O Trono de Gelo e Fogo
11 A Canção de Arya I
Notas iniciais

Arya vagava pelos corredores do castelo entediada com tudo o que não acontecia, a vida se resumia em comer dormir e ouvir as piadas ruins de Clegane. No corredor que dava para o jardim interno, Arya ouviu um silvo um barulho familiar que fez seu coração arder e ela posou a canhota sobre o botão de Agulha. Flechas estão sendo disparadas. Disse internamente enquanto se lançava para próxima das grades da entrada do jardim. Sansa estava com um arco longo na mão esquerda e com uma aljava presa a cintura com várias penas negras e hastes de madeira, Arya se agachou nas sombras e recolheu a calda do vestido de cetim preto com arabescos dourados para não ser vista pela irmã mais velha, A garota queria ver Sansa fazendo aquilo, o coração acelerou novamente. Achei que ela só sabia chorar e falar besteiras educadas e falsas.
A neve caía muito fraca e Sansa sorria com o êxito de seus disparos com o grande arco, ela mirava em um boneco de palha. Preparou mais uma flecha na corda, tencionou o arco para disparar, mas foi interrompida por Sandor Clegane.
Arya desviou os olhos, mas depois voltou a se concentrar na irmã e no Cão de Caça que estavam alheios a sua presença. Arya se lembrou de quando estava em Harrenhal servindo nas cozinhas de Tywin Lannister e espreitava atrás das portas para ouvir conversas alheias.
— Assim não Passarinho — se posicionou atrás da garota. — Puxe a corda até a sua orelha e mire no pescoço do filho da puta. As armaduras protegem o peito, mas tem vãos no pescoço e abaixo do braço.
A ruiva fez um muxoxo com a boca quando Sandor proferiu o xingamento.
— Perdoe-me Senhora. — Ele colocou a mão sobre a mão dela e juntos puxaram a corda do arco até a orelha de Sansa.
Sansa soltou-a e a flecha penetrou na palha na altura do pescoço de seu alvo. A garota de Winterfell comemorou timidamente o acerto.
— Minhas costas estão doloridas — colocou uma mão no pescoço e fez movimento circulares.
— Manejar um arco exige força Passarinho, não é fácil como parece ainda mais se for na tenção da batalha. — Começou a desafivelar o cinto que segurava a aljava na cintura de Sansa.
Sandor se virou de costas ficando na frente da visão de Arya e ela não conseguia ouvir muito bem o que ele falava com sua irmã que estava oculta a seus olhos pela altura e a capa negra que o Cão usava. Arya se lembrou da noite em que ela e Sandor Clegane foram chamados ao Alto Salão no Ninho da Águia. Sansa se revelou e os acolheu como uma verdadeira Lady que era.
— Está atirando muito bem Sansa. — Arya finalmente apareceu no portão do jardim, deu uma olhada rápida no vestido verde-musgo de sua irmã e percebeu a proteção de couro no antebraço esquerdo e a luva de três dedos na mão direita e o corset com chapas de bronze que lhe protegia os seios e a barriga. Ela realmente está levando isso a sério...
Ela começou a caminhar com um olhar frio para Sandor que pareceu alheio a presença dela. Maldito traidor, mulherengo, filho de uma cadela... bajulador real e puxa-saco honorário. Foi só ver minha irmã que foi logo se ajoelhando e prometendo dar a vida por um fio de seu maldito cabelo ruivo. Arya queria dizer tudo isso a Clegane, confrontá-lo gritar as palavras em seu rosto deformado e esbofeteá-lo, mas não o fez com medo talvez de perder a pouca atenção que o Cão de Caça lhe demandava.
— Querida irmã junte-se a mim. — Passou o arco para as mãos de Clegane e abraçou Arya.
— Então é isso que está fazendo todas as noites quando some? — Arya não acreditava que era só aquilo. Cão de Caça era obviamente apaixonado por sua irmã mais velha que estava bem diferente de quando eram crianças no Norte.
Clegane estava desmontando o arco, ele colocou a vara apoiada no chão e usando o joelho e o peso do próprio corpo ele curvou as laminas de madeira e retirou a corda feita de cânhamo trançado para que a madeira curva descansasse da tensão.
