O Trono de Gelo e Fogo
18 Um Nome de Família
Notas iniciais

Após a dura travessia pelo braço de mar onde Jon teve que carregar Jeyne em seu cavalo devido a um súbito desmaio da moça, o frio cobra seu preço, finalmente a companhia que partira do Castelo Negro chegava as fronteiras de Atalaia da Água Cinzenta. Tudo aqui me é estranho, Snow nunca havia estado naquelas terras.
— Sor, sabe onde estamos? — Jon se mantinha desperto e sempre com o braço direito livre.
— Sim, logo os cranogmanos nos encontrarão. Vamos seguir pela trilha.
Não vejo nada, a não ser pântanos, árvores e insetos. A jornada havia se tornado longa e entediante, lembro-me da minha primeira incursão para lá da Muralha com o Velho Urso... enquanto divagava os olhos de Jon vacilaram devido ao pouco descanso, fome e sede que se acumulavam nos últimos dias de viagem, o corvo de Mormont pareceu se agitar com algo e bateu as asas gritando “Fantasma”, Jon acordou de súbito em cima da sela e segurou Jeyne com força pela cintura, ouviu o rosnado de seu lobo gigante, era tarde demais, homens com folhagens presas em suas roupas estavam por toda parte. Em cima das árvores em alçapões espalhados pelo chão e na sua frente, todos armados com longas lanças e alguns com longos arcos de batalha.
Pelo dragão de gelo! Jon ergueu as mãos em sinal de rendição.
— Fantasma, quieto! — Ordenou ao lobo branco.
— Viemos em paz — Justin se antecipou —, sou homem do rei. — Tirou o elmo da grande cabeça gorda e o lenço de lã grossa que lhe protegia o rosto.
— Sou Jon Snow filho de Ned Stark — tirou o capuz de sua capa e o lenço do rosto como o havia feito o cavaleiro de Stannis.
“Snow, Snow” o corvo de Mormont se agitou dando alguns pulinhos no ombro de Jon.
— E Melisandre de Asshai — a mulher vermelha pareceu não se impressionar com nada daquilo.
Os cranogmanos se entreolharam, e baixaram os arcos e as lanças. Um deles veio a frente e segurou nas rédeas da montaria de Jon:
— Vamos guiá-los até o Senhor Reed.
Jon Snow reparou na brilhante estratégia daqueles homens de se misturarem com a paisagem dificultando serem visualizados, a maioria deles era loiro e com sardas ou sujeira, em seus rostos, não usavam armaduras ou cotas de malha, apenas couro verde-oliva. Como nas histórias da velha ama.
— Onde fica a fortaleza de Lorde Reed? — Jon perguntou após algum tempo, ele seguia atrás de três arqueiros e Fantasma não se apartava de seu flanco esquerdo.
— Depende do horário Sor... — O homem sorriu por debaixo do capuz verde e cheio de folhas na cabeça.
Então é verdade que o castelo se move no pântano...
A estrada, se é que existia uma, era coberta de folhas e ladeada por pântanos. As árvores começaram a ficar maiores e passaram de pinheiros-marciais para grandes freixos e carvalhos que conseguiam tapar toda a pouca luz que havia com aquele tempo ruim. Me parece que estamos descendo, Jon Snow tentava mapear o caminho, mas acabava se confundindo e por três vezes ele pensou estar passando pelo mesmo lugar.
— Percebeu isso no ar — algo parecido com poeira ou pólen de flores o intrigaram.
— Magia, só pode ser isso — Melisandre foi direta.
