Notas iniciais
Mais uma fic Carlesme, Entre Dois Reinos. Gostaria muito que dessem uma espreitadela, ainda só está no início, mas eu espero que a sigam. Está aqui o link:
http://fanfiction.com.br/historia/422470/Entre_Dois_Reinos/

Esme enrosca-se na cama junto dele.

- Levas-me à ópera na sexta? – pergunta docemente. – Vem cá a minha cantora preferida.

Carlisle sorri.

- Claro que sim, amor.

- E depois podemos ir jogar? – pergunta.

Carlisle suspira.

- Vá lá. – pede Esme fazendo beicinho. – Já não jogamos desde novembro.

- Tu não jogas, porque eu nunca joguei.

Esme encolhe os ombros.

- Tu percebeste. Leva-me lá.

- No sábado. Sair da ópera e ir para as casas de jogos é demasiado cansativo.

- Está bem. Pode ser no sábado. Convido o meu irmão e a Rosalie.

- Porque é que não vais com eles e me deixas em casa a descansar? – pergunta.

- Porque gosto que vás comigo. Mesmo que não jogues. Gosto de te ter ao pé de mim. E as línguas maldosas ainda dizem que ando à procura de amante se for sem o meu marido.

- E ligas às más-línguas?

- Não. Mas não gosto de ser difamada. E a tua irmã e a Irina adoram faze-lo.

Carlisle suspira.

- O que aconteceu desta vez?

- Andam a dizer que tenho um caso com o primeiro-ministro só porque dancei com ele na passagem de ano.

Carlisle franze a sobrancelha. A verdade é que também sentiu ciúmes quando a viu com o primeiro-ministro, primeiro a dançarem depois a conversarem os dois sozinhos num canto do salão.

- E são só línguas maldosas? – pergunta.

Esme faz um ar escandalizado.

- Claro que são. Achas que alguma vez te trairia?

- Não, desculpa.

- Isso é veneno da tua irmã. Ela não gosta de mim e faz de tudo para que tu também não gostes.

Carlisle baixa os olhos e Esme percebe que já fez asneira.

- Desculpa. – murmura. – Eu não queria dize-lo.

- É a verdade. Só disseste o que todos dizem. Eu apenas não gosto de pensar nisso. Gostava que se dessem bem. Como duas cunhadas.

Esme aconchega-se nele.

- Prometo que falo com ela a próxima vez que for à corte. Não te quero deixar triste, meu amor. – dá-lhe um pequeno beijo nos lábios.

O ar pensativo de Carlisle não desaparece.

- Estás bem? – pergunta Esme ao fim de alguns segundos a observa-lo.

- Preciso de falar contigo.

- Sobre o quê?

Carlisle senta-se na cama fazendo Esme também se sentar.

- Esme, eu estive a pensar e acho que está na hora de termos filhos.

Esme é apanhada de surpresa.

- Filhos?

- Eu sei que tomas um chá para impedir a conceção. Mas eu preciso de um herdeiro e mais importante do que isso sempre quis ser pai.

- Meu amor, ainda somos tão novos…

- O tempo passa depressa. Em breve será tarde demais.

Esm vê-se obrigada a recorrer a uma discussão.

- É para isso que me queres? – pergunta. – Eu pensei que me amavas e afinal só me queres para parir os teus filhos.

- Esm, não é nada...

- Não me toques. – levanta-se da cama. – Queres uma esposa apenas para ter filhos, é? Então escolheste mal.

- Esme…

Esme força as lágrimas a saírem.

- Casei enganada, enganei-me este tempo todo. Pensei que me amavas, que me querias, afinal só me queres para ter filhos. Nunca pensei, Carlisle, nunca.

- Meu amor…

Esme sai disparada do quarto e fecha-se no quarto de hóspedes.

Sabe que na manhã seguinte basta correr para ele, abraça-lo, beija-lo, pedir-lhe desculpa, dizer que o ama, para tudo ficar bem.

Deita-se, mas não consegue dormir.

Pensa naquilo que Carlisle lhe pediu. Um pedido tão simples, o primeiro pedido que lhe faz desde que casaram e ela irá recusa-lo. Uma coisa que qualquer homem deseja da esposa, que quando casa espera que aconteça.

Porque não satisfaze-lo? Porque não ter um filho?

