O Ultimo Dragão Negro

1 Capítulo 1 - O Dragão Andante


Notas iniciais
Fic inspirada nas obras de George R.R Martin. Mais precisamente em acontecimentos que antecederam o livro O Cavaleiro dos Sete Reinos

– Eu tenho sangue de dragão também sabiam? — Disse Rolbo enquanto entornava outra caneca de cerveja.
Cale, que estava sentado do outro lado da mesa, levantou seus olhos claros e frios do tabuleiro de Cyvasse com uma expressão tediosa.

– Não duvido muito. Sua mãe já deu até para meu pai, e ele não rei, era padeiro. Hey, Vincent, eu tenho cara de dragão?

De algum lugar da cozinha da estalagem a voz de Vincent ressoou bem humorada.

– Se tem uma coisa que posso dizer da sua cara, Sor, é que é o mais próximo de um dragão que eu já pude imaginar. — Uma sonora risada se espalhou pelo salão vazio da estalagem. Rolbo bebericou um pouco mais de sua cerveja e prosseguiu.

– Ficaram sabendo do Quenty Ball?

– O Fireball? — Interrompeu Cale enquanto voltava a sua atenção para o tabuleiro a sua frente. — Aquele que salvou Daemon a fugir da Fortaleza Vermelha quando o maricas do Daeron mandou a guarda real prende-lo?

– Esse mesmo. Enfim... ele e Daemon conseguiram metade da campina e ainda o Açoamargo...

– Aegor Rivers, o outro bastardo?

– ... Não me interrompa palherma. Enfim, eles tem tropas e com certeza vão levantar os estandartes em breve. — Parou um segundo para brincar com sua caneca — O que você acha...?

Rolbo deixou a informação sugestiva se espalhar pelo ar por alguns momentos. Conhecia os amigos, não temiam uma boa batalha se houvesse uma boa recompensa.

– E você acha que eles vão aceitar três cavaleiros andantes a causa nobre deles, certo?

– È o Daemon droga, ele tem a Blackfyre, ele tem o direito...

– ... e Daeron tem o trono, tem Dorne, e tem o Corvo de Sangue.

O Corvo... O ar ficou pesado repentinamente; Corvo de Sangue, outro grande bastardo, fiel ao rei Daeron e que sussurrava venenos em seus ouvidos. Uma velha canção dizia:

"Quantos olhos o Lorde Corvo de Sangue tem? Mil olhos e mais um"

Isso se devia ao fato de ele ter perdido um de seus olhos para Açoamargo em batalha e por sua vasta rede de informantes. Ou "passarinhos", como costumavam chama-los. Se havia algo que o Corvo não soubesse era porque não merecia atenção.

– Se nós já sabemos disso, com certeza ele já sabe. Ele pode estar marchando para a Campina agora mesmo. Isso vai dar merda Rolbo.

– E se não der? Digo... Aegon deu a Blackfyre para Daemon por um motivo certo? Ele o legitimizou por um motivo certo? Talvez isso seja o que os Deuses querem...

Cale bufou de irritação e encarou o amigo. Rolbo sempre fora muito esperançoso, a esperança de Cale avisa morrido algum tempo a trás.

– Se os Deuses ligassem para nós ainda estaríamos no Rochedo, se os Deuses ligassem para nós não estaríamos nessa merda de estalagem imunda e a Lore ainda estaria...

Rolbo interrompeu Cale com o olhar. Vincent escutava a conversa silencioso em um canto. Não se devia mencionar a mãe do garoto ou o que ocorreu a ela em sua frente.

– È uma oportunidade Cale. Ganhar algumas moedas, mudar de vida, jurar a espada para algum grande lorde. — Rolbo se aproximou mais um pouco de Cale, derrubando um pouco de cerveja na mesa de pinho, e sussurrou no ouvido do parceiro. — O garoto merece mais que isso, pense na mãe dele.

O olhar de Cale se entristeceu. Ele a amava do mesmo modo que amava o garoto. Aquilo não era vida para dar ao menino depois de tudo. Mas pelo menos era vida...

– Já pensei demais na mãe dele... — Sussurrou rancorosamente Cale, logo depois levantando se de supetão. — Vou me deitar. Vincent, pague a estalageira e certifique os cavalos.

O garoto se levantou obediente e correu até o balcão, onde a estalageira passava um pano sobre o balcão avulsa a toda situação que estava ocorrendo.

– Cale... — Disse Rolbo antes do velho amigo subir escadas a cima sem olhar para trás. Alguns demônios nem espadas valirianas podiam matar. Pensou tristemente.

O sol aquecia Westeros como um cobertor flamejante, em algum lugar próximo ao Ninho do Grifo ele iluminava as janelas pequenas do quarto raquítico da estalagem dando ao ambiente marrom e polido um pouco de brilho.

Rolbo abriu os olhos preguiçosamente. Havia ido dormir tarde na noite anterior. Havia tido muito no que pensar. Cale estava sofrendo e como todo brutamontes se recusava a demonstrar. Ou demonstrava do seu jeito. Eles cresceram juntos e mesmo assim não conseguia entender o amigo, ou os sentimentos que se passavam dentro dele. Em algum lugar do outro lado da Campina homens se armavam, levantavam estandartes e prometiam para suas famílias que voltariam depois que sangrassem por direitos que não condiziam a eles.

Não havia lugar naquele mundo para sentimentos. Os mortos não podiam ouvi-los gritar.

Ele se demorou colocando a cota de malha e o restante da armadura. Em tempos perigosos andar armado nas estradas era essencial, porém tudo parecia tranquilo por ali. A alguns quilômetros ao Sul uma torre do Ninho se estendia até tocar os céus. Provavelmente algum Connington ainda dormia preguiçoso ou recebia ovos e leite de café da manhã. Seu estomago rugiu, ele mataria por um pouco de ovos.

Desceu pesadamente as escadas. Parando na metade ao ouvir um burburinho seguido de vozes exaltadas. Uma agitação anormal ocorria nos celeiros.

Vislumbrou brevemente Vincent com seus cabelos castanhos jogados ao vento correndo com as celas na mão, seguido de Cale, armado e autoritário passando ordens em seu tom casual:

– Bote as celas logo nesses cavalos garoto... Hey, hora, hora, bom dia princesa adormecida. — Disse Cale com em tom irônico.

– O que você está fazendo?

– Me preparando, como você deveria fazer também, precisamos atravessar a Mataderrei até hoje a noite.

– Mataderrei? Você não está pensando em...?

Vincent pulou entre os dois e perguntou com seu tom jovial, característico de um garoto de dezesseis anos:

– A onde vamos Sor Cale?

Cale se agachou em sua armadura pesada e bagunçou os cabelos lisos do garoto.

– Para a guerra garoto... — Ele sorriu como raramente fazia — Vamos ir dançar com dragões.

Notas finais
Essa é minha primeira Fic, e espero que não tenha nenhuma irregularidade ou "informação demais". Até porque eu gosto de muita informação, ainda mais quando estou fazendo algo referente a uma obra de Martin...Enfim... Espero que gostem. Criticas são bem vindas...