O Vizinho
8 Algo de inesperado...
No outro dia, à noite, estranhos sons vieram da casa de Morten. Não era uma música, mas, sim, gritos desesperados e agonizantes. Silas resolveu investigar, a pedido da esposa.
Ao se aproximar da porta de fachada da casa do vizinho, pôde ouvir um leve som de guitarra em meio aos horripilantes gritos. Levava junto a si um canivete, caso algum animal o perseguisse.
Bateu na porta do vizinho. Foi rapidamente atendido por Morten, que, como sempre, trajava roupas pretas e pesadas, além do cabelo desgrenhado. Avistou, logo atrás do vizinho, o novo forasteiro, que trajava de iguais roupas pretas, mas com um estranho diferencial: sua mão que, anteriormente, ao que tudo indica, queimada, estava agora enfaixada. Segurava um baixo.
Ao reparar na casa, o esposo de Vanderlucy avistou enormes pilhas de lixo pela sala de estar, estranhas manchas marrons pelo carpete, que estava todo rasgado.
Morten e Dorcha tinham os dentes sujos de vermelho.
Imagens horrendas passavam na televisão, e, pela legenda, Silas leu: “ Voodoo — Godsmack”.
Ao ser questionado sobre os sons, Morten disse que ele e Dorcha estavam cantando e tocando “ People equals shit” , música da banda Slipknot. Por isso os gritos tão, no mínimo, diferentes.
Silas, atencioso, fez a seguinte pergunta a Dorcha:
– Como vai sua mão, está melhor?
Morten traduziu a conversa, respondendo:
– Ele disse que está ficando melhor. Daqui a uns dias estará curada.
Simpático, Silas se despediu e convidou seus vizinhos para um jantar em sua casa, no dia seguinte.
Ao chegar em casa, foi logo recebido por Vanderlucy, que odiou a ideia do jantar com os vizinhos. Saiu correndo e gritando, desesperada:
– Não haverá nenhum jantar com esse filho de Satã! Minha casa não é o Inferno para abrigar esse tipo de figura! O filho do coisa ruim não vem aqui! Feche as janelas e as cortinas, apague as luzes, ligue o carro! Vamos fugir antes que o demônio nos encontre!
– Você ficou louca!? Os incensos e as orações eu tolero, mas descortesia, isso não tolero mesmo! Convite feito é jamais desfeito! Fique calma e vá dormir! – respondeu Silas, impaciente.
Fale com o autor