Notas iniciais:

Oie!
Se está nesse capitulo, fico feliz que se interessou!
Esta é mais uma ideia saindo do sótão e indo para a sala de estar, onde junto o pessoal e conto uma historinha (liga não, sou meio estranho assim ás vezes, mas não sempre ;D).
Indico essa musica para ler com o capitulo: Halsey — Colors
link: https://www.youtube.com/watch?v=JGulAZnnTKA
Boa leitura e beijos!

************************

Era uma festa durante a madrugada cheia. Jack não pretendia voltar para casa enquanto o sol não desse sinais de brilhar. E, apesar de gostar de ar puro, ele estava trancado dentro daquele enorme casarão antigo que sobreviveu décadas e agora fora invadido por uma das festas mais intensas que existia na região da pequena cidade. O prédio em um bairro um pouco distante do centro, foi o lugar escolhido por algum desconhecido, e provavelmente muito rico, investidor, pois, por mais coisas diversas fossem vendidas e oferecidas naquela festa, nenhum policial aparecia perto.

Solitário e incógnito pela máscara aveludada de coelho branco, Jack aproveitava a festa para qual fugiu não querendo ficar em casa ou com os amigos naquela madrugada. Seus olhos claros ainda se exibiam na máscara de orelhas altas, entre as quais mechas de seus cabelos castanhos escuros e levemente compridos surgiam bagunçadas. Seu queixo e sorriso torto sempre apareciam sob aquele focinho de nariz rosa quando alguém queria algo dele e ele escapava habilmente, como o animal em que se caracterizava, sendo difícil de ser pego.

Em certa hora da noite, Jack já tinha dançado, suado e até sido agarrado e apalpado na pista de dança do salão, onde a musica eletrônica vibrava no corpo e vários lasers coloridos passeavam para todos os lados no ambiente escuro e abafado. O rapaz, de recentes dezoito anos, havia encontrado desconhecidos que o trataram como amigo em suas rodinhas e havia se afastado deles, com um sorriso sacana, quando deixava alguém interessado na mão, recusando algum pedido mais particular. Jack não estava disposto a perder os momentos no meio daquela energia, das pessoas desconhecidas e felizes, para acabar na mão dos costumeiros frequentadores de uma balada de anônimos com máscaras. Naquela noite ele buscava aproveitar a festa acima de tudo, e se fosse dividi-la com alguém, deveria ser uma pessoa com algo especial que ele não pudesse resistir.

Vários tipos de bebidas passaram em sua mão e desceu por sua garganta. Um ‘face-branca’ lhe ofereceu algo mais ilícito e de efeito leve, segundo o estranho, e a droga o fez se divertir mais, fazer-se perder por alguns momentos de quem era e rir feito um doido fugido do hospício com qualquer piada ou pensamentos mais cômicos que lhe passavam. E quando o ‘face-branca’ tentou leva-lo para algum lugar, ainda restava uma consciência sobrevivendo sóbria, e foi aí que Jack parou de aceitar coisas grátis de outros e mudou-se de lugar. Depois do efeito, a sede secou sua garganta e o coelho foi para um largo corredor do casarão que o levaria para o restaurante e bar principais da festa.

Então, quando caminhava sozinho, distraindo e ouvindo o eco da música ensurdecedora, seus olhos se levantaram sem atenção do chão e se fisgaram em um unicórnio que vinha em sua direção (em direção ao salão). A criatura não encarava ninguém exatamente e estava sozinho, assim como Jack. A máscara branca, com um único chifre esmaltado na testa, possuía leves manchas azuis claras e cintilantes nas bochechas equinas e um tufo de crina branca com mechas coloridas estava no alto, entre as orelhas pontudas. Mas o olhar do coelho se hipnotizou naqueles olhos castanhos e brilhantes, que transmitiam um medo e coragem, ao mesmo tempo. O coração do branco bateu mais forte, ali estava o ‘especial’ que ele pôs como condição.

