O Véu Que Cobre a Sua Face
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Era um vez...
Havia uma cidade no antigo Oriente Médio chamado Zaina(1), que ficava localizada entre o deserto do Sul e do Norte. Nessa cidade, uma importante rota de comércio entre as cidades do país, vivia um jovem e gentil mercador chamado Isnar(2).
Na feira da cidade, que sempre estava repleta dos mais exóticos itens a serem trocados ou vendidos, ele tinha nas frutas sua principal atividade de comercio. Ele viva sozinho desde os 15 anos, que foi quando sua mãe faleceu, e passara a assumir o comando da barraca que vendia os mais diversos frutos no marcado sempre movimentado da cidade. Seu pai era bastante conhecido na cidade por liderar caravanas pelo deserto, e já salvara muitos viajantes perdidos pela imensidão do mar de areia do deserto. Por isso, desde pequeno acompanhando seu pai nas expedições, havia desenvolvido um aguçado senso de direção e sempre que era solicitado, fechava sua barraca e ia trabalhar guiando alguma expedição deserto afora. Naquela semana ele tinha guiado uma caravana e todos conseguiram retornar a cidade em segurança. Satisfeitos com a bem-sucedida viagem, o convidaram para beber na taberna da cidade:
— Vamos Isnar, nosso guia talentoso! A bebedeira hoje é por nossa conta!
— Não, agradeço, mas amanhã preciso acordar cedo e montar a barraca na feira, pois devem estar se queixando da ausência de boas frutas durante a semana.
— Deixe disso Isnar – disse o líder da caravana – é o mínimo que podemos fazer fora o seu pagamento! Eles vão sobreviver sem suas requisitadas frutas por mais um dia!
Apesar de não ser muito habituado a frequentar o lugar, ele aceitou e o grupo adentrou a grande casa decorada com panos coloridos pelas paredes e vários sofás e poltronas. Assim que se acomodaram, uma linda jovem vestida em véus azuis veio lhes servir o vinho.
— Bem vindos a nossa casa senhores, espero que possam ter uma boa noite de diversão! – disse a jovem enquanto enchia os copos.
— Ei mocinha – disse o líder da expedição — traga sua melhor dançarina para nos entreter, hoje queremos comemorar – disse seguido de um urro dos outros membros da caravana, exceto Isnar, que apenas observava tudo bebendo seu copo de vinho.
— Como desejarem senhores, o espetáculo vai começar! – e com um estalar de dedos, a música começou a encher o ambiente deixando todos animados. Entre os assovios e as palmas ritmadas, na parede oposta uma cortina de cor vermelha se abril. Uma linda jovem vestida com trajes da dança do ventre e toda coberta com adornos de ouro e prata tinha a cabeça coberta por um longo véu. A música parou por um instante e ela se posicional no meio do salão. Com o bater do tambor, ela começou e quebrar os quadris para os lados e fazer graciosos movimentos com as mãos, até dar um salto e tirar o véu da cabeça, exibindo parcialmente a face, que continuava oculta do nariz para baixo por um véu um pouco mais grosso.
A música começara a se tornar cada vez mais intensa, e com perfeição seus movimentos se tornavam ritmados junto com a batida. Todos no salão estavam encantados com sua dança, e assoviavam enquanto batiam palmas no ritmo da canção. Com os véus nas mãos, ela fazia movimentos ritmados, uma hora e outra ocultando a face, e em um movimento rápido, o olhar da dançaria cruzou com o de Isnar. Naquele momento, o jovem mercador sentiu como se o salão, as pessoas e a musica não existissem, e a única coisa que conseguia ver eram aqueles olhos cor de esmeralda. Com um forte baque, a música se encerrou e todos aplaudiram e gritaram. Logo com seguida, começando uma nova música, outras garotas que estavam servindo as mesas também tiraram seus véus e começaram a dançar, até que o dono da caravana berrou, já bastante alterado devido ao excesso de bebida:
— Ei mocinha do véu vermelho! Venha aqui dançar pro nosso garoto do deserto!!! – E prontamente a dançarina misteriosa veio e se posicionou-se em frente a Isnar, e começou a dançar. Seus olhos se encontraram novamente, e ele sentiu o coração bater descompassado.
A dançarina pegou em suas mãos e colocou em sua cintura, o que fez Isnar corar levemente. Enquanto dançava, ela colocou uma das pernas em cima da de Isnar, e com movimentos sensuais levava todos da caravana a loucura:
— Vai Isnar! Pegue ela com força!
