O Vizinho
27 Evidências...
No dia seguinte, Silas surpreendeu-se ao recepcionar Henry em sua casa. O amigo,visivelmente abatido, trazia novidades.
– O investigador responsável pelo caso de meu pai tem algo a anunciar a todos os envolvidos. – disse ele.
– Por que você está assim, se sabe que será anunciado algo importante no caso Johnson? Se o investigador quer nossa presença, certamente, é porque a peça que estava faltando no crime deve ter sido descoberta. Eles devem ter encontrado o assassino, Henry!
– Não! Não quero lembrar daquele dia! Não quero lembrar que meu pai foi assassinado dentro da própria casa, brutalmente! Foi algo de extrema barbárie o que fizeram com ele, e não quero lembrar disso! Não à todo momento, entende!? Em qualquer lugar que chego, todos dizem, pelas minhas costas: “Olha lá o filho do Johnson assassinado! Coitado, deve ser difícil seguir em frente, diante de uma morte tão violenta! E, ainda por cima, sob seu próprio teto!”. Todos tem pena de mim, e insistem em prestar condolências o tempo inteiro, como se eu fosse uma criança indefesa que acaba de perder seu cachorrinho amado! Harry era meu pai! Eu o amava de uma maneira que nem se compara ao amor por um animal de estimação! Gostaria que todos tivessem respeito por isso! Eles ficam o tempo inteiro falando, falando e falando! Não se dão conta de que a morte dele ainda é uma ferida aberta! É difícil olhar para frente com todos olhando para trás! Dói muito, Silas! – disse Henry, em prantos.
– Calma, vai passar!- disse Silas, abraçando-o e dando batidinhas de leve em suas costas.
Após a visita do amigo, Silas foi comunicar a novidade aos vizinhos e Alexandra. Bateu na porta várias vezes, aflito.
Quem o atendeu foi Mörk, dizendo:
– Silas! Que bom vê-lo! Entre! Quer almoçar com a gente?
– Não, obrigado. Tenho algo de importante a anunciar a vocês: o delegado está convocando todos nós para irmos até a delegacia. Lá, ele nos contará alguma novidade sobre o caso Johnson.
– Não acredito! – gritou Alexandra da cozinha.- Vanderlucy já sabe disso?
– Já, e está ansiosíssima para ir até lá. Só estamos esperando vocês!
– Nós já vamos! – disse a namorada de Mörk- Certeza que você e Vanderlucy não querem almoçar conosco?
– Pensando bem, ela ainda não começou a preparar a comida. Obrigada! Com licença, irei chamá-la!
Silas voltou rapidamente para a casa dos amigos, agora, acompanhado pela esposa. Lá, almoçaram alegremente. Era como se fossem uma família.
Após o banquete, Alexandra e Vanderlucy arrumaram a cozinha rapidamente, ambas ansiosas para a visita à delegacia.
Chegando lá, os seis amigos foram prontamente recebidos pelo investigador responsável pelo caso de assassinato de Harry Johnson.
O oficial os recebeu, como o de costume, em sua sala estreita e mal iluminada. Surpreso pela ausência de Henry, questiona:
– Onde está Henry Johnson?
– Disse que não se sente pronto para falar sobre o assassinato do pai, por isso não veio.- disse Silas.
– O que é que o senhor deseja nos anunciar? — disse Vanderlucy, não conseguindo se segurar de curiosidade.
– Realizamos a autópsia novamente. Colhemos o sangue de Harry e o analisamos. Descobrimos que ele foi envenenado. O que o matou, como a senhorita Alexandra estava certa, foi a injeção, e não o morcego. Foi morto pela injeção de veneno, por isso morreu tão rápido.
Chocados, todos olhavam para o investigador boquiabertos.
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