No corredor cheio de sombras e luzes fracas, o unicórnio deu alguns passos em direção a Jack antes de finalmente notar que estava sendo observado. A reação da criatura foi parecida com a de Jack, seus olhos cor de madeira se fixaram em sua face, como imãs que se atraem e se prendem, e o observou de volta por uns segundos, tendo um breve descompasso na caminhada enquanto desviava de pessoas no caminho. Contudo, o unicórnio seguiu andado para o salão de onde o coelho havia saindo, sustentando o olhar de Jack até passar ao lado dele e então encarar o chão, sem mais nenhuma reação além de um fechar de punhos nervosos.

O coelho branco não perdeu tempo, girou-se, deu passos rápidos e segurou o cotovelo encoberto por um suéter fino e cinza-claro do unicórnio. A princípio garoto mais baixo recuou arredio com o toque, mas Jack não o soltou, esperou o susto passar e logo sorriu torto afrouxando o aperto. O olhar do menino vagou com medo por sua máscara de coelho, mas com aqueles olhos azuis o fitando e o sorriso, até certo ponto gentil, relaxou seu braço, quase se entregando só por olha-lo próximo.

Jack não disse nada, existia uma estranha familiaridade de sua alma com o estranho, uma interpretação mutua sem falas, e também não adiantaria pela música alta que passava pelo corredor e as conversas incompreensíveis tão misturadas. Ele apenas deslizou o toque do cotovelo até a mão do rapaz, entrelaçando os dedos e moveu a cabeça em um “venha comigo” calmo.

O unicórnio hesitou, notando que Jack tinha músculos a mais suficientes para agarrá-lo à força em um lugar sombrio da casa de festa. Mas, com um segundo puxar sutil de sua mão pelo coelho, e sem conseguir fazer-se balançar a cabeça em um ‘não’, a criatura deu alguns passos travados e só depois se deixou ser levado.

O rapaz sentia medo do coelho desconhecido, de regata preta, jeans e moletom branco na cintura. Tinha medo, mas estava o seguindo; observando melhor o corpo magro e maior, a forma que o braço tinha algumas definições que cintilavam com as luzes fracas do corredor e analisando a linhas retas do queixo tensionado, os cabelos escuros e o sorriso no canto do lábios... O unicórnio estava distraído quando foi encostado de costas numa parede, em um recuo com menos luz do corredor que abrigava um quadro decorativo grande.

O coelho ficou na sua frente, próximo, cercando-o naquele canto e olhando seus olhos enquanto outros participantes da festa e garçons/seguranças passavam pelo corredor. Ao menos ali era movimentado, o unicórnio pensou se acalmando, e então voltou a dar atenção ao coelho. Havia sombras demais naquela face, mas dava para ver os olhos cristalinos e lábios, que logo se moveram para lhe disser algo:

— Eu quero ficar com você. Pode ser?

Retornando a pensar no que veio fazer ali, o garoto com a máscara de unicórnio carregou sua coragem de ficar livre, de viver aquela noite sem negar suas vontades e oportunidades, aproveitando-se de que todos eram anônimos e desconhecidos naquele lugar que visitava pela primeira vez. Ainda tímido, ele assentiu a proposta, estava entregue à chance de aproveitar-se daquele jovem coelho branco sem precisar saber de nomes. Sua concordância fez um sorriso exibir-se naqueles lábios próximos. O unicórnio engoliu em seco e leu mais uma frase, com a ansiedade de ser tocado crescendo em si e tomando o lugar do resto de medo que sentia:

— Posso te beijar?

Ainda hipnotizado pelo sorriso fraco e cedendo a ansiedade que borbulhou com aquele pedido, o garoto balançou a cabeça positivamente novamente e levantou a máscara de unicórnio para testa. Jack não esperou nenhum segundo vendo aquele rosto de garoto, com uma idade próxima da dele, e beijou-o, apoiando aquele pescoço e sentindo as mãos pequenas alcançarem sua nuca, puxando-o enquanto pedia permissão para invadir aquela boca. Logo o coelho encostou seu corpo no do menor, pressionando-o na parede, e separou-se para uma inspiração de oxigênio, resolvendo finalmente puxar sua própria máscara para o lado e ficar mais cômodo para retornar a mais beijos afobados com o pequeno unicórnio que encontrou e que correspondia aos seus toques como se tivesse ficado sem aquilo por longo tempo.

