O Viver dos meus Versos
1 O Viver dos meus Versos
Notas iniciais
_Manuel Bandeira
Se essa vida fosse minha, eu a viveria brandamente,
Faria dessa uma noite estrelada,
Que iluminasse todo o meu destino.
Vivendo intensamente,
Usufruindo docilmente,
Como os raios de sol que osculam o repentino.
Mas abandonando o relógio na espreita da madrugada,
Incessantemente inerte,
Para eu enumerar apenas o tempo que diverte.
Não almejaria de maneira alguma o fim,
Somente do atual festim.
E se essa pele fosse também minha, eu faria dessa uma tela,
Escreveria palavras de esperança,
E registrando cada verso poético como uma cidadela,
Lembrar-me-ia sempre da minha verdadeira natureza de criança.
Assinando a belíssima paz tão factível,
Tornando-a continuamente difusível.
E se esse mundo fosse também meu, eu o transformaria drasticamente,
Faria desse um ato único,
Pleno de amor eloquente,
Que realmente fosse inesquecível,
Jamais arquitetônico.
Mas, com a pureza do imprevisível,
Um lugar para verdadeiramente chamar de lar,
Onde nem uma minúscula gota de sangue tornaria a se derramar.
E se esse poema fosse meu, eu o deixaria possuir as almas,
Faria desse uma lembrança fatal,
Que, sem métrica, padrão ou armas,
Libertar-me-ia desta maldade atual.
E se esta vida é deveras minha,
Farei desta minha eterna poesia.
Notas finais
28/11/2015
Sarah LS Karafiol.
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