O Ultimo Ato

2 Capitulo 2 - O Sombra


Notas iniciais
Abandonei a história ano passado por falta de tempo, porém agora estou administrando-o e pretendo continuá-la. Peço insistentemente que COMENTEM, que argumentem e por favor, critiquem todo e qualquer capítulo aqui postado. O incentivo é de grande ajuda para continuar e melhorar.

Eu não acreditei no que vi, era como o fim do mundo e o inicio de uma oportunidade. O suor deslisava em minha face, evidenciando meu pulso acelerado e excesso de nervosismo. Em um breve instante fitei os olhos de minha mãe, que a pouco passava pela sala. Ela carregava um cesto de roupas, mas assim que olhou para mim, suas mãos fraquejaram e o cesto caiu.

— Mãe... O que foi?

Ingenuo, obvio. Não havia percebido mas meu corpo brilhava, eu sentia como se estivesse em outro lugar. O sol estava em seu auge e antes de tudo acontecer, eu estava bem, mas passei a sentir frio. Estendi a mão direita em direção a minha mãe, foi quando, em um piscar de olhos o tempo havia parado. Ela estava a minha frente, estática, esboçando pânico mas imóvel, até mesmo as folhas da arvore do jardim estavam completamente suspensas ao ar. O que aconteceu comigo?

No mesmo instante, eu estava em uma avenida, os carros estavam parados e outras pessoas estavam do meu lado. Fui teleportado! Meus olhos não evitaram e lacrimejaram, com o susto, me abaixei e não pude evitar vomitar. Meu corpo reagiu ao teletransporte, tudo em mim estava se adaptando a recente mudança de ambiente. Me levantei lentamente e quando meus olhos me permitiram, eu o vi. Virax. Senti seu cheiro, ouvia sua voz bem de perto. Quando me dei conta, estava dentro da bolha. Fui um dos escolhidos aqui, no Brasil, para a próxima Arena Gamma. Eu contive um sorriso, pois ao mesmo tempo que via a morte eminente, surgiu a chance de tentar uma vez!

Aos poucos fui observando a quantidade de de pessoas ao meu redor, câmeras, helicópteros e fuzis tomaram a cena. As forças armadas agiram mais rápido do que imaginei. A felicidade interna se foi assim que vi os participantes que estavam ao meu lado. Uma mãe que carregava seu filho, aparentemente cego. Um cachorro e... — Tadeu? — Foi o que disse a minha mente quando fitei meu melhor amigo dentro da vislumbre Arena Assassina.

Tadeu apenas olhou para mim, quando vi seus olhos me senti um monstro. Ele não parecia animado, nenhum pouco bem. Ele chorava, seus olhos estavam escuros, como se nunca fossem brilhar novamente. Eu não pude evitar, passei a ouvir meu coração bater, como o 'tique-taque' de um relógio que pararia assim que eu perdesse a consciência. O suor voltou a deslizar sobre meu rosto, firmei o punho e olhei para frente. A mãe abraçava seu filho com muita força, era como se ele já estivesse morto. Eu não ouvia ninguém, nem mesmo os latidos do Pastor Alemão que estava bem próximo de mim, apenas o meu coração. O que Virax faria?

Um barulho infernal abrigou-se na arena, por fora ninguém ouvia nada, mas de dentro era como se estivessem arranhando uma enorme janela de vidro. Foi quando surgiu o nosso inimigo, o Campeão Alienígena.

— Que azar de vocês, logo a mim? — Disse a criatura envolvida por uma negra neblina. Mesmo com os raios solares bem fortes, ele parecia estar envolto a verdadeira noite. Sua voz era como a de um espirito faminto, lento porém ancioso. Não demorou muito e seus olhos avermelhados se destacaram em meio ao negrume.

Virax sorriu, olhou diretamente para mim, removeu sua cartola e disse as palavras de praxe.

– Com sua graça, iniciativa e fé... Inicio o combate.

A criatura tomou forma, era um corpo sem face. Apenas uma cartola bem parecida com a de Virax. Apenas olhos eram o que compunham o rosto vazio. O cachorro parou de latir no mesmo instante que o corpo sombrio tomava forma completa. — Não irei mata-los, apenas se pedirem, é claro. — Disse a entidade a nossa frente.

Virax desapareceu por completo. A criatura, agora chamada por mim de "Sombra", caminhava como se o mundo o esperasse para girar. Usava um paletó negro e luvas brancas, era como um mordomo. Quanto mais ele se aproximava, maior ficava a esfera negra que carregava em sua mão direita. A mesma emanava uma leve camada de sombras, mas seu interior era luminoso, como se uma energia fluísse de lá.