— Lady Sansa atira muito bem, nesses poucos dias que estamos praticando ela só errou o alvo algumas poucas vezes. — Clegane olhou para Arya com um sorriso malicioso no rosto.
Arya retribuiu com um sorriso ácido e em seguida disse:
— Onde estão as suas aias?
— Devem estar dormindo essas horas, quem sabe disso — deu de ombros.
Sansa subiu uma escada estreita que ficava ao lado do jardim e que dava para um corredor em formato de meia-lua e acabava em uma sacada que era a do antigo quarto da sua falecida tia.
— Sentar-te comigo por favor — apontou com a mão uma cadeira de aço almofadada para Arya. Pegou uma ânfora com um desenho talhado no barro de uma grande árvore.
Sansa bebendo vinho Da Árvore, e eu sofrendo por atenção de Clegane... pelos deuses o que está acontecendo? Arya Stark olhava a irmã mais velha boquiaberta. Sansa não sabia, mas Arya notara que ela carregava uma adaga de aço valiriano presa a coxa direita em baixo do vestido. E agora Sansa também estava manejando um grande arco de guerra.
Arya pegou um cálice de prata e despejou um bom tanto do tinto e bebeu em uma única golada, em seguida voltou a encher o cálice.
— Eu me sinto tão bem de tê-la aqui comigo. Você não imagina como sou grata aos Sete por terem guiado vocês até aqui. — Pegou um pedaço de queijo verde com um garfo.
— Vocês? — Arya olhou para o Cão de Caça que já estava plantado de pé atrás de Sansa. — Diga-me, você não iria para as Cidades Livres?
— Não vou mais. — Sandor respondeu seco como sempre.
— Sei, sei; tem algo a mais que deseja me contar? — Arya queria arrancar as palavras de dentro da garganta de Clegane, ela chegava a delirar acordada cortando a sua garganta.
Clegane limitou-se a olhá-la com cara de quem não sabia do que se tratava aquela pergunta.
— Acho que já vou me recolher — Sansa se levantou educadamente.
Arya fez menção de segui-la, mas Sansa fez um sinal com a mão para que ela continuasse sentada.
— Meu banho já deve estar pronto e eu estou muito cansada depois de praticar arco e flecha por quase uma hora. — Beijou Arya na testa e saiu.
Arya ficou um tempo olhando para Clegane que ficou ali parado feito uma armadura vazia.
— Você não vai seguir a sua nova dona? — mastigou um naco de queijo e pão.
— O que quer dizer com dona? — Sandor olhou para um lado e para o outro para se certificar que não havia ninguém por perto, em seguida passou a mão na ânfora com o vinho Da Árvore.
Arya ficou observando com um meio-sorriso. Cachorro velho truques novos. Sandor encheu o cálice onde Sansa havia bebido e levou a boca de uma vez deixando cair um pouco de vinho pelo canto da boca.
— O que a de errado com você pirralha? Desde aquela maldita festa de pederastas que estivemos todos bêbados você tem fugido de...
— É você que se esquece rápido das coisas! — Arya o interrompeu grosseiramente. — Não se faça de idiota! — Se exaltou, mas logo se recompôs.
Sandor deu meia volta na pequena mesa redonda para se posicionar atrás da garota Stark.
— Por que está tão comportada ultimamente? — ele fungou o cabelo dela que estava amarado em um coque no alto da cabeça. — Acha que suas novas roupas mudam quem você realmente é? — Clegane colocou as mãos sobre os ombros de Arya e apertou até sentir que ela contraiu os músculos diante da pressão. Se aproximou de sua orelha direita. — Você é uma maldita Lady agora? Na estrada você estava desesperada por um pa...
Arya fez um movimento com os ombros e se livrou das mãos calejadas de Clegane.
— Como ousa a falar assim comigo? — Arya ficou rubra como uma brasa, posou a mão sobre sua espada. Agulha contrastava com o visual delicado da jovem loba que usava vestido de cetim e joias no pescoço e nas orelhas. — Eu ainda sou Arya Stark!
