O Vagão dos Mortos - Caminho do Destino
2 Capítulo 2 - O Senhor do Vento
Notas iniciais
CAPITULO 2
"A Diferença entre o medo e o respeito é que um pode te matar o outro te salvar, basta saber qual”
—O Medo em pessoa- (As Crônicas do Último Barão, capitulo 45, página 3542)
Como se criasse raízes, a tristeza e desespero da última residência se espelhava pelo bairro e cada vez mais tal aura transformava o que outrora era sorriso e felicidade em estagnação. Assim como em um filme de terror as cores pareciam desbotadas e frias as pessoas começavam a perceber a gravidade do problema , percebiam que o fim da história estava próximo quer ele fosse bom ou ruim.
Envolta todos os olhos começavam a direcionar sua atenção a casa, suas alienações desapareciam, tardiamente mas desapareciam . Mesmo que agora estivessem atentos ninguém percebia a figura macabra de um homenzarrão que se colocava presente frente da casa .
Tal homem era o próprio Vento, tinha no mínimo 2 metros e meio, usava um sobretudo marrom como se tentasse misturar a paisagem , mesmo que com tal estatura fosse algo quase completamente impossível de não perceber sua presença, mas de certa forma ninguém o via. Não havia face em seu rosto , era apenas um emaranhado de feições sem nexo ou sentido ,não se enxergava nada além de um rosto, nada de peculiar ou único era apenas um rosto.
Ele carregava um grande maleta preta , possuia um belo chapéu de feltro , porem tais acessórios apenas deixavam mais marcante sua aparência mesmo assim incrivelmente ninguém o percebia , as pessoas passavam por ele sem sentir sua presença e o mais incrível eram aqueles que esbarravam nele e mesmo assim não o notavam . Esse fato não o incomodava nem um pouco ou se incomodava não era possível perceber pois sua face não transparecia nada.
Em sua outra mão segurava um belo uma pequena bola branca a qual apertava incessantemente, estava tenso certamente, mas a verdadeira questão seria o motivo de algo deixar tal homem tenso. Mesmo que franzino sua postura demostrava que não era alguém que você gostaria de esbarrar em uma rua no meio da noite.
Esse homem esperava alguém algo que poderia se sentir no ar é que tal encontro não teria um bom final, como muitos diriam , aquilo cheirava a “merda” , mesmo sendo um vocábulo xulo era a melhor expressão para relatar o que estava por vir .
O homenzarrão parou, seu corpo ficou tenso e enrijecido, sua espera havia acabado , quem quer que fosse havia chegado.
Da mesma forma que a aura de tristeza e desespero havia chegado ela se foi, e como um tiro, um estrondo foi ouvido e devolveu a todos sua felicidade que havia sido roubado. Aqueles que começavam a despertar de suas ilusões voltaram a dormir, e com isso a felicidade se reestabeleceu, comemorações continuaram e todos aos poucos retornaram a suas festas .
Tais pessoas estavam totalmente alienadas do que estava acontecendo e o que havia chegado, e os mesmos que tomaram tal estrondo como normal, não se incomodaram com a enorme rachadura no centro da rua principal, a qual tinha sua origem do mesmo local que havia vindo o grande barulho.
A fonte fitava o outro homenzarrão, o único que parecia perceber sua presença destinadas dos piores pesadelos de qualquer ser. A fonte tinha 3 metros de altura, ombros largos e fortes, um queixo quadrado e um peitoral invejável. O homem usava uma camisa simples escrita “Rei Sobre Todos”, tal camiseta só fazia sentido a aqueles que o conheciam.
Possuía um enorme charuto cubano em sua boca, o qual estranhamente parecia não ter fim, tinha uma barba grisalha rala um cabelo curto grisalho acima de suas orelhas e negro no resto de sua cabeça. Seus olhos eram joviais, tinha uma aparência de arco-íris, os quais mudavam de segundo em segundo. Estampado em seu rosto estava um largo sorriso , como se risse de uma piada que apenas ele entendia.