Ameacei fazer um movimento, logo no meu primeiro passo, ele desapareceu, o som era como uma capa sendo retraída por um super-herói. Em seguida, ele surgiu atrás de mim e sussurrou em meu ouvido; — Lixo.

Me chutou com uma força brutal. Fui lançado vários metros para frente, e caí ao chão. Minha visão embaçou por um breve momento, mas fora o suficiente para ele pegar o cachorro pelo pescoço; — Mas que criatura insignificante é essa? — Ele dizia com sua voz que se assemelhava a um sussurro de alguém sem voz. Era tão medonho que sua voz parecia penetrar dentro de nossas mentes, dentro de nossas almas. Tentei me levantar, foi quando vi o reagir ao ataque de Sombra, por incrível que pareça, Sombra recuou em um instante e desapareceu novamente. Surgiu atrás da senhora que segurava seu filho com firmeza. Sombra segurou seus cabelos e a puxou como se fosse um animal qualquer, removendo grande parte do seu couro cabeludo. Ela soltou seu filho que não chorava e nem temia Sombra. Acho que foi o momento em que vi um primeiro ato de coragem totalmente puro e sem necessidade de reciprocidade.

— Larga ela! Você não sabe com quem tá mexendo, ok? Eu sou amigo do Super Drael! Ele vai esmagar você como se faz com uma paçoca! E você não-

Antes do garoto terminar, Sombra desapareceu e e surgiu atrás do pequeno, um garoto que aparentava ter sete a oito anos. — Quem é Drael? Quero conhece-lo! Mostre-me quem é e se for digno de lutar contra mim, pouparei a vida dessa vadia insignificante. — Disse Sombra, com um tom de raiva em suas palavras. Claramente se sentiu desafiado pelo menino que mal sabia o que dizia.

— Por favor, piedade, ele é só um garoto! Esse que ele disse é apenas fruto de sua imaginação, ele está com medo, poupe-o pela misericórdia. Poupe-o! — Os meus olhos voltaram a se banhar em lágrimas, a mãe se ajoelhou, com parte de seus cabelos brutalmente removida e desgrenhada, implorava pela piedade do Sombra.

— Não! Mamãe, para! Ela não conhece ele! Ele tem 'umas' asas muito grandes e tem um bastão verde, ele voa na velocidade da luz e dispara rajadas de vento das mãos! Drael é pequenininho assim como a mamãe e eu, mas ele é muito forte, muito sim! — O garoto dizia com muita tranquilidade diante da Sombra que o devorava com os olhos.

— Mostre-me quem é este, mas quero enfrenta-lo aqui e agora. — Rebateu Sombra.

O que ele não sabia é que o garoto realmente estava inventando tudo, na tentativa de... Logo percebi. Era pra mim ou para o Tadeu reagirmos. Mas, o choro do cachorro estava destruindo meu coração, e aquela mãe... Aquela honrosa mãe... Eu não sabia o que fazer, então Tadeu fez o primeiro e ultimo movimento de sua vida.

— Você não pode ameaçar ninguém aqui!

Tadeu gritou e logo se moveu, realmente ele me surpreendeu. Suspendeu-se no ar como nenhum humano era capaz de fazer, Sombra olhou desinteressado e com uma mão parou o golpe de Tadeu. Mas aquilo não foi um mero golpe, o solo que rodeava ambos se abriu, Tadeu sorriu e olhou para mim.

— Esse é meu Ultimo Ato, Marcus, espero que me mostre o seu.

Pela primeira vez, ele me chamou pelo meu nome. Tadeu nunca fora de usa-lo. Sempre me chamava de 'Suco de Uva' por um acidente na escola primária.

Sabe, nunca percebi, mas ele sempre esteve lá para me ajudar. Tadeu realmente foi um rapaz que fez diferença em minha vida. Seus cabelos loiros e seu sorriso largo atraíam sempre as meninas mais bonitas da escola, e elas sempre vinham em pares! Ele me ensinou a jogar vídeo-game, ele me ensinou a soltar pipa, a jogar futebol e , desde que eu me afoguei no clube por vergonha de dizer que não sabia nadar, ele me ensinou a nadar. A surpresa não foi vê-lo na arena, foi vê-lo em perigo. Sentindo medo. Tadeu sempre analisava a situação melhor que eu, sempre foi um exímio estrategista. Acho que aquele olhar de desespero assim que chegamos na arena, fazia parte da necessidade de me alertar que aquilo a minha frente não eram apenas pixels¹ acumulados prontos para um guerreiro cheio de mana² derrotar.

