O amigo - A lei de Newton
4 Com 7 anos:
Notas iniciais
Tenho 7 anos! Nossa isso é tão legal!
Eu já aprendi a falar e escrever em 7 idiomas! Coincidência né! Continuo com a mesma seção de treinamento de quando eu tinha cinco anos. Afinal, e muito mais difícil aprender todas aquelas idiomas e defesas e historias...
Hoje vai ser meu dia de descanso! Hoje à noite vou para um jantar com varias pessoas daqui que se chama ANIS. Vários agentes, professores, técnicos, espiãs e CCT (Conjunto Completo de Treinamento) vão estar lá. Eu estou sendo treinada a ser uma CCT. Os CCT são os mais respeitados, inteligentes, gladiadores e habilidosos.
Vou me arrumar para ficar bem bonita! Não para as fotos porque aqui são proibidas câmeras fotográficas. Eu penteio meus cabelos loiros e lisos que vão até a minha cintura. Coloco duas fivelas na franja. Pego minhas sapatilhas rosa choque e meu vestido rodado com a parte de cima azul escuro e a de baixo um drapeado azul claro. Passo meu brilho labial e estou pronta!
Sinto-me uma princesa! Eu abro a porta do meu quarto e entro no elevador. Vou até a sala de jantar que esta cheia de pessoas bem vestidas. O pai e a Katia estão sentados na nossa mesa de sempre. Allan não esta.
– É a filinha de papai mais linda! Ho coisinha fofa!
– Ho pai! Para!
– Está bem... Já e mocinha e não gosta mais de elogios do pai né...
Eu olho para ele com uma cara de chata.
– Katia, onde esta o Allan?
– Eu não sei... Ele foi chamado pelo Chef...
Ela se referia ao tio Claudio que é o responsável completo pelo ANIS. Ele é como se fosse o dono, o chef, o diretor, organizador... Mas o termo certo que usamos aqui é Loyan, que o titulo do presidente do ANIS. Mas o que será que ele quer com Allan?
Eu sento-me à mesa e pego o cardápio para fazer o pedido. Não se passam dois minutos e um homem alto com um ponto no ouvido usando terno e de óculos escuros em plena noite, fica do meu lado e me diz:
– Loyan exige sua presença!
Eu olho para ele sem saber o que fazer... Bruno! Eu olho para ele que está pensativo encarando o homem.
– E para eu ir também?
– Loyan exige o comparecimento apenas de Bruna Maske.
– Mas eu que sou o responsável por ela. O que é que ele quer?
Nossa! Porque o papai está tão nervoso? É o tio Claudio, e dai que ele quer que eu vá falar com ele... Qual é o problema?
– ela voltara já senhor.
Katia se vira e diz:
– Deixe Bruno, eles disseram a mesma coisa com o Allan.
Bruno olha para mim e acena. Eu desço da cadeira e sigo o homem que anda em direção ao corredor onde tem mais três pessoas vestidas iguais a ele. Entramos no elevador e ele digita o botão mais alto que tem o nome ‘Sala Loyan’. As portas se fecham e estamos no elevador. As portas se abrem e saímos todos os cinco do elevador ate um corredor blindado com uma porta do tamanho do corredor no final do corredor. A porta e grandiosa e completamente de madeira com o desenho de Igdrase feito artesanalmente na porta inteira. Uma das raízes e as duas maçanetas. Dois homens ficam em pé na porta do corredor, um de cada lado da porta. Os outros dois me seguem e um deles fica do lado da porta como segurança. O outro abre a porta e me manda entrar.
Eu entro devagar com um passo milimetricamente contado e coloco a cabeça lá dentro. O homem faz como que vai fechar a porta e eu entro mais depressa. A porta se fecha atrás de mim e eu estou na sala de um Loyan. A sala e repleta de quadros pintados do rosto de varias pessoas. Tem vários livros e uma enorme mesa. A mesa preenche boa parte da sala. Esta sentado tio Claudio – que é o atual Loyan – e Allan esta na cadeira de frente a mesa. Eu olho para tio Claudio que me olha friamente, Allan não se vira.
