Renan

28 de janeiro, 7 horas da manhã de segunda feira

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Eram apenas 6:59 horas da manhã, e eu ainda estava dormindo,quando o despertador apitou já eram 7h, como o tempo passa, ano passado nem repetente eu era, agora eu sou. – eu ri.

Hoje começava – novamente – as aulas. Eu estava tão empolgado, não pelas aulas, mas sim porque o plano da Larissa ia entrar em ação. O plano era “O PLANO” – pelo menos para mim – eu ficava com a maior parte, tinha que fazer amizade com aquela menina Cristie. E iria começar na sexta feira, bom... durante a semana eu teria que começar a chegar perto dela, o meu problema era... como sempre eu dormia na aula, nunca soube que ela era da minha sala de Química. Quando soube, fiquei meio apreensivo, não porque teria que me aproximar da garota – ela é até bonitinha – o meu problema, era que a aula de Química é tão chata, que é quase impossível não dormir. Mas isso eu conseguiria enfrentar.

Eu levantei da minha cama, fui para o banheiro. Eu estava acabado, o fim de semana acabara comigo. Foi então que eu ouvi minha mãe gritando:

- Filho, venha tomar o café está pronto.

- Já vou mãe. – respondi bocejando.

Coloquei o uniforme, o meu tênis acabado, e arrumei meu moicano, porque sem ele como eu iria conquistar a esquisitinha ?

Desci correndo as escadas, e entrei na cozinha, onde todos estavam sentados, meu pai, minha mãe, meus irmãos. Até o coelho da minha irmã estava na cozinha esperando a ração dele. Sentei na cadeira que restava na mesa, e belisquei o pão com requeijão, dei um gole no café com leite, e me despedi da família. Peguei minha mochila, e sai de casa, tinha combinado com o pessoal que eu bateria lá na casa da esquisitinha para chamá-la para ir comigo para a escola.

Eu toquei a campainha, que tinha um barulho estranho de descarga, e logo em seguida a Cristie – eu nunca lembrava esse nome, por isso preferia o apelido esquisitinha- apareceu e me cumprimentou.

- Oi, você... quem é você mesmo?

- Oi, eu sou o Renan seu vizinho, moro ali...

- Ah, você que veio com aquela menina me convidar para a festa, não é?

- É, isso mesmo. Eu queria saber se você quer ir comigo para a escola, eu estou de carro.

- Hum... pode ser, eu só estava comendo. Quer entrar?

Pensei que ela não deixaria alguém estranho entrar, por isso me entusiasmei.

- Pode ser. Se eu não estiver incomodando... por mim tudo bem.

- Não, quê isso... o meu tio Júlio, não liga, ele deixa meus amigos virem, como eu não tenho... ele só não está acostumado.

Eu me apressei para entrar, a entrada da casa era bonita, a casa em si era de um tom meio pastel, mas com janelas amplas; diferente das de cima, que tinha tampões escuros. Na sala de estar, tinha pouquíssimos móveis. Como ela percebeu que eu fiquei assustado, ela falou:

- Nós acabamos de mudar, meu tio não comprou nada, morávamos em uma casa pequena só tinha isso de móveis...

- Ah, entendi.

Ela foi em direção a uma porta branca com vidros enfeitando suas extremidades. E quando ela abriu, havia muitos móveis, percebi que era cozinha, onde tinha uma mesa, e um homem com o cabelo castanho, com óculos e bem vestido estava sentado.

- Tio, esse é meu amigo Renan.

- Muito prazer. – eu disse sem graça.

- É bom saber, que a minha pequena tem amigos. – riu Júlio.

Cristie era pequena mesmo, chegava apenas no meu ombro. Ela olhou para mim e riu.

Ela se sentou na mesa, e falou:

- Senta, a gente não morde.

- Ah, obrigado.

Eu sentei em uma cadeira, e eles ficaram em silêncio. Até que o tio dela falou:

- Estão atrasados, não querem perder a primeira aula não é?

Eu pensei, “ah eu quero” mas fiquei quieto, Cristie concordou com o tio e levantou. Se despediu do tio. O mesmo fiz eu. E nós fomos até a porta, onde estava a mochila dela.

Quando nós saímos, ela fechou a porta, depois o portão e foi comigo até meu carro. Eu abri a porta para ela. Que agradeceu, e deu um sorriso.

Eu dei a volta no carro, e entrei, quando eu vi a hora, liguei correndo o carro, e disparei para a escola, enquanto isso ela contou sobre como ela foi morar com os tios.

- Eu perdi os meus pais com 7 anos, meus tios, Júlio e Clara, me abrigaram, já que não tinha avós. Mas alguns anos depois tia Clara morreu, e tio Júlio ficou muito apegado a mim. Ele e eu mudamos do interior para cá, e ele me matriculou nesse colégio.

- Nossa, deve ser difícil para você! Qual o nome dos seus pais?

Ela ficou um tempo em silêncio e depois respondeu:

- Elena e Jorge Marcatto.

- Mas eles não são aquele casal que morreu assassinado, numa estrada?

Ela ficou meio sem jeito e disse:

- Não quero falar sobre esse assunto.

- Tá, Não vou insistir.

Já tínhamos chegado no colégio. Nós descemos, e quando nós entramos todos olhavam para nós. Eu pensei que fosse por causa do horário, os atrasados. Mas não era. Era simplesmente, porque eu estava andando com uma garota esquisita. Pra quê isso? Ela não gosta de ser notada. Tudo bem que eu estava com meu braço no ombro dela, mas o que isso tem a ver? Tudo bem que eu estava com um moletom que eu nunca uso, só em festas da família, eu não estava com a turma, isso também podia fazer com que eles estranhassem.