O Ultimo Robin

2 O Anjinho Demoníaco.


Notas iniciais
Boa leitura.

Eu tinha uns 6 anos quando o conheci. Lembro-me de estar no orfanato, brigando com a bola e ela ter saído da quadra, indo em direção à rua... Eu corri para tentar alcança-la, não vendo o belo carro preto vindo em minha direção. Um homem loiro me salvou naquele dia, correndo em minha direção e me pegando antes de cair no chão comigo no colo. Mas o loiro não foi o cara que mudou minha vida... foi o moreno que desceu do carro. Ele tinha o maxilar bem marcado, cabelos bem penteados e usava um terno preto bem passado. O loiro já tinha os cabelos bagunçados e usava uma camisa colada, calça esportiva e tênis de corrida.

— Está bem, pequeno? — o loiro me pergunta, com um sorriso amigável. Concordo com a cabeça.

— Garoto — diz o moreno, a voz grave e firme que o loiro não tinha. — Se machucou?

— Não, senhor — digo rapidamente, a voz dele me intimidava.

— Você é Bruce Wayne, senhor? — o loiro pergunta.

— Sim, e você, quem seria? — o homem agora que sabia o nome; Bruce; disse estendendo a mão.

— Soldado Rogers, senhor. — eles deram um aperto de mão. — Steve Rogers.

— O primeiro vingador — Bruce disse e pude ver um leve sorriso, pego minha bola e encaro os dois.

— Sim — Steve sorriu e me encarou, se abaixando para me encarar — E você, garotinho, qual seu nome?

Encaro os dois, Bruce me analisava da cabeça aos pés... o que não era lá muita coisa já que eu tinha apenas 1,05. Ele encarou meus olhos curioso. Nós três tínhamos olhos azuis claros... mas eu era o único loiro de cabelos encaracolados... ou ondulados... não sei a definição correta.

— Steve — digo e sorriu — Steve Parker.

Rogers sorriu para mim, já Bruce me encarava com certa curiosidade e fixação. Mas então Tia Nayla, a mulher que cuidava dos pequenos no orfanato, vem em minha direção. Ela devia ter no máximo 21 anos.

— Parker! — Ela disse — O que faz na rua, garoto???

— A bola — digo — vim pegar a bola...

— Está tudo bem, senhorita — disse Rogers sorrindo — Ele não foi longe e também só atravessou por que não viu o carro do Senhor Wayne... Posso leva-lo para tomar um sorvete comigo aqui na esquina?

— Eu... não vejo problema, mas tenho que ir junto. — Tia Nayla diz.

— Bom, vou indo. Estou atrasado na minha reunião. — e assim o moreno foi embora...

Mas a tarde com Rogers foi muito divertida... ele me contou que era o Capitão América quando soube que esse era meu super herói favorito... Steve também me comprou uma camisa dele... Que era enorme e eu usei para dormir até meus 17 anos, quando a camisa ficou justa demais para ser confortável... Depois disso ele sempre me levava para caminhar com ele um pouco... me comprava o sorvete e voltávamos para o Orfanato...

Mas foi 2 semanas e 3 dias depois do ocorrido que Bruce voltou ao orfanato e me adotou. Eu, na época, não sabia o motivo... mas fiquei feliz... Ele me levou para a mansão dele.

Lá cresci e tive aulas em casa até meus 7 anos... onde tivemos nossa primeira “conversa”... Que foi onde descobri que ele era o Batman e... bem, que ele não gostou nem um pouco de eu adorar o Capitão América. Foi assim:

Era noite estrelada e quente de terça feria, pleno verão e eu tinha acabado do banho obrigatório depois da aula de defesa pessoal... Eu tinha hora para dormir e hora para acordar. Naquela terça Bru... Quer dizer, Sr. Wayne me deixou demorar mais no banho pois havia me saído muito bem no treino... ganhado de um dos caras que ele contratou para lutar comigo. Então naquele dia tive direito de demorar mais cinco minutos no banho, o que me fez dormir às 21:05h.

— Por que você sempre dorme com a camisa do Capitão América, Steve? — ele me perguntou.

— Ele é meu super herói favorito, eu sou o Capitão América! — digo pulando na cama.

— Por que não prefere o Batman?

— Ele me dá medo... ele é massa e tudo o mais... mas ninguém é melhor que o Capitão América!!

— Steve, Eu sou o Batman. — ele disse.

— Serio???

— Sim.

— Então é por isso que tenho medo do senhor, Sr. Wayne. — Suspirei pesadamente, a informação não me surpreenderá nem um pouco.

— Você não quer ser o Batman?

— Não, Sr. Wayne. Quero ser o Capitão América — disse e pude ver certa magoa em seus brilhantes olhos azuis.

Naquela noite, pela primeira vez ganhei um beijo na testa de boa noite... Meses depois, quando fiz 8 anos teve um jantar super chique na mansão. Foi quando conheci ela. Meu anjo demoníaco completamente maluco que eu não pude deixar de amar. Ao mesmo tempo que era meu maior pesadelo, ela era meu desejo proibido.

Naquele dia em especial eu estava muito bravo por dois motivos:

1. Bruce estava me treinando para ser o Robin e em algum lugar devia estar escrito que cabelos negros fazia parte do uniforme, por que fui obrigado a deixar Alfred tentar tingi-os... Mas não deu certo e o próprio Batman deve que pinta-los.

