O Vagão dos Mortos - Caminho do Destino
4 Capítulo 4 - O Fim ( Talvez o Começo )
CAPITULO 4
“Cair não é o problema, o problema é chegar ao fundo “
—Senhora da Morte- (As Crônicas do Último Barão, capitulo 45, página 3567)
A escuridão cercava Diego, por toda a sua volta, ele sentia frio, mas por dentro parecia estar em chamas, caia e caia já havia pelo menos meia hora, mas sentia que estava longe de atingir o chão, não tinha certeza se era reconfortante ou não. Mesmo que estar caindo parecesse improvável e no mínimo um pouco insano, estava se sentindo bem em diversas maneiras, tudo parecia fazer sentido e não fazer ao mesmo tempo.
Primeiramente, não fazia sentido ele enxergar seu corpo, não havia nenhuma luminosidade, mesmo assim quando essa dúvida passou por sua cabeça, ele a ignorou de imediato, com certeza havia perguntas mais importantes a serem feitas naquele exato momento. Uma delas era por que caia.
As últimas horas que haviam se passado foram as mais interessantes de sua vida, ele fugira do destino de morrer, sem dor alguma, dormindo, para ter um pequeno passeio com sua melhor amiga Beatriz e mesmo assim esse também terminaria em uma morte lenta e dolorosa. Então por que ainda estava vivo e por que continuava caindo.
Aos poucos começou a ser recordar e clarear sua mente, tudo parecia estar extremamente embaçado, não se recordava de nada até... até ver aquele vulto. Se esforçava para lembrar, repassava e repassava o momento procurando pelo menos um pedaço do que havia ocorrido, talvez aquela lembrança fosse a chave para o motivo de estar ali.
E assim que tentou organizar uma enxurrada de questões percorreram sua mente, ele sentiu o pânico subir em sua garganta, suas lagrimas brotavam torrencialmente sem motivo algum, mas podia sentir uma dúvida se formar em seu coração e assim que a percebeu o pânico conseguiu finalmente entrar.
Ele gritava, chorava dava tapas em sua cara tentando tirar o pensamento que cada vez ficava mais claro, como o sol que aparece após uma longa chuva. Ele estava morto, e não havia nada que pudesse concertar isso, o destino havia alcançado e de alguma forma naqueles momentos os quais não se lembrava o inevitável ocorreu deu uma forma fatal.
Seria aquele o destino de todos os mortos, fadados a escuridão sem fim, será que ele retornaria a ver sua querida mãe, assim que pensou nela o arrependimento cortou seu coração. Ele havia fugido e sancionado o direito dela ver seu filho uma última vez, não ocorreram despedidas, nenhum ultimo eu te amo ou um abraço e sua lembrança dela seria eternamente vela chorando sair pelo quarto.
Percebeu o tolo que havia sido por recusar a chorar junto dela, ele havia sido um tolo ao deixa-la chorando se fazer nada, não deu conforto, não partilhou o sentimento, não partilhou a perda, não retribuiu a coragem, o animo e principalmente o amor.
Ele tinha tempo para pensar agora, quando olhava para trás sem a cortina de magoa que havia se formado ele percebeu todos os erros de sua vida que nunca seriam concertados e principalmente os poucos acertos. Ele não havia feito muita coisa, mas mesmo assim, com uma análise rápida percebia que ouve tantas oportunidades as quais ele nunca se agarrou.
Nunca viajou para a cidade natal de sua mãe, nunca dançou com nenhuma garota, nem mesmo com Beatriz que lhe pedira tantas vezes.Não havia sido um bom filho, não havia sido um bom amigo, e com certeza não havia sido uma boa pessoa.
Mesmo em meio a toda sua dor, se lembrou dos pequenos bons momentos que lhe trouxeram um pouco de alegria, se lembrou de seu amigo o Doutor Gerad, que mesmo sendo um adulto nunca o tratou como uma criança, lembrou-se de seus amigos antes que sua doença começasse, o grupo dos três ele Marcos e Israel, o grupo se desfez assim que sua doença começou e Israel morrera em um acidente de carro com seus pais.
Recordava-se de coisas inimagináveis, sua festa de dois anos, a qual sua mãe tanto falava, veio lhe na mente suma imagem de sua mãe ainda jovem, ele sabia que aquela havia sido a primeira vez que a vira aquela era uma lembrança que merecia ser guardada.
...
Fazia horas que estava caindo no escuro, o que lhe deu tempo para pensar, chorar, refletir, rir e aceitar que seu destino seria aquela queda eternamente.
PIIIIIIIIIII!!!!!!
Aquele apito o fez retornar à realidade, mas o que um apito estaria fazendo naquele fim de mundo literalmente... PIIIIIIII!!!!!!! ... O apito soara novamente mais perto parecia estar vindo debaixo. O que quer que fosse era melhor do que continuar caindo... PIIIIIII!!!!! ... Estava próximo, muito próximo, agora enxergava a luz vinda do que parecia ser um trem, e mesmo assim o que um trem estaria fazendo no meio do nada e onde estariam seus trilhos.
