O amor de uma gordinha
2 Lisa Grey
Notas iniciais
28 de janeiro
Já se passaram sete dias desde que entrei na IEMEM, não vi mais a cara da dupla ridícula e até agora não fiz uma amizade extraordinária. Quer dizer... até agora.
Eu fiquei as três primeiras aulas num tédio profundo, ninguém merece ter um combo de humanas, uma atrás da outra, até que o bendito sinal tocou. Saí em disparada para qualquer lugar da escola, até que fui parar num lugar isolado (parecia um jardim) e sentei num banco que tinha lá, comi meu lanche (agora eu levo de casa) tranquilamente... bem isso é o que eu pensava.
Enquanto comia um sanduíche com refrigerante comecei a ouvir uns gritinhos enjoados, aquilo não parava e já estava me irritando (não sou muito paciente) daí eu terminei de comer, fui ver o que era e descobri que a dupla infernal estava atrapalhando a paz alheia e implicando com uma menina do segundo ano. Se já não bastasse o caso da semana passada elas tinham que irritar todas as alunas? Me poupe, eu não suporto ver pessoas inocentes sendo humilhadas então fui lá ajudar a garota:
– EEEEEEEEII! Vocês gostam mesmo de implicar com os outros, hein?
– Ah, é a gorda da semana passada — disse a loira revirando os olhos
– Sou eu... em muita carne e osso — debochei
– Haha, engraçada você.
– Cara, eu realmente não entendo o motivo de vocês ficarem irritando as pessoas. Deixem essa menina em paz, o que ela fez demais?
– Não te interessa, balofa — a garota de cabelos castanhos respondeu.
– Se não me interessasse não teria perguntado.
– Essa menina esbarrou na gente e não pediu desculpas.
– Eu pedi desculpas sim, vocês que não me ouviram — disse a menina num tom baixinho.
– Relaxa menina, essas duas aí não tem jeito. Ah! Cabelo castanho, você me deve um suco.
– Ninguém mandou você passar no nosso corredor.
Essas meninas estavam me tirando do sério. Respirei fundo, pensei duas vezes até que fiz... na lata de refrigerante que eu segurava ainda estava na metade daí, joguei tudo no cabelo delas, foi a melhor coisa que já fiz na vida. Claro que elas vão na diretoria reclamar mas, eu ajudei a menina que estava sendo reprimida:
– SUA VADIA! VOCÊ ME PAGA! — as duas falaram e depois saíram correndo.
– Beijo e me liguem, ''queridas'', hahahaha. Ei, menina! Você está bem?
Quando eu perguntei aquilo a garota começou a dar uma gargalhada, fiquei sem entender nada maaaaaas, ela começou a falar comigo:
– Ai, ai... minha barriga. Qual o seu nome e sua turma?
– Luna... Luna Fray, 1º ano C. E você?
– Lisa Grey, 2º ano B...
Lisa Grey, 16 anos, ruiva, olhos verdes, pequena mas com um corpo bem definido. Seus pais são estrangeiros mas moram no nosso país têm uns 20 anos, tem um irmão de 9 anos. É a terceira melhor aluna do segundo ano, apaixonada por biologia e por gatos e...
– Quer dizer que você não tem amigos nessa escola...
– É, eu entrei no primeiro ano, assim como você mas, como sou tímida não consegui entrar em nenhum círculo de pessoas — ela dizia com um semblante triste.
– Bem, a diretora disse que aqui tem atividades extracurriculares e tal, não entrou em nenhuma por quê?
– Bem... como não é obrigatório, preferi usar o tempo para estudar mais.
– Aaaaah, deixa disso menina. Tem como se divertir sem ter que parar de estudar, assim, minhas notas não são extraordinárias mas, eu uso um tempo para descansar, jogo videogame ou saio por aí. Acredito que tenha alguma coisa que você goste muito de fazer e também, uns minutos atrás você estava sorrindo... quer dizer... gargalhando. Seu sorriso é bonito, mostre para as pessoas isso.
