O Trono

3 Parem de tentar me envenenar.


Notas iniciais
Alice está de volta. Desculpem a demora, não lembrava de jeito nenhum dos dados dessa conta

Eu admirava a capacidade de minha família em torna-se um exemplo quando queria. Após o "grande" almoço, onde Alexander pediu Laura em casamento — e ela, nada bobinha aceitou — papai ficou radiante, e fez questão de fazer um grandioso e pomposo anúncio para todos os súditos.

Aquilo tudo era tão... Patético. Eu me sentia tão impotente, e queria apenas sumir daquele lugar. A minha última tentativa de fuga, fiquei amarrada a uma cama, mas mesmo assim, não me abalei. Ainda vou ficar bem longe dessa família.

Papai acha que pode me abater, está muito enganado. Ele achava que eu seria igual a mamãe, uma marionete, pronta para obedecer tudo o que ele mandava, mas eu logo me mostrei de verdade, e papai acabou desistindo de mim. Ele só ia atrás, pois não nos queria envolvidos em escândalos.

Então ele me mantia por perto, para me vigiar. Ele etá tão cínico, e mamãe o apoiava em todas suas loucuras e fingia não ver todas as maldades de seu marido.

Hoje eles estavam fazendo 24 anos de casados, e por coincidência — Haha — Alexander e Laura anunciarão oficialmente seu noivado. Aqueles dois me davam nojo, mas se mereciam.

Mamãe e papai estavam organizando uma linda e grandiosa festa, e estavam extremamente preocupados com a possibilidade de eu aprontar alguma na festa.

Então, não fiquei surpresa quando recebi um bilhete da rainha, exigindo que depois do café da manhã, eu estivesse em seu escritório.

— Como você sabe, Alice. Hoje é o anúncio do noivado de seu irmão, e ainda será a festa de aniversário de seus pais. — Falou mamãe.

Estávamos eu, Alexander e mamãe no escritório dela. "Conversando". Papai estava treinando o discurso que dirá na festa, ou melhor, as palavras que ele usaria para iludir o pai de Laura, então não estava participando da nossa "agradável" reunião familiar.

— Espero que você se comporte. — Falou Alexander, em tom ameaçador.

Sorri.

— Claro que eu irei me comportar.

Alexander ficou alarmado, e alertou mamãe com o olhar, e ficou surpresa com minha postura. Dobrei a perna e assumi a postura ereta.

— Mas, eu tenho uma condição. – Eu afirmei , assumindo uma postura hostil e irônica.

Alexander bufou, enquanto mamãe sentou na poltrona vinho de seu escritório, incrédula.

— Não sei se você percebeu, Alice. – Falou Alexander, baixinho. – Mas você não está em posição de exigir nada aqui.

— Ótimo! Então eu vou contar a sua preciosa Laura, sobre o seu caso com uma criadinha suja, como ela enche a boca para chamar as pessoas que trabalham para ela.

Alexander segurou meu pulso com força. Doeu, não posso negar, mas mantive minha postura.

— Você não ousaria.

— Quer apostar?

Atrás de Alexander, mamãe pareceu voltar para a aula realidade. Então, ela ergueu a mão.

— Parem com isso!

Brutalmente, Alexander soltou meu pulso. Estava vermelho, e com os dedos de meu irmão mais velho marcados nele.

— O que você quer, Alice? – Perguntou mamãe, deixando Alexander incrédulo ao lado dela.

— Mamãe...

— Deixe Alice falar, Alexander.

Eu não estava surpresa. Era óbvio que mamãe agiria assim. Na escola em que eles entrarm agora, eu sou a diretora. Eles sabem em que território estão pisando, por isso eu sabia que era tudo um jogo. E eu estava doidinha para jogar.

— Eu quero a minha liberdade de volta. – Falei. – Estou cansada de ser amarrada todas as noites na cama, ter não sei quantos guardas na minha porta, e ainda viver nas sombras porque aparentemente, estou com uma doença gravíssima.

Alexander ficou vermelho de raiva.

— Mas é claro que não, Alice! De maneira alguma, não, não. Você está determinada a destruir nossa família!

Olhei para mamãe a vi ficar ereta, pensativa. Revirei os olhos e lancei um olhar para Alexander, que por sua vez me fuzilou para o olhar. Eu não queria, mas, acabei me dando ao trabalho de respondê-lo

— Eu não faço nada. O que vocês ainda não perceberam, é que vocês mesmo se destroem. Vocês agem e eu vejo vocês se degradarem, e como uma infeliz consequência, eu me degrado junto com vocês. – Eu ri baixinho. – Eu não concordo com as tiranias e maldades de papai e sou taxada de louca.

Alexander cerrou os punhos. Mamãe continuava quieta, ponderando.

— O que você entende de política, Alice? – Perguntou Alexander, ironicamente.

Perdi minha postura ereta, e assumi uma de maldosa.

— Eu entendo o suficiente para saber que, às contas não fecham por aqui a muito tempo. O que o nosso papaizinho anda fazendo com o dinheiro? O povo está ficando revoltado, e uma hora ele terá que prestar contas. Aí, irmãozinho, o mundo vai desabar e ele vai pular do barco, e vai largar as responsabilidades nas suas costas!

— Chega! – Gritou mamãe, finalmente. – Está bem, Alice. Te damos o que você quer e você deixa a todos nós em paz. Em troca, você para de infernizar a nossas vidas.

Esbocei um sorriso.

— Ótimo. Uma troca justa, vocês param de me infernizar e eu não entrego vocês aos revoltosos.

Vi mamãe tremer, e Alexander olhar para ela, incrédulo.

— Você vai deixar ela por aí? Ela pode tentar algo, mãe....

Mamãe ergueu a cabeça.

— Filho, você sabe de quem estamos falando. – Ela olhou para mim – E querendo ou não, esse... Pedido dela, é bem simples para o termo Alice, não acha? Vamos aceitar, antes que ela mude de ideia.

Alexander passou as mãos no cabelo e assentiu.

— Temos um acordo? – Estendi a mão para mamãe.

— Temos um acordo. – Mamãe apertou minha mão.

Alexander me olhou de maneira sombria.

— Lembre que um dos principais termos é você nos deixar em paz.

Sorri dissimuladamente. Era incrível como eles tentavam me transformar em grande vilã da história. A ovelha negra da família.

Levantei e sorrindo, falei para eles.

— Bem, estou indo. Parabéns pelo noivado, irmãozinho. Você e Laura se merecem. – Virando para mamãe, falei. – E mamãe, parabéns pelos 24 anos do casamento mais fracassados da história.

Me virei para sair, mas quando cheguei na porta, lembrei de algo que eu não falei.

— Ah, e a propósito. – olhei para os dois, que me olhavam irritados. – Parem de tentar me envenenar. É chato ter que regular tudo o que como por causa de vocês.

Saí e fechei a porta. Com um andar vitorioso, fui do corredor para meu quarto, comemorando.

Notas finais
Comentem sobre a nossa Alice. Vocês acham que ela é má? Quem acredita em signos, me diga, qual é o signo da nossa personagem principal?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.