Notas iniciais
Demorou, sim, eu sei, mesmo assim, adorei escrever esse cap :,v

Passou-se uma semana e meia desde o último incidente, Denny foi liberado da prisão com um aviso, Stephannie já estava curada de sua perna e Sonia estava se enturmando mais com aqueles dois, sendo mais amigável, piadista, o jeito que queria ser, pois uma coisa que não havia mencionado, era a de que foi sua primeira vez guiando dois novatos naquela cidade, fez diversos erros, que foram apontados pelo general, para que assim, numa próxima, pudesse saber como organizar melhor as informações que fornecesse, pois grande parte delas serviu de ajuda na fuga que deu errado para os irmãos.

Falando neles, ambos já estavam se acostumando a nova rotina, que não aparentava ser tão diferente da que tinham quando moravam na capital, ainda não arrumaram um emprego em Hivelton. Denny não sabia como continuar sua faculdade, coisa que deveria discutir com Sonia que mesmo com erros apontados, iria continuar por três semanas sendo guia dos irmãos. O medo dos monstros ainda predominava sobre todos, porém, tendo noção das regras básicas de fuga caso ocorresse outro incidente, eles se sentiam mais seguros perante toda aquela situação.

— STEPHANNIE, VOCÊ VIU ONDE GUARDEI O VENENO DE RATO?! – Grita Denny da cozinha para Stephannie, que usava o celular enquanto assistia TV na sala.

— VOCÊ TROUXE VENENO DE RATO PRA VIAGEM?! – Pergunta ela, estranhando.

— CLARO, UÉ, TEM QUE PREVENIR!! ...AI, DROGA, escapou... – Fala Denny frustrado, indo para a sala olhar TV junto da irmã. – Tem um rato bobão que volta todo o dia para comer meus salgadinhos de frango e milho.

— Eu vou ao mercado por volta das três horas da tarde, posso comprar um salgadinho pra você. – Fala ela voltando a mexer no celular.

— AE!!! – Denny tem sua comemoração interrompida por um barulho vindo do terraço do prédio onde moravam. – Que barulho é esse?

— Está vindo lá de cima...

— Vamos lá ver o que é?

— E ser devorada por um dinossauro de oitenta metros? Não, obrigada. — Responde a irmã sarcasticamente enquanto volta a digitar.

— Ah, qual é, nem tudo nessa cidade é um monstro mutilador de pessoas.

— Tá bom, tá bom, vai lá ver o que é, enquanto isso verei o que temos para o almoço. – Fala Stephannie se dirigindo a cozinha.

— Se só tiver sopa em lata de novo, eu juro que vou num restaurante.

Denny sai do apartamento e anda pelo corredor branco com a tinta bem desgastada, quase descascando. Ele pega o elevador no fim do correedor até o terraço, quando sai, vê Sonia anotando coisas que via em um telescópio que estava mirando em poucas nuvens.

— O que está fazendo? – Pergunta Denny tocando no ombro de Sonia, que para de olhar no telescópio para guardar o caderninho de anotações.

— Ah, olá Denny, estava verificando uns eventos anormais que aconteciam com Hivelton já fazia quase três semanas.

— O que era?

— Nuvens extremamente sólidas, não estavam permitindo a passagem de luz, logo, a quantidade de luz solar, mais um monte de efeitos químicos, poderia resultar em uma gigantesca catástrofe natural que mataria todos nós bem lentamente... E a gente tinha que recarregar equipamento à base de luz solar, é a fonte de energia mais eficiente do mundo. – Fala Sonia recolhendo o telescópio e indo para o elevador enquanto discava o número do general para avisá-lo das boas notícias. – E você, o que veio fazer aqui?

— Eu moro aqui embaixo, ouvi um barulho e fui ver o que era.

— E aí, general, sim, sim, testamos há exatos cinco minutos e descobrimos que as nuvens sólidas evaporaram, pode reiniciar o sistema solar, peça para um dos soldados tomar conta da usina, ok, obrigada, tchau. – Ela guarda seu celular e volta a falar com Denny, agora, ambos saindo do prédio. – Mas então, o que está achando de Hivelton?

— É uma cidade muito legal, tenho tantas dúvidas sobre ela, que não sei por onde começar.

— Pergunta qualquer coisa, sei tudo sobre ela.

— Por que construíram uma cidade exatamente aqui? Onde monstros são atraídos?

— É uma longa história, ela originalmente era pra ser uma pequena vila de um grupo de viajantes independentes e desconhecidos, porém, após o primeiro ataque, foi modificada pelos líderes governamentais como um tipo de sistema que serviria de teste para ver como uma sociedade funcionaria da maneira como Hivelton funciona em tais circunstâncias.

— E deu certo?

— A resposta está aqui: Funcionou, melhor do que todos pensavam que funcionaria. Apesar de só ter sido descoberto esse foco de monstros, dois anos após ela ter sido realmente fundada com uma cidade, e até hoje não sabemos o porquê de nesses dois anos, nada ter ocorrido. — Sonia coça um dos olhos demonstrando muita sonolência.

— Fascinante e intrigante... Bom, vou voltar e almoçar com Stephannie, de tarde, vou junto dela comprar salgadinhos.

— Talvez a gente se encontre, tenho uns experimentos durante a noite e uma recalibração da absorção solar durante a tarde.

— Tudo bem, tchau Sonia. – Fala Denny entrando no prédio, e Sonia sai olhando e lendo um bloquinho de anotações.

Após entrar em casa bruscamente, Denny se depara com Stephannie fazendo uma sopa instantânea.

— Sopa de novo? – Pergunta Denny, desanimado.

— O que foi? Não gosta? – Pergunta Stephannie.

— Gosto, o problema é que estamos comendo isso desde que chegamos. – Fala Denny pegando seu prato e se servindo da sopa.

— A culpa não é minha que encheram nossa geladeira com um monte de sopa, e eu não posso jogar tudo isso fora. – Fala Stephannie se sentando para almoçar. – Você viu o que era o barulho lá fora?

— Era a Sonia observando uns lasers, ela me explicou que era um negócio de nuvens sólidas que iam nos matar e tudo mais, coisa de cientista. – Fala Denny que se senta rapidamente e toma uma colherada da sopa.

