O Trono dos Black

16 Je f'rai un domain où l'amour sera roi


Notas iniciais
o poema usado no capitulo é uma musica chamada Ne Me quitte pas ! Tocava no seriado PRESENÇA DE ANITA, pra quem não sabe!
OBRIGADO MENINAS PELAS RECOMENDAÇÕES: SofiaWatsonRadcliffe / Lulu Potter

Assim que viu o maroto se reaproximando da mesa, Ligéia tratou de esconder imediatamente o desenho novamente dentro do caderno do moreno. Sirius estava no corredor falando pelos cotovelos com um garoto que deveria estar do outro lado da biblioteca pelo tom de voz que ele usava para ser ouvido. Este apenas parou de berrar quando recebeu uma repreensão da bibliotecária que se aproximou ordenando que ele ficasse em silencio:

– Desculpa! –disse ele logo se aproximando da mesa e sentando-se em seu lugar com um sorriso estampado. – Prontinho! –disse deixando o livro sobre a mesa.

– Que bom que você sabe que isso é uma biblioteca. –disse ela tentando disfarçar o nervoso por ter visto seu rosto estampado naquele papel.

– Que foi? –disse ele abaixando o rosto como se a analisasse de baixo para cima. – Tá vermelha! –e sorriu.

– O que? –ela tocou o próprio rosto. – Não, não estou.

– Tá sim! –disse tocando o rosto da garota com as pontas dos dedos.

– Dá pra gente começar logo com isso? –disse ela afastando o rosto e ficando ainda mais corada.

– Tá! –ele riu e abriu o livro. – Por onde?

– Como eu vou saber? –ela o encarou. – Me diga você qual é a matéria que vai cair na prova.

– Hum... –ele pareceu pensar. – Acho que geral! –improvisou.

– Certo Sirius. –disse ela respirando profundamente e apanhando o livro das mãos do rapaz. – Vamos ver. –disse folhando as paginas. – Vamos pelo básico, já que você não tem ideia de que planeta vive... –ela arregalou os olhos fazendo uma expressão divertida o que motivou um sorriso bobo no maroto.

– Vai me ensinar fazendo biquinho?

– A prova é escrita ou oral? –ela o olhou.

– Escrita, mas eu ia adorar ver você fazendo biquinho pra mim.

– Cala a boca Sirius. –ela sentiu uma vontade enorme de rir pela cara de safado que ele fez, mas segurou o máximo que pode até a vontade passar.

Após uns segundos procurando a matéria que ela supôs ser o que ele precisava a garota se pós a ler um parágrafo em particular para tentar puxar algo a memória do moreno que fingiu prestar sua total atenção ao conteúdo.

– Tudo bem, acha que é isso? –disse ela.

– É, bem isso aí. Tem umas regrinhas que não entram na minha cabeça. –disse ele.

– Eu vou ler o poema que tem aqui, e você me diz o que tem nele. –disse ela.

– Tá.

Enquanto a garota baixava os olhos retirando do rosto os fios de cabelo que caiam sobre ele e colocando-os atrás da orelha, Sirius levou a mão abaixo do acento da cadeira e arrastou a mesma para mais perto da ponta da mesa ficando mais próximo de Ligéia que se concentrou na leitura e nem notou a aproximação do rapaz, ou apenas fingiu não notar. Assim ela deu inicio a leitura:

– Moi je t'offrirai, des perles de pluie venues de pays

où il ne pleut pas

Je creusrai la terre jusqu'aprés ma mort

pour couvrir ton corps d'or et de lumière

Je f'rai un domain où l'amour sera roi

où l'amour sera loi et tu sera reine.

Ne me quitte pas

Ne quitte pás. –ela parou a leitura e o encarou. – O que eu disse?

– Pode fazer isso de novo? –disse ele tentando parecer interessado no texto, quando na verdade só estava interessado em ouvir a voz dela. – Eu me perdi na segunda linha. E tenta mais devagar dessa vez.

– Tudo bem... Moi je t'offrirai, des perles de pluie venues de pays

où il ne pleut pás? –e o interrogou.

– Te ofereço pérolas de chuva, vindas de países onde nuca chove? –ele franziu a testa achando que aquilo não fazia sentido. – Isso não tem sentido. Como se oferece algo feito de chuva, em um lugar onde não chove?

– Isso é chamado de licença poética Sirius, algo que eu não me impressiono em descobrir que você desconheça. –ela respondeu sacudindo a cabeça. – E está errado. O Certo é: Eu te oferecerei e não te ofereço.

– Certo.

– Je creusrai la terre jusqu'aprés ma mort

pour couvrir ton corps d'or et de lumière?

– Eu escavei a terra e escapei da morte?

– Escavarei e escaparei. –corrigiu ela. — Je f'rai un domain où l'amour sera roi

où l'amour sera loi et tu sera reine?

– São duas frases... –ele interrompeu.

– Ah, é... –ela regressou a linha anterior. – O que significa a outra?

– Para cobrir teu corpo de ouro e de luz. –disse ele mantendo os olhos no rosto dela.

