Notas iniciais
Desculpem a demora.

- Quero as minhas pérolas que vão ficar magníficas neste vestido.

A criada corria de um lado para o outro tentando satisfazer as exigências da sua senhora. Esme nunca a achou muito eficiente. Morgan, sempre olhou para ela de lado. “Mais uma que acha que não mereço o lugar onde estou” supõe olhando-se ao espelho.

Na verdade, esta noite pouco lhe importa a opinião da criada. Está deslumbrante e sabe que todos o vão achar quando entrar no salão. O vestido é em tons de azul claro e escuro, a parte detrás chega-lhe até ao pescoço, mas a frente é decotada com um fio de pérolas a enfeitar, as mangas são até aos cotovelos enfeitadas com rendas, a saia é simples da mesma cor do corpete. O cabelo vai apanhado e o colar de pérolas é o toque final.

Uma pancada na porta fá-la desviar o olhar do espelho.

- Minha irmã. – Emmett entra sem cerimónias tão bem arranjado quanto ela. – Estás deslumbrante.

- Eu sei. – diz pondo um pouco de pó nas bochechas.

- Convencida.

- Tenho razões para o ser… ou não? – pergunta dando uma voltinha.

- Ai senão fosses minha irmã…

- Casavas comigo, eu sei, eu sei, sou irresistível.

- És realmente, podias conquistar qualquer homem.

- Espero poder conquistar o Duque de Somerset.

Emmett suspira.

- Vamos? – pergunta oferecendo-lhe o braço.

- Vamos.

Esme coloca a mão sobre o braço do irmão e juntos descem as escadas e entram na carruagem.

A sala está apinhada de gente, já para não falar na rua.

Emmett e Esme fazem uma vénia educada aos anfitriões que recebem os convidados à porta do salão. Eleazar e Carmen cumprimentam-nos com uma vénia educada.

- Bem-vindos. – cumprimenta Eleazar.

- Obrigada. – Esme responde com o tom mais doce que consegue fazer. Eleazar é um homem bonito e ela só tem pena de nunca ter tido oportunidade de o seduzir, desde que ele pôs os olhos em Carmen nunca mais os tirou.

- A casa é muito bonita. – elogia por simpatia.

- Obrigada. – é a vez de Carmen agradecer. – Espero que desfrutem da festa.

Esme espanta-se um pouco pela simpatia da senhora, são poucas as mulheres que não a olham com desconfiança quando está perto do marido ou que não a olham com inveja, mas Carmen tem um olhar simpático e ainda faz um sorriso doce.

- Iremos desfrutar. – diz Emmett. – E parabéns. Que continuem felizes como até agora.

- Iremos continuar. – diz Eleazar.

- Um casamento que dura dois anos sem nenhuma traição da parte do marido é realmente de louvar. – murmura Esme quando já estão um pouco mais afastados.

Emmett abafa uma gargalhada.

- Vê lá se tens o cuidado de não dizer isso há frente de nenhum deles.

Esme abre muito os olhos.

- Ao contrário de ti eu sei controlar os meus pensamentos e a minha língua.

Esme passa os olhos pela sala tentando ver Carlisle. Consegue distingui-lo ao fundo do salão a conversar com algumas pessoas.

- Vou cumprimentar o meu futuro marido. – murmura Esme caminhando sedutoramente pelo salão.

Emmett refira os olhos e acaba por se sentar numa das cadeiras com um copo de vinho na mão. Pode ser que aparece alguém do seu círculo de amizades, senão a noite será muito chata só com homens a falar de política, da prosperidade do país, do rei e nenhum de mulheres bonitas que é o único assunto que lhe interessa.

Esme é intercetada por Rosalie que lhe agarra no braço e a leva para um sofá para conversarem.

- Não sabia que também vinhas. – diz animadamente. – Como estás? Já não te vejo na corte há algum tempo.

- Não vale a pena estar na corte para sermos olhadas pela rainha de cima abaixo.

Rosalie ri.

- É natural que ela observe a amante do marido. Qualquer dia vamos vê-la a imitar os teus vestidos para ver se lhe agrada mais.

Esme não pode deixar de rir.

- Agora também já não vale a pena, já não estou com o rei.

Rosalie faz um ar de espanto.

- Não sabia. A verdade é que ele vai todas as noites para a cama da mulher.

- Deve ser para ver se lhe faz mais um filho.

- O príncipe é tão lindo. – comenta Rosalie. – É um amor, a rainha está sempre a pedir para que a ama lhe traga o bebé e o rei derrete-se todo assim que o vê.

- Poupa-me as descrições de bebés, por favor.

Esme nunca gostou muito de crianças.

- Se tu o visses deixarias de ser assim.

Esme encolhe os ombros.

- Os reis estão cá?

- Devem andar por aí. – diz Rosalie olhando em volta. – Só pôde vir porque sou dama de companhia da rainha. Olha, estão ali.

Esme segue o olhar da amiga e vê os reis a conversar com o Duque de Somerset.

- Vou lá cumprimenta-los. – levanta-se.

- Cumprimenta-los ou provocar a rainha? – pergunta Rosalie.

- Cumprimenta-los. – diz Esme com ar inocente. – Simplesmente cumprimenta-los. Fica mal estarmos numa festa e não cumprimentarmos Suas Majestades. Até logo.

- Xau, e tem juízo.

Esme não vai ligar a recomendações de uma rapariga seis anos mais nova. Rosalie é uma rapariga bonita com cabelos castanhos ondulados e uns olhos verdes lindos, mas não chega aos calcanhares de Esme. Costuma conquistar os homens usando a sua virgindade, seduzi-os fazendo-os andar atrás dela como cachorrinhos, mas negasse-lhes sempre até que eles acabam por desistir. Esme não acha o método dela mau, mas sempre a avisou de que um dia os homens não cairiam mais na conversa dela.

