O Ultimo Robin
4 Robin
O aniversario mais marcante para mim foi o dos meus nove anos. O primeiro de muitos em que Bruce não pode estar presente por ser o famoso Batman. Não que eu fique chateado, até entendo os motivos dele. É parte dele salvar as pessoas, mesmo que isso signifique deixar seu filho em casa (e em segurança) no seu aniversário com sua melhor amiga e um mordomo que fez de tudo para vê-lo sorrir.
Alfred agiu mais como meu pai do que meu mordomo naquela noite, brincou comigo e com Alyssa que dormiria lá em casa. O pai dela só deixou por que Bruce deu ênfase ao fato dela ser minha única amiga. Mas pelo que Alyssa me contou, ele queria minha boca a no mínimo 55cm da boca da filha dela. Como se a ideia do selinho fosse minha. Mas pelo jeito a mãe dela apoiava nos dois e mandou Tony, quer dizer, Sr. Stark, para de ser ciumento e deixar Alyssa continuar com seu “Namoradinho” de infância. Acho que não preciso dizer que corei quando ela me contou isso, não é? De acordo com ela, fico muito fofo vermelho. Não teve festa, apenas pedi a tarde com Alyssa e no fim da noite comer bolo e abrir meus presentes. Assim que o sol começou a se por, Bruce se isolou na Batcaverna e lá ficou até voltar apenas para me avisar que tinha uma emergência e que sairia imediatamente. Depois disso até Alfred notou meu desanimo com os presentes, apesar de eu tentar sorrir. Enquanto eu tentava me animar, Alyssa tentava parar de rir. Só por que um dos presentes era uma cueca box de ursinhos. Ela corou ao ver a peça, mas começou a rir desesperadamente segundos depois. Eu corei, logicamente. É constrangedor a sua futura namorada ver sua cueca favorita e... Espera, eu realmente chamei Alyssa de futura namorada? Céus, ela me mudou mesmo. A risada dela era contagiante e gostosa de ouvir, me fazendo sorrir bobamente. Alfred nos deixou devorar metade do bolo sozinhos... Algo que deixou nos dois com excesso de açúcar e cheios de energia. Que foram agua a baixo, literalmente, no banho de banheira que tomamos juntos (com roupa de banho, obviamente). Depois disso ela se deitou no colchão ao lado da minha cama e começou a cantar músicas aleatórias e sem nexo. Algo me dizia que ela não sabia a letra certa, mas eu não tinha certeza. Dormi era 22:12 e fui acordado 23:55 por Bruce. — Sr. Wayne, o que faz aqui? — pergunto sonolento. — Ainda é seu aniversário. — Ele se aproximou de mim com um embrulho até grande, tinha um sorriso nos lábios. — Isso — ele aponta para o embrulho — É o motivo de eu ter de treinado tanto. A razão de eu ter exigido tanto de você, Parker. Encarei os olhos dele, depois o embrulho. Só podia ser o uniforme de Robin. Mas, naquele momento, eu não estava feliz pelo presente. Estava extremamente feliz por ele ter se importado em chegar minutos antes do meu aniversário acabar e me dar o presente. Ele se importava comigo como se eu realmente fosse filho dele. — Deixei bolo para o senhor... — digo sorrindo, mostrando que também havia me importado em guardar bolo para ele. — Sr. Wayne... — digo e me ajeito na cama — O senhor cuidou de mim por todos esses anos como se eu fosse seu próprio filho e eu me sinto... ahn — procuro a palavra — eternamente lisonjeado por isso — sorrio. — Eu amo o senhor como meu pai verdadeiro e sinto que o senhor também me considera um filho... não tenho certeza, mas o senhor é incrível... Se importar comigo desse jeito — dei de ombros — não sei o que dizer além de obrigado. — Parker — ele chamou e colocou a mão no meu ombro. — Eu que me sinto agradecido por ter te conhecido pequeno. Voce provou sua coragem para mim tantas vezes que acho que posso até te chamar de mini Batman — ele riu, o acompanhei. Ele nunca fazia piadas para mim. — Garoto, você é simplesmente o menino de 9 anos mais forte que já vi em minha vida. Te criei para usar esse uniforme — ele fez um gesto para o uniforme. — Amanhã, Parker, amanhã sairemos juntos para resolver um pequeno assalto num banco muito suspeito. Naquela noite dormi muito bem e na noite que tivemos que ir ao tal banco, nunca me sentia tão vivo. O uniforme era exatamente do meu tamanho e ver Bruce como Batman era assustador, mas eu tinha uma admiração agora por ele que era inexplicável. O bastão e uma katana estavam presas a minhas costas. Estávamos no topo de um prédio observando a entrada do banco que tinha sido roubado. — Cuidado — Bruce advertiu quando me aproximei da beirado do prédio em pé. — Estou sendo cauteloso. — digo — Tem câmeras de segurança na entrada do prédio, que pelo ângulo não podem me ver. Os guardas que fecharem o perímetro também não tem uma visão muito boa dessa parte do prédio, as luzes do poste não permitem e... — Voce está pisando na sua capa, Robin — ele me interrompe. — Ah... — coro bruscamente. — Desculpe, estou animado. — É nervosismo. Quando entramos no prédio, a sala do cofre roubado estava vazia. Batman olhou em volta do cofre e dos caras caídos no chão. Eu observava mais os detalhes, como a trajetória do ladrão e refazendo a cena. O chão estava muito empoeirado, então dava para ver facilmente as pegadas. A maioria era do tamanho do pé dos caras caídos, algum grupo que também planejava o roubo mas foi abatido.
— Batman, olha isso — digo ao ver 4 marcas diferentes a alguns metros do cofre. Eram como dois pares de pata, dianteira e traseira. Depois o criminoso andou até o cofre. — Só uma mulher pode ter deixado isso. — Mulher? — ele pergunta. — É, por que até agora não conheço nenhum Homem-Gato — digo sorrindo. — Um ponto para o novo Robin — disse uma voz feminina atrás de mim, por reflexo giro o corpo pegando o bastão com uma mão e a espada na outra, numa postura ofensiva e defensiva. — Mulher-Gato — diz Bruce. —Vejo que conseguiu um novo ajudante. — É Robin — reclamo. Ela olhou atentamente para mim e viu a raiz de meus cabelos. Loiros. — Filho...? —Ela diz num fio de voz que fez o bastão escorregar de meus dedos.
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