Mesmo com tantos fatos peculiares o que mais marcava sua aparência eram sus olhos os quais estavam cheios de fúria e ódio, pareciam queimar a cada passo que se aproximava do outro gigante. Ao passo que esse parecia se enfurecer o quanto mais se aproximava o outro aumentava seu respeito, e sua estatura parecia aumentar também, parecia estar chegando aos 3 metros e meio, dessa forma aquilo parecia que se tornaria em um embate de titãs em pouco tempo.
O recém chegado levantou sua pesada mão em forma de um punho para acertar o outro, teria feito um belo estrago se sua mão não tivesse passado direto e acertado um poste que simplesmente caiu em cima de um carro que explodiu em chamas . Mesmo com tal reboliço ninguém pareceu se incomodar com as grandes labaredas que se projetavam do veiculo recém destruído
Vento que quase havia recebido o punho , com uma expressão de imparcialidade retribui tal gesto com uma cabeçada no outo, o qual da mesma forma milagrosa desviou do golpe aparecendo atrás de seu oponente. A cabeçada passando direto atingiu ao asfalto o quebrando em vários pedaços estendendo a rachadura a um carro do outro lado da ruía o qual de alguma forma ficou completamente amassado.
Ambos os gigantes ficaram cara a cara, fitando-se com olhares de fúria e como um passe de mágica a fúria deu lugar a um respeito mútuo e ambos trocaram um aperto de mão respeitos. Para muitos aquilo parecia ser apenas um aperto de mão, mas na verdade era um embate entre suas forças, com o único objetivo de ver qual mão estaria amassada ao final.
O primeiro a recuar foi o “franzino”, admitindo sua derrota tristemente.
O outro homem foi o primeiro a quebrar o silencio:
(Desconhecido): Devo admitir que estou surpreso pela sua presença aqui neste setor, se me lembro bem ele é meu ...
(Vento): Tempo, meu velho inimigo, você sabe muito bem o motivo de estar aqui, se me lembro bem , você roubou algo meu a duas décadas , eu vim apenas retrucar a gentileza !!! ( O outro homem retrucou)
(Tempo): Depois de tanto tempo –risos- você ainda se lembra daquele planeta, o jovem não valia nada era tão fraco quanto um sentinela .
(Vento): Mesmo assim vim reivindicar o que é meu por direito, talvez pretenda quebrar nosso acordo mútuo?
(Tempo): Uma guerra seria péssima na atual situação , você sabe como é, povo acha que tem força e direito para tentar se revolucionar. Pra conseguir o respeito tem que explodir planetas e além disso de onde vou tirar o dinheiro?
(Vento): Pague a dívida e me dê o garoto que ficaremos quites e o tratado mantido.
(Tempo): Você aceita negociar?
(Vento): Você me conhece, sabe que adoro uma barganha!
(Tempo): O que acha de uma bela nave Baleeira 030, uma das melhores.
(Vento): Aquele garoto vale com certeza mais que isso, o que acha do Papa-Mundo?
(Tempo): O Papa-Mundo? Só pode estar brincando, ele é limitado, só existem outros dois como ele e estão em posse dos Senhores da Fúria !
(Vento): É isso ou o garoto .
(Tempo): Está certo, ele é todo seu , pode ir pega-lo em Alpha 55604.
(Vento): Foi ótimo fazer negócios com você e a propósito é melhor se apressar, o garoto morre em menos de 2 horas.
(Tempo): É uma pena não dizer o mesmo, e tempo é o que não me falta –risos-
(Vento): Esse é um péssimo trocadilho.
Lentamente e gradualmente o homem desapareceu , assim como o vento evaporou, provavelmente tomando rumo a Alpha 550604, um planeta no outro lado da galáxia o onde encontraria uma das maiores e mais destrutivas naves já feitas .
Dessa forma o Tempo ficou sozinho no meio daquela rua que estava destruída, de alguma forma estranha o fogo já havia apagado e o poste, dois carros e calçada voltavam lentamente ao normal , esse se reconstruíam a medida que o homenzarrão aspirava seu grande charuto que mesmo assim continuava estagnado sem nunca diminuir .
O sorriso que outrora estava estampado em seu rosto começava desparecer, dando lugar a uma expressão triste e fria. Ele sabia muito bem o que teria de fazer agora, mesmo tendo o feito muitas vezes nunca se acostumou .
Havia chegado a hora de matar, e muitos iriam sofrer junto daquele garoto.
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