O Ultimato
1 Capítulo 1 - Ironia Do Destino
1-Ironia Do Destino
Edward
O destino realmente é engraçado. Ele pode nos tirar pessoas ou nos trazer pessoas. Mas a verdade é que tudo na vida tem um porque. Seja ele bom ou ruim.
Você não sabe o que realmente é dor, até perder alguém que ama. Até seu coração formar um buraco mortal no peito, onde nem o melhor remédio do mundo pode curar.
Era um dia chuvoso, frio e úmido quando minha irmã mais velha faleceu. A dor era insuportável. Rosalie era uma parte de mim, eu a amava por mais que brigássemos em grande proporção. Mas a morte dela me trouxe algo. Algo que pode ser considerado bom. Muito bom por sinal. Mas a dor de perde-la, essa nunca vai passar.
Rosalie morreu em um acidente de carro, tentando salva-la seu marido, Jasper, também faleceu, Rosalie morreu após Jasper, já no hospital. A sorte – se é que essa historia tem algo em comum com a sorte – foi a de Renesmee, a filha mais velha e única deles, que tinha apenas seus dez meses de vida, a mesma estava em casa com sua avó paterna quando tudo aconteceu.
Minha mãe, Esme tinha olheiras até o queixo, não havia fechado sequer os olhos a madrugada inteira, se falássemos qualquer coisa com ela se derretia em lagrimas. Em meus vinte e três anos, nunca tinha a visto tal mal daquele jeito.
Meu pai, também estava acabado com tudo aquilo, ele ficou a madrugada andando de um lado para o outro na sala, ou sentava no sofá e olhava para o nada.
Eram tão iguais, mas ao mesmo tempo tão diferentes.
Os parentes, amigos e alguns vizinhos de nossa família conversavam em sussurros, respeitando o que tinha acabado de acontecer. Todos estavam de preto e aquilo parecia uma sessão de nostalgia.
A vida às vezes é irônica conosco não é mesmo? Um dia as coisas vão bem, enquanto no outro tudo desmorona. A vida é assim, porque se não houvessem desmoronamentos os morros não existiriam.
Um carro parou em frente a nossa casa. Eu conhecia muito bem aquele carro. Dei um meio sorriso ao ver o Porsche preto estacionando. De lá desceram toda a família Swan.
O pai da família Swan, Charlie Swan era um delegado, enquanto a mãe, Renée Swan era artista, ganhava a vida vendendo e pintando quadros.
A campainha tocou depois de um longo momento. Após alguns minutos em que a empregada, Catarina, abriu a porta senti alguém parar ao meu lado. Virei-me para a pessoa que eu já sabia quem era e a abracei fortemente. Isabella Swan era a irmã mais nova dos três irmãos Swan, uma jornalista muito conceituada que era apenas um ano a menos do que eu. Estávamos noivos á pouco tempo, e em dois meses iriamos se casar.
-Como você esta?- Ela perguntou em meu ouvido com sua voz meiga
-Tudo indo...- Olhei para baixo quando saímos do abraço. Bella mexeu em minha gravata.
-Edward...Eu sinto muito, amor! Eu sei como sua irmã e você... Eram...Apegados!
Bella me olhou nos olhos, com seus olhos azuis cor do mar. Eu a abracei de novo, seu perfume doce tomando conta do ambiente.
Do outro lado da sala observei Alice Swan, irmã mais velha da Bella, abraçada em meu irmão mais velho, Emmett. Os dois namoravam há um tempo e tinham uma relação complicada- se é que essa é a palavra certa para definir a relação deles. Eram um dos casais mais tumultuados que eu já tinha visto na vida.
Entre alguns beijos com Emmett, Alice caia na risada e falava coisas que só um leitor de lábios saberia reconhecer, já que da distancia em que estávamos não dava para ouvir nem sequer um ‘’oi’’.
-Parece que ela esta feliz!- Fixei os olhos em Alice
-Quem?
-Sua irmã!- Fiz um gesto com a cabeça na direção de Alice e Bella não disfarçou ao olhar para lá.
-Nem me fale daquela lá! – Bella me falou fazendo pouco caso da irmã- Não devia nem ter vindo! Brigamos hoje...De novo, como sempre, você sabe. – Era obvio que Bella nunca tinha se dado com a irmã, as duas sempre brigavam por qualquer coisa, tinham raiva uma da outra, eram assim desde pequenas.
-Pois é.- Suspirei. Mas naquele momento eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse minha irmã. Seus olhos verdes claros agora estavam mortos e embaixo de alguns palmos de terra.