2. Eu usava um terno. Tudo bem que ele era muito bonito, bem passado e exatamente do meu tamanho... e a coleira, quer dizer, gravata era de um azul intenso e escuro que eu adorei. Acontece que para conseguir me por naquilo, Alfred quase perde os dedos. Não me julguem, eu tinha 8 anos e queria ficar de cueca o jantar inteiro no meu quarto fingindo que não existia. Mas usei o maldito terno... com meu all star vermelho, obvio.

A festa já havia começado a algum tempo quando Tony Stark chegou... Esse algum tempo significa 1h e meia de festa... O que foi razoável. Mas não foi Stark que me interessou, foi Alyssa... a filha dele. Os cabelos até um pouco abaixo do ombro, cacheados e castanhos escuros estavam soltos numa enorme juba; mas só deu um charme a mais nela; olhos verdes meio castanhos que me fez os encarar por vários segundos enquanto ela me observava atentamente.

Ela também usava uma bermuda froxinha e uma camisa larga, um cinto de ferramentas na cintura, um band Aid vermelho no queixo e as mãos suavemente sujas de graxa. E claro, lindos coturnos que fazia o visual ficar ainda mais bizarro e perfeito. Provavelmente Tony não conseguiu convence-la a se trocar ou ao menos tomar um banho.

— Oi — ela disse, me encarando... o que foi perturbador, já que ela uns 10 centímetros mais alta que eu.

— Olá, senhorita Stark — digo num tom formal que aprendi a usar e sem abrir muito a boca.

— Me chame de Alyssa — ela sorriu, mostrando os dentes um pouco tortos e um deles faltando. — Alyssa Potts Stark.

— É um prazer, senhorita Alyssa. — digo encarando o chão. Meu nome nunca me pareceu tão... tão curto. Eu era Steve Parker. Steve Parker, sem sobrenome ou algo do tipo.

— Só Alyssa, garoto... qual seu nome? — ela disse encarando meu cabelo de um modo curioso, o que admito, me apavorou um pouco.

— Meu nome é... — hesitei em dizer, mas suspirei e disse: — Steven Parky — Então corei bruscamente. Tinha colocado aparelho móvel a alguns dias e ainda não sabia pronunciar meu nome com ele.

— Steven Parky? — ela repetiu, rindo um pouco de mim. Foi então que o pai dela chegou.

— Então você é o novo garoto do Bruce, o Steve Parker? — ele perguntou, assentiu timidamente.

— Mas você disse... — Alyssa começou e eu apenas mostrei os dentes e ela viu o aparelho — Ahhh...

— Sou Tony Stark — o homem me estendeu a mão, olhei para ela receoso.

— Sr. Wayne disse para não apertar a mão do senhor, Sr. Stark. — digo encarando o chão.

— Serio que você me chamou de “Sr. Stark”? — ele disse num tom de brincadeira que não me acalmou muito.

— Desculpo, devo chama-lo de Sr. Anthony? — pergunto corado e novamente, nervoso.

Ele me encarou como se pudesse me engolir só com isso. Eu não duvidava.

— Chama de Sr. Stark, garoto. — e se virou.

Depois disso, tive que ficar sentado obedientemente no meu quarto e brincar com Alyssa. Não sabia se estávamos brincando, só sabia que o meu cabelo virou o maior brinquedo dela. Ela ficava passado a mão no pequenos e largos cachos, acariciava minha cabeça e... BOOM!

Eu apaguei. Cai no sono rapidamente com aquele carinho incrivelmente prazeroso e intenso que me fazia me sentir no céu. Acontece que Alyssa não é nenhum anjo e... okay, ela é um anjo. Mas um anjo demoníaco! Ela simplesmente apagou ao meu lado com aquela juba na minha cara e, além de tudo, usou a minha canetinha preta para me desenhar um belo cavanhaque. Não deixei barato, rabisquei um bigode francês nela. O que a deixou só um pouco... ahn... incrivelmente agressiva é o termo formal para isso. Informalmente dizendo, a garota ficou irada e me perseguiu o quarto todo enquanto eu ria como um idiota que sabia que perderia os dentes tortos em poucos segundos.

Então eu simplesmente tropecei nos meus próprios cadarços e cai, obviamente. Alyssa, sem demoras, subiu em mim e começou a me estapear freneticamente. Eu apenas ria, os tapas no braço não doíam pelo meu treino puxado. Mas ela não precisava saber disso, e além do mais, ela também ria. Foi então que nós dois, mortos de cansaço; já que o cochilo não durou nem 15 minutos; deitamos no chão um ao lado do outro. Estávamos ofegantes e felizes, como duas crianças de 8 anos deveria ser. Não mimadas e filhos dos dois caras mais ricos da cidade.

Foi ai, que no meio de um riso e outro, ela se virou para mim e me beijou no rosto antes de correr quarto a fora me deixando estático no chão. O terno agora um pouco amassado e aberto, gravata folgada, cabelos provavelmente piores que o dela. Naquele momento, sentado no tapete em forma de um enorme quebra cabeça montado com cores diversas, que eu descobri uma coisa muito importante na minha vida:

Aquele Anjinho Demoníaco roubou meu coração.

E eu estava disposto a dar o troco com a mesma moeda.

Notas finais
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