Sandor a olhava com olhos escuros e um sorriso medonho, Arya percebeu que ele olhava diretamente para seus seios que sob a pressão do corset estavam saltados para frente com o dobro do tamanho.
— Eu fiz juramento a sua irmã. — Se aproximou dela com ferocidade.
— Acha que não o vi se ajoelhar para ela! — Deu passos para trás —, na mesma noite em que ela nos recebeu você já foi logo babando pelas doces palavras e seu belo cabelo ruivo. — Ela o empurrou em vão, Clegane se quer moveu-se.
Sobre a fraca iluminação dos archotes e lanternas pendurados no teto e na parede da sacada do quarto onde estavam, Arya temeu a expressão sinistra do Cão de Caça. Calma como águas paradas! De alguma forma ele parecia maior e mais forte, talvez fosse a comida e as longas noites de descanso do Ninho da Águia. Todos os ditados de Syrio Forel vieram a sua mente.
— Achei que estavas junto comigo nesta... — ela sentiu as mãos dele a apertarem pelos braços. Sua espinha congelou e sentiu um súbito medo.
— Juntos? — a boca hedionda meio-queimada salivou bem próxima do rosto da Stark. — Vamos pegar a porra de um barco e fugir para Braavos, ou a merda do País das Maravilhas.
— Me larga...seu —, lutou para se libertar.
Clegane a jogou pelo quarto a dentro, a garota esbelta caiu sobre um tapete que forrava o chão de pedra. Arya se virou rápido no chão, mas Sandor já estava em cima dela com as duas pernas uma de cada lado de seu corpo impedindo que ela se levantasse, depois de montar nela ele segurou seus dois braços acima da cabeça e aproximou o rosto do dela.
— O nosso trato foi que eu te traria até seus parentes. E fiz melhor do que o prometido te entregando a sua doce irmã. — Mordeu o próprio lábio com suavidade.
— E por que não foi embora ainda? — Arya tentava mover as pernas, mas era impossível, Sandor era muito pesado.
— Tua irmã é misericordiosa e me ofereceu trabalho.
— Sim, depois de você se render aos seus pés todo molenga. — Os olhos de Arya ficaram úmidos. — Por que não me solta!
— Pareço molenga agora? — aproximou o rosto ainda mais até que seus narizes se tocassem. — E você desistiu de ser uma assassina sem rosto? Desde o início eu te disse que pediria um lugar na guarda do seu irmão, mas o jovem babaca morreu e só Sansa pode reclamar Winterfell e se tornar rainha no Norte e se você se comportar pode ser uma porra de princesa fodida.
— Não! Não sou princesa. — Se chacoalhou com violência.
Sandor soltou uma risada fungada e mordeu o lábio inferior novamente. Adoro quando ela luta e resiste isso me dá mais tesão. Seu pensamento brincou com a realidade.
Arya estava assustada, mas era muito corajosa para admitir isso. Que cara é essa que ele está fazendo? Parece sentir prazer em me torturar. Fechou os olhos tentando se acalmar e afastar o pensamento.
Sandor continuava com aquele riso fungado como o cão que rosna enquanto rasga a carne de sua presa.
— Ao meu ver vocês duas irão se sentar nos salões de Winterfell. As duas bocetas do Norte que sobreviveram aos paus dos Lannister. Você deveria me agradecer por ter te salvado.
A loba ficou acuada e parou de lutar. Sei bem o tipo de agradecimento que quer! Começou a soluçar e fechou os olhos para esconder as lágrimas virando o rosto para que Sandor não á visualizasse chorando. Se é isso que quer...
Clegane ficou olhando para o pescoço pálido de Arya que pulsava com o sangue de suas veias e sentiu seu cheiro cálido, não. Aquele não era o cheiro da loba selvagem que partilhou a estrada com ele, aquele era o perfume de sua Lady Sansa, o cheiro de rosas do inverno, doce e intenso. Sandor passou os lábios bem perto da pele do pescoço da jovem loba. Percebendo isso Arya teve seus instintos de sobrevivência ativados de súbito e tentou gritar por socorro, mas a mão poderosa do Cão de Caça tapou-lhe a boca. Eles ficaram se encarando durante um bom tempo até que Sandor ergueu as duas mãos em sinal de que não iria machucá-la, Arya entendeu e ele se levantou primeiro e em seguida estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. Eles se olharam sem palavras para explicar o constrangimento daquele ato. Por que ele beijou meu pescoço? Arya abriu os lábios para dizer a frase, mas o que saiu foi o barulho de sua respiração suspirada e forte. Ela se lembrou de quando Clegane a segurou contra a pedra na estrada de altitude. Pensei que iria ser lá, mas me enganei... como me enganei agora.