No centro da cidade, o prefeito, um homem calvo com pequenas mechas de cabelo branco quase raspadas acima das orelhas, vestindo um terno preto com gravata vermelha, estava sentado numa poltrona amarela em sua sala na prefeitura, era tematizada com móveis rústicos sem muitas cores vivas, tinha alguns enfeites como a bandeira do país, um globo terrestre em sua mesa meio circular, atrás dele existia uma estante com vários livros que ficava ao lado também de uma janela quadriculada. Ele analisava cada documento com sua devida atenção, sempre suando de nervosismo, tinha medo da cidade, e foi esse medo que o fez criar 85% das medidas de proteção mais eficientes que hoje existem naquele lugar. Esfregando um pequeno pano velho em seu rosto para retirar o excesso de suor, ele resolve tomar um café expresso, se levanta da sua velha, porém aconchegante cadeira e quando ia pegar a xícara, toma um susto com a entrada brusca do general em seu escritório, quase derrubando a o café.

— Eita, general, o que faz por aqui?! – Pergunta o prefeito de olhos arregalados e limpando novamente sua testa com um paninho

— Olhe bem. – Diz o general colocando rapidamente duas fotos sobre a mesa do escritório. – Dois soldados foram encontrados mortos com gigantescos cortes em suas costas, ambos eram iguais, mínimos detalhes davam diferença ás suas mortes. Também ouvimos reclamações de interferências elétricas e de sinais por satélite, com essas duas ocorrências suspeitaram que tivesse um ou mais Klocanajus rodeando a região, já mandei duas patrulhas vasculharem o local das mortes e os últimos locais onde ocorreram interferências.

— Fez bem, fez muito bem, continuem com as buscas, quaisquer novidades, me avise. – Diz o prefeito quase tremendo de nervosismo e com a fala meio travada, desistindo do café e voltando a se sentar para analisar o resto dos documentos.

— Está na hora do almoço, quer que eu peça alguma coisa para você? – Pergunta o general, pouco antes de sair da sala e fechar a porta.

— Peça para alguém me trazer um macarrão... Com alface. – Fala o prefeito, assombrado com as fotos.

— Opa, e aí chefe. – Fala Sonia esbarrando no general com um monte de papéis na entrada do escritório, o mesmo com a cara emburrada levanta os braços com raiva, numa tentativa de pedir a ela mais cuidado. A cientista entra bruscamente no local e larga a gigantesca pilha de folhas sobre a mesa do prefeito que estava aos poucos se acalmando da tensão, deveriam estar ali 300 papéis ou mais. – É o seguinte, recolhi os documentos do fundo da gaveta para análise, setenta e dois são contratos, cento e oitenta e nove são relatórios de revisão da fronteira, e o resto são documentos aleatórios em casos específicos, como: A liberdade religiosa, a venda de equipamentos de alpinismo, uma melhor divisão de trabalho entre os militares, descobertas sobre alguns monstros, entre outros. Pois bem, são apenas esses, vou almoçar, não esqueça que tem que comparecer ao reinicio das máquinas de absorção solar e se precisar de ajuda: Só me chamar. — Sonia se retira rapidamente, fechando a porta com pouco cuidado.

Todos em Hivelton se ajudavam, dar funções específicas para cada um era obrigação para a sociedade funcionar, mas todos sabiam fazer um pouco de tudo para entender como agir em todos os tipos de situações, sejam pessoais, profissionais, ou qualquer outra categoria de situação que possa encontrar, foi desse modo que a sociedade funciona tão bem por mais de cem anos.

— Hey! Diego! – Grita um soldado correndo para perto do amigo que fazia uma patrulha por perto da prefeitura. – Poderia me cobrir na saída das escolas? Tenho que preparar... “aquilo”.

— Mas... Ah, ok, aquilo, saquei. Tudo bem pode ir, eu faço a patrulha, mas você vai ficar me devendo! – Fala Diego para o amigo que faz um sinal concordando com a proposta e sai correndo para o seu carro que estava estacionado no calçadão. – Que horas são? Eita, tenho que chegar às escolas em vinte minutos, se não o general mata o Jonas... E eu.

O soldado começa a correr pelas ruas da cidade, ainda faltando meia hora para as aulas acabarem, alguns alunos já se encontravam no pátio da escola que estava com os portões trancados, dois colegas de classe conversavam em um banco parecido com os de praça na escola, próximos ao portão, esperando a saída. Várias crianças menores corriam e pulavam, gritando razoavelmente alto, típico clima escolar quando não tem aula.

— Cara, o que vai fazer depois da aula? – Pergunta o colega guardando uns livros na mochila.

— Vou zerar Life is Strange, preparar uma festa com a minha mãe do outro lado da cidade... E só. – Fala o garoto apontando para longe, onde aparentemente seria a festa.

— É aniversário de quem?

— Da minha tia, ela vai fazer... Não sei quantos anos.

— Haha, nossa.

— E você? Vai fazer o que?

— Eu vou fazer um negócio muito legal com meu pai durante a noite.

— Durante a noite, como assim, Edu? – Pergunta o garoto para o amigo, intrigado.

— Pois é, meu pai planejou um acampamento em uma área fora, porém próxima, da fronteira da cidade, vamos ir muito bem armados e com diversas coisas para se divertir, sem chamar a atenção dos guardas.

— Mas isso é loucura, vocês podem ser mortos. — Essa última parte, Ronaldo, como se chama o garoto, sussurra para o colega.

— Os soldados não fariam isso com a gente, deixa disso! – Fala Edu, zombando do medo do colega.

— Não é isso, você sabe que tem coisa fora das fronteiras muito mais perigosa do que os soldados, sair é suicídio.

— Qual parte de “vamos muito bem armados” você não entendeu? Passei minha vida inteira nessa maldita cidade sem cor, sem vida, quase morrendo todos os dias. – Fala Edu se levantando do banco e abrindo os braços para a cidade, demonstrando tudo o que viu e viveu por anos. – Sair um pouco não vai ser diferente do que ficar aqui dentro.

— Você só não morreu porque está dentro das fronteiras, lá fora, pode ter certeza, morte imediata. – Fala Ronaldo confiante de sua afirmação e cruzando os braços.

— Você já foi lá?

— Não, mas...

— Então vai tomar no cu, não atrapalha minha diversão!

— Então está bem, o portão já se abriu, podemos ir embora. – Fala Ronaldo pegando sua mochila e colocando-a em suas costas. – Eu fico com o seu Xbox, beleza?