“Talvez uma criança não seja assim tão má”, pensa, “depois de nascer terá quem o amamente e amas para tomarem conta dele, não terei que me preocupar.”

Rosalie tinha-a avisado. Um homem quer sempre filhos do casamento e Carlisle não seria exceção.

Fecha os olhos e adormece. Sonha com um rapazinho, o seu filho, um menino igual ao pai, com os mesmos olhos, o mesmo tom louro de cabelo, o seu pequeno Carl.

...

Na tarde seguinte passeia com Rosalie no parque central. Já não conversavam há tanto tempo que Esme decidiu convida-la para um passeio.

- Eu avisei-te. – diz Rosalie assim que Esme a conversa com Carlisle.

- Eu sei. – murmura Esme sem paciência para discutir a questão.

- E vais tentar?

- Não. – Esmee encolhe os ombros. – Eu não gosto de crianças, é um facto. E os bebés só comem, dormem e choram. E ainda por cima são feios.

- Não são nada. O filho da rainha é lindo, devias vê-lo.

- Já sabemos o teu gosto por tudo o que é pequeno.

Rosalie ri.

- Tu tens um cachorrinho, também tens de tomar conta dele. Um bebé é a mesma coisa.

- Não queiras comparar.

- Não, não tem comparação. Os bebés são muito mais queridos.

- Também quando o tiver posso entrega-lo às amas.

- Então mais vale não o teres. Um bebé precisa da mãe. Precisa que a mãe lhe dê atenção. Logo, precisa de ti.

Esmee suspira.

- Tu, por acaso, percebes alguma coisa disso?

- Tenho aprendido bastante com a rainha.

Esme suspira.

- Tenho de pensar bem. E tu, o que andas a fazer?

Rosalie encolhe os ombros.

- Já quase nenhum homem vai na minha cantiga. Andam atrás de mim, mas já não me dão presentes, parece que querem ir para a cama primeiro.

Esme ri.

- Faz como eu. Seduz um e casa.

- Não, já disse que só caso quando me apaixonar.

Um sorriso aparece no rosto de Esme. “É bom ter alguém que nos ame.”

- Que sorriso é esse? – pergunta Rosalie.

- Nada. – Esme encolhe os ombros. – Estava a pensar se queres vir comigo às casas de jogos no sábado à noite. O Carlisle vai levar-me.

- Talvez. Depois digo-te. Muito gostas tu de esbanjar o dinheiro do homem.

Esme ri.

- Sou duquesa. Agora tenho outro tipo de vida.

Rosalie suspira.

- És a pessoa mais ambiciosa que conheço.

Esme encolhe os ombros.

- Depois diz-me se queres vir ao não.

Despedem-se com um beijo na bochecha e Esme volta para casa a pensar na conversa com Carlisle

...

- Achas que ele me perdoa? – pergunta Esme a Leah.

- Porque não havia de perdoar, senhora?

Esme encolhe os ombros.

- Ontem disse-lhe coisas que se calhar não devia ter dito. – murmura.

- Vai ver que ele já esqueceu tudo.

- Cada vez que discutimos costumamos conversar logo de manhã. Se calhar desta vez deixei passar demasiado tempo.

- Não diga isso. Vou buscar-lhe o chá.

- Não. Hoje não. Já não tomo mais. – diz séria. – Sabes para que serve o chá?

- Não, minha senhora.

- Para não engravidar. Acho que já chega. Casei com um duque e devo dar filhos a esse duque. Já não tomo mais, que se faça a vontade de Deus.

Esme deseja boa noite a Leah e caminha até ao quarto de Carlisle. Ele desaperta a camisa em frente ao espelho. Esme abraça-o por trás.

- Desculpa. – murmura encostando a cabeça ao corpo dele. – Desculpa-me, meu amor.

Carlisle vira-se para ela e abraça-a.

- Não tenho de te desculpar de nada.

Esme sorri aninhando-se nos braços dele.

- Pensei no que me disseste. Acho que podemos tentar.

- A sério?

- Sim. – Esme beija-o. – Deixei de tomar o chá. A partir de hoje não tomo mais.

Carlisle beija-a de novo.

- Quer dizer que podemos ter um filho?

Esme assente.

- E podemos começar já.

Carlisle sorri e cobre a boca dela com a sua.