Alheio as palavras tolas dos homens ao seu redor, ele manteve as mãos onde fora convidado a tocar, enquanto a dançarina tocava de leve em seu rosto. O espetáculo particular foi interrompido pelo líder da caravana, que puxou a dançarina pelo braço:
— Ei pequena, nós também queremos aproveitas a sua dança! Venha — e a colocou perto de si. A diferença de comportamento entre Isnar e o líder da caravana era gritante: este apalpava a moça em todos os lugares, enquanto essa dançava com bem menos vontade, uma hora e outra pegando nas mãos dele e acariciando, mas Isnar sabia que ela na verdade queria tirar a mão dele de seu corpo. Mas Isnar não aguentou ver quando o líder da caravana puxou a dançarina em seu colo e colocou a acariciar entre suas coxas, Isnar pode perceber que a moça havia ficado completamente imóvel e desconfortável com a situação. Em um impulso, ele se levantou e foi em direção ao líder, e quando se aproximou conseguiu ouvir a oferta dele:
— Vamos comemorar hoje à noite, posso te pagar com varias joias...
Ao ouvir isso, Isnar sentiu uma grande raiva do líder, que parecia ser um bom homem, mas mostrou sua verdadeira face com a ajuda do vinho.
Sem pensar, ele pegou a dançaria pelo braços e a colocou de pé em seu lado:
— Como agradecimento pela bem sucedida expedição, quero que essa jovem seja minha acompanhante esta noite.
— Oras seu moleque, não pense que pode tudo só porque sabe andar no meio daquele inferno arenoso! – falou o lider com o punho levantado.
Ignorando-o completamente, Isnar pegou na mão da jovem e a guiou para o meio do salão onde algumas dançarinas e homens aproveitavam a música.
— EI SEU FEDELHO, ESTA ME ESCUTANDO!!!!?
— Calma Lider! Sem ele dificilmente iremos achar o que procuramos no deserto – disse um de seus subordinados o segurando pelo braço enquanto com a mão fazia sinal para outra dançarina vir entreter seu chefe. Como ele já estava bastante bêbado, logo se distraiu com a bela em sua frente e deixou Isnar e a dançarina de lado.
A moça aparentava estar aliviada por se livrar a situação, e os dois começaram a dançar e conversar:
— Porque fez isso? – disse a jovem de face parcialmente oculta.
— Porque apenas detesto esses homens sem pudor – disse Isnar, que observava a face da garota de perto. Naquela distancia ele conseguia ter um vislumbre de seus traços: eram delicados e pequenos, mas ainda assim era difícil formar uma imagem de seu rosto por causa do véu.
— Na verdade não gosto desse tipo de lugar, mas como fui convidado pelo meu chefe não quis fazer desfeita.
— Eu entendo também não gosto, mas como esse é meu trabalho não tenho o que fazer...
Isnar se sentiu incomodado com a fala e olhar triste da dançarina, então resolveu falar de outra coisa:
— Você dança muito bem! Fiquei encantado com a sua performance mais cedo.
— Agradeço o elogio senhor.
— Onde aprendeu a dançar? Aqui?
— Não, minha família tem muitos dançarinos, então desde pequena sempre fui ensinada por eles.
— Entendo... Também sempre fui ensinado sobre os caminhos do deserto, meu pai sempre me levava em suas expedições.
— Seu pai parece ser um bom homem.
— Sim, ele foi mesmo.
Olhando paras o lado, eles viram o líder levantar-se, meio cambaleante e procurar algo no meio do salão.
— Melhor você ir depressa antes que ele te encontre.
— Muito obrigada por toda a ajuda essa noite, senhor! — E com uma reverência, a dançarina sumiu pela porta em que entrara. Isnar notou uma coisa brilhando no chão, perto da porta em que a dançarina saíra, e pegou no chão um pequeno pingente com o símbolo de uma estrela, e logo notou que ela deixará cair ao sair correndo do salão. Ele foi pela porta e passou pelo aposento com espelhos e bancos onde as moças se arrumavam antes do espetáculo, e logo a sua direita tinha uma porta. Ao abrirá, se deparou com a rua de traz da taberna, porem a moça não estava à vista.