Sor Justin parece estar em um tipo de transe, Jon percebeu que o chão debaixo dos cascos do cavalo se mexeu. Eles diminuíram o passo, o que vem agora? Naquele trecho o caminho ficou difícil com muitas raízes altas e buracos escondidos pela turfa, já estava bem escuro quando Jon e companhia avistaram ao longe três torres atarracadas sendo a do meio um pouco maior que as outras. Do que é feita essa construção? Mesmo com a pouca luz que não passava de algumas tochas aqui e ali, Jon Snow tentou avaliar o local. A edificação era coberta de árvores, samambaias e raízes, pareciam três grandes árvores largas e quadradas ocas por dentro. Seis homens vestidos de verde com capas de folhas vieram deslizando pela água em grandes pranchas de madeira usando longas varas para guiá-los pelo pântano. Não é possível chegar as edificações a cavalo, o que dificulta a vida de qualquer exército que tentar atacar Atalaia da Água Cinzenta.
— Seu cavalo senhor — disse um dos patrulheiros que guiaram o grupo de Jon. — E sua espada — estendeu a mão fazendo um movimento de abrir e fechar com os dedos.
Jon já tinha entregue o cavalo, mas hesitou colocando a mão na cabeça de lobo entalhada na empunhadura de Garralonga enquanto Fantasma ficou de prontidão ao seu lado.
— A espada não darei — se preparou para combatê-los. — Nem meu lobo se apartará de mim. — A ave negra que estava empoleirada no seu ombro abriu as asas e gritou alto.
— Senhores! Acredito que não conhecem o convidado de vosso suserano. — Melisandre passou a frente de Snow colocando a mão delicadamente sobre a dele. — Este homem está aqui a pedido de Lorde Howland.
Só me falta virar prisioneiros dos papa-rãs. Jon se acalmou, e levantou as mãos e olhou nos rostos pintados que o encaravam.
— Escutem, o homem que me deu esta lâmina — deu uma tapinha na lateral da espada — me proibiu de perdê-la ou cedê-la a outro.
— Aaahhh... — Jeyne gemeu enquanto Justin a segurava pelos ombros.
— Essa garota precisa de cuidados, ela está febril a muito tempo. — Melisandre pegou Poole dos braços do catatônico Justin Massey e a levou mais perto do homem que exigia a espada de Jon.
Ele olhou para seus companheiros e se virou para cochichar com um colega próximo.
— Tudo bem, vamos por aqui.
É melhor que eu porte a espada por aqui. Após alguns minutos atravessando o que Jon julgou ser um fosso, eles chegaram em terra firme. Não havia muros altos ou portões para serem derrubados apenas paliçadas camufladas com densa vegetação. Na frente do prédio principal Jon identificou algumas pedras soltas e em cima nas árvores que circundavam o terreno, grandes casas ligadas por pontes de madeiras e cordas.
Muitas pessoas circulavam por ali com cestos repletos de nabos e pernas de porco, graças ao dragão de gelo, não terei que comer rãs. Entraram em um salão bem iluminado onde Jon viu alguns homens sentados em bancos de madeira ou em grossos troncos espalhados ao redor de um buraco rodeado de pedras onde em seu centro ardia um fogo.
— Onde está o Rei Stannis? — “ Rei, Rei” a ave de Mormont bicou o ombro de Jon.
— Na torre sul, ele se feriu na retirada de Fosso Cailin, os soldados Bolton quase o esmagaram. — O homem magro retirou o capuz de sobre a sua cabeça e lavou o rosto em uma bacia próxima das pedras do fogo.
Jon pôde ver que aquilo no rosto dele era uma espécie de tinta.
— Qual seu nome senhor?
— Priston Celtyng, capitão dos batedores.
Não havia cavaleiros nem meistre em Atalaia e Jon sabia disso.
— Qual a situação da guerra? — enquanto Jon seguia Priston por um estreito corredor ele viu que duas mulheres estavam ajudando Jeyne, e Melisandre o seguia de perto ouvindo tudo. — E qual o lado de Lorde Reed?
Priston não parava de assobiar aqui e ali e fazer sinais com as mãos para homens que passavam por uma galeria acima de onde estavam.