Droga! Tadeu. Logo que ele demonstrou ser alguém de mente poderosa, Tadeu teve sua mão direita torcida. Fazendo todo o seu braço se quebrar, Sombra segurou o golpe e com isso pegou a mão de Tadeu, sacudiu-o várias vezes antes de atira-lo contra o chão. Eu me recusei a fechar os olhos, Sombra ousou pisar nele, foi quando eu gritei. Meu desespero foi tão grande que se exteriorizou em um grito grave. Meus olhos estavam banhados sim, mas não de lagrimas. De ódio. Passei a me odiar, passei a me odiar com todas as minhas forças. Em algum momento eu admirava as Arenas Gamma, mas isso se tornou o inferno na terra.

Sombra sorriu, olhando para o pequeno garoto ele sorriu, olhando para meu amigo ao chão... Ele sorriu. Não havia boca em seu rosto, mas eu sabia que ele sorriu. Ao olhar para mim ele perdeu o sorriso e tomou a palavra; — Pois bem, não sou do tipo que luta, na verdade odeio ter que usar força bruta para resolver algo. Minhas habilidades se concentram em poder mental. Posso faze-lo cair em desespero com um estalar de dedos, posso leva-lo ao inferno e aos céus sem que passe um único segundo. Então quero brincar com vocês. Esse pirralho insignificante me intrigou, quero conhecer Drael. E este trapo ao chão possuía algum poder, quem sabe vocês não me divirtam um pouco?

Sombra ergueu sua mão direita e apontou para a senhora que estava a proteger seu filho. Em um instante a cabeça dela foi envolvida por um globo negro. Em volta do globo, vários feixes semelhantes a correntes elétricas eram vistos. A mulher se levantou e permaneceu completamente ereta, como se nenhum ferimento estivesse incomodando-a.

— Mãe? — Pela primeira vez o garotinho demonstrou medo. Demonstrou desespero e insegurança.

— Sua mãe está caminhando pelo pesadelo do pecado, pelas trevas e prostituição. Ela verá imagens e viverá vidas que odiaria imaginar. O que para nós são 10 segundos, para ela serão 10 anos.

Sombra contou exatos dez segundos e repousou seu braço direito. Com isso a mulher se libertou de seu controle. Quando a cúpula que a prendia desapareceu, vi a verdadeira encarnação do vazio. Seus olhos não tinham cor, seu semblante havia desaparecido. Caminhou até ele e se ajoelhou. Suas palavras foram — Me mate, mestre das trevas. Devore minha alma.

Sombra emitiu um breve som, algo como uma risada. Logo tomou a palavra;

— O que quer que eu faça com seu filho?

A mulher que a pouco trocaria os dois braços pela criança, olhou para o menino com nojo. E de sua boca eu posso jurar que foram ditas as palavras mais fortes de uma mãe para seu filho; — Bata nele. Bata até seu coração parar, nunca desejei tê-lo, esse pedaço de carne que saiu de mim deve ser extinguido. Nada vindo de mim deve caminhar na terra, essa anomalia, essa... Abominação.

Ela se levantou e tentou atacar seu filho, com certeza estava fora de si. Foi uma cena horrível. As pessoas aos arredores da Arena se chocaram, nunca assistiram um massacre mental como esse. Com certeza Sombra era a criatura mais impetuosa que eles tinham guardada.

Sombra não deixou a mãe atacar o filho, segurou-a pelos cabelos restantes em sua cabeça e girou seu pescoço sem nenhum esforço. — Meu presente para você.

Nem eu e nem o garoto estávamos em condições normais. Minha voz sumiu e o garoto que a pouco tentou mostrar coragem, estava com ambas as mãos ante a boca, desacreditando na cena que acabara de presenciar.

Pensei que nada poderia piorar... Até que sombra apontou sua mão direita até a mim. — Não vou parar até que Drael esteja aqui, pedaço de lixo. Não deveria ter zombado de mim. Agora se não trouxe-lo até mim, irei torturar você, o que para sua mãe foram dez anos, para você serão cem! Mas antes, vou limpar a Arena de impurezas.

Olhou diretamente para mim, minhas pernas fraquejaram por um instante, meus olhos viam cada vez menos, até que estava totalmente preso em uma imagem do nada. Fui atingido pelo golpe do Sombra.

— Marcus?

Notas finais
Pixel: São pequenos quadros que compõe personagens e cenários em jogos. (Informação resumida.) Mana: Forma de representação de energia para desferir golpes e magias em RPGs tradicionais. (Informação resumida.)