O Trono de Uthar
4 Víbora
Notas iniciais
Eu estava do lado de fora da Floresta.
A chuva cessara, e o dia ameaçava nascer por entre as nuvens. Eu precisava muito dormir.
Me arrastei lentamente para o beco ao lado da Floresta, enquanto me lembrava dos eventos dessa madrugada.
Após o pequeno susto causado pela afirmação de Feluriana, ambos assentimos hesitantes enquanto pensávamos no assunto. Não havia realmente considerado o fato de precisar de respeitar as formalidades — não havia considerado a necessidade de uma rainha.
Ela parecia ter aceito como se já soubesse, mas eu descobri que ela era boa disfarçando o que ela realmente está pensando durante nossa viagem para o hotel.
A conversa tomou um rumo diferente. Discutimos sobre nossas funções imediatas, e Fel deixou nas entrelinhas que eu teria que limpar meu nome. Depois ela deixou bem claro que eu devia ao menos parar de o sujar — eu seria um Rei afinal.
Mas a campanha ainda precisava que eu sujasse minhas mãos novamente.
Dessa vez, eu iria sujar tanto as mãos que a mancha nunca iria sair dela.
Foi sugerido que eu contratasse outras pessoas qualificadas para o trabalho, mas a ideia que eu acatei foi a de criar uma segunda identidade. Lancaster sugeriu que eu me chamasse Víbora.
Gostei do nome.
Para explicar meu objetivo, farei um pequeno esquema sobre o plano completo.
Imaginem a estrutura toda do Reino como uma única pessoa. K irá colocar uma perna na frente dessa pessoa, enquanto Fel a diz onde é o lugar certo. Assim que a perna dela estiver bem colocada, eu vou empurrar a pessoa e ela irá cair. Lancaster irá ficar acima do corpo deitado, e vai faze-lo parecer ridículo, antes de chuta-lo até a morte. Eu e ela então, nos ergueremos e tomaremos o trono — com o apoio de Fel e dos subordinados da casa Lancaster.
Eu precisava roubar o simbolo do poder real, as três coroas.
Eu já havia andado quase até o fim do beco escuro, quando vi o quarto que foi designado a mim.
“A terceira janela estaria com a tranca aberta”
E como havia dito Fel, ela estava.
Coloquei uma das mãos na parte debaixo da janela (que era no primeiro andar) e subi sem esforço, entrando e ouvindo a fechadura imaginaria se fechando.
Eu estava no principal esconderijo dos Laminas na região. A fechadura real era uma pequena trava removível que todo assassino carrega, e que eu coloquei rapidamente na janela.
O aposento era pequeno, para dizer o minimo.
Não existia porta, de forma que o único meio de se entrar seria pela janela.
Cabia pouca coisa alem de uma cama, uma mesinha de bar e um baú no chão, mas o baixo teto estava lotado com inúmeras prateleiras.
Me joguei na cama, e planejei meus passos no futuro.
~*~
Eu estava usando um uniforme alternativo. Minha capa era cinza com tons de verde, o colete de couro era verde e a calça de tecido tinha faixas na mesma cor. Eu estava usando uma mascara que só tapava os olhos, e luvas que cobriam toda a mão.
Eram aproximadamente quatro horas da tarde, e eu já me encontrava andando pelo patio do castelo.
Uma vantagem de roubar um castelo durante o dia: Ninguém imagina que um idiota com roupas verdes iria simplesmente começar a escalar o muro, quebrar uma janela e entrar. Foi por isso que quando entrei no segundo andar, os guardas só soaram a corneta depois de meio minuto.
O castelo tinha vários andares. Não irei descrever todas as partes dele aqui, pois iria levar muito tempo. Mas preciso esclarecer uma coisa antes de continuar a historia.
Existia uma parte do castelo que era simplesmente inacessível. Lá, morava apenas a família real.
Nenhum ladrãozinho de feira saberia da existência desse lugar, então os guardas lá nem ao menos ligavam para o alarme tocando.
Corri por alguns corredores e entrei num quarto aparentemente aleatório. Abri um armário e abri um alçapão no teto, descendo uma escada.
Acalmei a respiração e subi.
A escada acabava em um tipo de tubo para facilitar a movimentação dos construtores do castelo. No momento atual, as escadas são mais efetivas, mas a existência desses tubos morreu a seculos atrás, e a maioria foi destruída. Eu tinha uma planta do palácio em minha cabeça.
Depois de me espremer por vários lances de túnel, abri uma portinhola construída pelos assassinos para facilitar a nossa locomoção.
A portinhola me deixou no que parecia ser um banheiro para os empregados, do qual eu sai rapidamente com medo de ser localizado.
A sala de jóias, onde a coroa do Rei estava guardada, estava bem na minha frente.
Quando toquei a maçaneta, olhei para o lado e reconheci duas formas femininas andando desatentas.
Todos os músculos do meu corpo se tencionaram. Cada parte do meu cerebro me pedia para me esconder e fugir daquele lugar.
As formas era minhas duas irmãs, a bastarda Denna e a princesa Carline — as duas únicas formas de vida no castelo que eu não queria encontrar de forma alguma nesse momento.
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