O amor de uma vida
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Regina e Emma permaneceram alguns segundos no silêncio, apenas se olhando, até a loira pedir para ir dormir. Ela já sabia que não seria no seu quarto, só não imaginava encontrar um colchão ao lado da cama que pertenceria a ela. Sorriu por pensar que Regina quisesse dormir ao seu lado, mas logo a rispidez tomou seu corpo e decidiu ignorar o fato. Em seguida a morena ajudou a loira, quase que a pegando no colo, colocando-a na cama.
– Qual pijama você quer? – Perguntou docemente.
– Tanto faz. — Respondeu no seu já habitual tom quando a conversa era com Regina.
– Já sei. — A morena sorriu de modo que Emma percebeu alguma coisa por de trás dele e seu coração parecia aquecido, então a esposa pediu para que esperasse.
Os minutos não demoraram e logo que a porta foi aberta, Emma quem sorriu, sendo esse o sorriso mais sincero que dava desde que resolvera descontar toda sua angustia em Regina. A morena estava linda, usava um pijama curto de seda, rendas no decote e shorts que deixavam a mostra aquelas pernas que tanto amava. E nas mãos possuía uma antiga camiseta, por sinal era bem maior que o manequim da loira, preta com a estampa de Star Wars.
– Desde que nos casamos você diz não gostar dela. — Murmurou à loira, já sem seu sorriso.
Regina nada disse e sorriu, não seria a ultima tentativa de agradar a loira. Emma, por sua vez, notou que aquele sorriso não era sincero e seus olhos não tinham brilho, não era a expressão que demonstrava sua felicidade e todo seu amor, notou ser a melhor das piores que a esposa usava para disfarçar a tristeza e perceber isso a fez sentir-e a pessoa mais estúpida do mundo.
Regina se aproximou e fez com que a loira se sentasse. – Vou te ajudar com a roupa. – Sem esperar respostas puxou delicadamente a camiseta básica que Emma usava e controlou todas as suas forças e desejos para não tirar vantagem daquela situação. Rapidamente trocou a loira.
– Como que levanta essa cama? – Emma disse já vestida, querendo mais quebrar o silêncio instaurado no quarto.
– Espera, hei. — Disse Regina, vendo que a loira mexer. – Que falta de paciência, hein? — Murmurou aproximando-se da cama, onde na lateral, alguns botões tinham várias funções, como levantar e deixá-la reta. — Quando estiver bom...
– Tá bom. — Emma interrompeu, já estava num angulo mais alto. — Vem cá. — Ambas já estavam próximas, mas a loira pedia para que Regina sentasse ao seu lado.
– Eu est...
– Eu digo aqui, senta. — Pediu, observando a esposa sentar-se. Regina nada disse, dando espaço para que Emma falasse. — Não sei por onde começar... — A loira pigarreou, numa longe pausa. — Se por um agradecimento pela festa, por desculpas relacionadas ao divórcio ou se desculpa pelo mal que ando te fazendo.
– Você não...
Novamente Emma interrompeu. – Não minta Regina, não venha dizer que está tudo bem. Estou vendo a dor que estou te causando.
– Não é...
– Por favor, me deixa falar. — Emma interrompeu pela terceira vez. Regina permaneceu quieta. — Eu estou sendo idiota e otária e qualquer outra coisa que você quiser definir. Eu sei que estou. — Fez uma pausa como quem toma fôlego. — Mas eu não tenho culpa se toda hora eu me pergunto o motivo pra você estar sendo tão incrível comigo e a maior parte diz que é por pena.
– Não ouse repetir isso, Emma. – Regina falou sustentando o olhar fixo nos verdes avermelhados, seu tom de voz era firme. – Nunca mais repita que estou ao seu lado por dó! – Dizer que sabia o que passava na cabeça da loira, era mentira. Uma situação dessas nunca esteve em seu histórico e o mais perto que chegou foi quando arranjou a cicatriz que tinha na parte superior dos lábios, nada que duas horas no hospital não resolveu após um cachorro atacá-la na infância, o que também não deixou nenhum trauma, mas agora Emma a acusar de estar ao seu lado por esse sentimento, por dó? Era algo inadmissível. Elas poderiam não estar no melhor dos seus dias, enfrentando um divórcio, mas é claro que não era por dó. Regina estava realmente sofrendo, estava sim confusa, mas tinha a certeza do motivo por estar ao lado da loira, não era dó, era sim o amor que sempre existiu e ainda existia entre elas.
– Não existe outro motivo...
– Não existe Emma? — Perguntou seriamente. — Depois de vinte anos você tem coragem de falar que não existe outro motivo pra eu estar do seu lado? — Seus olhos castanhos eram submersos pelas lágrimas, não deu tempo de que a esposa respondesse. — Então realmente você fez bem em assinar o divórcio. — Segurou a vontade de chorar, respirando fundo se colocando de pé indo até a porta. — Se precisar de alguma coisa, aperte este botão do seu lado que eu desço.