— Stannis está em sérios perigos, seus homens morrem de frio quem dirá nas batalhas. Eles não conhecem os pântanos e são atacados por animais, quando não, os Bolton soltam seus cães para caçá-los. — Ele olhou para Jon com uma expressão carrancuda. — Quanto ao nosso lado, estamos do lado dos cranogmanos como sempre.
“Cranogmanos”, o corvo grasnou lentamente como se soletrasse a palavra. Eles começaram a subir uma longa escada em espiral.
— Cranogmanos, sei, sei, e por que acolheram Stannis e seus exército, senhor? — “Stannis, rei”, a ave negra passeou pelos ombros de Snow.
— Não iriamos acolhê-lo até que ele disse conhecer um Stark que estava na grande Muralha. Levamos o caso ao conhecimento do Senhor Howland, ele que resolveu ajudar Stannis Baratheon.
A escada era escura e rangia com cada passo que Jon dava sobre ela.
— Eu sou a tal pessoa que Stannis mencionou — disse Jon com firmeza.
O homem loiro passou a mão pelo longo cavanhaque que tinha trançado no queixo.
— Então vamos, logo — recomeçou a subir a escada.
Jon e Melisandre se entreolharam, a mulher apenas sorriu com ar de sarcasmo, chegaram em uma grande porta dupla de carvalho reforçada com aço escuro, Celtyng a abriu e fez sinal com a mão para que Jon e Melisandre entrassem.
Jon conseguiu ver uma cama com um dossel em forma de uma grande onda e um homem estava deitado nela sendo cuidado por uma jovem que parecia ter a mesma idade de Arya. A porta foi trancada atrás deles e Priston os acomodou em cadeiras de madeira que estavam dispostas ao lado direito da cama, o arqueiro se curvou sobre o homem que estava deitado para falar-lhe ao ouvido. Esse deve ser Howland Reed, está muito mal como Justin havia mencionado no caminho, Jon estava meditando em tudo aquilo quando ouviu o homem tossir:
— Então, Jon Snow... — a voz era fraca e muito rouca. — Finalmente nos encontramos. — O velho de cabelos ralos meio grisalhos nas laterais e um pouco castanhos no topo da cabeça respirava com dificuldade. — Chegue mais perto filho... — A menina colocou um travesseiro marrom nas costas do velho homem para que ele ficasse assentado sobre a cama. — Esperei por esse dia desde que Ned Stark voltara para o norte. — Seus olhos verde-escuro dançaram nas órbitas, a menina que cuidava dele se aproximou com um vaso que possuía um bico muito fino e depositou alguma substância nos lábios do enfermo.
“Stark, Stark”, o corvo negro saltou para as vigas do telhado do quarto oval.
— Podemos voltar em outro momento senhor... — Jon foi interrompido.
O homem levantou uma mão fazendo sinal para que Snow não se movesse, um momento de silêncio se seguiu, algumas tossis, pelo dragão de gelo, este homem está morrendo. Jon se compadeceu daquele moribundo. Após mais alguns minutos que pareceram horas, acho que ele dormiu, o peito ainda está se movimentando então não morreu ainda. Por um instinto inexplicável o nortenho segurou na mão da umbromante vermelha que lhe acompanhava, Jon e Melisandre trocaram olhares de ansiedade.
— Sou Howland Reed, Senhor de Atalaia da Água Cinzenta e amigo de Eddard Stark. Nós compartilhamos muito perigos nesta vida desde muito jovens.
Howland Reed, esteve com meu pai na rebelião de Robert Baratheon. Jon apoio seus cotovelos nos joelhos e inclinou-se para frente, a conversa começou a interessá-lo.
— No torneio de Harrenhal conheci a irmã mais nova de Ned, e pude ficar frente a frente com o terrível Rhaegar e seu pai, o Rei Louco — tossiu e respirou fundo. — Lyanna era uma linda jovem, e vejo muito dela no seu rosto — Snow se empertigou com aquela afirmação.
Sou um bastardo, mas ainda assim um Stark, é claro que me pareço com um deles. Ao mesmo tempo que havia curiosidade o medo também se apresentava como um instinto de cautela.