Arya não sabia responder se ela tinha medo de ser estuprada pelo Cão de Caça ou se ela desejava isso. Que nojo! Ela não conseguia pensar em sexo com a facilidade que as aias de Sansa falavam e pareciam gostar de fazê-lo. De algum modo aquilo não parecia certo, Arya era nobre e Sandor um homem valente e habilidoso em batalha, mas não passava de um cavaleiro livre que nunca fora ungido com os sete óleos no Septo de Baelor. O dever a honra e toda essa besteira de senhor e senhora estava entre eles, mas também estavam entre Sandor e Sansa. Não, não Sansa que sonha com beleza e sabe que uma Lady se guarda para seu esposo e apenas ele pode tocá-la. Arya voltou a sua expressão fria de sempre:
— Já acabamos? — se dirigiu para a porta interna do quarto.
Sandor ficou sem palavras e saiu pela sacada que dava para o jardim.
Arya alcançou o corredor e olhou para trás para se certificar que Clegane não a estava seguindo. Ela se apoiou nas paredes como se procurasse recuperar o fôlego e sentiu que era infeliz naquele lugar. Ela ansiou pela liberdade de correr por vales e florestas, subir muralhas. Essa não é a minha vida. Ela queria mais do que viver em segurança em uma alta torre. Sentiu algo duro quando sua mão apertou seu peito e se lembrou da moeda que Jaqen H'ghar havia lhe confiado quando a ajudou a fugir de Harrenhal e de Gregor A Montanha. A lista de Arya teve início com a amizade do galante estranho de cabelos ruivos com mexa branca que lhe prometeu três mortes.
Se alguém quebrar teu coração, você sempre pode quebrar-lhe o corpo... A frase dita por Jaqen em outra ocasião pareceu ser sussurrada ao ouvido da Stark que respirava fundo recostada na parede com os olhos fechados segurando na mão esquerda a moeda de Braavos. Eu posso fazer isso!
— Quer companhia?
Arya abriu os olhos assustada, não percebera que alguém havia se aproximado.
— O que você quer Mya?
A garota alta passou os dedos várias vezes pelos cabelos negros para arrumá-los e se aproximou se curvado para encarar a Stark.
— Acredite Arya, nessas horas nada melhor que beber e jogar conversa fora. — Sorriu maliciosamente e ofereceu um odre para Arya. — Sua irmã anda muito reservada, acho que a chegada de um certo grandalhão tem a ver com a mudança de comportamento dela. Ou talvez não...
— Por que fala desse modo? Sabe demais coisas que minha irmã anda aprontando? — bebeu do odre, escondeu a moeda novamente no corset.
— Sansa aprontando? Isso eu queria ver. — Passou o braço pelos ombros da companheira. — Os homens tem o poder de nos enlouquecer —, começaram a caminhar juntas rumo ao quarto de Arya. — Eu vi você e ele se pegando no jardim. Como era na estrada? — pigarreou quando olhou os frios olhos cinzentos de Arya que pareciam falar uma frase de: “ Porque você não se cala”! — Se acalma garota... já estou mais pra lá que pra cá.
Arya parou e se encostou na parede perto da porta com as mãos para trás e Stone fez o mesmo só que na parede oposta. Ficaram se olhando por um tempo.
Mya deu de ombros como se esperasse a Stark começar a falar.
— E então garota, você vai me contar ou não? — desabotoou o casaco de couro marrom e a blusa de lã cinza que tinha por baixo a camisa estava aberta até a barriga exibindo metade dos seios.