Ouvi a campainha ser tocada novamente. E depois Catarina entrar com uma bebê no colo. Quando souberam da morte do filho, os pais de Jasper rejeitaram Renesmee, para falar a verdade a família de Jasper é realmente muita estranha. Mas bom, a rejeição de Renesmee, a fez vir para cá, nossa família.
Catarina olhou para todos na sala e chegou à conclusão que iria me entregar á criança quando olhou para mim — já que apenas eu a encarava. Depois de me entregar Renesmee, eu sorri para a criança em meus braços e peguei em sua mínima mãozinha e tão branca como a neve.
Seus olhos azuis estavam muito confusos.
-Oi bebê!- Eu murmurei beijando a bochecha rosada de Renesmee
Renesmee estava na guarda de minha mãe e meu pai agora. Mas até que não seria mal ideia pedir a sua guarda, alias, eu e Bella planejávamos ter filhos em breve. Olhei para Alice, mais uma vez. Talvez meu irmão quisesse sua guarda também. Renesmee fechou os olhinhos azuis e deitou a cabeça em meu ombro. Era tão pequena. Com apenas dez meses de vida ela já era bem esperta e risonha. Mas naquele chuvoso e triste dia não, ela estava quietinha. Quieta até demais para a criança que eu conhecia ,a que ela era de verdade. A menininha alegre e engraçada.
De todos os poucos encontros que tive com Renesmee, esse era o mais perplexo.
Alice veio em nossa direção e parou em nossa frente. Os cachos pretos balançando. O salto batendo no chão de madeira, num som irritante.
-Oi Edward! Como vai? – Alice me analisou da cabeça aos pés e me jogou um sorrisinho
-Olá Alice! Tudo bem e com você?
-Tudo normal!- Ela disse, os olhos verdes suspeitos
Alice olhou para Renesmee em meu colo por um momento.
-Alice, querida!- Ela passou as mãos na bochecha de Renesmee.
-Olá cunhadinha! Quanto tempo não?- Emmett chegou sorrindo para Bella, e foi lhe abraçar.
-Oi Em, tudo bem?
-Nada bem e com você?- Emmett estava com a voz desgastada.
-Indo...- Bella sorriu desanimada
-Tenho uma ideia!- Disse Alice, normalmente as ideias de Alice não eram muito boas. Então eu não esperava muito disso.
-Qual Alice?- Perguntou Emmett revirando os olhos
-Vamos adotar essa bebê linda! Você acha que seus pais vão se importar? -Era o que eu mais temia. Qual era a de Alice? Ela não sabia cuidar nem de si própria, ia cuidar de uma criança? Ela nunca se importou com Renesmee, porque agora se importaria?
-Não!-Falei, agora eu estava nervoso– Claro que não!
-Porque não ,Edward? Você manda na vida da Renesmee? Eu sei que a resposta é não , então não se intromete, entendeu, garoto?- Argumentou Alice comigo – Você é uma criança ainda, não sei nem porque está casando tão cedo, vai aproveitar a vida. Casamento é um saco.
-E sabe muito de casamentos não é Alice?- Bella foi irônica
-Se casamento é um saco Alice, porque você quer tanto adotar a Renesmee?- Eu encarei Alice e a mesma me encarou também, sem resposta.
-Filhos e casamento são coisas diferentes Edward.
-Pelo que eu saiba eles andam juntos!- Bella falou antes de mim
-Não importa, quero filhos e não casamento.
-Você não quer filhos, você quer a Renesmee, por causa da herança dela. – Percebi que falei um pouco alto demais.
Alice suspirou e saiu de perto, batendo de novo forte o salto no chão.
Rapidamente fui até minha mãe.
-Mãe... Vai ficar tudo bem! Eu te amo!- Dei um beijo em sua testa, ela começou a chorar novamente.
Fui para perto de Bella e passei Renesmee para ela. Fomos para o carro. Alice ficou me encarando pela janela enquanto eu entrava em meu Volvo.
Quando chegamos à praia, que não ficava lá tão longe da casa, eu segurava Renesmee quanto andávamos pela areia.
Bella olhou para Renesmee e sorriu.
-Ela é tão linda!- Disse Bella se referindo à criança em meu colo.
Naquela praia as ondas eram grandes, ás vezes chegavam a três, quatro metros de altura, por esse motivo e pelo motivo de ser uma praia fria, era um lugar deserto, onde não se via ninguém está época do ano, mas em que em outras épocas, era lotada e com isso chegava a ser insuportável.
-Sim! Ela é linda! Mas eu não confio o suficiente no meu irmão para cuidar dela...- Respondi a Bella. Alice se mexeu em meus braços.
-Eu estava pensando que... — Bella parou de andar, me olhou e suspirou
-Você estava pensando que...?