Isso fez Edu ficar parado por alguns segundos, repensando sua decisão de seguir para este passeio, enquanto todos os alunos corriam para a saída, ele ficou parado e pensando: Seria mesmo suicídio? Tinha medo de deixar seu pai triste por não aceitar a ideia, além de estar recusando seu desejo de conhecer o mundo fora dessas fronteiras, coisa que um simples garoto de quinze anos não teria como fazer, e agora? Como prosseguir? Simples, o menino iria ignorar todos esses pensamentos medrosos e com sua vontade e determinação, continuaria com esse plano que muitos considerariam loucura. E foi assim que ele seguiu para o portão, que fora da escola, estava sendo vigiado por um outro guarda que no lugar, seria seu pai.

— Ué, Diego? O que está fazendo aqui? Não era o pai que deveria fazer a vigia? – Pergunta Edu ao soldado.

— Seu pai está preparando aquele plano, estou cobrindo ele como favor, pega esse panfleto e toma cuidado, tem uns Klocanajus pela região. – Fala Diego entregando um panfleto para Edu e voltando ao trabalho. — Sinceramente, não concordo nem um pouco com essa ideia maluca.

O garoto começa a andar até sua casa, pensativo sobre isso, mas não desiste, segue de cabeça erguida, contemplando seu objetivo.

— QUER SABER?! VAMOS SER FELIZES, NÉ?! VAMOS FALAR SOZINHOS ENQUANTO TENHO A BRILHANTE IDEIA DE COMPRAR SALGADINHOS!! – Fala Edu para se motivar a ir comprar salgadinhos e esquecer esses pensamentos, correu para o mercado, que como de costume, naquele horário, estava bem cheio. Em meio ás pessoas, procurou o corredor dos salgados, não foi difícil encontrá-lo, porém, seria difícil pegar os salgadinhos, já que dois adultos discutiam sobre os salgados na frente da prateleira onde estavam impedindo o garoto de pegar um.

— ESTOU TE FALANDO STEPHANNIE, ESSA CIDADE NÃO TEM A MISTURA INCRÍVEL DE PIMENTA E SAL FINO!! – Reclama Denny para a irmã, enquanto lia as informações nutricionais de um dos produtos.

— ISSO POR ACASO IMPORTA?! JÁ TEM ATÉ FILA ATRÁS DE NÓS DE PESSOAS QUE QUEREM PEGAR O SALGADINHO POR CAUSA DA SUA MANHA!! – Retruca Stephannie cruzando os braços com uma cara de raiva.

— Oi. – Fala Edu, observando sem reações a discussão.

— AHA!! AGORA SIM, TEMOS A SALVAÇÃO!! – Grita Denny se ajoelhando para falar com o garoto. – JOVENS COMEM DE TODOS OS TIPOS DE SALGADINHOS, ELE DEVE SABER COMO ME AJUDAR!!

— Do que cê tá falando, moço?

— POR FAVOR, ME DIGA, EXISTE ALGUM SALGADINHO NESSE SUPERMERCADO QUE TENHA A PERFEITA COMBINAÇÃO DE PIMENTA COM SAL FINO?! – Suplica Denny para o garoto, que mesmo um pouco assustado, tenta atender ao pedido.

— ...É...Eu sinceramente não sei o que dizer, com licença que eu ajudo vocês. – Fala o garoto indo até a prateleira e mexendo no fundo dela. – Geralmente, esses salgados mistos não são tão famosos, então alguns ficam perdidos atrás dos outros mais famosos, e em minha opinião, mais gostosos... Achei, aqui está, são um dos últimos.

— UHU!! – Grita Denny, comemorando ter conseguido seu tão desejado salgadinho, o fazendo andar animadamente para o caixa com um gigantesco sorriso no rosto. – Obrigado, garoto.

Stephannie se desculpou pela atitude anormal do irmão, e seguiu junto dele para o caixa, o garoto ficou por alguns segundos pensando no que acabará de acontecer, mas sem ligar muito para esses acontecimentos sem importância, pega o seu salgadinho preferido da mesma prateleira onde essa situação ocorreu e começa a andar até o caixa enquanto verificava quanto dinheiro tinha para comprar o salgadinho.

***

— Stephannie, o que está fazendo aqui em cima? – Pergunta Denny ao chegar ao terraço do prédio onde moravam e ver a irmã sentada em uma cadeira de praia, tomando um refrigerante enquanto mexia no celular como de costume.

— Ah, eu estou pegando um pouco de sol, faz bem pra pele. – Responde Stephannie sem retirar os olhos do celular.

— Seria mais convincente fazer isso no inverno, aí você pega aquele sol calorento com uma brisa gelada, fazendo o clima ficar moderadamente perfeito...

— Também vim aqui para pensar um pouco, relaxar... — Fala a irmã tentando desviar o assunto e impedindo que Denny opinasse um pouco mais sobre isso.

O irmão senta-se no chão ao lado da cadeira de Stephannie.

— Ainda chocada por causa da cidade?

— Bem pouco, o pessoal daqui parece muito legal... Apesar de não termos conhecido quase ninguém direito. — Responde ela serrando as sobrancelhas olhando pro alto.

— Pois é, você também percebeu? A única pessoa que conhecemos e que parece não ter medo de tudo e de todos por aqui é a Sonia... E o garoto dos salgadinhos, ele parecia um rapaz legal.

— Não me impressionaria se ele ficasse traumatizado com aquela sua peça no mercado. – Zomba Stephannie, que voltando a usar o aparelho, dá um leve sorriso de canto.

— Aquilo era uma situação de emergência, eu precisava daquele salgadinho...

— Você não tem mais dez anos. – Fala Stephannie lançando um olhar sério a Denny, que fica meio pra baixo e começa a olhar a rua em frente ao prédio.

— Mas bem que eu queria...

Enquanto os irmãos apreciavam a bela vista do pôr do sol, uma família se preparava para um acampamento do outro lado da cidade, todos da família estavam de certa forma bem apressados quanto a isso. A mãe falava ao telefone com uma amiga enquanto marcava o que faltava para zerar a lista do que levar, o pai estava pondo armas, equipamento e comida no carro enquanto segurava a filha de quase quatro anos no colo. O mais velho perguntava onde estava seu vídeo game para a mãe que não lhe dava atenção por já estar ocupada com diversos outros assuntos, mas mesmo assim, todos estavam felizes com a saída para o acampamento.