Educadamente faz uma vénia.

- Majestades, Vossa Graça. – cumprimenta.

- Miss Esme. – cumprimenta o rei que não consegue deixar de olhar para o decote dela. – Como está?

- Muito bem, Majestade. E o senhor?

- Bem como sempre.

- Que Deus o conserve sempre assim.

- Por favor, Miss Esme, não diga isso como se eu fosse um velho. – brinca o rei.

- Longe de mim, Majestade, ninguém poderá dizer que é velho. – garante. – E vejo que estão em boa companhia com o Duque de Somerset. Como está?

- Bem, obrigado. E a senhora? – pergunta Carlisle sempre respeitoso. Já tinha visto Esme na corte e soubera do seu caso com o rei. Sempre a achou uma mulher linda, mas nunca tinha falado com ela, mais do que um bom dia.

- Muito melhor agora que estou em tão boa companhia. – sorri e os olhos não se desviam dos de Carlisle.

“Será que se está a referir a mim?” Pergunta-se o Duque baralhado. “Ou estará a falar do rei?”

- E se dançássemos? – sugere Esme como um pretexto para ficar a sós com Carlisle.

- Acho uma ótima ideia. – concorda o rei. – Dança comigo?

Não era bem esta a ideia dela, dançar com o rei não estava nos seus planos, mas não lhe pode dizer que não assim.

- Primeiro com Vossa Majestade e depois com o Duque de Somerset. – acaba por dizer.

- Aceito perfeitamente. Enquanto isso a minha esposa dança com o Duque e depois trocamos.

- Perfeito para mim. – acede Esme lançando um sorriso sedutor a Carlisle antes de se deixar conduzir pelo rei.

- Está deslumbrante. – comenta o rei assim que a dança começa. Não consegue deixar de se lembrar do tempo em que ela era só sua. George tem de admitir que ainda a deseja e não se importava de a tomar novamente como amante.

- Obrigada. – é a resposta de Esme.

George esperava que ela continuasse a namoriscar como sempre o fez.

- Costumo sonhar consigo, Esme. – trata-a sem usar o miss como fazia quando estavam juntos em privado. – E ainda a desejo. Acho que foi precipitado da minha parte ter acabado tudo.

- Fez muito bem, Majestade. – diz Esme mantendo um sorriso firme. – Agora pode ter a sua esposa.

- Não é a mesma coisa, não há ninguém como a senhora.

Esme vê-se na obrigação de tomar uma atitude drástica.

- Au. – queixa-se afastando-se um pouco dele. – Pisou-me.

O rei pára de dançar imediatamente.

- Peço desculpa se a magoei.

- Não se desculpe eu é que fiz mal o passo e acabei por pôr o pé no sítio onde ia pôr o seu e deu esta confusão. Peço desculpa.

- Eu é que peço desculpa.

- Não, Majestade, a culpada fui eu.

Nesse momento acaba a música e Esme esgueira-se logo com uma palavra amigável para junto de Carlisle.

- Espero que não se tenha esquecido do combinado. – diz quando aparece junto dele com o seu sorriso mais sedutor.

Aquilo esperava uma resposta namoriscada à altura, mas Carlisle nunca teve jeito para namoriscar.

- De forma alguma.

Estende-lhe a mão que Esme aceita e colocam-se nos seus lugares prontos para dançar.

Ao fim de algum tempo em silêncio Esme decide falar, não é normal um homem dançar com ela mais de dois segundos sem lhe fazer um elogio.

- Tenho que lhe dizer em confidência que dança muito melhor que o rei. – sussurra-lhe com a boca perto do ouvido dele. – Ele pisou-me há pouco, precisava mesmo de um dançarino como Vossa Graça.

Carlisle não pode deixar de se sentir contente com o elogio feito por uma mulher tão bela

- Espero não a pisar também. – diz com um pequeno sorriso.

- Duvido que o faça. Dança tão bem.

Esme tem de admitir que é verdade. E Carlisle é um homem bonito, não tinha pensado nele senão fosse. Mas nunca tinha falado muito com ele, mais do que duas palavras ou três.

- É bom saber.

- E eu? – pergunta provocadoramente. – Danço bem?

Carlisle sente uma onde de calor percorre-lo, o coração a bater mais depressa. Aqueles olhos fitam-no, olhos tão belos, tudo nela é belo.

- É uma honra estar a dançar com uma mulher tão bela. – é a única coisa que consegue dizer.

Esme faz de novo o seu sorriso fazendo o coração dele dar um pulo.

- Sinto-me honrada com os seus elogios.

A música acaba e ambos fazem uma vénia e afastam-se do meio do salão, mas Esme não sai de junto dele.

- Espero poder vê-lo mais vezes agora que tivemos o prazer de nos conhecer melhor.

Carlisle sorri. O sorriso dele é um espanto.

- Também espero que sim. – di-lo por cortesia, mas é o que sente.

- Não sei como sempre fui tão cega. – murmura Esme junto ao rosto dele. – Nunca lhe tinha dirigido a palavra antes e agora pergunto-me porquê. Espero realmente que nos possamos tornar algo mais que apenas conhecidos. Espero que não se esqueça de mim. Conto que me convide para sair, ou para o acompanhar a um baile.

Pisca-lhe o olho e faz-lhe o seu sorriso sedutor deixando-o especado enquanto se afasta triunfante. “Este está na minha mão.”

Notas finais
Comentem, por favor.
Se tiver três ou mais comentários posto de novo amanhã para compensar a demora.
beijos