Um tempo depois Jack queria mais que beijos, suas mãos, antes apoiadas na cintura e nas costas alheias, deslizaram rápidas e voltaram para cima por baixo daquele suéter do unicórnio. O toque de seus dedos nas costelas fez o garoto soltar um grunhido baixo, dando um leve puxão nos cabelos da nuca do coelho, e parar o beijo. Jack apenas riu sozinho daquela reação de prazer. Em seguida tocou seus lábios na pele branca do pescoço do menor, continuando as caricias de sua mão no tórax, só para ouvir mais do que o desconhecido estaria achando.

Os minutos passavam, eles não se importavam e ninguém os notava. De repente o garoto unicórnio, em meio a outro beijo e com uma ação rápida, desceu as mãos do pescoço de Jack, pressionando o toque suavemente em seu peito semi definido no caminho, e desceu mais, parando segurando o cós do jeans e puxando-o contra a própria cintura. O impacto fez o coelho corado interromper o beijo e ter uma leve falta de ar. Os olhos castanhos fitaram-no de volta, também desejosos, e Jack o abraçou mais forte, assumindo a criatura fantástica para si.

Apenas com o contato calmo de olhos nos olhos, e alheios ao mundo ao redor, o unicórnio, ainda desconhecido, deslizou as mãos do cós do jeans de Jack de volta para o pescoço, admirando-o, mesmo sem saber o nome. O toque do menor era calmo e enlouquecedor ao explorar o caminho até retornar ao seu posto. Então, os dedos passaram pela clavícula exposta na regata, alisando a pele enquanto Jack só observava, e de repente os olhos desviaram-se para a corrente do coelho, onde as mãos pararam. Curioso, o garoto unicórnio escorregou os dedos até o pingente, e Jack não resistiu mais, pressionou-o com seu corpo e moveu-se, dando alguns beijos carinhosos no rosto do garoto e inspirando seu cheiro. E mais súbito quando toda a sensação de desejo que emanava do unicórnio sumiu, e este disse um nome com surpresa e choque:

— Jack?! — o menino olhou para seu rosto, completamente pasmo. Mas naquele canto as sombras não permitiam identificar a face do maior completamente.

O coelho afastou-se um pouco com estranheza. Toda aquela intimidade que tinham a instantes regredindo com a novidade. Como ele sabia seu nome? Perguntava para si mesmo, mas num segundo seu cérebro trouxe a resposta ao se lembrar daquela voz. Não era uma voz que ouvia muito, mas era conhecida. E o nome saiu de seus lábios com o mesmo tom de surpresa e estranhamento, causando mais um espaçamento entre os corpos que tentavam se fundir a poucos minutos:

— Francis?

— Ah, NOSSAA!! — o unicórnio disse alto, repudiando, e tentou empurra-lo para longe de si. Mas Jack conseguiu manter-se no lugar, segurando o garoto naquele canto até que o mesmo se acalmasse e parasse de tentar fugir assustado. Jack queria entender o que estava acontecendo.

Francis finalmente parou, respirando pesado, sentindo o coração batendo mais rápido que nunca, a mente extremamente confusa e o suor era frio enquanto encarava o chão do corredor, questionando a besteira que estava fazendo.

Os dois ficaram em silencio, ouvindo a música eletrônica do salão, até que Jack superou o momento de surpresa e refletiu um pouco. Mesmo sabendo quem era Francis, ainda o queria, e isso era estranho, mas inegavelmente era o que sentia.

— O que... — Jack começou perguntar, mas foi cortado:

— Só me deixa ir — Francis pediu dócil, encolhido entre seus braços.

— Por quê? — Jack se importou mais com isso do que devia ao se lembrar de onde se conheciam.

Francis soltou um riso afetado e irônico e o olhou com leve desprezo na expressão:

— Como ‘por quê’? É tão burro assim como meu irmão para não entender?

