O Vírus do Amor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa fic foi escrita para o orkut (comu: Os poderes do algodão doce) para o Hameron day 2009
Sentia falta de uma pessoa, mas ela nunca aceitou o fato dele aprofundar uma pesquisa desse tema. Para ela era besteira, coisa da cabeça dele, raiva de não conseguir aceitar esse sentimento, que fugia tanto ao seu controle.- Ok, pode perguntar.- O que levou você...- Pronto uma palavrinha, aliás deixei mais que isso, agora, se vocês não se importam os doutores vão explicar maiores detalhes. Ah... entreviste o loirinho ele está doido para fazer um comercial de shampoo.House piscou para a câmera, despedindo-se, apoiou-se em sua bengala, tinha mais o que fazer, a burocracia sempre foi dispensável. Bastava-lhe o quebra-cabeça.Precisava falar com ela, dera folga nesse dia. Ele queria que ela ficasse feliz por ele. Ela não precisava saber, mas fora a motivação de suas pesquisas, tudo que ele mais queria era nunca mais presenciar suas lágrimas por uma causa perdida, seria o fim de suas frustrações, de suas mágoas. Em casa, Cameron esperou aquele lindo homem dos olhos azuis terminar de falar, tão indiferente ao sentimento alheio, tratá-lo como doença teria sido a gota d’agua, se ela não o amasse tanto. Desligou a televisão, ela sabia muito bem como fora o progresso das pesquisas, só assistia enquanto ele estava lá.Mil coisas passavam por sua cabeça, ele cantando vitória, provando que o amor nada mais era do que uma doença. Uma lágrima escorreu de seus iluminados olhos verdes, tornando os ainda mais intensos e mais belos.Ela enxugou as lágrimas, queria se mostrar forte... *FLASHBACK*Cameron estava sentada na mesa do chefe, a sala estava escura, já era tarde, respondia aos e-mails dele enquanto acompanhava o noticiário, torcendo para não perder a aposta. Mais cedo fugira da sala de diagnósticos chateada com a nova obsessão de seu amado.Ela não podia acreditar que ele dissera que tinha motivos para acreditar que o amor era um vírus e aceitou a aposta. Ele precisava de um fato para mostrar a ela que o amor não valia a pena e tinha dois dias para isso.Cam que sempre acredita no melhor das pessoas tinha certeza que iria ganhar freando assim aquela estúpida idéia, mas para sua infelicidade ela escolheu o dia errado.House entrou na sala, estava de paletó, camisa azul por baixo, carinha de cachorro abandonado, ela não podia agüentar tanto charme. Ele realmente sabia como afetá-la...O doutor pegou o controle e aumentou o volume da televisão...- Ouviu as últimas notícias direitinho querida?Cameron fingiu não ouvir.- Ele pulou da ponte, eu não disse a esposa não apareceu... Temos um vencedor?- Sim, House, você sabe que eu sou contra...Ele mal esperou ela terminar de falar, já estava com a seringa em mãos e todos os acessórios necessários para extrair o sangue que ela lhe cedia de tão má vontade, limpou a região... carinhosamente... gostava de sentir a pela dela, era a primeira vez que sentia- se nervoso com um procedimento tão simples.Terminada a ação ela se voltou para a tela do computador, como se nunca tivesse sido interrompida, parte do coração dela sangrava conforme acompanhava ele deixando a sala... quanta frieza.Agora estava tudo pronto para terminar suas pesquisas, já tinha feito o experimento com o sangue de uma mãe adotiva e uma professora de primário.*FIM DO FLASHBACK*TOC TOC TOCCam reconheceu rapidamente aquelas batidas irritantes, que levavam seu coração a mil em poucos segundos. Enxugou qualquer vestígio que pudesse ser percebido de que ela derrubara lágrimas.House estava ponderando sobre o que ia fazer. Ele esperava que o efeito fosse rápido ou novamente ele a veria chorando.Cameron abriu a porta, um pouco nervosa....- O que você quer House?Ele pode ver em seu delicado rosto o que ela tentava esconder, foi o fato encorajador.- Posso entrar? — Ele disse enfiando o rosto para dentro do apartamento.Ela abriu espaço para que ele pudesse passar, não tinha forças para lutar.Cam não teve tempo de se arrepender, o Doutor fechou a porta atrás dele, diminuiu o espaço que separava os corpos.... passando a mão em seu rosto, afastando os cabelos carinhosamente, ajeitando-os, desceu a mão para as maçãs do rosto, fazendo menção de enxugar as lágrimas que pouco tempo antes fizeram o mesmo percurso, sabendo que era o causador daquelas. Observou as bochechas mudarem de cor, ficarem rosadas... ele a queria e como, mas não podia esquecer o verdadeiro propósito.
