No dia seguinte, correu uma rápida notícia pela pequena e pacata cidade: Emily,uma importante personalidade transvaniense, famosa por organizar as festas de maior prestígio, resolveu dar um banquete no mesmo dia, logo mais à noite.

Henry, o melhor amigo de Silas, sendo filho de Emily, convidou o amigo e sua esposa. Silas, ao ser convidado pelo querido amigo, perguntou:

– Posso levar Morten , Dorcha, Mrak e Mörk, meus vizinhos? Quero ser simpático, convidando-os para conhecerem um pouquinho da cidade, pelo menos.

– Não eram só dois? De onde brotaram os outros dois?

– Chegaram a pouco tempo. Ainda não fui apresentado a um deles, Mörk. Estou ansioso para conhecê-lo e fazê-los interagir com todo mundo.

– Tudo bem, pode trazê-los. Vai ser bom ter mais gente.

Os dois decidiram, então, ir até a casa dos quatro forasteiros. Bateram na porta uma vez. Nada. Tentaram novamente, sem sucesso. Só foram atendidos na quarta tentativa. Quem os atendeu foi Dorcha, com o cabelo todo bagunçado, como sempre. Henry fez o convite na língua que usou anteriormente para se comunicar com o forasteiro, do qual Silas não entendia nada. Dorcha sorriu, e, ainda na estranha língua, prometeu se arrumar, assim como seus amigos, para participarem da tal festa.

Horas depois, Silas volta a casa dos quatro forasteiros, juntamente com a esposa, ambos arrumados para irem à tal festa. Ela estava nervosa e apressada, mas não sentia mais tanta raiva da companhia dos tão odiados vizinhos.

Rapidamente, Mrak, Dorcha e Morten, nessa ordem, deixam a casa, reunindo-se a Vanderlucy e o esposo. Estavam vestidos com os mesmos trajes habituais de sempre. Aparentando, na cabeça da esposa de Silas, “ três mendigos esmolambentos”.

A caminho da casa de Henry, Silas tentou conversar um pouco. Mas os vizinhos, sempre muito fechados, não se abriam para falar sobre nada.

Ao chegarem na festa, foram recebidos por Emily, seu esposo e Henry. Estes,foram ótimos anfitriões, e fizeram com que Silas e Vanderlucy se sentissem em casa. O casal decidiu sentar-se numa mesa enorme, afim de caber, além dos mesmos, os anfitriões e os três vizinhos. Mas Morten e Mrak não queriam se sentar naquele local do salão, tão iluminado. Dorcha, o mais sociável dentre os quatro forasteiros, sentou-se junto aos vizinhos e aos anfitriões, porém, no lugar menos iluminado da mesa.

Só ao observar a mesa dos vizinhos e sua própria mesa, Silas se deu conta de algo. Exclamou, somente para si:

– Está faltando um!

– O que disse, Silas? – perguntou Emily, tentando entender o que o amigo do filho havia dito.

– Está faltando um!

– Um o que?

– Está faltando um vizinho!

– Não são três?

– Não, são quatro.

– Quatro!? Cadê o outro? Só fui apresentada a três. Onde estará o quarto?

– Não sei. É isso que irei descobrir.- disse ele, já se levantando e dirigindo-se rumo a mesa de Morten e Mrak.

– Onde está Mörk?

– Não havia reparado, mas ele sumiu desde ontem.

– E vocês não tem ideia de onde ele possa estar?

– Não. Ele chegou aqui na cidade, deixou as malas na casa e saiu. Voltou ontem à noite, mas já estávamos dormindo. Deixou a cama desarrumada, como sempre, e saiu logo cedo. Não o encontramos depois de anteontem, até sair da casa.

De repente, todos avistam Alexandra entrando no recinto, de mãos dadas com um loiro alto, com roupas de couro preto, que se parecia com Mrak. Ela senta-se ao lado de Vanderlucy, que sussurra em seu ouvido:

– Esse aí é quem eu estou pensando que é?

– Sim. Estamos ficando, não é nada sério.

Enquanto isso, o loiro levantou-se e foi até a mesa de Morten. Cumprimentou-o, assim como Mrak. Apresentou-se a Silas, que não o havia visto chegar . Estendeu a mão ao vizinho, dizendo:

– Olá, meu nome é Mörk.

– Prazer em conhecê-lo, Mörk. Meu nome é Silas, e sou seu vizinho. Esta é Vanderlucy, minha esposa.- disse ele, apresentando-a ao forasteiro, que beijou sua mão, e disse, despertando um sorriso tímido na vizinha:

– Encantado.

E assim se seguiu a noite. Silas apresentou-o a todos, e, dadas as apresentações, Mörk puxou Alexandra e os dois foram sentar-se ao lado de Dorcha.

Vanderlucy explicou a relação da comadre com o forasteiro ao marido, que, boquiaberto, não conseguia digeri-la:

– Não acredito que ele e a Alexandra estão namorando! Eu mal conheço esse sujeito!

– Tecnicamente, eles estão “ficando”! E a vida é dela, e não sua. Pare de agir como se fosse seu pai! Ela não é sua filha!

– Mas... Você concorda com isso? Logo você, que é tão certinha?

– Você não vive dizendo para eu me modernizar!? Então... deixe-a em paz.

E ali, naquele clima festivo, ninguém imaginava o que ocorreria a seguir. Inesperadamente, todos escutam um barulho estarrecedor . Seus olhares se cruzam, horrorizados. O que poderia ter ocorrido?