Ele se aproximava do trem rapidamente se chocaria em poucos segundo por isso fechou os olhos e se preparou para o impacto. Então percebeu que não houve impacto, ele parou de cair e estava sentado, assim que abriu seus olhos percebeu que estava na cabine do trem.
A cabine era grande e espaçosa, nunca andara em um trem e o mais próximo do que vira fora no filme do “Harry Potter”. As paredes eram negras e o chão apresentava um carpete negro, a luminária emitia uma luz amarelada fraca, a medida que seus olhos se acostumava percebia mais detalhes, um pequeno local para guardar bagagens, uma mala ao seu lado e uma grande janela que dava para o grande nada o qual caia.
Quando olhou para fora viu diversos pontos luminosos, eles pareciam ser outros trens que andavam por toda aquela imensidão e um vinha em sua direção. O trem se aproximava rapidamente ele s iriam se chocar, um grito escapou de sua boca, mas antes que colidissem, o outro passou por cima.
O garoto estava maravilhado, ele finalmente havia parado de cair, após cair por tanto tempo era aliviador saber que não passaria tods sua eternidade, ou ao menos esperava isso. Ele olhou para o lado e viu a maleta, em meio a tantas coisas que haviam no local, tantos pensamentos que passavam por sua cabeça ele, de alguma forma, agora só conseguia pensar na maleta.
Ele a agarrou e tentou abri-la desesperadamente, seu único desejo era saber seu conteúdo, tentou e tentou, porém, não conseguia abri-la, seu desejo era apenas abri-la, sua mente estava turva, tentou se controlar, porém assim que desviava o olhar ou tentava pensar em alguma outra coisa sua mente era sugada pela maleta.
Depois de diversas tentativas infrutíferas de abrir a maleta ele finalmente raciocinou “ Alguém nesse trem deve possuir a chave”, se levantou bruscamente com o intuito de ir procurar a chave, contudo assim que começou a abrir a porta ele se lembrou da pasta e temeu que alguém tenta-se roubá-la, por isso ele a segurou com força contra o peito pensado, quem quer que fosse o louco de tentar pegar a maleta sofreria o pior fim de todos.
Ele saiu pelo trem a busca de outros passageiros, ou melhor, aquele que possuísse a preciosa chave. Sua cabine dava a um escuro corredor, com paredes amareladas e desgastadas pelo tempo, o carpete era vermelhoe e estava imundo, o ar era denso por toda a poeira e pelo estreito local que se concentrava.
Ele seguiu pelo corredor, que dava em uma pequena sala com um bar ao lado e poltronas de couro. O bar possuía diversas garrafas quebradas e vazias, o cheiro de álcool imperava sobre o local, as cadeiras de couro estavam rasgadas e desgastadas e em uma delas podia se ver a marca de garras.
Ele seguiu pela sala sem dar importância a qualquer coisa, sua mente estava focada em procurar a chave, enquanto passava percebeu um esqueleto que segurava uma garrafa de rum, o esqueleto estava vestido com um terno e bebia a garrafa mesmo que todo o líquido escorresse para chão. Diego o fitou por um momento e perguntou:
(Diego): Você sabe onde está a chave?
(Esqueleto): Não.
Ele passou rapidamente pelo esqueleto ignorando sua presença, havia coisas mais importantes do que a presença de um esqueleto falante. Ele seguiu pela sala até outro corredor idêntico para outra seção de dormitórios vazios e por fim havia uma porta que dava a outros vagões, e assim que os viu ficou completamente rígido.
Os outros vagões ao contrário do que Diego estava, estavam vivos, parecia haver uma grande comemoração, podia se ouvir gritos de alegria vindo do outro vagão. Mas não fora isso que o enrijecia, ele viu no meio de toda a festa, gritos e alegria estava um vulto encapuzado com uma caveira no lugar de seu rosto e mais importante ele segurava a chave para a maleta.
Sua rigidez se tornou um largo sorriso ele estava tão perto de finalmente conseguir o conteúdo e também estava feliz pois sabia que o encapuzado lhe daria a chave de bom grado. Ele estava pronto para sair correndo em direção, porém algo lhe impediu.
Uma sombra saiu de um dos quartos, era alta e muito grande, estava curvado pois era muito mais alto que o teto, ele não possuía rosto porém sabia-se de alguma forma que ele estava sorrindo.
(Sombra): Não faça isso garoto.
(Diego): Eu preciso a chave.
(Sombra): Você sabe que ela não lhe trará nada além de sofrimento.
(Diego): Você não sabe de nada!!! Aquela chave é exatamente o que eu preciso!!!
(Sombra): Não se exalte criança, você sabe o que há dentro da maleta.
(Diego): Eu não sei o que a dentro da maleta, eu preciso saber!!!
Ele olhava insanamente para a maleta e depois para o encapuzado que se aproximava carregando a chave, ele desejava correr em direção a o homem que carregava a chave porém seus múscolos não o permitiam, algo o segurava e não tinha certez se era ele ou o homem que conversava com ele.