— UHU, VAMOS NOS DIVERTIR!! – Grita o garoto sentando no banco de trás do carro, ao lado da irmã pequena que mexia em uma boneca, sem nem entender direito a situação, mas com a esperança de se divertir.

— Tem certeza que o Diego vai estar na entrada da fronteira? – Pergunta a mulher ao sentar no banco do passageiro e guardar repelente de mosquitos no porta-luvas.

— Claro, ele acabou de me confirmar, poderemos sair e voltar até meia-noite, as câmeras do local só serão arrumadas amanhã de manhã. – Fala o pai entrando no carro e o ligando.

Confiantes de que o passeio daria certo, a família seguiu para as fronteiras, questão de quinze minutos, a cidade era realmente muito grande comparada a outras, após chegarem lá, estacionaram perto das grades que delimitavam essa fronteira, próximo ao local onde Diego fica fazendo a vigia. Ele daria o sinal para quando tudo estivesse liberado para passarem, eles ficaram lá, imaginando como seria divertido passar pelo menos algumas horas fora daquele lugar, daquele lugar que eles veem todo o santo dia.

Diego concordou com a ideia, Jonas era seu amigo desde a infância, eles faziam traquinagens das mais sérias, até mesmo antes de chegar em Hivelton... Perdido em pensamentos, acabou percebendo que um dos soldados ao seu lado havia saído, logo, se apressou a dar o sinal, mesmo que de forma desengonçada.

— OLHA PAI, ELE DEU O SINAL!! – Grita Edu.

— ÓTIMO!! – Fala o pai dando a ré e saindo rapidamente pelo portão da fronteira, que logo é fechado por Diego, sem despedidas ou algo do gênero, se o general visse isso, os dois provavelmente estavam mortos. – Agora é só pegar a estrada de terra que fica a um quilômetro daqui, eles não iram nos achar no local que preparei.

Chegando ao local, estava quase anoitecendo, o sol já não aparecia mais no céu, mas seu brilho irradiava um clima relaxante de beleza, eles estacionaram em um campo aberto em meio a diversas árvores muito finas, a grama no local era coberta por folhas marrons, muitas delas. Todos desceram do carro e pegaram suas coisas, Jonas foi montar a barraca, enquanto a mãe e Edu iam preparar uma fogueira, a caçula ficou no carro, brincando com sua boneca. Tudo parecia perfeito, Edu chegou com diversos galhos, bem a tempo da mãe encontrar o isqueiro para acender o fogo e o pai estava quase terminando de montar a bendita barraca, era consideravelmente grande, os quatro poderiam dormir ali facilmente, mas sabiam que não podiam fazer isso, pouco antes da meia-noite, teriam que voltar para Hivelton.

Enquanto isso, Denny e Stephannie estavam na maior praça de Hivelton, olhando o anoitecer incrível que ali estava. As folhas das árvores balançavam levemente com a bria fresca, o tom de verde combinava com o lago que se encontrava no meio do parque que era dividido por pequenos arbustos e estradinhas de pedra muito bem limpas para passear com seu cachorro ou algo assim, o brilho das primeiras estrelas encantava a todos no local, que faziam diversas coisas para se divertir e relaxar do gigantesco problema que assolam suas vidas. O irmão jogava migalhas de pão para alguns patos, enquanto a irmã conectava a wi-fi do local, ambos sentados num banco de madeira sustentado por ligas de ferro na frente da grade que dividia a rua da praça.

— Wi-fi pública... E boa, carrega vídeo super rápido, não é a toa que eles se esforçam para manter tudo de bom para o povo daqui. Me pergunto como um sistema assim funciona tão bem. – Fala Stephannie sorrindo enquanto pesquisava alguns vídeos.

— Estive me fazendo a mesma pergunta hoje de manhã quando fui falar com Sonia. Sabia que eles seguem com esse sistema a mais de cem anos? – Fala Denny numa tentativa fracassada de surpreender a irmã.

— Nossa, que legal. – Falou a irmã, mas Denny percebeu a pequena ironia.

Tudo continuou a mesma coisa, nada mudava e nada mudou por alguns minutos, todos quietos, aproveitando o doce som dos passarinhos e das correntezas artificiais do grande lago rodeado de pequenas árvores no meio da praça. Foi quando, um grande tremor começou a ocorrer pouco mais de seiscentos metros do local, e diversos disparos puderam ser ouvidos. Uma forte ventania direcionada ao local chamou a atenção de todos ali presentes, os irmãos se levantaram do banco de praça onde estavam sentados, mesmo com poucas nuvens brancas, raios e trovões surgiram dos céus, circundando todo o território de Hivelton. Em meio ao clima de tensão, o alarme de emergência começou a disparar, pessoas começaram correr direto para suas casas, alguns largaram seus cachorros na rua, outros ficaram paralisados de medo, esperando uma motivação realmente assustadora para correr.

— FUJAM PATINHOS, VÃO PARA O LAGO E FIQUEM SALVOS!! – Grita Denny espantando diversos patos para o lago e depois puxando a irmã pelo braço, para que ela saísse do transe de medo e corre-se junto do irmão para sua casa, onde provavelmente estariam seguros.

ALERTA, ALERTA!! ESTAMOS SOFRENDO UM ATAQUE DE KLOCANAJUS, REPITO UM ATAQUE DE KLOCANAJUS, SE MANTENHAM O MAIS ALTO POSSÍVEL DO CHÃO, ENCONTREM UM LOCAL ALTO PARA SE ESCONDER!! – Fala a masculina voz que dava essas dicas rápidas para as pessoas sobreviverem ao ataque.

— LUGAR ALTO?! VAMOS PARA CASA, STEPHANNIE!! – Grita Denny, alertando a irmã que havia saído do transe e agora conseguia correr para longe da situação, porém, ao passarem rapidamente ao lado das grades que delimitavam a fronteira, uma gigantesca explosão destrói o local, abrindo uma gigantesca passagem para cinco criaturas, eram praticamente leões albinos, tinham o tamanho de leões, juba de leão, o que os diferenciava de leões comuns, era suas duas antenas localizadas na cabeça e uma cauda que na ponta tinha uma esfera pequena e elétrica, com muita energia concentrada. Pouco após eles passarem pela fronteira, um deles, que era o mais anormal, passou lentamente pelas grades: Ele era azul, um azul escuro, que se escurecia ainda mais na sua juba, destacando seus olhos vermelhos brilhantes sem pupilas, sobre quatro patas possuía seis metros de altura, a ponta de sua cauda tinha novamente uma esfera de eletricidade como os outros, porém muito maior e com muito mais energia concentrada.