Cameron estava assustada... levemente trêmula, o envolveu com seus braços, esperara tanto por aquilo, preferia não pensar, apenas aproveitar. Ele encostou seus lábios no dela, primeiro devagar... acelerando o processo. Sentindo a boca dela, tão bem desenhada, definida, quente e cheia de vontade. Fazia o possível para adiar o momento da separação, ele desceu sua mão para o próprio palitó, doeria mais nele do que nela, ele só esperava que ela o perdoasse. Alcançou o objeto que procurava, e por instantes lembrou da mesma cena inversa... não cessava os beijos, mas Cam o sentiu pensativo, procurou a mão dele, acompanhando sua saída do bolso direito do palitó, abriu os olhos e viu... a seringa.Entendeu tudo, ele queria vaciná-la, como era cruel... preferia que ela nunca mais amasse, preferia que ela perdesse sua característica Cameron, aquilo que a definia como doce, como guerreira disposta a lutar por tudo que fosse para ajudar alguém.Não teve vergonha das lágrimas que escorreram, não eram sinais de fraqueza, se desvencilhou dos braços que a seguravam tão forte.- Cam, escuta... é isso que eu quero evitar...- Que belo jeito você arranjou de mostrar, SABE O QUE ESSA SUA DESCOBERTA PATÉTICA PODERIA FAZER? Me diz em algum segundo você parou pra pensar nas pessoas e não apenas na sua obsessão?Ele tentou se aproximar, nunca a vira tão alterada e percebeu que ela era muito mais forte do que ele pensava... não sabia o que fazer...- Cameron! Seja racional... você quer sofrer sempre?- Sofremos pra crescer, para enxergar o próximo, já pensou se as pessoas resolvessem tomar a sua vacina... o que seriam das crianças adotivas? Dos mendigos, daqueles que precisam de ajuda? Que vivem da solidariedade? Eu só espero que te freiem antes que você queira criar um mundo cheio de robôs.- E o marido que pulou da ponte porque a esposa não apareceu? Não se lembra da aposta que perdeu?- Saia... por favor.House a deixou. Batendo a porta depois que passou, abriu o pote de vicodin e tomou dois comprimidos,só eles compartilhavam suas dores, mancando abandonou o prédio.Estava começando a entardecer, ele decidiu voltar para o hospital, queria falar com o Wilson.A entrada do hospital estava uma bagunça, crianças, cartazes, manifestantes, indigentes e House pode enxergar uma Cuddy exausta se explicando e um Wilson a apoiando, repleto de marcas de cansaço no rosto.Resolveu entrar pelos fundos, sentindo-se mal pelo que estava acontecendo. House se arrependendo?? Pensou que devia ter se exposto demais ao vírus, pensou nos anos com a Cameron... a vez que o Wilson disse q ela o estava mudando, o contagiando com sua doçura. Entrou em sua sala, sozinho, ligou a tv, mas todas as reportagens falavam das pesquisas, eram reprises da entrevista da hora do almoço. Eram outros médicos falando sobre o assunto, manifestantes usando de todos os seus mais baixos vocábulos para definir o fato, parou num canal... atrás do repórter em um cantinho, um menino, novinho devia ter uns 3 anos, olhos azuis, chupava o dedo. Próximo a um grupo maior de órfãos que faziam a maior zona, se Cam o visse o levava pra casa na hora.Ele percebeu que ficar ao lado dela era um perigo. Apoiou o rosto na bengala, entediado, pensativo...Na televisão a voz do Chase podia ser ouvida...claramente.. ele balançava os cabelos e tentava parecer mais charmoso do que realmente era tentava levar algum crédito.