— Por que está me contando isso? — Jon ficou olhando para o rosto imóvel de Reed. — A algo sobre meu pai que ele quer me contar? — pensou enquanto esfregava os polegares um no outro.
— Eddard não te contou nada sobre sua mãe, meu jovem? — tossiu compulsoriamente, e levou a mão a boca segurando um pano que saiu vermelho de sangue.
Ora! Vamos fale logo homem, aqueles contratempos estavam deixando Jon impaciente. Ele colocou uma mão na frente do rosto para falar com Melisandre.
— O que acha que ele quer nos contar? — A mulher de roupas vermelhas limitou-se a olhá-lo. — Meu pai está morto, não a nada que possamos fazer para mudar isso.
Melisandre olhou para Howland, ela se levantou foi até a pequena lareira e colocou as mãos sobre as chamas e depois veio com fogo nas mãos, não acredito que ela vai fazer bruxarias aqui também. Jon se móvel com intenção de parar Melisandre, mas não fez nada, ela passou a bola de fogo na região do peito de Reed que ainda tossia coercitivo, a tossi diminuiu até só restar a respiração ruidosa do velho alvacento. Esse Senhor da Luz tem mesmo poderes incríveis ou truques muito bons. Os olhos cinzas de Snow estavam concentrados na face sulcada de Howland.
— Continue Sor... — Jon ficou de pé devido a sofreguidão. — Senhor, já pode falar? — os olhos ansiosos passaram de Reed para Melisandre várias vezes.
O Senhor de Atalaia abriu fracamente os olhos e a boca com folgo, parece-me que a mágica com fogo deu certo mais uma vez. Aquilo ainda assustava Jon, mas no momento ele precisava ouvir o que Howland teria a dizer:
— Jon, apenas eu e Eddard sabemos a verdade sobre sua mãe — Snow reparou que os olhos de Reed pareciam mais vivazes. — Fiz um juramento de nunca revelar esse segredo a ninguém. Quando soube que Lorde Stark havia sido executado, tentei te encontrar e em minha última viagem descobri que prestou juramento a Patrulha da Noite e servia a Jeor Mormont, —“Mormont, Mormont” o corvo voltou a dar sinal de vida em cima de uma viga de carvalho. Reed voltou a fitar os olhos cinzas do Stark à sua frente: — Eu fiquei gravemente combalido e não pude realizar minha missão, mas hoje quebrarei meu juramente que fiz anos atrás na soleira da Torre da Alegria. — Todos no cômodo pareceram prender a respiração.
Jon conhecia a história da lendária batalha na Torre da Alegria em Dorne, lá o jovem Ned Stark e seus companheiros Willam Dustin, Ethan Glover, Martyn Cassel, Theo Wull, Mark Ryswell e o próprio Howland Reed lutaram bravamente contra os três maiores cavaleiros da Guarda Real.
— O que é tão importante assim para o senhor se arriscar em uma viagem rumo a Muralha apenas para me encontrar? — por dentro das luvas as mãos de Jon estavam úmidas apesar do frio.
Howland Reed limpou a garganta e cuspiu um sumo amarelo-esverdeado no chão.
— Naquele dia salvei Lorde Eddard da temível Alvorada de Sor Arthur Dayne, e fiz oposição contra o Lorde Comandante da Guarda, Sor Hightower enquanto vi o destruidor morcego Oswell Whent, cortar a cabeça de Mark Ryswell e subjugar Willam Dustin com apenas dois movimentos. — Os olhos anosos encheram-se de lágrimas com lembranças que Jon não tinha vivido, mas podia ver a verdade na face de Reed. — Apenas Ned e eu sobrevivemos aquela loucura.
Eu sei o que vem a seguir, ele falará da minha tia Lyanna e sua cama de sangue. Havia um falso conformismo no pensamento de Jon, e no fundo ele sabia disso.
