
Julie para @Carol:
— Okay, não esquece do beijo do Joaquim!
— Também te amo, amiga!
Eu estava prestes a colocar meu celular para carregar e encarar as minhas quatro horas de sono. Afinal já eram quase 3h da manhã. Mas eu lembrei do que Julie tinha falado. Porque não responder um stories de Léo? Cair o dedo ou bugar o celular não ia…
Entrei no Instagram e fui procurar direto o perfil dele. Tinha que torcer pro garoto ter postado um stories. Mas do nada apareceu ali pra mim, um stories dele filmando o ginásio cantando, era a deixa perfeita:
"Dessa vez foi você que não deu tchau, né?"
Coloquei uma carinha piscando no fim da frase para ele não achar que era bronca. Programei o despertador e coloquei o celular para carregar. Eu estava exausta. Fechei o olho e apaguei.
Fale com o autor