– Regina... — Emma chamou, não queria ter estragado aquele momento, queria pedir desculpas pelo sofrimento causado na morena. Não apenas o dos últimos dias, e sim por todos os anos, por qualquer lágrima, por qualquer razão que a deixou triste. Mas as palavras certas morreram antes de sair. — Ahm... Esse colchão é...? — Perguntou. "Droga! Não era isso."
Regina, que já estava de costas quando escutou seu nome, engoliu novamente as lágrimas que estavam prestes a sair, sentindo uma enorme esperança dentro de si até ouvir a pergunta. — Amanhã mandarei tirá-lo, não se preocupe.
– Pra quem era?
– Pra alguém que não vê o menor sentido passar a noite aqui. — Dizendo isso, Regina passou pela porta e novamente escutou Emma chamar seu nome. — Diga Emma.
– Dorme comigo? — Os olhos verdes estavam mistos de vermelhos.
– Droga Emma! — Disse Regina, voltando para dentro do quarto bufando toda sua raiva. – Qual é o seu problema?
– Desculpa Regina, desculpa! — Gritou a loira, deixando com que as lágrimas devorassem seu rosto. — Eu sei que estou sendo ridícula com você, mas é difícil controlar tudo isso e não pedir pra morrer. Minhas pernas, droga! Essa inutilidade, essa insegurança, esse medo e esse ciúme absurdo... Tudo isso está acabando comigo. – Já tinha lágrimas dominando seu rosto. – É difícil agüentar.
Durante o discurso, Regina já se encontrava sentada na beirada da cama, envolvendo Emma em um abraço. — Você não está sozinha, meu amor. Eu estou e pretendo estar ao seu lado para todo o sempre. – Murmurou segurando seu próprio choro.
– Não é fácil assim. – A loira disse em baixo tom, sem corresponder o abraço de Regina.
– Não há motivos para insegurança querida, em pouco tempo você estará andando. – Afirmou em bom tom, terminou o abraço mais manteve a proximidade com a loira. – Você não é inútil e não tem que ter medo, você precisa confiar na sua melhora. – Disse segurando o rosto da esposa entre os dedos.
– E ciúme? – Questionou sem pensar, logo se arrependeu. – Digo, eu não sei se nós estamos juntas e me recordo uma única vez que disse esse nome. – Manteve os olhos verdes fixos nos castanhos e sentia sua intensidade de nervosismo ser correspondida.
– Tudo bem. – Regina murmurou enquanto puxou o ar vagarosamente. – Eu imaginei que você lembraria, mas ela foi um detalhe do meu passado e nada mais que isso. Hoje não me representa nada. – Mantinha os olhos na esposa. – Você sim Emma, não só representa como é o meu presente e continuo querendo que seja o meu futuro.
Perdeu as palavras com a forma terna e carinho que Regina a olhava, notava o tom sincero de suas palavras e a maneira como isso confortava seu coração. Sentiu novamente os braços da morena a envolver, era como estar em casa, sem angustia e ciúme. Aquele momento se fez tão intenso que loira cedeu e correspondeu ao abraço, desmanchando seu muro no instante que as lágrimas tomaram seus olhos.
No quarto que Emma estava instalada, além de conforto e espaço, havia também entretenimento. Uma enorme televisão com aparelho pago, a mesma foi ligada para assistirem clássicos de desenhos animados no Cartoon Network e encher o ambiente de felicidade, a risada predominava chegando a superar o próprio áudio do desenho.
Não fora necessários beijos, somente carinho para que Regina se acomodasse no peito de Emma e apoiou uma das pernas por cima da loira. Sentiam-se completas e se o mundo estivesse enfrentando o apocalipse, o final estava sendo perfeito, ainda mais quando o pequeno Henry apareceu na porta perguntando o porquê da risada àquela hora da madrugada. Rapidamente o garoto juntou-se a elas, deitando-se do outro lado da mãe loira.
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Os raios de sol invadiram o quarto com delicadeza, fazendo Regina acordar primeiro e logo esboçar um enorme sorriso, após reconhecer onde estava, permaneceu a noite toda no peito da amada e o filho do outro lado. Levantou-se com cuidado e logo foi pra cozinhar preparar um café da manhã.
– Bom dia Isaura. — Regina cumprimentou a empregada com um abraço.
– Então Senhora Mills, ela realmente está em casa? — Perguntou alegre.
Regina respondeu com um enorme sorriso e logo teve que pedir para a empregada se acalmar ou Emma acabaria acordando. A mais velha sorria imensamente e disse para a patroa voltar pro quarto que logo a chamaria, pois iria preparar um café digno de rainha.
A morena agradeceu e voltou os passos em direção ao quarto de Emma. Durante o caminho Regina encostou-se na coluna, não por algum mal estar e sim para acalmar sua cabeça. Estava com medo de voltar para o quarto e deparar com uma Emma fria e pronta para afastá-la, mesmo que na noite passada a loira tivesse demonstrado o oposto. Suspirou e continuou os passos. Sem bater, entrou nos aposentos da esposa e o sorriso se fez presente ao encontrar o filho sentado em frente a mãe e ambos pareciam conversar animados sobre algum assunto.