– Sente-se Bruna.
Eu me sento ao lado de Allan. Ele esta vestindo um lindo terno e esta com a cabeça baixa.
– Bom. O motivo de trazes ambos aqui e o mesmo. Allan já sabe. Espero que tenha uma reação melhor do que a dele Bruna.
Allan vira a cabeça um pouco para me ver, eu olho para ele. Ele esta com um dos olhos vermelho e inchado. Um pequeno machucado sangra ao lado de seu olho. Eu seguro a mão de Allan que esta apoiada no braço da cadeira. Ele puxa a mão deixando a minha.
Tio Claudio se levanta da cadeira e vem a minha frente. Ele senta-se à mesa e pega umas folhas de papeis que estão ao lado dele. Ele me entrega os papeis. O papel está escrito bem grande ‘Relatório De Quinta Esperança’ e o outro com o tema ‘Relatório 9’
– Bruna. Você sabe muito bem que lhe pegamos no orfanato Quinta Esperança quando você tinha um ano e sete meses. Naquele dia, achamos também Allan que era um dos alunos que tinha entrado no mesmo dia que você. De acordo com os registros da escola, você tinha saído do hospital aos cinco meses e seus pais aviam morridos. O orfanato nunca quis nos entregar o nome do hospital em que você esteve. Mas de acordo com o orfanato, Allan foi diretamente entregado pelos pais dele, não se sabe o porquê eles não puderam cria-lo. Bom, já tínhamos todas as informações sobre os pais, familiares e o passado de todos da família de Allan. A maioria morreu de consumo de drogas ou de assassinato, os que não haviam morrido foram um tio que tem mal de azai-me e um primo que e dependente químico e morador de rua, ou seja, não nos preocupamos. Quem entra no ANIS tem que ter sua completa vida arquivada. É como que, todos aqui não tivessem vida fora daqui, eles não existem. E você, nos não sabia nada sobre seu comparecimento no hospital, diagnósticos ou seus pais que tinha supostamente morrido... — Supostamente?
– Então eu tive que usar os meus meios para obter esses documentos, que se comprova seu comparecimento no hospital, o histórico de seus pais, porque eles morreram... Enfim... O orfanato Quinta Esperança disse que seus pais tinham sido mortos. Mas de acordo com os registros você não foi pega no hospital, seus pais biológicos lhe entregaram ao orfanato. — Eu me assusto.
– seus pais lhe entregaram ao orfanato mentindo, dizendo que eram do hospital e que você não tinha pais. Eles entregaram documentos falsos...
Eu olho para tio Claudio – que agora não lhe reconheço mais como tio – e lhe encaro.
– o que? Quem são meus pais? Onde estão? Eu quero conhece-los!
Minha vida inteira quis conhecer meus pais biológicos. Não tenho nada a reclamar do pai Bruno, mas quem são meus pais? Sabe... eu sempre quis saber, já chorei muito a noite quando o treinamento estava muito intenso ou quando eu me machucava no treinamento e o pai Bruno não podia fazer nada, só me levar para a enfermaria, eu sentia falta de um pai do meu lado no leito e cantando uma canção ou lendo uma historia ou uma mãe para me embrulhar a noite e fazer o curativo toda vez que eu tira-se de proposito... mas agora eu sei QUE ELES ESTÃO VIVOS! Não me importo aonde eles estejam ou se eles querem me ver ou não, eu só me importo que eles estejam bem!
– infelizmente Bruna, não era para você ter pais. A partir do momento que você entra no ANIS e cortado qualquer vinculo que se possa ter com o mundo. Então... Você não me deixou escolha...
O que ele fez? Allan começa a chorar desesperadamente do meu lado. Suas mãos também estão machucadas, em especial à direita no dedão. A sala é escura, apenas uma janela esta aberta. Allan se vira um pouco para mim e eu consigo ver mais raladuras nos seus braços e seu pé enfaixado.
– o que você fez? Onde esta minha família?
– não era para você ter família! E foi isso o que eu fiz você não tem mais família!