— Está de brincadeira... UM KLOCANAJU ADULTO?! COMO NÃO CAPTAMOS SEU SINAL NOS SATÉLITES?! – Grita o general, numa mistura de espanto e raiva, socando com força a mesa de ferro em que ficava um dos computadores dos funcionários que monitoravam o sistema geral de Hivelton.

— Pelos nossos cálculos, os filhotes ocultaram seu sinal durante muitos anos para que ele tivesse total controle de um território necessário para seu crescimento... Estamos lidando com um klocanaju no seu poder máximo, coisa que só enfrentamos em 1987! – Fala um dos funcionários lendo e imprimindo diversos dados que conseguiam nessa primeira visão da criatura.

Denny e Stephannie, afetados pela explosão, tentavam correr em meio às multidões que entravam desesperadamente nos prédios, mesmo assim, alguns ainda arriscavam correr e tentar ficarem seguros em suas próprias casas, os klocanajus menores corriam e devoravam algumas pessoas, outros simplesmente davam um impacto poderoso com sua cauda nelas, matando-as com a força e a energia presente nelas, Denny ficou chocado com a visão de pessoas sendo destroçadas com uma mordida quando eram pegas por uma daquelas criaturas, o maior estava bufando enquanto olhava para a multidão aglomerada que tentava entrar no edifício mais próximo, muitos juntos dos irmãos abandonaram esse aglomerado. A criatura começou a correr em gigantescos passos, destruindo tudo que a impedisse de chegar no grupo de pessoas e em uma brutalidade gigantesca, matou diversas pessoas com um impacto explosivo de sua cabeça e mais pessoas com um golpe veloz de sua cauda que literalmente destruiu quase todos que estavam ali, fora os que ele conseguiu devorar com apenas uma mordida.

— PRA ONDE VAMOS?! A NOSSA CASA FICA MEIA-HORA DE CAMINHADA!! – Grita Denny que parou no meio de uma encruzilhada, olhando para todos os lados procurando o que fazer, cada rua tinha pessoas desesperadas, fogo e destruição.

— CALMA, É SÓ NÃO PARAR, SE CORRERMOS BASTANTE, DÁ PRA CHEGAR LÁ RAPIDAMENTE!! – Grita Stephannie que estava longe de Denny por ter corrido mais um pouco antes dele ter parado.

Os militares chegaram para o ataque, mais de vinte carros com cinco soldados muito bem armados cada um, começaram a atirar sem hesitar. Os klocanajus filhotes não conseguiam prosseguir, estavam recuando por conta da artilharia pesada, porém, o adulto, o maior deles, veio correndo com uma força ainda mais poderosíssima quando matou aquele grupo de pessoas. Os carros não tiveram tempo de fugir, dezessete carros foram atingidos pelo impacto, alguns soldados sobreviveram e continuaram atirando em meio a fogo que se formou pela explosão, outros estavam mortos ou feridos.

— Pai... Você ouviu isso? – Pergunta Edu ao pai enquanto pegava alguns doces no carro para o acampamento.

— Sim, eu ouvi. – Fala o pai saindo da barraca com uma pistola nas mãos. – O alarme da cidade tocou, tem alguma criatura lá.

— Será que ele vai nos achar?

— Provavelmente não, o ataque ocorreu do outro lado da cidade. Mas não tenho certeza, o sinal do meu celular está sendo interferido por alguma coisa, provavelmente é um ataque de klocanajus, só não pensei que um simples ataque dessas criaturas causaria tanto alarde.

Estava quase anoitecendo quando o grupo de pessoas onde ocorreu o primeiro ataque, ou morreram, ou se separaram por toda a área O5 da cidade. Denny e Stephannie estavam juntos de mais três pessoas que correram para o supermercado na esperança de conseguir subir no segundo andar e fugir dos klocanajus. Eles correram para a primeira escada que viram, no fundo do estabelecimento, que levaria para um depósito no segundo andar, eles correram entre os grandes corredores e prateleiras que ali estavam. Porém, ao chagarem na porta que a escada levava, a mesma se encontrava trancada com diversos cadeados.

— Pra quê tantos cadeados pra uma porta só? – Pergunta uma mulher que usava uma calça e camisa totalmente brancas, seu cabelo loiro chegava até os ombros e aparentava ter 35 anos.

— E de que isso importa? Aqueles monstros já devem estar rodeando a área, estamos presos aqui! – Fala um homem calvo meio gordinho usando uma camisa verde e calça azul demonstrando medo extremo daquelas criaturas. Todos desceram as escadas apressadamente. – O que podemos fazer de mais útil, são barricadas na porta do supermercado, sem atrair atenção daquelas coisas.

— Não vai dar, a porta é daquele tipo com sensores, qualquer movimento próximo a elas pode abri-las, estragando toda nossa barricada. – Fala Denny coçando a cabeça, pensando em um plano para aquela situação.

— Hey, vocês, o que fazem aqui? – Pergunta um suposto funcionário do supermercado, magro e com roupas vermelho e amarelo junto do seu boné com o logo da empresa, indicando seu trabalho, que correu até eles carregando um rifle de assalto. – Não deviam estar correndo para suas casas?

— Acho que a casa de todos aqui é muito longe... E você, não deveria estar fazendo o mesmo? – Pergunta Stephannie.

— ...Eu tenho meus motivos para ficar aqui... Mas de qualquer modo, temos que achar um jeito de nos proteger até que os Klocanajus sejam controlados pelo exército. O barulho dos tiros e explosões está ficando mais próximo daqui, logo, logo aqueles monstros estarão aqui dentro se não fizermos algo. – Fala o funcionário olhando a entrada.

— Tem como você desativar os sensores da porta? – Pergunta Denny.

— Já estão desativados, temos que chegar lá antes que os monstros invadam, podemos tentar fazer uma barricada com... – O funcionário é interrompido pelo barulho de vidro quebrando, vindo da entrada do prédio. -... Se escondam... IMEDIATAMENTE!!