— DANÇARINA DE VERMELHOR!! – ele saiu gritando na rua enquanto a procurava, mas após alguns metros e sem sucesso, parou e olhou para o pingente:
— Como eu queria saber ao menos seu nome... – E como a lua já estava alta no céu, ele decidiu deixar a caravana e seu Líder indecente de lado e rumar para sua casa.
Na manha seguinte, e ele acordou cedo como quase todos os dias, pegou sua carroça com frutas e rumou para a feira no centro da cidade. No bolso, levava dentro de um saquinho. Após um dia de trabalho, ele voltava para casa, e no caminho passou em frente à taberna em que conhecera a dançarina misteriosa na noite passada:
— Se ao menos eu soubesse seu nome... – ele apertou firme o pingente dentro de se bolso, determinado a achar sua dona.
Naquela mesma noite, quando lua já estava alta no céu, ele retornou a taberna determinado a achar a dançarina que o encantara desde a primeira vez que seus olhos se cruzaram.
Adentrando o lugar, pegou uma mesa próxima aporta em que ela saiu, sendo prontamente atendido por uma das meninas que encheu seu copo com vinho:
— Com licença, você sabe me dizer o nome da mocinha de vermelho que dançou aqui ontem?
— A Sáada(3)? Ela esta aqui a alguns messes, mas nunca fala muito dela mesma, só vem, dança, recebe e vai embora.
— Há sim, entendo... E ela virá hoje?
— Ela não tem vindo com tanta frequência, até esta deixando a dona daqui muito irritada, pois os clientes que vinham ver seu espetáculo não estão vindo mais devido a sua presença inconstante. Se precisar é só chamar – e foi atender outra mesa.
— Então você é a Sáada... – disse Isnar com o olhar longe enquanto segurava o copo, e não pode deixar de notar a ironia entre o nome da dançarina e seu olhar triste na noite passada. Ele notou a parada da musica, e todos voltaram sua atenção para aporta. Com uma musica diferente da noite anterior, menos delicada e bem mais intensa, os instrumentos começaram e a cortina se abriu. De lá, saiu a dançarina não mais misteriosa, com a roupa típica e o véu de cor vermelha lhe cobrindo toda a face. Com movimentos rápidos e precisos, ela arremessou o véu bem auto enquanto fazia uma reverencia ao publico que a aplaudira, e pegou o véu antes que este caísse no chão. O coração de Isnar acelerou dentro do peito, pois estava feliz de ver Sáada mais uma vez. Ele começou a acompanhar o restante das pessoas com palmas, enquanto observava os movimentos sutis e rápidos que enchiam os olhos de todos do salão. Ao final da musica após ser aplaudida, outras garotas e homens tomaram o salão e Sáada retornou para dentro da cortina vermelha que saíra. Tomada novamente pelo impulso, Isnar entrou para procurar Sáada. Êxitou diante da porta da sala em que as moças se arrumavam e bateu na porta:
— Quem é? – Uma voz saíra de dentro do quarto.
— Você deixou algo precioso cair – disse Isnar. Após alguns segundos de silencio, a porta foi aberta e um pequeno par de olhos espiou pela brecha, surpreendendo-se com o que vira:
— Você? – disse Sáara meio confusa em ver seu salvador ali novamente.
— Posso entrar? – Isnar disse em voz baixa.
Se afastando para dar espaço ao homem auto, ela fechou a porta e passou a chave.
Ambos pareciam bem desconcertados com a situação, e após alguns segundos Isnar rompeu o silencio:
— Isso é seu, não é? – e tirou do bolso o saquinho, depositando na mão o pequeno pingente de estrela.
— O PINGENTE! Achei que nunca mais iria encontrar – disse Sáara, feliz ao visualizar o pequeno objeto. Mas logo sua expressão de felicidade foi substituída por uma expressão apreensiva:
— Diga logo o que quer em troca dele – disse Sáada desviando o olhar.
Entendendo a situação, Isnar prontamente pegou na mão de Sáada, que fechou os olhos e encolheu os ombros. Logo que abriu os olhos, ela se deparou com o pingente em suas mãos:
— Mas, por que fez isso? – ela disse surpresa novamente com o gesto daquele homem.
— Não sou como os homens que vem a este lugar, sou apenas um feirante. Estou devolvendo o que é seu e você não me deve nada.