Jack o olhou de volta, tendo a sorte de uma luz próxima ajudar a iluminar o rosto pálido e cabelos castanhos moldados de Francis. Mas logo seu olhar voltou aos lábios médios do menino, e quis prova-los novamente, mas engoliu em seco, e respondeu:

— Não me compare a outras pessoas. Você não me conhece... — suspirou — E se eu não quisesse você, já teria te soltado assim que falou meu nome.

Francis mudou a expressão e teve uma breve arritmia encarando Jack, que parecia falar sério ao olha-lo. Então o maior se aproximou rápido, beijando-o sem controle, declarando com o gesto que queria continuar como antes. Contudo, por instinto, Francis o afastou bruscamente. Estava muito confuso naquele momento, queria agarrar o amigo do irmão como estava fazendo quando eram desconhecidos um para o outro, queria fazer com ele os pensamentos impuros que o haviam tomado até aquele momento durante a festa e seus beijos, mas uma boa parte não queria deixar, afinal, Jack era amigo do irmão mais velho dele, o chato da casa, que sempre o perturbava, mentia e chacoteava – e não foi apenas uma ou outra vez que Francis ouviu o irmão debochar dele diante dos amigos que trazia para a casa ou comentar injurias só para os colegas rirem e ficarem achando que ele, Francis, fosse um garoto imbecil e perdedor.

— Olha Fran — o apelido em voz carinhosa fez o menino dar atenção à Jack — entendo que se importa com o que seu irmão vai saber, no fundo eu também, então, vamos fazer assim: você fica comigo essa noite, faz o que quiser, mas amanhã não vamos lembrar e ninguém fala sobre o que aconteceu para ninguém. Que tal? A noite vai ser apenas nossa, eu juro.

O menino ouviu e encostou a nuca na parede, fechando os olhos para pensar. Não queria confiar, mas ao mesmo tempo queria. Jack pressionou seu corpo sobre o dele, em um tipo de abraço ao deixar o rosto ao lado do de Francis. O unicórnio então sentiu o calor, o contato daquele corpo contra o seu, a respiração do outro o arrepiando e os dedos massageando-o sutilmente na altura de sua cintura. A proximidade começou mexer com ele novamente, com o folego, o coração e o controle de calor de seu próprio corpo, esquecendo-se de decidir algo, de quem era Jack, só queria ficar ali, derretendo calmamente. E sua ação de abaixar o rosto, tocando os lábios no ombro do coelho, foi como um sinal e Jack voltou a tocar os lábios de Francis em um beijo calmo no começo, e que aos poucos o levou à ansiedade e chamas que os dois tinham antes, só que agora eles se conheciam e tinham um acordo para o dia seguinte.

Jack, o coelho, não continuou sendo sutil para sempre. Inovou seus movimentos contra Francis, roçando-se de acordo com sua excitação e deixando a mão mais boba ao deslizar pelas costas do menor, agarrando a calça sutilmente até que o unicórnio se acostumasse em ser tocado por ali. Em um momento Francis parou de corresponder aos beijos de Jack, o separando com necessidade e rindo meio sem folego, e o maior estranhou.

— Você vai acabar tirando minhas calças aqui no meio corredor, Jack. — disse o garoto em meio à algumas tomadas de ar e um sorriso, em seguida puxou a roupa para cima.

— Ora, era o que eu queria — respondeu malicioso e depois retornou a tocar o cós da calça de pano, mas Francis segurou sua mão com uma nova interrupção:

— E-eu preciso ir ao banheiro.

Jack o olhou e concordou com um sorriso maroto:

— Então nós dois vamos!

— Mas não é para isso! — Francis acabou rindo rapidamente, colocando as máscara sobre o rosto, antes de sair do lugar em que foi capturado.

Notas finais:

E esse é o fim do prólogo!
Se gostou deixei seu like aqui em...'Péra! Não, aqui é comentário (e o doido aqui nem vê muito youtube, kkk). Então, deixei seu comentário, sempre respondo com amor no coração.

Abraços e espero que tenha gostado! Deixe um comentário para Melvin! ;D