28 de janeiro, 10 horas da manhã de segunda feira:

Eu estava na aula de Física, mas incrível, não dormi na aula, nem prestei atenção. Mas não tirei nenhum milésimo a Cristie da minha cabeça. Era estranho, mas eu estava gostando. De repente, o sinal tocou e eu me assustei, tive que enfiar os cadernos logo na mochila e colocá-la nas costas, saí correndo a próxima aula era de Química, não tinha certeza se eu iria ter aula com ela, porque ano passado eu tinha. Era a única.

Quando eu cheguei no meu armário, ela estava lá. Olhando para mim, fiquei confuso. Era pra mim? Nossa, o que eu estava pensando? Pensando nela, e ela olhando para mim. Ela estava vindo na minha direção, e eu fiquei pensando será que tem alguém atrás de mim, com quem ela vá conversar. Aí que eu pensei, ela não tem ninguém pra conversar além de mim.

Ela estava chegando, e minha barriga formigando, não sabia o que falar. Parecia que alguma coisa estava diferente. Tinha mudado, não sabia o que, mas parecia ser dentro de mim. De repente, estava com o coração acelerado, quase saindo pela boca. Ela estava quase na minha frente, eu olhei para trás, ninguém, para o meu lado, ninguém. Ela olhando para mim, com aquela jaqueta jeans desgastada, e aquele cabelo solto parecendo uma moldura para o seu rosto branco. Não consegui desviar os olhos, pensei em sair correndo, mas era como se meus pés não saíssem do chão.

Aquilo estava embrulhando o meu estômago, mas eu não sabia o que era aquela sensação. Era boa, mas o que era?

Ela chegara muito rápido.

- Oi, o que você está fazendo? Parece que está passando mal.

Eu estava passando mal!

- Ah, quê isso... Não estou me sentindo mal. Pelo contrário, estou muito feliz.

- Uau, que bom. Já sabe as aulas, que nósvamos ter juntos?

- Vamos ter alguma? Nem olho os horários...

- Vamos, e já é a próxima ! Vamos.

Ela me puxou pela mão, minha mão estava gelada, e suando. O que era sentir isso? Nada estava fazendo sentido.

Ela é forte, porque para uma baixinha, me puxar deve ser difícil, e ela conseguiu.

A nossa próxima aula era de Biologia, eu sempre dormi nessa aula. Será que eu conseguiria? Ela estava me puxando tão rápido, que parecia que os outros eram os que corriam. Chegamos na aula e ela me pegou pela mão, e me levou a última mesa que tinha. Ela parecia contente mas não sabia o porquê. Eu me sentei, peguei meus cadernos e um deles caiu, ela também se abaixou para pegar, aos poucos nossas mãos se encostaram. Parecia que eu tinha ficado desmaiado, e acordei agora.Ela riu, e ficou vermelha, acho que de vergonha. Será que ela sentiu a mesma coisa?

Nós não prestamos atenção na aula. Ela ficou me olhando, eu percebi pelo canto do olho. Isso é bom? Tomara.

Quando o sinal tocou, e eu enfiei novamente os meus cadernos na mochila. Tive que correr, era o almoço. Tinha que contar para a turma, o que Cristie contara. Que bom, eu ia encontrar a turma. Não iria ficar pensando na Cristie.

Se bem que eu iria falar mais tempo sobre a Cristie. E não seria fácil esquecê-la. Ela me chamou e eu tive que fingir que não ouvi. Fiquei triste de ter feito isso, mas não tinha outro jeito. Quando eu cheguei no refeitório, um monte de gente conversando sobre como a Cristie mudou, bom... não falavam “Cristie” falavam a mesma coisa que eu, antes de saber o nome dela. Eu sentei na mesa, onde também estava Miguel e Larissa, Lara estava conversando com umas amigas da classe dela.

- Então, Renan descobriu alguma coisa? – perguntou Larissa, entusiasmada.

- Descobri, que eles acabaram de mudar, porque a tia dela, mulher do Júlio, morreu. E também descobri, que os pais da Cristie, são aquele casal que morreu a um tempo atrás, aqueles que morreram assassinados... sabe? O casal...

- Elena e Jorge Marcatto. Eles morreram em 2000, em uma estrada de terra, enquanto iam a uma caminhada na floresta. – continuou Miguel.

- Quer dizer que Cristie, é a menina que herdou toda a fábrica de cera da família Marcatto? – perguntou Larissa confusa.

- Parece que é ! – respondi.

- Nossa, então aquele entra e sai deve ser por causa da fabrica e não por causa de uma gangue. Que susto. – Larissa aliviou-se.

Fiquei surpreso também quando soube.

- Renan você entrou na casa, ou alguma coisa do tipo? – questionou Miguel.

- Eu entrei na casa. É grande, mas sem nenhum móvel. As janelas do primeiro andar são amplas, as de cima, não pude ver.

- Por que? Ela o proibiu? - perguntou Larissa.

- Não, é que eu não pedi, mesmo.

- Aí, ela está vindo... – alertou Larissa.

- O quê?

- Ela, a Cristie, está vindo.

- É eu entendi.

Ela se aproximou, e me chamou:

- Oi, achei que estava fugindo de mim. Não está, não é?

- Ah, claro que não. – queria poder dizer a verdade, se eu soubesse o que eu estava sentindo ! – senta aí.

Ela sentou, toda meiga. O Miguel não parou de rir.

- Então... – comecei.

- Cristie, está gostando da nova cidade? Renan contou que você acabou de se mudar. – interrompeu Larissa.

- Hum... eu estou gostando da cidade, sim.

- Ah, que bom. – respondeu Miguel.

- E o seu tio? – Larissa perguntou curiosa.

- Ah, o meu tio já morava aqui. Mas teve que se mudar lá para o interior, depois que minha tia morreu, ele voltou.

- Ah, na mesma casa? – eu perguntei.

- É, essa casa era dos meus pais. Eles compraram quando eu nasci. Mas...

Lara a interrompeu e sentou-se:

- Não tem problema. Nós já entendemos, que você está gostando, pelo menos se adaptando.

Cristie ficou envergonhada, mas quando mudaram de assunto, ela se animou.

- Então Cristie, você vai na festa do Henrique? – perguntou Lara.

- Ah, eu vou ver, mas eu acho que sim.

- Que bom. – disse.

- Tomara que você vá. – disse Miguel.

Ela riu, bom, todos nós rimos.