“ O vírus se aloja no cérebro, em particular na área direita, das emoções....Afeta mais as mulheres... o contágio depende de fatores específicos...”Cameron em sua casa assistia à mesma reportagem, desolada, ao lado de uma caixa de lenço. Relembrava cada cena, cada toque querendo que o desejo que ela podia ver nos olhos dele fosse real.Wilson procurava House pelo hospital inteiro, conhecia o amigo e sabia que ele voltaria, foi muito mais fácil do que pensou e avistou um House jogado em sua cadeira... cochilando, com a bengala ao lado, apoiada.- House, precisamos conversar...- Se você trouxe comida, eu aceito.- Você viu a bagunça que está ai fora? Eles querem que você se pronuncie.- E o que ela quer? Eu não consigo entender...- A Cuddy também quer que vc se pronuncie, ela segurou essas pessoas até agora..- Não estava falando da peituda... o que a Cameron quer?- Ahhhh.. Algodão doce? Wilson sabia que era impertinente, mas não podia perder a piada, o amigo lhe confessara que dividir o algodão doce fora o melhor momento da vida dele.House emudeceu, preparado para levantar. Wilson só conseguiu dizer:- Te dei a resposta... agora você vai levantar e sair correndo?House apontou para a perna ferida, mesmo assim saiu na velocidade que podia. Estava determinado. Chegou ao laboratório, procurou as amostras com seu nome, achou um pote. Espalhou um pouco do líquido pelo microscópio... teria que ser rápido ou ele perderia a coragem ou pior ele pararia para pensar, o impulso devia mover aquele momento... o gosto da boca dela.Preparou a seringa, qualquer coisa poderia se medicar depois sem pensar duas vezes injetou o vírus no braço.Ficou tonto por longos minutos... as coisas giravam ao redor e ele precisou se sentar para sentir os pés firmes... mas a sensação estranha deu lugar a um aroma de flores do campo... House se levantou, mais leve, com menos dor.Os objetos ganharam uma cor especial e a vontade que ele guardou tanto tempo estava a ponto de enlouquecê-lo Ele até se pronunciaria, mas não agora.Queria correr para os braços que tanto amava, sem saber se eles ainda o esperavam, precisava fazer alguma coisa, ele se sentia feliz, mesmo que fosse difícil admitir. Por fora era o mesmo House, bengala, vicodin no bolso, mancando. Por dentro o lado direito do cérebro ganhara participação nos diálogos, nas decisões, era um equilíbrio, pensaria na hora certa e sentiria também quando fosse a hora.Ligou para o Foreman dando a ele instruções claras, devia ser dito a dona do orfanato que o menino estava doente e um médico o trataria de graça, devolveriam o no dia seguinte conseguiu até dizer um por favor. O azul dos seus olhos se tornaram mais brilhantes, nada do Foreman. Começou a ficar irritado, se ele não tivesse sido educado o outro já teria voltado com seu pedido... é people don´t change... talvez se alterem um pouco.- Não pedi pra vc fazer o menino, só para buscá-lo.Foreman trazia o menino no colo, demorou para conseguir a permissão e cobria o rostinho do pequeno com um paninho. Ele estava sonolento, fazia tempo que o orfanato a qual pertencia estava na porta do hospital.House se aproximou e tirou o paninho. O menino tinha lindos olhos azuis, os cabelos claros e uma pureza contagiante. Uma voz fina e doce invadiu o ambiente:- Pode colocar o paninho... estou com sono...- Se você ficar acordado te compro um algodão doce..O menino sorriu com a promessa e já pulou para o chão...era esperto!Foreman não entendeu a cena, mas também não era louco a ponto de perguntar o que acontecia.House saiu escondido com o garoto, assim q se viu livre da multidão deu a mão para o menino, agora mais alegre. Chegaram ao parque depois de alguma conversa, o pequeno chamava-se Vico, o fazia pensar nela, na pureza, bondade, na ingenuidade... ganhou um algodão doce azul... House comprou um rosa. Escrevendo na embalagem SORRY! You love me, I love you and We can´t deny it.