Sáada ficou por alguns segundos olhando para o pingente em sua mão, e Isnar pode notar algo escorrendo em seu rosto. Sáada esta chorando, enquanto um sorriso se alargava em sua face. Isnar, sem saber bem o que deveria fazer, apenas aguardava em silencio. Ao voltar seu olhar em direção a Isnar, Sáada simplesmente pulou com seu pescoço, e se apoiando na ponta dos dedos, ele pode sentir o leve toque da boca coberta pelo véu. Fechou os olhos e inalou aquele doce perfume que vinha da pele da jovem que o beijava. Rápido como começou, o beijo foi interrompido e aos abrir os olhos, Isnar apenas conseguiu vislumbrar os véus vermelhos da roupa de Sáada saindo pela porta que dava para a rua e ouviu uma “muito obrigada”, não teve nenhuma reação se não a sensação dos pequenos lábios tocando os seus.
— SÁADA, ESPERE SÁADA! — disse Isnar ao sair correndo atrás dela, mas ao sair, já não conseguiu mais avistar a jovem na rua.
No dia seguinte, ele foi à feira trabalhar, sem conseguir tirar a jovem de seu pensamento, quando diante de sua barraca surgiu um jovem de cabelos claros e curtos, e não pode deixar de notar como o seu coração estava acelerado:
— O que deseja meu jovem? – perguntou Isnar.
O Jovem rapaz, que desviou o olhar, disse:
— Você conhece a Sáada?
— Sim, na verdade estou a procurando, você sabe algo sobre ela? – disse surpreso ela súbita revelação do jovem.
— Sim, eu sou o irmão mais novo dela, me chamo Hálim(4) – disse enquanto erguia o olhar para Isnar, dando um pequeno sorriso.
— Ela me pediu para que, mais uma vez, agradecer ao senhor por ter recuperado o amuleto de nossa família.
— Então...
— Sim, aquele pingente é um tesouro de nossa família, passado de geração em geração e tem um valor sentimental muito forte.
— Fico muito feliz de ter conseguido devolver ela para vocês então – disse Isnar, sorrindo de volta para o jovem. Um sentimento o qual Isnar não sabia explicar tomava conta de seu ser, muito semelhante ao que experimentou na presença de sua amada Sáada.
“Deve ser por eles serem muito parecidos, por isso estou reagindo assim” pensou o inocente Isnar.
— Minha irmã pediu para que eu deixasse um recado com o senhor: venha encontra lá a noite na taberna, ela gostaria de dançar para lhe agradecer mais uma vez.
— Diga a ela que estarei lá, em frente à cortina vermelha esperando por ela.
— Levarei sua confirmação a ela, obrigada mais uma vez – e foi embora.
Naquela noite, Isnar estava sentado no salão, quando as cortinas vermelhas mais uma vez se abriram, e de lá saiu sua amada, com as roupas e véus todos na cor amarela. Nas mãos, portava duas taças douradas, com velas brancas acesas dentro.
A música da noite era alegre e vivida, e ela começou a dançar no ritmo da batida dos instrumentos de mãos que enchiam o salão da taberna. A chama, apesar de seus movimentos vigorosos, não apagava, e com graça e destreza, ela ia mexendo os quadris de forma sensual enquanto movimentava as taças na mão. Isnar notou seus olhos se cruzarem mais uma vez, e os mesmos olhos de esmeralda que antes o encaravam com e medo e tristeza agora estavam radiantes e cheios de vida. Virada de costas, ela inclinou a cabeça para traz e desceu até o chão, depositando as duas taças no chão, e logo em seguida começou a dançar ao redor delas, agora mexendo rápido seus braços e mãos no ritmo da musica, levando os homens da taberna ao delírio. Ao final, fazendo um reverencia, foi aplaudida, e logo uma nova musica começou a tocar, e ela permaneceu por mais alguns minutos dançando junto com as outras pessoas que adentraram o centro do salão.
Isnar tentou tomar coragem para entrar no meio do salão e tomar sua amada em seus braços, mas se conteve com medo que a moça não gostasse de sua atitude, então resolveu esperar até que ela viesse a ele. Mas, ao invés disso, Sáada subiu as escadas que ficavam no canto do salão até o segundo andar. Sem entender o porquê da atitude, Isnar a seguiu, chegando ao segundo andar. Bem menos movimentado, algumas moças faziam companhia a homens que bebiam e fumavam em alguns sofás e mesas, no fundo, atrás de uma porta alta entre as cortinas vermelhas, lá estava ela.
