O Vírus
2 Aquilo era preciso?
Chegamos ao laboratório e eu levei várias broncas do Xavier por ter saído do laboratório sem permissão – como se eu ligasse para a merda da permissão. Nathan e eu ouvimos os resmungos do Dante por não ter pegado comida. Mas mesmo assim ouvimos elogios pelos nossos tiros e por ter salvado duas vidas.
O bebê adormeceu no colo de Alice enquanto ela o ninava.
- Que nome daremos a ele? – Ela perguntou acariciando o rosto do bebê.
- Eu gosto de Mike... – Dantes disse.
- Mike é um nome legal.
- Será Mike – Alice decidiu – E da garota?
Olhamos para a pequena garota que estava em um canto quieta e com a cabeça baixa, com a respiração ofegante.
- Droga! – Exclamei – Kevin venha aqui.
Kevin parou ao meu lado arrumando limpando as lentes dos óculos.
- O que foi? – Ele disse olhando para a menina – Ela está...
- Eu sei... O que faremos?
- A mataremos – Nathan disse por trás do meu ombro, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Eu me virei rapidamente.
- Ela é apenas uma criança... Não podemos fazer isso.
- Daqui algumas horas ela será uma criatura e nós atacará.
- Deve haver outro modo... – Murmurei.
- Por acaso você descobriu a cura? – Ele perguntou sarcasticamente. – Não tem outro modo.
- Taynah, está certa não podemos matar — lá – Xavier disse, todos nós olhamos para ele confuso.
- Temos que matar – lá – Nathan disse com uma voz forte.
- Cale a boca Nathan, ela é apenas uma criança – Digo com um olhar raivoso.
- Podemos precisar dela...
- É muito – Xavier completou.
Nathan os olhou com um modo estranho e depois disse:
- Seus canalhas! Ela é apenas uma criança.
Logo saquei o do que Nathan estava falando.
- Não... Vocês não vão fazer experiência com a criança.
- Taynah , podemos descobrir a cura – Kevin disse amigavelmente segurando minha mão.
Afastei-me dele e o olhei com nojo.
- Quanto tempo ela tem?
Kevin a olhou e chegou mais perto. Conseguir ver que os olhos dela estavam vermelhos, a respiração mais ofegante e algumas pequenas manchas verdes no rosto.
- Talvez 6 horas.
- Vocês não vão machucar — lá e nem usar — lá como cobaia – Ordenei.
- Quem você pensa que é, pequena jornalista? Esqueceu que esse laboratório é meu e você está aqui, viva, graças a mim? Então não me venha com ordem e protesto... Aqui é meu reino – Xavier disse firmemente.
Olhei para o lado e percebi que Nathan não estava mais lá. Segundos tempos, Nathan aparece apontando uma arma para a garota. Automaticamente eu pego a metralhadora que deixei a mesa ao lado. Xavier pega uma arma e aponta para o Nathan. Kevin recua. Jaqueline, Dantes e Alice aparecem assim que eu aponto a arma para Xavier.
- Se você atira nela ou nele, eu atiro em você – Digo a Xavier.
- Me poupe garota... Se esse verme acertar a minha cobaia, eu o mato...
- Ela não é uma cobaia... É uma criança e logo ser tornará um monstrinho – Nathan olhou para mim – É algo que você não possa controlar, você não quer a pobrezinha como um rato de laboratório ou quer?
Eu abaixei a cabeça e levantei logo em seguida.
- Se você atira nela... Eu te mato!
Ele ignorou minha ameaça... Logo em seguida um som de tiro abafou um laboratório, fazendo todos ficaram pasmos. A garota estava caída no chão com sangue escorrendo pelo chão branco, ela havia levado um tiro bem no meio da testa.
- Seu idiota... Se eu pudesse eu te matava – Xavier disse raivoso e saiu.
- Mas... Eu posso... – Mirei nele e atirei.
Infelizmente ou felizmente, meu tiro acertou o chão um centímetro perto do pé dele. Todos se assustaram e eu fiquei frustrada. Olhei decepcionada para ele e fui para os dormitórios, enquanto eu caminhava, Nathan gritou:
- Eu sabia que você não teria coragem...
- Infelizmente eu errei o tiro.
Fui para o meu dormitório que eu dividia com a infeliz da Jaqueline e deitei na minha cama – chorei e lamentei pela a morte da pequenina. Sufoquei meus gritos no travesseiro e dormir de tanto chorar.
Passei três dias sem falar com ninguém, fiquei no dormitório lendo alguns livros que por sorte tinha naquele maldito laboratório.
- Tay, reunião! – Dantes avisou da porta.
Levantei sem humor e fui para a sala de controle, onde todos estavam presentes. Não conseguir olhar para o Nathan, mas sentir que ele me fitava. Dantes e Alice estavam com um olhar cansado e Kevin estava fitando os seios de Alice, Jaqueline olhava Xavier encantada.
Quando Xavier ficou na frente de todos nós e abriu a boca, todos nós prestamos total atenção nele.
- Vocês já devem saber que a comida está acabando... Só tínhamos comida para cinco dias, mas felizmente durou muito mais... Podemos conseguir um pouco de comida no hospital, que é o lugar “mais seguro”, pois termos o controle de todas as câmeras... Mas lá fora, é outra história. Mais cedo ou mais tarde, teremos que sair e ver todo o estrago. Só que faremos um esquema... E para isso precisamos montar duplas. Já que aqui é uma democracia, vocês escolham! – Xavier abriu um sorriso falso no rosto.
Claro que cada um escolheu sua equipe antiga, que era Jaqueline e Kevin, Alice e Dantes e infelizmente sobrou apenas eu e Nathan.
- Xavier, eu posso ir sozinha?
- Claro que não! Como trará a comida sem ajuda? Você e o Nathan irão juntos... Eu sei que ele é um idiota, mas você precisa fazer dupla com ele.
- Obrigado pela parte que me toca.
- De nada garoto da pizza!
Revirei os olhos.
- Tudo pela sobrevivência – Murmurei.
Xavier disse mais algumas palavras, disse que nos chamaria depois para resolver quem iria e o esquema. Todos continuaram lá, eu caminhei até o dormitório.
- Taynah – Nathan me chamou e correu para meu lado – Acho que precisamos conversar já que... Ficaremos um bom tempo juntos.
- Olha Nathan , antes eu nem ligava para sua existência... Mas agora eu ligo. Eu o quero morto! E não é por que somos uma dupla que eu fingirei ser sua amiga.
- Que merda garota! – Ele disse me segurando – Você queria que a garotinha virasse cobaia? Virasse um rato de laboratório? Ou a preferia com os outros? Querendo sangue e carne a cada minuto? O mundo não é mais colorido e fofo como antigamente, o mundo sempre foi cruel... E agora se tornou mil vezes pior. Lutamos pela sobrevivência e não pelo o nosso direito. Aquilo foi preciso... Desculpe se de algum modo te magoei... Eu sinto muito.
- Sinceramente, acho que eu faria o mesmo... No entanto, ela era apenas uma criança.
- E por isso mesmo... Não deveríamos prolongar o sofrimento da garotinha.
- Odeio dizer isso, mas você está certo – Digo de mau gosto.
Ele me soltou e abriu um sorriso de lado.
- Então, seremos uma equipe? – Ele esticou a mão para mim.
- Acho que sim... – Disse apertando a mão dele.
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