– Certo. E a outra?

– Criarei um país onde o amor será rei, e você será a rainha.

– Onde o amor será lei... –ela corrigiu. – Você esqueceu uma frase.

– Criarei um país onde o amor será rei, o amor será lei e você será a rainha. –concluiu ele olhando-a com os olhos fixos que pareciam ainda mais negros vistos por aquele ângulo.

– Você não parece tão ruim... –disse ela começando a desconfiar.

– É um texto fácil. –ele disfarçou. – Mesmo assim eu errei.

– Tudo bem. Vamos continuar...

Sendo assim a garota deu sequencia a leitura fazendo paradas e esperando a resposta do rapaz, que fingia errar algumas vezes apenas para parecer precisar mesmo daquelas aulas, quando na verdade ele sabia bem da matéria. Havia pouca coisa na verdade sobre a qual Sirius não sabia, já que ele costumava prestar bastante atenção nas aulas por a professora ser uma mulher bastante voluptuosa e atraente o que motivava os rapazes a dar tudo de si para fazer bonito para tal. Aliás, o mesmo já teria sido expulso da sala algumas vezes por citar cantadas em francês direcionadas a professora. Do contrario das demais matérias nas quais, Sirius realmente era ruim e sempre copiava as respostas dos amigos –e quando digo amigos me refiro a Lupin – nesta matéria ele era bom, por que acreditava que tal língua era bem vista pelas mulheres como uma linguagem bastante atraente, e pra ele tudo que pudesse aprender para usar em suas cantadas era lucro. Alguns longos minutos se passaram tornando-se uma hora e meia em que os dois estavam na biblioteca, então lá eles ainda continuavam.

– Você errou de novo, não é assim que escreve você comeu todos os F’s da frase e trocou os I’s por Y’s. –dizia ela apontando para a pagina do livro e para a pagina do caderno do rapaz. – Tá vendo?

– As chances de eu tirar uma boa nota nessa prova são potencialmente nulas! –disse ele passando as mãos entre os cabelos e se jogando pra trás na cadeira.

– Não, você vai tirar uma boa nota, só precisa se concentrar. Você fica aí fazendo piadinhas ao invés de prestar atenção no que eu to dizendo. –disse ela.

– Nossa! Você tá parecendo a Lilly. –disse ele.

– Tá me chamando de chata? –disse ela.

– Não! –ele riu. – Eu não disse que a Lilly era chata!

– Disse sim.

– Quando?

– Ontem.

– Não me lembro disso. –disse se escorando na mesa e sorrindo.

– Disse sim, você disse: A Lilly é muito chata eu vou ficar entediado e provavelmente vou jogar os livros na cabeça dela... –ele riu ao vê-la repetir exatamente as suas próprias palavras, bem rapidinho.

– E você esqueceu que tinha marcado comigo de estudar?

– E. Eu... –ela gaguejou. – Minha memória não é tão ruim, e eu esqueci que tinha marcado com você por que sabia que não deveria vir.

– Por quê?

– Você sabe por que.

– Por que o seu senhor não deixa?

– Não começa.

– Não comecei! Foi você que tocou no assunto.

– Eu não toquei nada.

– Tocou sim.

– Não.

– Você tava errada. –ele se escorou novamente para trás.

– Sobre?

– Estamos aqui há uma hora e meia e eu não nem toquei em você.

– Obrigado. –ela disse erguendo uma sobrancelha.

– De nada! –ele sorriu.

– Eu acho que já deu por hoje. –disse fechando os livros.

– Vai vir me ver de novo amanhã?

– Eu não vim ver você Sirius. –disse se levantando.

– Tá, vai vir me dar aulas amanhã?

– Eu tenho que ver um bom horário. Eu tenho aula nesse amanhã, e depois talvez tenha jogo de críquete do Regulus.

– Gosta de críquete?

– Não. Mas meu namorado vai estar lá, e eu vou vê-lo jogar.

– Que tédio! –ele puxou a gravata para o lado fingindo se enforcar com a mesma colocando a língua pra fora.

– Melhor do que ficar sem nada pra fazer.

– Vem me ver e eu te mostro uma porção de coisas bem melhores pra se fazer! –disse dando uma piscadela.

– Tchau Sirius. –disse ela depois de jogar um olhar frio sobre o moreno.

Ligéia deu alguns passos até ouvir o maroto dizer:

– Vous voir demain kitty! –ele riu e ela olhou para trás.

– O correto é bébé. E Ne m'appelez pas le bébé. –dito isso ela seguiu em frente, e não pode deixar de esboçar um sorriso que ela sequer sabia por que estava lá, então assim que passou pela porta desfez logo tal sorriso.

Enquanto isso Sirius colocava os pés sobre a cadeira que antes ela estava sentada e espichava as pernas escorando a cabeça sobre os braços erguidos atrás da nuca e sorria com ar satisfeito.


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[...]

* Vous voir demain kitty! – te vejo amanhã gatinha

Ne m'appelez pas le bébé. – Não me chame de gatinha.


Notas finais
Espero que tenham gostado !
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.