O Vizinho
14 Constatações...
Naquele clima de pavor e morte súbita, todos, ainda em choque , não digeriram a situação e, na ânsia de notícias sobre Alexandra, não conseguiam parar de questionar, uns aos outros:
– Por que será que ela não voltou? Será que também morreu? Por que todos os que vêm aqui desacompanhados morrem?
Diante da difícil situação, em prantos, Emily decide ir para seu quarto, dizendo precisar de um tempo para pensar e chorar sozinha.
Henry, estupefato, não falava nada. Estava em estado de choque, e, parado na mesma posição desde quando, junto com a mãe, reconheceu o cadáver do pai, foi o único que não notou a presença dos policiais.
Eles chegaram numa viatura pequena, cerca de quinze minutos após Emily ir para seu quarto. Perguntaram se a denúncia de morte no recinto era verdadeira. Silas resolveu tomar partido da situação perante os oficiais, já que Emily e seu filho não estavam em condições para fazê-lo.
Descreveu o acontecimento a um dos policiais, que a tudo anotava, chocado. Era a primeira vez — disse ele, após colher o depoimento do ocorrido – que um crime tão misterioso ocorria na pacata cidade.
– Senhor! Houve também um desaparecimento! Alexandra sumiu.- disse Mörk.
– Como assim, sumiu?
– Ela disse que iria procurar por Harry, foi e não voltou até agora.- disse Silas, apressadamente. Minuto a minuto, o desespero tomava conta de cada uma de suas células.
– Hum... Isso tudo parece muito suspeito... Morte súbita e misteriosa... Um desaparecimento... Isso demandará uma longa e penosa investigação. Será fatigante, mas acharemos o culpado e sua irmã Sil... – disse o oficial, limpando a garganta.- Digo, a desaparecida.
Ao voltar para casa, Vanderlucy não dormiu. Passou a noite inteira em claro, tentando se lembrar de onde já havia visto o intrigante símbolo no cadáver. Contudo, a noite em claro não favoreceu em nada. Pelo contrário, só a atrapalhou a dar seu depoimento ao investigador, na manhã do dia seguinte.
Alexandra, ao que tudo indicava, ainda desaparecida, era ansiosamente esperada por Mörk, que não pregou os olhos à noite, somente esperando o retorno da ficante. Porém, isso não o influenciou em absolutamente nada, pois, como ele mesmo dizia, estava acostumado a não dormir à noite, de onde viera.
O investigador colheu o depoimento de Vanderlucy, seu marido e Mörk na mesma manhã. Já que, o último, por convite de Silas, foi passar um tempo na casa destes. Pois, “se Alê voltasse, ela viria para cá”- dizia Silas.
À medida que os dias passavam, o oficial encarregado do caso continuava a colher os depoimentos de cada um da festa.
Um dos últimos depoentes foi Henry, juntamente com sua mãe, ambos absortos no choque causado pelo luto repentino.
O depoimento de Emily, talvez um dos mais importantes do caso, transcorreu da seguinte maneira:
– Na noite da morte de Harry, estávamos todos muito contentes. Ele, principalmente. Eu sentia que ele estava mais leve, como se tivesse tirado um peso das costas. O champanhe acabou rápido, e ele resolveu pegar mais. Meu marido foi para a adega. Pouco depois, escutamos um barulho estranho. Alexandra foi procurar por Harry, e não voltou mais. As luzes se apagaram e todos decidimos buscar respostas para tudo aquilo. Fomos a adega e os convidados encontraram um corpo no chão. Quando o avistei, identifiquei rapidamente: era meu marido.- disse ela, chorando.
– Ele apresentava alguma característica peculiar? Alguma marca? Expressava algum sentimento?
– Como o senhor acha que eu repararia nisso!? Era o corpo de meu marido no chão, morto! Morto! Isso é o que verdadeiramente importava e ainda importa! Meu Harry! – falou Emily, se debulhando em ainda mais lágrimas.
– A senhora tem certeza que não se lembra de mais nada? Isso é deveras importante para a investigação! Não gostaria de saber o motivo da morte de seu esposo?
– Pensando bem... Aqueles dois forasteiros novos não foram na adega comigo e os outros convidados... Não os encontrei no local do assassinato...
– Obrigada, Sra. Emily!
Fale com o autor