Os archotes e lanternas que estavam pendurados nas paredes e no teto começaram a tremeluzir por causa de uma brisa qualquer ou por que o combustível estava se acabando. Um silêncio sepulcral se instalou entre as duas. E agora minto ou conto-lhe a verdade. Arya sorriu nervosamente enquanto alisava o próprio pescoço. A verdade é muito entediante. Essa bastarda vai rir de mim, isso se Sandor não já tenha feito aquilo com ela em algum canto desse castelo. Arya pegou o odre das mãos de Mya.
— Ei... vai com calma — Sorriu sonoramente enquanto levantava os braços como se estivesse dançando.
Arya bebeu um longo gole do tinto amargo, um pouco de coragem liquida.
— No início de nossa jornada eu não passava de uma garota suja e pulguenta. — Ergueu as saías do vestido com as mãos e se sentou no chão ainda recostada na parede. — Com um tempo o Cão ficava me olhando estranho, com uma cara de faminto. Sabe?
— Eu sei. Bem que eu desconfiava, ele é um puto. — Mya se arrastou para se sentar perto de Arya se recostando na mesma parede.
Elas começaram a soltar risinhos afetados. E começaram a beber do odre várias e várias vezes.
— Ele é um cão imundo — mordeu o lábio e o vinho escorreu pelo canto da boca. — Estou me sentindo quente. — Arya se abanou. — Como sou uma boa mentirosa, essa tonta está caindo direitinho.
Mya ria descontrolada.
— Ou será a lembrança de outras coisas? — aproximou o rosto de Arya e quando tentou se equilibrar com a mão na nuca da Stark, seus lábios tocaram na bochecha da garota que tentou mexer a cabeça e acabou rosando a boca nos lábios de Mya.
As duas se afastaram com as mãos cobrindo a boca e olhos risonhos. O que foi isso? Arya temeu descobrir uma faceta de Mya Stone que ela já desconfiava. O medo paralisa. Eu vou deixá-lo passar por mim e sobre mim e no final eu ficarei bem.
Mya bebeu mais vinho.
— ... E aí continua e me conta tudo com detalhes.
Arya respirou fundo e ajeitou a postura. Ela já estava com a visão meio turva por causa do forte vinho.
— Aquele monstro quis... — a sua cabeça rodou. — Várias vezes me foder na estrada, mas eu resisti —, deu dois tapas no cabo da espada.
— Hum! E você furou ele? — Mya falou como se pensasse outra coisa no lugar de furou.
— Não...
— Então ele te furou? — ergueu as sobrancelhas. — Eu imagino ele te pegando com aquelas mãos grandes. E o tamanho do... — mediu com as duas mãos na frente do rosto.
Arya ficou sem graça e enquanto afagava o seu braço por causa do frio ela comparou a medida que Mya havia mostrado com seu antebraço. Não pode ser, seria um cavalo.
— A minha vida é a canção que Sansa cantou na taverna.
As duas se olharam e cantarolaram:
— Todos os momentos que já passaram. Nós vamos tentar voltar atrás e fazer durar. Todas as coisas que nós esperamos um do outro... nós nunca seremos.
— É essa a verdade... E vocês, já fizeram? Você sabe... — Arya perguntou tentando parecer animada. — Acho que vou colocá-la na minha lista.
— Não, não fizemos nada minha Senhora — fez um muxoxo com a boca. — Mais bem que eu queria.
Nesse momento Arya pulou por cima de Mya gritando e a segurando pelo pescoço, mas devido aos seus movimentos débeis, Stone fez uma ponte usando o quadril e suas fortes pernas e a garota raivosa e bêbada se desequilibrou e caiu para o lado e Mya montou em sua barriga.
Arya começou a gruir palavras sem sentido, Stone tentou lhe segurar mais levou dois tapas no rosto e se levantou com a mão no rosto.
— Por que me bateu?
— Por que me atacou? — Mya estava calma, mas percebeu que os olhos de Arya estavam marejados.
O rosto de Arya estava rubro e ela caminhou para frente, tentando manter o equilíbrio, eu podia matá-la agora mesmo. Perdeu a coragem quando percebeu que os olhos azuis de Mya estavam bem vivos e ligados em cada movimento dela.