Não desviava os olhos do homem que se aproximava, tentava ignorar completamente o gigante que o aconselhava e mesmo que forçasse a ignorar a voz estava dentro de sua cabeça. Sua voz mesmo sendo como uma brisa ela causava uma grande tormenta dentro do garotos atingindo até o menor pedaço do que restava de sua sanidade
(Sombra): Pense garoto, você sabe o que há dentro.
(Diego): Eu preciso dessa chave para pegar a... a... a... a chave!!! Sim a chave!!! Tem uma chave dentro da maleta e eu preciso dela!!! – Ele gritava de alegria pois agora sabia seu desejo e finalmente poderia cumprir o que o Destino queria –
(Sombra): E o que essa chave abre? Você tem certeza de que quer a chave? Me responda, o que ela abre?
(Diego): Uma porta!!!
(Sombra): E que porta seria essa?
(Diego): A porta... a porta... a porta do Destino
Como um baque Diego recobrou sua sanidade e percebeu o que ocorria, sua mente finalmente se acalmou e pode pensara finalmente no erro que quase custara sua vida/morte. Então o encapuzado finalmente chegou ao seu vagão.
Era alto e sua cabeça se raspava pelo teto, era esguio e todo coberto por uma capa que impedia que qualquer parte de seu copo fosse vista, a única coisa que podia se observar eram seu olhos por traz da caveira, vermelhos como o sangue com íris e pupila negras como o próprio vacu e uma voz que congelava seus ossos.
(Encapuzado): Você deseja a chave?
(Diego): Sim, mas para carrega-la junto a mim e não para abrir a maleta.
(Encapuzado): Se assim deseja devo lhe avisar – Enquanto falava suas mãos produziram um fio dourado o qual amarrou a chave – Você deve carregar essa chave sempre no seu pescoço, só tire-a quando tiver certeza de que deseja abrir a maleta se a retirar em qualquer ocasião eu virei abrir, agora deixe a maleta comigo.
(Diego): Que assim seja então – Ele pegou a chave colocou sobre seu pescoço, então pode sentir o peso da balança, o quanto que seu destino pesava –
Dessa forma o encapuzado desapareceu evaporando no ar, ele se virou para agradecer aquele que havia lhe impedido de ceder a insanidade, porém percebeu que estava sozinho como sempre esteve, sem contar com a ajuda de ninguém. Assim se convenceu que ele mesmo havia fugido de sua insanidade.
...
Diego tentou atravessar para os outros vagões, porém toda vez que pulava para o outro ele retornava ao início de seu vagão que, parecia ser o último da longa fila de vagões que se esticavam até o infinito sem poder ver o fim era incrível ele ter tido a sorte de cair no último vagão condenado a ficar naquele necrópito local sozinho.
Ele era acostumado a ficar sozinho, se sentiu solitário maior parte de sua vida, sal mamãe para sustentar seu tratamento sempre estava trabalhando, pegando os mais diversos turnos e quando ficavam juntos ela estava tão cansada que dormia em seu colo enquanto “lia” histórias para ele.
Sua amiga Beatriz ficou muitas vezes com ele quando se sentia sozinho, ela fora uma escapatória do mundo, muitas aventuras viveram juntos em suas imaginações, mas o tempo havia passado, e aos poucos retornava a seu estado natural solitário.
Ele se sentou no banco em que caiu, ele pensava na chave em seu pescoço e a importância que representava, uma importância que não compreendia, mesmo que no fundo de sua mente reconhecia que aquilo representava muito mais que apenas sua vida.
Não sabia quanto tempo estava sentado, não sentia fome, sede ou sono ele apenas estava sentado, não pensava nada, apenas estava lá sua mente estava completamente vazia. Em determinado momento procurou o esqueleto que havia encontrado, porém ele de alguma forma havia sumido.
Após o que parecia ter sido dias ou semanas o trem finalmente parou, Diego deu um salto assim que percebeu, ele correu em direção a janela percebendo que estava no que parecia uma estação de trem que era enorme tão grande ou maior que o trem, aos poucos os passageiros desceram trem todos em uma fila bem organizado.
Ele correu até a porta ansioso para sair finalmente do trem, após passar esse tempo já começava a duvidar se era melhor continuar caindo ou ficar naquele trem. Ele alcançou a porta em poucos segundos, aquele pesadelo tinha de acabar de alguma forma.
Assim que chegou a porta foi barrado por um maquinista que assim como todos os funcionários tinha uma caveira no lugar de sua cabeça.
Ele disse:
(Maquinista): Aonde vai jovem senhor ?
(Diego): Vou sair assim como todos os outros.
(Maquinista): Não senhor – disse passivamente – sua parada não é aqui. – Disse sumindo e assim trancando a oportunidade de sair do trem –
Diego correu e olhou pela janela vendo aos poucos o trem dando a partida, enquanto saiam da estação que ela era nem de longe infinita como tinha visto, agora era um pouco maior que o trem, o qual magicamente havia perdido todos os vagões e estava apenas com o seu e a locomotiva.
Ele tornou a sentar em sua cabine, esperando que para onde quer que fosse não fosse como aquele vagão onde estava, desejava que aquele pesadelo acabasse.
Mal sabia que estava apenas começando.
Fale com o autor