– Estou interrompendo? — Perguntou enquanto encostava a porta.
– Claro que não, sente-se aqui. — Henry respondeu animado batendo num espaço ao lado da outra mãe.
Emma sorriu quando Regina entrou e não tirou o mesmo até a morena se sentar. — Por que não nos acordou?
– Bom... — A morena sentiu a pele corar levemente. — A verdade é que vocês dormiam como anjos, a cena era linda demais para que eu mesma acabasse com ela. — Sentia-se mais aliviada pelo modo carinhoso como Emma a olhava. — Mais se vocês não acordassem por bem, logo teria que acordá-los. — Suspirou.
– Por...? — O pequeno perguntou enquanto se colocava de pé.
– Motivos de que já a doutora Nala chega.
Emma soltou uma leve bufada em sinal de frustração, Regina percebeu.
– Vou trocar de roupa. — Henry disse. — Quero estar bonito. — Saiu correndo com um enorme sorriso.
Permaneceram sozinhas no quarto, apenas se olhando.
– Hei. — Regina a chamou com um olhar repreensivo. — Eu quero animo querida. — Sorriu carinhosamente.
– É complicado Regina, você quer que eu tenha animo mais não imagina como é duro tentar a todo custo, com toda sua força mexer a perna e não conseguir. — Falou cabisbaixa.
Regina realmente não sabia, não imaginava como isso devia ser difícil pra loira. Arrastou-se pela cama até ficar próxima a Emma. — Eu realmente não sei, mas eu estou do seu lado e acredito que teremos bons resultados muito em breve. No hospital você estava dando indícios de fortalecer as pernas, agora que está em casa acredito que seus rendimentos irão melhorar.
– Pode me passar todo seu otimismo. — A loira pediu com a voz baixa. — Por que por mim eu desisto.
– Emma, hei! — A repreendeu de novo. A loira levantou a cabeça e com dificuldade sustentou o olhar fixo nos castalhos da esposa. — Eu não quero ouvir você falar isso nunca mais, está me entendendo? — Sua voz era tão séria quando sua expressão.
O olhar até agora melancólico tornava-se intenso, ter Regina tão perto era algo que balançava as estruturas da loira. O sentimento que uniu as duas existia tão forte como surgiu, e como tantas outras vezes, dois dias longe que fosse já era difícil de agüentar, agora a situação era um pouco diferente. Estava perto mais não estavam tão juntas, não para que Emma a beijasse apaixonadamente como seu corpo gritava para que ela o fizesse.
Regina sustentou o olhar na imensidão verde, seu corpo clamava igual as chamas que enxergava refletindo neles. Seu coração estava ainda machucado, sua confiança estava ainda quebrada, mas o amor que por ela sempre teve era maior. Acariciou o rosto delicado da esposa, já não tão marcado. — Eu sou o seu lado otimista meu amor.
E com essas palavras, Regina acabou com o curto espaço entre elas, tomando os lábios de Emma com o seus, iniciando um beijo cheio de amor e carinho. Só pela falta de ar perceberam que precisavam se afastar, mas permaneceram com as testas coladas e os narizes encostados.
– Você ainda acredita no nosso amor? — Emma perguntou com uma das mãos acariciando o rosto da amada.
– Eu nunca tive dúvidas. — Regina respondeu, selando os lábios rosados.
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Dias depois
Algumas coisas haviam mudado em pouco mais de uma semana. Henry havia voltado pra escola, Cersei e Jaime voltaram pra Storybrooke com a certeza de que em semanas voltariam pra ver a filha. As gravações do novo filme de Ruby haviam começado, sendo assim os horários que ela aparecia na mansão eram incertos. Killian e David retomavam também a freqüência no trabalho. E Regina também, pelo menos uma hora pela manhã ela passava na empresa, após deixar o filho na escola. Emma dava sinais de evolução, mínimos por mais que a carga horária da fisioterapia tivesse triplicado, sendo cedo, a tarde e a noite.
Durante esses dias, a Emma fria e distante de Regina estava presente na maior parte do tempo, mas a morena se esforçava ao máximo para compreender a razão das atitudes, principalmente depois da última conversa, e ela aproveitava os minutos de espaço que a esposa dava. Regina também já havia percebido que a presença de Nala era uma das razões pelas atitudes da loira, mas também sabia que a fisioterapeuta estava sendo a maior ajuda que Emma estava tendo.
Mesmo sentindo-se insegura no nível máximo com a presença da fisioterapeuta, Emma reconhecia o quanto estava melhorando, da estaca zero já tinha saído. Raras vezes conseguia movimentar numa metade de segundo o pé e quando parecia não agüentar mais, querer desistir da fisioterapia, mudava de idéia após alguns minutos de conversa com a mesma e por esse único motivo estava disposta a ter Regina e Nala convivendo juntas.
E para Regina, a presença de Nala era como se conhecesse outra pessoa e não havia resquício de sentimento. A mulher era madura, inteligente e não tinha pensamentos egoístas como outra hora tivera, parecia ter mudado e estava sendo uma boa pessoa para conversar sobre as crises de Emma.
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