Cada um corre para uma direção diferente, como estavam no fundo do mercado, teriam tempo para se esconder até que a criatura começasse a procurar, o funcionário, o único armado daquele local, rezava para que não fosse um klocanaju adulto que tivesse entrado no lugar. Ele estava exatamente no meio do mercado, atrás de uma prateleira com produtos higiênicos, sentado e de olhos fechados, suando frio para que sua morte não estivesse próxima. Ele olhou de canto para a entrada e viu a criatura se balançando para retirar os destroços da porta de sua juba, o funcionário deu graças a Deus pela criatura não ser o klocanaju adulto, mas sim, um de seus filhotes que começa a andar pelos corredores e prateleiras, farejando qualquer vestígio de alimento para ele.

— Vamos lá, tenho que mirar no olho. – Sussurra o funcionário para si mesmo, que entre as frestas da prateleira, posiciona seu rifle e mira perfeitamente no olho da criatura que parou para cheirar alguns produtos que caíram no chão perto dos caixas. E assim, o tiro é disparado, iria cegar um olho da criatura, se a mesma não tivesse olhado para o local do disparo pouco antes que o tiro atingisse seu olho, fazendo-o atingir seu focinho, que muito resistente, não foi perfurado pela bala, mas o incomodou um pouco. Foi num susto que o funcionário deu mais cinco tiros para garantir que o animal ficasse distraído o suficiente para que ele tivesse chance de correr para prateleiras ao longe sem chamar sua atenção. Continuaram nesse ciclo por muito tempo, os tiros e explosões fora do supermercado cessaram por um tempo, provavelmente os restos dos klocanajus já estavam ao longe, diferentes desse que lentamente e pacientemente procurava pelas pessoas que estavam ali.

Enquanto isso, fora das fronteiras, especificamente numa floresta escura, estava assando marshmallows e conversando sobre diversos assuntos, uma família que se divertia o bastante fora da cidade. As crianças estavam fascinadas, nunca viveram fora daquela sociedade totalmente diferente de qualquer coisa que veriam no resto mundo, Edu comia doces, a irmãzinha brincava junto dele que a ajudava a criar histórias para brincar de boneca enquanto os pais tiravam fotos dos filhos, da fogueira, de tudo ali. Já estava muito escuro, havia anoitecido á cinco minutos atrás e eles não faziam ideia da situação que a cidade estava passando.

— Pai, pode pegar a bola no carro? – Pergunta Edu devorando diversos marshmallows.

— Claro. – Fala o pai correndo até o carro que estava do lado do tronco onde ele e sua esposa estavam sentados. – PEGA, FILHO!!!

— EITA!! – O pai havia chutado a bola para o filho que num susto, rebate ela com muita força, lançando ela em um aglomerado de arbustos escuro. – Droga...

— Deixa que eu pego. – Fala o pai indo até o mato, ele procurava a bola por entre os escuros arbustos, quando na escuridão total, uns vinte metros longe da fogueira, sentiu um forte braço segurando seu pescoço e puxando seu corpo para perto de alguém – Mas, o que é...

Calado, fique calado e sua morte será rápida, com sorte ela será indolor! — Fala uma voz grossa, nem parecia humano, era um tom que normalmente você não ouviria de uma pessoa comum.

— MAS O QUE SIGNIFICA... – O pai grita essas palavras, foi interrompido sendo jogado bruscamente para frente, conseguiu ficar em pé, mas logo em seguida levou um gigantesco corte de adaga nas costas, que por ter atingido pontos vitais, matou-o na hora. Uma coisa que chamou a atenção do ser desconhecido foi quando a mulher e os filhos chamaram pelo pai, a criatura desapareceu nas sombras sem reação alguma.

—... Jonas... – Fala a mulher horrorizada ao encontrar o marido caído no chão, morto, sangrando com o brutal e gigantesco corte nas costas, a esposa se ajoelha ao lado do corpo com as mãos na boca e os olhos cheio de lágrimas demonstrando puro desespero e medo, levou alguns segundos até que saísse do transe e dissesse algo. -... Eu, não... Edu, pegue alguma arma, de fogo...

— Tá bem. – Edu, com a tensão aumentando, corre até o carro e bruscamente abre o porta-malas. Pegando uma Uzi, ele corre de volta para onde a mãe estava e pouco antes de chegar ao local, vê uma criatura, parecia uma pessoa totalmente coberta por uma capa preta, que em uma das mãos segurava uma adaga pronta para saltar do galho de árvore onde estava apoiada e dar um golpe certeiro nas costas de sua mãe. – MÃE, CUIDADO, CORRE!!

Porém, antes de qualquer ação da mulher, ela recebe o golpe fatal nas costas, caindo ao lado do corpo do marido, a irmãzinha de Edu começou a chorar, ele corre para pegá-la no colo e correr para longe daquele local. A criatura não os seguiu, ficou observando ao longe do lado do corpo de seus pais as crianças fugindo. Chegaram no acampamento, Edu pensou em se esconder dentro do carro, iria abrir a porta se não tomasse um susto com aquela coisa que ficava em pé no teto do carro olhando diretamente para os dois, ele ficou paralisado de medo por alguns segundos, mas com a irmã no colo, ele deu diversos tiros na criatura que ao levantar a mão, fez as balas paralisarem no ar pouco antes de atingi-la e então, fechando seu punho, as balas se desintegraram.

Edu ficou assustado, não sabia o que fazer e quando pensou em correr da criatura, outra, igual a anterior aparece e lhe da um forte chute no pâncreas, arremessando-o para perto da fogueira, era um trio, três dessas pessoas com mantos pretos as cobrindo, os três estavam indo na direção de Edu, ignorando totalmente a sua irmã que ficou assustada do lado do carro. O do meio segurava uma adaga e os outros dariam suporte.

— O QUE QUEREM COMIGO?! – Grita Edu caído no chão, limpando seu rosto da terra e suas lágrimas que surgiam lentamente. As criaturas se entreolharam, ficaram pensativas por alguns segundos, mas o do meio rapidamente pulou na frente de Edu e falou.

Não respondemos perguntas para mortos. — E nessa frase, uma das criaturas deu um chute em Edu que o fez cair de bruços no chão e o armado fortemente deu um golpe fatal com sua adaga, matando o garoto na hora, eles ficaram olhando para o corpo de Edu, quando um deles perguntou para o suposto chefe.

