Notas iniciais
Boa leitura

Continuei caminhando na gélida noite, uma leve neblina fazia meus óculos embasar e atrapalhar minha visão já ruim pelas lagrimas que molhavam meu rosto. Andava apressadamente, tentando me afastar ao máximo das minhas malditas lembranças e da Mansão Wayne ... o lugar que até 4 dias atrás era meu lar. Ele mentiu para mim desde o início, não me contando a verdade sobre meus pais. Meu telefone tocou, era Alyssa... provavelmente querendo me matar por deixa-la tão preocupada comigo... Mas não atendi, deixei ir para a caixa de mensagens... como às outras 7 ligações dela.

Uma leve garoa começou e eu continuei caminhando, entrei num beco, em busca de ficar seco por que estava frio naquela noite. Me sentei no chão sentindo as gotículas de água pingarem nas lentes dos meus óculos. Respirei fundo o ar úmido e soltei lentamente pela boca, fazendo uma leve fumacinha. A temperatura tinha caído drasticamente desde minha entrada no beco. O ar incrivelmente gelado entrando pelas minhas narinas e fazendo parecer que tudo congelaria dentro de mim me fez arrepiar e me encolher no chão do beco. Resolvi me levantar e pular um pouco, para meu corpo esquentar e eu parar de sentir frio. Pulei umas três vezes no mesmo lugar esfregando as mãos nos braços antes de ser jogado bruscamente para o lado. Senti meu ombro doer pela queda inesperada, olhei para a direção do empurrão.

Frio... — Digo num fio de voz, que saiu como um agudo rouco.

— Parker — Ele disse sorrindo, a voz estranha de sempre — Steve Parker... o ultimo Robin... Me diga... Tim Drake, Dick Grayson, Jason Todd, Damian Wayne e Stephanie Brown... os outros Robin’s… não te disseram que o cargo não é bom e você sempre acaba morrendo e que o morcego sempre encontra outro moleque de rua melhor?

— Eu sou o último... Sou o ultimo Robin! — digo me levantando num salto de gato, o ombro latejava, provavelmente o tinha deslocado. — E vou mostrar que mereço aquele uniforme mais que qualquer um!

— Batman não te quer garoto... — Frio se aproxima de mim, com passos lentos e pesados — Mas eu quero... um garoto tão incrível quanto você ficaria melhor ao meu lado.

— Vá para o raio que o parta, Frio — cuspi as palavras contra ele.

Então num único movimento ele finca uma seringa em meu peito, não me deu tempo para desviar ou fugir... Sinto o liquido gélido entrando em contado com meu sangue e congelando meu corpo lentamente. Tossi e vi pequenos pedacinhos de gelo caírem no ar, minha garganta doía e então eu quase perco a consciência... Desmaio por alguns segundos e quando acordo estou nos braços de Bruce Wayne (com o uniforme de Batman, é claro), respirava com muita dificuldade... parecia que meus pulmões tivessem congelados... Tusso novamente.

— Senhor.... Senhor Wayne... — sussurro do modo que ele me pediu para chamar em ocasiões formais... mas ele estava ocupado discutindo algo com Alfred.. ele gritava algo como “Eu preciso do antídoto agora, Alfred!”... ele parecia desesperado e posso jurar que vi uma lagrima cair. “Ele não pode morrer” escutei ele dizer... então tento falar de novo. — Bruce... — ele me encara, desligando o comunicador com o mordomo e puxando a máscara, me encarou e passou as mãos em meu cabelo.

— Pode me chamar de Pai — ele disse com a voz embargada... então eu simplesmente não conseguia mais me mexer, a respiração cada vez mais difícil e o corpo cada vez mais pesado. Com meu ultimo folego e forças, sussurro as palavras que devia ter tido 4 dias atrás:

— Pai... eu te amo... — então minha visão ficou um pouco turva.

As ultimas imagens que lembro foi Bruce me abraçando com força enquanto chorava compulsivamente e murmurava sem parar: “te amo, filho, te amo...”. Depois disse, eu apaguei quase sem respirar.