- Papai, obrigado.- Eu não sou seu....O doutor preferiu deixar a frase no ar, deixar que o pequeno aproveitasse.- Vamos Vico, conhecer sua mamãe.O menino sorriu, o encantou, o vírus era realmente forte e podia dominar até o mais arrogante do seres. Andaram mais um pouco, chegando ao prédio da Cam, ele disse a Vico que teriam que brincar de esconde-esconde. Não poderiam ser vistos ou teriam que ser anunciados pelo porteiro.Subiram pela escada e House entregou ao pequeno o algodão doce rosa. Sussurou umas palavras no ouvido dele pedindo que ele batesse na porta.Cameron atendeu, procurou sem achar ninguém, olhou para baixo e viu o pequeno garotinho que segurava um algodão doce rosa em uma mão e um paninho na outra, reparou nos olhos azuis e ficou inconformada como até em uma criança inocente ela podia encontrá-lo:- Ele pediu para eu perguntar se você lembra disso.Vico entregou o algodão, trazendo as melhores recordações possíveis. Ela viu o homem de seus pensamentos aparecer...
- Vico não era pra dizer que eu pedi pra vc dizer.Cam leu o anexo, queria sorrir, mas tinha medo... em quantos mais pedaços ele poderia quebrar o coração dela? Ele era a doença e a cura, a salvação e a perdição.- Mamãe, estou com sono...Cam olhou espantada pro guri.- Onde você o seqüestrou? -Não se preocupe, mas se acostume com a presença dele. Não vai nos deixar entrar? Ele está com frio.- Não estou não...- Vico! Mais um algodão doce se você for para o quarto da mamãe e ficar quietinho assistindo Disney Channel.Cameron riu, só ele sabia fazer isso: ser charmoso, surpreendente, encantá-la. Ela abriu a porta, mas indicou para o pequeno o quarto de hóspedes, o dela teria outra serventia. Eles observaram o menino andando, House disse:- Ele me lembra você... Podemos ficar com ele?House fez cara de criança pedindo doce, aquele garoto significava muito para ele. Era o elo entre ele e Cam, a ponte entre os dois lados do seu cérebro, seu equilíbrio, sua decisão. Amanhã ele tomaria as providências para a guarda, por hora outras pendências tinham que ser resolvidas e eram muito mais urgentes.- Não vai dizer mais nada, não pense que eu esqueci.O coração dela amoleceu era um laço entre os dois o que ele estava propondo, um lindo menino.- Não vou falar mais nada, não quero estragar isso...E House se aproximou dela, deixando-a receosa, já tinha visto essa cena hoje, antes de tudo ele a abraçou, passou a mão pelos cabelos dela. Fitou os olhos tentando decidir qual parte daquele rosto era mais perfeito, tudo tão harmonioso, a beijou, escorregando as mãos pelas costas dela... liberando todo desejo reprimido. - Calma, calma- Cam disse- Um minuto.- Não me faça esperar mais.Ele a puxou de volta, beijando lhe cada parte do rosto.- House!- e ela apontou para o quarto de hóspedes.- Ta bom, vou para o seu quarto.Cam foi até o quarto onde Vico estava, o pequeno já adormecera, beijou a testa dele e o cobriu, já amava-o.No quarto de Cam, o doutor pegou o celular.-Wilson queima toda aquela papelada urgente- Mas o que houve House?- Não assumir o amor não vale a pena, amanhã digo que os testes deram errado.- Uall, farei antes que mude de idéia.- Quando eu digo urgente quis dizer rápido, agora... vai!House até esquecera o vicodin, agora era movimentado por outros vícios.Cameron voltou, parou na porta contemplando quem a esperava, ficou com medo de acordar, mas aquilo era muito melhor do que sonho, chegou perto dele e o beijou... nenhum dos dois teria que esperar nem mais um minuto.FIM
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