– Você é engraçada e obrigada pelo elogio — seu rosto corou.
– Que isso, você é legal. Eu entrei aqui faz uma semana e não encontrei nada de interessante, fora essa situação com aquelas duas... foi legal.
– Ah sim, muito obrigada por isso também, aquelas duas implicam com todas as meninas, só que ninguém tem coragem de falar com a diretora porque a de cabelo castanho é sua sobrinha. Acho melhor você ter cuidado com elas. — ela me alertou.
– Epa, acho que entrei em uma enrascada... ah... que seja, não gosto de ver ninguém sofrendo por coisas fúteis. Olha, eu tenho inúmeras cicatrizes e não, não são as minhas estrias. Desde pequena eu brigava na escola, sempre tinha alguém que era agredido pelos mais velhos ou até mesmo da própria sala, aí eu ia ajudar e tudo era resolvido na base da porrada.
Quando eu terminei de falar a menina me olhou com uma cara de tipo ''socorro'', eu dei uma risadinha pois a expressão dela estava muito engraçada, daí logo me defendi:
– Calma, eu não vou te matar ou algo do tipo. Pode ficar despreocupada, sou gente boa. — lancei um sorriso de orelha a orelha.
– Ah, não. Eu achei você muito engraçada, gostei de conversar contigo nesse intervalo — sorriu de leve.
– Obrigada e digo o mesmo. Bem o sinal tocou, a gente se encontra por aí, né?
– Claro! Se quiser podemos lanchar juntas, que tal?
– Ótima ideia, hehehe. Então... até amanhã, Lisa!
– Até... Luna!
Depois desse dia, fiquei muito feliz por ter feito uma amizade... bem, eu considero uma amizade, ela é gentil e gente boa. Só que no dia seguinte...
29 de janeiro
– Luna Fray, por favor compareça a sala da direção. — a professora gritou.
– OK — ''FU, é hoje que o couro come lá em casa''
|Direção|
– Oooooi, cheguei — falei bem cínica.
– Sente-se aqui Luna por favor — a diretora apontava para uma cadeira em frente à sua mesa — precisamos conversar.
– Até imagino o que seja mas, pode falar.
– É bem... sobre o incidente do refrigerante de ontem. Por que a senhorita fez isso?
Respirei fundo e falei:
– Aquela vadia da sua sobrinha e a amiguinha dela ficam irritando a todos e se acham as donas do mundo, não suporto gente assim e...
Ok, voltando a realidade, o que eu disse foi:
– Bem... você deve saber que meu histórico não é muito fofo né? Mas ele só é assim porque não suporto ver pessoa inocentes sendo agredidas e intimadas. Ontem as duas estavam perturbando uma menina do 2º ano B, Lisa Grey, semana passada eu fui na máquina de bebidas e elas ficaram me chamando de gorda e derrubaram meu suco... eu não me importo em ser chamada de gorda, balofa ou algo do tipo mas, e se fosse uma pessoa com baixa autoestima? A Lisa nem teve tempo de se pronunciar coitada. É isso — terminei com um ar sério.
A diretora respirou fundo e prosseguiu:
– Peço desculpas pelo suco, irei reembolsá-la.
– Não se preocupe com isso, Diretora.
– Faço questão de pagar por isso, e bem... minha sobrinha, a Archideja, sempre foi assim muito mimada, o pai dela sempre deu tudo o que ela quis, então ela se acha no direito de fazer o que quer. Já tentei de tudo para colocá-la na linha mas, não adianta pode ser que sua atitude de hoje faça ela abrir os olhos. Só que como diretora não acho certo o que você fez, por hoje vou dar uma advertência verbal para você e para as duas. Só isso, pode ir para sua sala, no intervalo venha pegar o dinheiro do suco, OK?
– Sim, sim.
Eu saí meu emburrada da sala maaaaaaaaas, fazer o que já esperava por isso. Ajudei alguém e ainda fiz amizade com a pessoa. Depois de tudo isso, passamos muitas semanas conversando nos intervalos e nas saídas até que viramos realmente amigas.
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