— Tudo isso foi para resgatar a irmã de Eddard, mas quando subimos ao topo da torre a encontramos com as forças à míngua — respirou fundo por três vezes. — Lyanna fez seu irmão lhe prometer ali ajoelhado ao lado da cama que ele velaria pelo seu filho e não deixaria que a fúria de Robert o alcançasse.
Um filho ele disse, filho de Lyanna e Rhaegar? Antes que percebesse Jon havia se aproximado do leito.
— Lyanna temia que Robert e os Lannister matassem o filho do Último Dragão.
— O que quer dizer com isso senhor, existe um Targaryen vivo em Westeros? — se aproximou ainda mais para encarrar o velho pequeno e acamado.
— Sim, existe Jon. — Reed foi interrompido bruscamente.
— Onde está? — engoliu em seco por causa da ansiedade. — Essa criança que sobreviveu onde está? Quem é esse filho de Lyanna e Rhaegar?
O idoso Howland Reed colocou a mão esquerda no rosto de Jon e com uma expressão risonha na face e com lágrimas de alegria no rosto suspirou:
— Esse filho é você.
Jon ficou atônito, sem perceber deu alguns passos para trás e apoiado por Melisandre se sentou na cadeira de madeira. Vários pensamentos lhe passavam na cabeça, por que Eddard nunca me tratava como a um bastardo? Ele dizia que a quatorze anos guardava um segredo, nunca falava sobre minha mãe nem sobre Lyanna... por que escondeu a verdade e pagou o alto preço de ter a honra manchada, por que havia tido um filho bastardo? Um som como de uma “voz” dentro dele soou como Eddard Stark lhe dizendo: Eu prometi que falaria a você sobre sua mãe. Você tem meu sangue! Jon se atemorizou com tudo aquilo e se segurou nos braços da cadeira.
— Não, não pode ser... — Sua voz era um sussurrar assustado.
— Essa é a verdade sobre o segredo de Lorde Eddard Stark, ele nunca se desonrou na vida, mas teve que carregar o fardo de não poder revelar sua identidade por que havia feito uma promessa e também temia as retaliações dos Baratheon. — Reed começou uma crise de tossi rouca e sua boca ficou cheia de sangue e saliva amarelo-esverdeada.
Priston e a garota que estavam ali pegaram bacias com água e panos e pediram que Jon se afastasse, Melisandre estava parada em um canto e Fantasma estava sentado olhando pelas frestas da porta.
— Jon! — Melisandre o apoio — precisa voltar a si.
— Stannis não pode saber sobre sua real identidade, ele é um Baratheon que pensa ser rei. — Celtyng falou aos sussurros enquanto espreitava pelas frestas igual o lobo branco fazia.
Jon o agarrou pelo braço quando ele passou voltando das prateleiras com um frasco de algum medicamento na mão.
— Não sou inimigo de Stannis para temê-lo — percebeu imparcialidade no rosto da mulher vermelha e a segurou também, a encarrou com um olhar interrogativo.
Reed fez sinal com a mão para que todos prestassem atenção nele.
— Você não sabe nada, não é mesmo? Acha que, se Ned confiasse nos Baratheon não teria contado ao Rei Robert quando o achou nos braços da mulher que seria sua rainha?
— Rhaegar raptou Lyann...
— Ela fugiu com ele — Howland apontou o dedo sujo no rosto de Jon. — Você não foi gerado pelo ódio, foi o amor Jon, amor.
Jon chorou.
— Era Rhaegar e não Robert o verdadeiro amor de Lyanna — tossiu.
Jon ficou um bom tempo digerindo tudo aquilo, Melisandre, Fantasma, Priston o arqueiro e o corvo de Mormont não se apartaram dele. Howland Reed dormia muito devido a doença e as poções curativas, quando estava lucido, Jon conversava com ele e os esclarecimentos e prosas sempre acabavam na mesma conclusão, eu sou filho de Lyanna e Rhaegar Targaryen
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