Abriu a porta do quarto e entrou caminhando com dificuldade, se virou quando ouviu a porta se fechar atrás de si Mya a seguia e tentou colocar as mãos nos seus ombros e as duas cambalearam e caíram na cama e ficaram ali olhando para o teto.
— Você tem os olhos do Gendry.
— Que porra é Gendry?
— Outro idiota como Sandor —, Arya esfregou os olhos por que o quarto estava muito escuro, só haviam três velas no pequeno cômodo e o braseiro estava quase apagado por completo deixando uma luz avermelhada no ambiente.
O seu corpo relaxou e Arya resolveu virar-se para deitar de lado na cama quando sentiu um calor nas costelas e no seio, Mya Stone a abraçou. Eu te aqueço essa noite. Arya não sabia se a garota Baratheon estava falando com ela ou se era um delírio causado por vinho e sono.
Arya acordou com uma leve dor de cabeça, estava sozinha na sua cama embaixo de grossas peles. Quando se levantou percebeu que estava usando apenas uma fina camisa de algodão. Olhou ao redor e viu Agulha e seu vestido em cima da única cadeira que havia no aposento.
Depois de ter feito sua higiene e ter se vestido com o mesmo vestido da noite anterior, resolveu ir até a cozinha comer alguma coisa, não queria tomar o desjejum com sua irmã que provavelmente estaria acompanhada de Clegane e sua corte de bajuladoras. Ao se aproximar de uma porta no corredor ouviu gemidos e gruídos, o que é isso? O pensamento a golpeou ao mesmo tempo em que ela lançou o ouvido na porta para poder ouvir melhor. Não dava para identificar quem eram as pessoas lá dentro, os barulhos que emitiam eram indistintos, palavras sem nexo ou só soltavam vogais em seus sussurros. Parece que estão fazendo exercícios físicos! Arya foi posando a mão lentamente sobre a fechadura da porta ouviu um claps, em seguida começou a empurrar lentamente a pesada madeira até poder ver com um dos olhos o que se passava lá dentro. Uma garota loura estava sentada nua em cima da cama pulando sem parar, quem é? Não era possível ter um visual completo por que as janelas estavam fechadas e o dossel da cama estava na sua frente. Não dava para ver direito, mas havia uma segunda pessoa que parecia estar deitada na cama. E agora entro aí ou não? É melhor comer antes de praticar alguma coisa...
Fechou a porta lentamente e começou a andar novamente descendo as escadas de pedras azuis para ir até a cozinha.
— Acorda garota bruxa —, Arya viu Myrca dormindo debruçada sobre a mesa da cozinha.
Myrcalla se assustou e começou a limpar o rosto em seguida se pós de pé.
— Senhora Arya, o que faz acordada tão cedo?
— Eu quero comida — se sentou na mesa no lado oposto com olhos desconfiados para a Asshai’i. — Por que estava dormindo aqui?
A garota de olhos castanhos-mel ficou assustada com alguma coisa e olhou para o chão como se procurasse um buraco para se enfiar.
— Responda-me! — O tom de Arya foi ameaçador.
Myrcalla tentou sair da cozinha a passos largos, mas Arya era mais rápida mesmo usando vestido ela pulou do banco onde estava e se entrepôs entre Myrca e a saída.
— Fala logo... — sacudiu a garota pelos ombros.
Myrcalla soltou um gritinho.
— Ela está com alguém no quarto. Iris está com alguém lá no quarto.
Arya a libertou, seu rosto estava ruborizado.
— Vamos até lá! — Arya começou a empurrar Myrcalla escada acima. — Maldito, se for... eu te esfolo.
Myrcalla começou a cambalear e tropeçou duas vezes caindo no chão. Ela temia que Arya sacasse Agulha e a ferisse mortalmente.
Quando chegaram no quarto Myrcalla ficou parada na frente da porta, mas a Stark foi logo abrindo e entrando para dentro do aposento.
— O que é isso? — Arya identificou Iris ainda deitada na cama com um lençol cobrindo-lhe o corpo.
E viu um homem apertando o cinto sobre seu gibão com um cabelo negro todo molhado.
— Vire-se devagar! — A Stark colocou a canhota sobre o botão de Agulha. — Maldito...
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