O quê faremos com a garota? — Pergunta um do trio, olhando para a irmã mais nova de Edu que estava chorando silenciosamente, pois estava assustada com aqueles seres.

O ritual consiste em pegar sangue dos não purificados, ou seja, humanos abaixo de cinco anos de idade não entram em nossos planos. Largue-a na fronteira, ela não saberá explicar o que aconteceu de qualquer jeito e tudo que ocorreu aqui ficará oculto até a hora certa. — Fala o ser que segurava a adaga que após falar isso, começa a recolher os corpos dos que matou.

Argh... Lá vamos nós. — Fala o componente do trio que havia pegado a criança no colo que começou a chorar em uma altura insuportável para os três. Ele saiu da floresta, chegando em uma pequena estrada asfaltada iluminada pela luz do luar, logo viu a placa sinalizando para voltar imediatamente, fora as que diziam perigo extremo. – Consigo ver a cidade daqui, não vai levar muito tempo.

E foi andando pela estrada sem nenhum dos dois presentes ali falar uma palavra, que a criança se acalmou, apesar dos olhos ainda cheio de lágrimas e sua face assustada, ela olhava a paisagem enquanto o rosto da criatura que a levava estava escondido nas sombras daquele gigantesco manto negro.

— CORRE, CORRE MUITO!! – Grita Denny para Stephannie e mais um homem que estava com eles, pois eles precisavam correr daqueles dentes mortíferos do klocanaju que os encontrou e estava determinado a devorá-los.

— EU NÃO CONSIGO!! ARGH!! – Grita o homem que estava ficando para trás e seria morto pelo monstro.

— ENTÃO VAMOS POR AQUI!! – Fala Stephannie apontando para virarem bruscamente e entrarem nos corredores estreitos de ingredientes para doces, porém, os irmãos entraram em um corredor diferente do homem, e como ele estava mais perto do klocanaju, a criatura foi no mesmo corredor que ele. – Tá ouvindo alguma coisa?

Os irmãos ficaram sentados no corredor em silêncio, enquanto do outro lado da prateleira onde estavam. O homem foi destroçado com uma mordida, pedaços de sua carne e órgãos voaram para todos os lados, sua cabeça especificamente caiu na frente dos dois irmãos, Stephannie colocou as mãos na boca, se segurando para não gritar e Denny ficou com nojo daquilo, ouviam o animal mordendo a carne daquele moço. O funcionário silenciosamente chamou os dois para saírem correndo dali, eles começaram a andar, mas o klocanaju percebeu o movimento no corredor ao seu lado e deu um golpe com sua cauda energizada na prateleira que saiu voando, ele viu os três paralisados de medo e não pensou duas vezes antes de tentar morder um deles, mas conseguiram correr a tempo.

— Eu vou matar essa coisa. – Fala a mulher que até agora não tinha sido vista pelo monstro olhando para os três que fugiam do Klocanaju desengonçado com o pouco espaço entre as prateleiras, ela segurava uma bomba caseira que fez rapidamente com o que tinha a disposição no mercado (e não era pouca coisa). – Eu precisaria que aquela coisa engolisse a bomba.

— Isso não será fácil, é uma criatura muito inteligente. Não seria mais fácil sairmos pela saída destruída e pedir ajuda aos militares? – Pergunta o homem calvo.

— Percebeu que os tiros cessaram lá fora já faz algum tempo? – Pergunta a mulher lançando um olhar sério sobre o homem que ficou meio tenso. – Exato, os militares estão muito longe daqui, até acharmos algum, esses três já estarão mortos, temos que achar um jeito desse animal devorar a bomba.

Os três corriam por alguns metros e logo teriam de fazer alguma curva e desviar para algum corredor, pois se corressem em linha reta daquele monstro, provavelmente seriam pegos e mortos. Ocorreu um momento em que chegariam em um ponto encurralados, prevendo isso, se separaram para três direções, a criatura seguiu o funcionário que mirando seu rifle enquanto corria, acertou os dois olhos da criatura com tiros certeiros, ele comemorou e a despistou, porém, após recuperar a visão a resistência extrema de seus olhos, ela farejou carne, o lugar que tinha mais carne era o açougue do mercado, local onde Denny estava escondido. Rapidamente o klocanaju chegou lá e começou a rodear e pegar suas carnes.

— Droga, ele tá quebrando os vidros pra pegar a carne, espero não virar comida de... – Quando Denny ia olhar para fora do açougue ver a situação e acaba ficando olho a olho com a criatura. -... OI?!

E num rugido, o monstro quase devorou Denny que se jogou para o lado e tentou sair do açougue engatinhando, o monstro estava prestes a dar a mordida final para ele, mas Denny começou a jogar diversas carnes que estavam no chão para distrair a criatura, funcionou por uns cinco segundos, tempo o suficiente para ele correr e se esconder no gigantesco labirinto de prateleiras que já estava bastante destruído. O klocanaju correu atrás dele, liberando espaço para as outras duas pessoas que estavam com a bomba caseira correrem até o açougue.

— Pegue aquele bife, vou amarrá-lo na bomba e jogar para a criatura, depois só precisaremos da arma daquele funcionário para atirar na barriga daquele monstro e explodi-lo de uma vez por todas. – Fala a mulher pegando um pequeno elástico do bolso, o homem lhe entregou um pequeno pedaço de bife e ela amarrou-o rapidamente na bomba. – Ache aquele funcionário, vou tentar entregar isso aqui pro monstro.

Ela correu para o local onde Denny fugiu enquanto o homem correu (com muito cansaço) a procura daquele funcionário e seu rifle que poderia ser muito útil.

Pronto, garota... — Fala o ser misterioso que a carregou por um pequeno trecho e largou pouco a frente dos portões da fronteira, grades poderosas e cinzas, muito altas. – É só você andar até uma daquelas casinhas do lado da porta para...

Porém, o ser viu que o local estava completamente destruído, a porta estava arrombada e as casas destroçadas, não tinha ninguém no local além de escombros e fogo.

—... Venha aqui, vou te levar ao refúgio. — Fala o ser pegando a mão da garotinha e a guiando para o refúgio, onde com certeza teriam autoridades para ajuda-la.

Novamente ao supermercado, Denny estava encurralado e com seu braço muito arranhado, caído e encostado na parede, próximo ao corredor de vinhos, ele enchia os olhos de lágrima ao ver a criatura se aproveitando de sua fraqueza.