-Poderíamos adota-la!- Ela disse sorrindo de lado – Você não confia em Alice, e queremos ter um filho, então poderíamos adotar Renesmee, e o plano do bebê ficaria para depois.
-Adota-la?
Bella assentiu para mim sorrindo. O que Bella tinha dito era verdade, eu não confiava o suficiente em Alice para criar e cuidar de Renesmee.
Bella sorriu para mim como um sim. Não tinha duvidas que era o que ela queria, que era o que eu queria. Bella amava crianças e o sonho de ter um filho, reinava dentro de si. Mas algo no fundo de seus olhos a incomodam, era mais do que evidente.
-E se não conseguirmos a guarda?
-Nós vamos conseguir a guarda, porque não conseguiríamos? Ainda tem duvidas que Alice não tem capacidade nenhum para cuidar de um filho? A justiça não vai dar a guarda a ela e Emmett.
-Não! Isso não vai acontecer.- Murmurei, e vi que Renesmee dormiu em meu ombro. – Mas tem certeza que quer isso Bella?
-Porque eu não iria querer? Se é o que você quer, e se é o que vai ser bom a Renesmee, é o que eu quero também.
Bella parou por um momento e olhou o horizonte, pensando alto.
-É eu quero também.
-Então não existem mais duvidas nesta historia. Vamos adota-la. – Bella olhou para mim e deu um sorriso, depois se voltou ao horizonte – Dia estranho!
-Sim.
Começou a garoar de leve o que fez nos voltarmos para a casa dos Cullen.
Quando chegamos lá Alice não estava mais nem os Swan, ainda bem, brigas hoje não seria bom para ninguém. Bella sentou no sofá da sala ao lado de minha mãe, e disse algo a ela, algo que eu sequer ouvi. Subi as escadas com Renesmee e fui para meu quarto. Quando entrei, coloquei Renesmee na cama, ela ficou sentada me olhando com seus olhinhos azuis curiosos. Foi quando me virei para o móvel de cabeceira e encontrei um bilhete:
''Bella,
Chegue logo em casa, estarei sozinha. Iremos conversar.
Adeus .Jolie''
Sai de meu quarto, deixando Renesmee na cama, desci as grandes escadas e quando cheguei na sala fui em direção ao sofá , onde Bella ainda estava no mesmo lugar.
-Bella, o que é isso?-Perguntei para ela , parando em frente ao sofá e estendendo meu braço para lhe dar o bilhete
-Isso o que?-Ela levantou, me olhou curiosa e depois viu o bilhete em minha mão.
-Bilhete para você... É da Alice!- Assim que terminei de falar, Bella pegou o bilhete de minha mão. Ela leu atentamente as palavras escritas ali e depois suspirou, os olhos perdidos.
-O que será que ela quer conversar comigo?- Ela falou com si mesma, ainda um tanto confusa.-Bom... Eu tenho que ir ...Ver o que ela quer...- Bella dobrou o bilhete e guardou na bolsa. Depois suspirou novamente e veio para perto de mim.
-Eu te amo!- Dei um beijo em sua testa
-Eu também te amo!- Ela sorriu . Após se despedir de meus pais , ela saiu da casa , com um pouco de pressa.
-Vou ver Renesmee!- Minha mãe se levantou do sofá, passou por mim e subiu as escadas.
-Você está bem mãe?-Perguntei preocupado e ela parou onde estava e não olhou para mim quando respondeu.
-Estou bem , filho! Não se preocupe comigo... Só estou pensando no futuro de Renesmee ! E nunca na minha vida inteira me senti pior do que agora.- Minha mãe falou sem olhar para mim, depois subiu lá para cima.
Estava quase escurecendo quando parentes e vizinhos estavam indo embora já.
Depois de fechar a porta para minha tia Elena , a ultima que foi embora ,Catarina olhou para minha mãe que já tinha descido faz um tempo.
-Senhora, recebi uma ligação de minha mãe , ela está com gripe esses dias , e ela me disse que sua febre aumentou um pouco. Eu poderia me retirar por hoje? A Jenna ainda esta ai.- Catarina disse de cabeça baixa. Jenna era a outra empregada. Ela era a irmã mais velha de Catarina. Jenna trabalhava em casa há muitos anos.
-Claro , Catarina. Melhoras para sua mãe.- Minha mãe falou, se sentando no sofá.
-Obrigada , senhora- Ela disse à minha mãe — Boa noite.
Ouve um coro de ‘’Boa Noite’’ na enorme sala.
Um tempo após Catarina ir embora a campainha tocou.
-Eu atendo!-Eu disse indo até a porta
Bella estava parada olhando para baixo , ela tremia pelo tempo frio.
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