O que? O que ele quer dizer?
– o que? Você matou meus pais?
Eu me levanto bruscamente da cadeira e vou em direção ao Loyan e pego uma caneta estereográfica que esta em cima da mesa e salto em cima Loyan. Meu objetivo e certo. Me atiro com um pulo para cima dele e com a caneta em direção ao seu peito esquerdo. Allan me puxa pelo braço esquerdo me fazendo cair no chão. Como ele conseguiu tanta força?
A última coisa que me lembro, é de Allan me virando e gritando:
– Bruna! Acorde!
Quando acordo, eu estou em cima da cadeira ainda na sala do Loyan. Allan está tentando me alertar. Não vejo o Loyan.
– Allan! O que? O que aconteceu? Diz-me que foi mentira! Diz-me que o tio Claudio não matou meus pais!
Allan pega um pedaço de algodão e molha em um liquido e passa em minha testa que tem um corte que vai da testa ate boa parte do couro cabeludo e que esta doendo muito e sangrando. Eu não ligo para o sangue nem para a dor. Eu quero a verdade!
– Allan! Diga-me!
Allan atira o copo no chão e joga o algodão. Ele começa a chorar, e estica as mãos. E grita:
– o que? O que você quer saber? Se o Loyan sujaria as próprias mãos matando alguém! Claro que não! Ele é o chefe do ANIS Bruna!
Eu não entendo... Olho para as mãos e para o olho de Allan. Ele está muito machucado. Ele abaixa as mão e a cabeça.
– Allan! Você?! Eu não acredito! Diz-me que te obrigaram!
Eu me levanto da cadeira e me desespero! Como ele pode? Ele era como um irmão para mim!
– Se eu não fizesse eles iam me mandar para o orfanato novamente!
Eu choro. Ele matou minha família para não ir ao orfanato? Ele tem sete anos. Ele esta bem forte e sempre foi trenado para aprender vários golpes que realmente machucavam o seu professor. Às vezes ele tinha aulas separadas, mas eu nunca entendi. Ele estava sendo trenado para matar...
– você matou minha família! Por causa de um orfanato?
Eu quero bater nele o máximo que posso. Mas não tenho forças. Estou muito fraca e não sei o por que. Fico tonta e caio novamente.
– Bruna!
Eu acordo no leito do hospital do ANIS. O pai está sentado do lado da cama. Ele está muito nervoso e ainda com o terno que usava no jantar. Já e manhã e eu estou tomando soro.
– Meu amor! Como se sente?
– Estou com muita dor de cabeça! O que aconteceu?
– você desmaiou quando foi conversar com o tio Claudio ontem. Bateu a cabeça e se machucou, sangrou um pouco, mas esta melhor. Do que você lembra?
Lembro que Loyan obrigou Allan a matar minha família. Lembro-me de ver Allan completamente machucado e dele defender Loyan. Lembro-me de desmaiar duas vezes, uma quando Allan me joga no chão e a outra quando fico muito tonta.
– eu não me lembro de nada.
– estão descanse.
– onde está Allan e o tio Claudio?
– Allan está internado também. Ele foi ao seu primeiro treinamento em campo aberto, eu não sei o que era, mas ele chegou muito machucado. E o tio Claudio foi com ele.
Eu aceno. Durmo por umas quatro horas e quando acordo o pacote de soro está completamente vazio. Eu olho em volta: um quarto branco, com forro branco, piso branco, paredes brancas, armário brancos e ate minhas roupas e chinelos são brancos. A pureza do lugar e quebrada apenas com pequenos pingos de sangue que cruzam o quarto. Eu me levanto e retiro bruscamente a agulha da minha mão.
Eu me levanto e ando em direção à porta e a abro. Minha mão sangra ate pingar, mas eu não ligo para a dor. Vejo o pai Bruno com a Katia. Ela está sentada do lado dele e ele esta com o braço ao redor dela.
– eu quero ir embora papai.
Ele rapidamente tira o braço ao redor de Katia e se levanta.