— Bem que minha mãe falou para eu nunca correr no corredor do churrasco, tinha muitas coisas afiadas... E olha onde fui parar. – Fala Denny dando um sorriso para si mesmo e fechando seus olhos, porém, o momento dramático é interrompido por uma mulher que estava em pé na prateleira ao lado do klocanaju e de Denny, segurando uma bomba caseira, ela gritou para chamar atenção do monstro que olhou imediatamente para cima. A moça jogou a bomba em seu rosto, a criatura obviamente viu a carne e devorou em uma mordida a bomba junto do bife, sem saciar sua fome, derrubou a prateleira onde a moça estava, fazendo-a quebrar uma perna. Quando estava prestes a morrer, o funcionário aparece dando diversos tiros com seu rifle na região da barriga do monstro e o homem que havia o encontrado estava logo atrás atirando tudo que encontrava nos olhos da criatura, para mantê-la naquela posição, o funcionário não parava de dar tiros e mais tiros, queria explodir aquela bomba a todo o custo, mas nada conseguia atravessar a criatura, nenhum disparo conseguiu chegar ao seu estômago.

—... Onde fica o estômago dos leões mesmo? – Pergunta o funcionário dando um sorriso meio desesperador, fazendo todos olharem assustados para ele, a criatura aproveitou o momento, iria matar o funcionário e o homem, mas foi interrompida quando Stephannie empurrou uma prateleira que caiu em cima do monstro. – ESTAMOS TODOS JUNTOS, VAMOS PARA A SAÍDA!!

Todos começaram a correr desesperadamente por entre o mercado destruído, chegaram próximos a saída, quem pudesse derrubava algum líquido ou interrompia o caminho do monstro, o funcionário dava diversos tiros no chão para assustar a criatura. Todos foram recebidos com uma cabeçada bruta do monstro quando chegaram próximos à saída que já estava bem destroçada. O golpe arremessou todos contra a parede antes de saírem do mercado, a mulher que fez a bomba morreu na hora, os outros estavam caídos, a criatura deu uma mordida brusca no funcionário que era a pessoa mais próxima a ela, as suas pernas foram arrancadas com uma única dentada. Em um grito desesperado, ele foi arremessado contra a parede e desmaiou. Stephannie pegou um grande facão que estava a venda na sessão de talheres, ela iria atacar o monstro que sem notar, corre para matar Denny com sua cauda energizada, mas que é cortada pelo facão da irmã, a klocanaju grita, estava enfurecido, ele ficou sobre duas patas para assustar a todos, Stephannie aproveitou a deixa e jogou o facão que ficou fincado na barriga da criatura que começou a rugir de dor e se deitou no chão em desespero.

— AGORA, HEY, MOÇO DESCONHECIDO, PEGA!! – Grita Denny jogando o rifle do funcionário para a pessoa mais próxima da criatura abatida, ele pega a arma e fica desesperado sem saber o que fazer. – EXPLODE ESSA BAGAÇA!!

Ele, sem saber como, atira diversas vezes na criatura, sua barriga estava sendo aberta pelos tiros que se aproveitavam do corte que o facão fez, foi quando em um tiro certeiro, o klocanaju explode, sangue e alguns pedaços de carne restantes voaram para todos os lados, a cabeça do monstro saiu voando para fora do local, Stephannie é arremessada contra algumas garrafas de refrigerante, Denny fica de olhos arregalados com a cena e o homem calvo estava com a mão no peito numa tentativa de saber se teria um ataque ou não. A explosão acabou sujando o local e a todos, que pararam para respirar um pouco e se aliviar que a situação finalmente acabou...

***

— Soldado, relatório. – Fala o general indo para a saída do refúgio junto de um soldado que carregava uma lista de dados.

— Tudo bem, encontramos uma criança na entrada do refúgio, ela estava sem nenhum ferimento, porém, está conversando agora com psiquiatras, pois a mesma parecia muito assustada com alguma coisa. A criatura foi contida próxima da prefeitura, conseguimos captura-la para estudos, vai ser um grande avanço contra esses monstros caso encontremos outro klocanaju adulto. – Fala o soldado lendo o relatório.

— E o número de vítimas?

— Não temos um número claro, mas foram mais de duzentos feridos, oitenta e nove em estado grave, os outros klocanajus menores foram todos mortos, um deles foi explodido em um mercado na área H4. Os novatos estão indo bem, agora, após buscas por mais klocanajus nas florestas, encontramos um acampamento abandonado com vários corpos de pessoas, uma mulher, um adolescente e um homem, empilhados em arbustos com cortes idênticos aos dos soldados encontrados mortos mais cedo, na região das costas. Identificamos o pai como um dos soldados da área J7.

— Já sabem a causa?

— Infelizmente não, nunca vimos algo parecido em todos esses anos, mas voltando ao assunto, as causas da maioria das mortes foram de explosões causadas pelos golpes com a cauda dos klocanajus ou pelas suas poderosas mordidas, talvez nem consigamos identificar algumas pessoas no estado que ficaram.

— Então... A causa da morte dessas pessoas com... Os cortes, com certeza não foram klocanajus...

Notas finais
Informações que os humanos conhecem sobre os klocanajus até agora: Origem: Desconhecida Primeiro avistamento: Entrada das fronteiras em 1959 Aparência: Na infância, tem o tamanho e a aparência de leões albinos adultos, com duas antenas em sua testa, olhos vermelhos e sem pupilas, uma cauda curta com uma esfera de energia elétrica na ponta. Na fase adulta, eles chegam a ficar com 6 metros de altura sobre quatro patas, sua pelugem fica azul escuro, suas antenas e cauda aumentam de tamanho, principalmente sua esfera de energia na ponta dela caso concentre muita energia por muito tempo. Habilidades: interferências em qualquer tipo de sinal por satélite, choque elétrico com sua cauda, força bruta, velocidade altíssima e grande resistência nos olhos e na pele. Fraquezas: Não existe uma fraqueza específica para klocanajus. Como matar: a forma mais eficiente de matar um klocanaju, é dando um tiro na esfera de energia na ponta de sua cauda, que ao ser atingida, pode causar uma explosão direta no corpo da criatura. Se viu algum erro, tem alguma crítica, ou gostou do capítulo, deixe um comentário :^