Isnar cruzou o salão e parou em frente à Sáada, que virou e olhou para ele, e com a mão estendida, o convidou a chegar mais perto.
Ele tomou suas mãos e as aproximou, beijando-as e dizendo:
— Existe algo que eu quero te dizer... – mas com um dedo em seus lábios, ele parou antes de declarar o seu amor.
— Eu também tenho algo que quero que você saiba – e desvencilhando as mãos, ela tirou o véu de sua cabeça e também aquele que ocultava metade de sua face.
— Hálim? – disse Isnar, um pouco confuso com a situação.
— Eu estou a um mês substituindo minha irmã aqui na taberna. Nós pertencemos a uma famosa família de viajantes do deserto. Desde gerações passadas guiávamos caravanas de reis e pessoas poderosas de vários impérios deste continente, mas meu pai morreu e minha mãe decidiu deixar a vida no deserto e se estabelecer nesta cidade, porem a perdemos faz um ano. Para sobreviver, minha irmã veio dançar na taberna, e eu e minha irmãzinha mais nova fazemos pequenos trabalhos para ajudar a nos sustentar.
Isnar estava impressionado com a historia mais do que o fato de Sáada ser na verdade Hálim.
— Como Sáada ficou muito doente, a dona dessa casa permitiu que eu ficasse no lugar dela, com a condição de não revelar que sou irmão dela. Senhor Isnar, agradeço muito por tudo que fez me defendendo e devolvendo a nossa valiosa lembrança de nosso pai, então resolvi lhe contar pois não aguentava mais esconder a verdade de um homem tão bom.
Isnar, sem pensar duas vezes, tomou Hálim em seus braços e o beijou, agora sem o véu atrapalhando, sentindo aquele doce perfume que tanto ansiava desde a noite passada. Hálim o recebeu de braços abertos, retribuindo todo o amor depositado em seus lábios.
— Hálim, admiro a coragem e força que teve ao fazer tudo que fez por sua família.
— Não esta bravo por eu ter mentido?
— Não, eu seria incapaz de nutrir tal sentimento por você. – e abraçou Hálim com força, acariciando seus cabelos.
— Então, o que queria me dizer? – disse Halim, ainda corado pelo que acabará de acontecer.
— Desde a primeira vez que nossos olhos se cruzaram naquele salão, eu pude sentir algo mudar dentro de mim. Depois de muito pensar, eu cheguei a uma conclusão e quero que saiba, eu estou apaixonado por você, Halim.
— Mas... – e com os dedos de Instar em seus lábios, ele ouviu o que o homem gentil lhe dissera.
— Não me importo com o fato de você ser o Halim e não Sáada, porque antes de tudo, me apaixonei pelo seu olhar.
Halim sorriu e se atirou em Isnar, que o recebeu com os braços e com o coração aberto.
— Eu também estou apaixonado por você – disse Halim, e com um sorriso nos lábios, Isnar tomou sua delicada face entre as mãos e o beijou, um beijo de paixão e amor sob o véu daquela noite estrelada.
Bônus
Era feriado na cidade de Zaina, e a música típica era tocada e ouvida por toda a cidade. Em um quarto num canto da cidade, estavam Isnar e Halim comemorando a seu modo o feriado. Isnar estava sentado na cama, com as pernas cruzadas e bastante atendo ao seu espetáculo particular que estava prestes a começar. A sua frente estava Halim, coberto com véus de várias cores e trajes típicos, exceto pelo busto falso que usava antes, pois agora não havia mais motivos para esconder sua verdadeira identidade. Assim, ele começou a Dança dos Sete Véus(5), aproveitando a musica da cidade que entrava pela janela. Com movimentos delicados, ele jogava um por um os véus no chão do quarto, enquanto Isnar observava atentamente cada movimento. Com o ultimo véu na mão, que tinha cor vermelha, Halim o passava por todo o corpo, provocante, até atira-lo para o alto e dar um rodopio, fazendo uma profunda reverencia a Isnar antes de o véu cair no chão.
Então, com rapidez ele pulou em cima da cama, colocando um dos pés sob o peitoral nu de Isnar:
— Você tem certeza que quer isso?
— Nunca estive tão certo sobre algo em minha vida como estou agora.
E sorrindo, Halim se jogou nos braços de Isnar, e ali ambos se entregaram um ao outro, em sua primeira noite de amor.
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