– tudo bem filha! Vou falar com o medico, volte para a cama.
Eu sei que o pai gosta da Katia. Ela e muito seria e ele é um brincalhão. Eles se completam... Ele pega um algodão e alimpa minha mão.
O pai volta com o medico e eu estou deitada no leito. O medico vai ao meu lado e ilumina meus olhos. Checa meu batimento cardíaco e acena para o pai. Pai bate palmas e me carrega no colo. Eu grito:
– me coloca no chão! Eu tenho sete anos! Não sou mais criança! Eu sei andar!
Ele me coloca bruscamente no chão e me da língua. Crianças...
Eu pego o elevador e desço ate meu quarto. Ainda estou com a ridícula roupa do hospital.
– eu vou para meu quarto. Tchau pai.
– tchau gorduchinha.
Eu seu que não sou gorducha. O elevador desse e eu ando ate meu quarto, abro a porta e entro. Deito-me na cama e choro por cinquenta minutos.
Serei eternamente magoada com Allan. Porque ele fez essa besteira?
Decido que quando ele chegar vou tira-lo aquilo que ele tem de mais precioso, assim como ele fez comigo. Sei que ele tinha sempre aulas de tiro, armas, veneno e imobilização. Ele tirou a única coisa que eu poderia ter! Minha família! Sou eu que sempre achei que seria eternamente sozinha, descubro que sempre tive uma família. Porque o orfanato mentiu? E o hospital, porque foi preciso dessas mentiras? Tantas perguntas sem respostas... O que eu farei com Allan? Mas, o que?
Eu coloco minha roupa de treinamento e vou ate a sala de treinamento. Chegando lá eu vejo um armário que eu já vi varias pessoas abrindo. Eu abro o armário que se encontra em uma das extremidades da sala e vejo armas. Varias armas, de todos os tipos: metralhadoras, calibre 50, Winchester-22, ponto 40 ... E outras que não sei o nome. Pego uma arma pequena de cinco tiros. Ela esta carregada. Eu vou ter aula de tiro apenas despois dos 10 anos... Não posso esperar. Coloco a arma na cintura e corro para meu quarto.
Guardo a arma na primeira gaveta do meu armário debaixo das minhas blusas. Eu tiro minha roupa e coloco uma casual. Eu vou até a área de lazer que fica no térreo. Espero que Allan venha logo... Aqui é uma área completamente aberta aos céus, tem vários pools e almofadas. Tem cadeiras de madeiras que são grandes os suficientes para eu me deitar nelas. Aqui têm parquinhos, pequenas mesas... e também tem um muro de uns 50 metros de concreto se aberturas e com cerca elétrica que da um ótimo ambiente familiar. Eu giro na cadeira de madeira. Bruno chega e se senta do meu lado e começa a girar também.
– o senhor vem de onde?
– eu estava no hospital com Allan. Ele não vai mais morar aqui.
Eu paro lentamente a minha cadeira. Meu plano...
– por quê? O que aconteceu?
– ele disse que nunca teve escolha de morar aqui, e agora não quer mais. Vai voltar ao Quinta Esperança...
Ele mata minha família para não ir a este orfanato, agora vai de graça...
Eu me levanto e vou ao meu quarto. Pai não me impede por que ele acha que estou chorando de tristeza visto que era amiga de Allan.
Chego ao meu quarto e me deito na cama... O que eu faço?
Eu coloco minhas mãos no rosto e sinto algo frio tocando meus lábios. Eu olho e esta a pulseira que ganhei do Loyan. Tem o numero 9. O numero que disseram ser meu berço quando criança. Tiro a pulseira e coloco na gaveta... Encontro à arma que guardei. Pego ela como já vi meu treinador Nicolas pegando. Coloco o dedo no gatilho, e aponto a arma para o espelho que esta na minha frente. Coloco a arma na cabeça um pouco acima de minha orelha. Meu dedo esta no gatilho. Olho-me no espelho.
A paciência e o centro do universo. Tenho que esperar. Talvez essa não seja a solução... Talvez, por enquanto, essa não seja a solução.
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